Quarta-feira, 15 de Julho de 2009

Os Ombros Suportam o Mundo


* Carlos Drummond de Andrade


Chega um tempo em que não se diz mais: meu Deus.

Tempo de absoluta depuração.

Tempo em que não se diz mais: meu amor.

Porque o amor resultou inútil.

E os olhos não choram.

E as mãos tecem apenas o rude trabalho.

E o coração está seco.

Em vão mulheres batem à porta, não abrirás.

Ficaste sozinho, a luz apagou-se,

mas na sombra teus olhos resplandecem enormes.

És todo certeza, já não sabes sofrer.

E nada esperas de teus amigos.

Pouco importa venha a velhice, que é a velhice?

Teu ombros suportam o mundo

e ele não pesa mais que a mão de uma criança.


As guerras, as fomes, as discussões dentro dos edifícios

provam apenas que a vida prossegue

e nem todos se libertaram ainda.

Alguns, achando bárbaro o espetáculo,

prefeririam (os delicados) morrer.

Chegou um tempo em que não adianta morrer.

Chegou um tempo em que a vida é uma ordem.

A vida apenas, sem mistificação.



Lambança!


Curso: Introdução ao Cinema Documentário

A partir do dia 20/07 estará aberta as inscrições para o curso de férias "Introdução ao Cinema Documentário" (Módulo I).
Este módulo é pré-requesito para o módulo II - Realização de um documentário (aulas práticas) que se iniciará em agosto.
O curso é promovido pela Escola de Artes da UFMT e será ministrado pela cineasta Bárbara Fontes.

Este mês foi lançado o documentário "Sayonara", produzido pelos alunos que participaram do curso no ano passado.

Informações Adicionais:

Período do Curso: 28/07 (terça-feira), 30/07 (Quinta), 04/08 (terça), 06/08 (quinta), 11/08 (terça) e 13/08 (quinta)
Horário: 13:30 às 18:00
Investimento: R$ 200,00

Conteudo:
* Historia do Documentario
* Da idéia ao Roteiro
* Exibições de documentarios e analise fílmica

Informações:
3615.8354
99574622 (Bárbara

Sábado, 4 de Julho de 2009

ABRAJET CONTRA A EXTINÇÃO DO DIPLOMA DE JORNALISMO

O Conselho Nacional da Associação Brasileira de Jornalistas de Turismo(Abrajet), reunido no Hotel Bourbon, em São Paulo, manifestou-secontrário à decisão do Supremo Tribunal Federal extinguindo aexigência de apresentação do Diploma de Jornalismo para a emissão doRegistro Profissional de Jornalista pelo Ministério do Trabalho.

Ao mesmo tempo, o Conselho manifesta total apoio aos membros doCongresso Nacional que estão se mobilizando no sentido de corrigiresta decisão que prejudica a uma categoria que tem histórica e ativaparticipação nos destinos do País e sempre defendeu o direito deexpressão como símbolo legítimo da democracia.

São Paulo, 4 de julho de 2009.

Conselho Nacional da ABRAJET

Terça-feira, 30 de Junho de 2009

Abicalil apóia PEC´s que propõem obrigatoriedade de diploma de jornalismo




O deputado federal e vice-líder do Governo no Congresso Nacional, Carlos Abicalil (PT), aderiu à Proposta de Emenda à Constituição (PEC), de autoria do deputado Paulo Pimenta (PT/RS), em que estabelece a necessidade de curso superior em jornalismo para o exercício da profissão.
Abicalil também assinou a PEC com semelhante proposta de autoria do deputado José Airton Cirilo (PT/CE). Ambas as propostas são oriundas da repercussão da sociedade após a decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) em derrubar a exigência do diploma de jornalismo para o exercício da profissão.
A sessão ocorreu no dia 17 de junho, desde então entidades ligadas a categoria de profissionais realizam manifestações por todo o país. Apóio- Abicalil recebeu representantes do Sindicato dos Jornalistas de Mato Grosso na segunda-feira passada (22).
Os jornalistas levaram ao parlamentar a preocupação da categoria em relação à queda do diploma.
“Esta decisão pode representar um ataque a toda e qualquer profissão do país. Pois há declarações do presidente do STF e relator da matéria, que apontam um possível efeito dominó, colocando em sobressalto categorias de trabalhadores, que na avaliação dele não representam riscos à sociedade”, disse a presidente do Sindjor, Keka Werneck.
Esta não é a primeira vez que o deputado ouve a categoria de jornalista. No ano passado, Abicalil discursou na tribuna apoiando a luta dos profissionais pela regulamentação da profissão e obrigatoriedade do diploma especifico para o exercício do jornalismo.

Senador apresenta PEC do diploma de jornalista; contrariando STF


Agência DIAP

A proposta de emenda à Constituição (PEC) que exige diploma de jornalismo será apresentada até às 18h desta quarta-feira (1º).
A informação é do autor da proposta, senador Antônio Carlos Valadares (PSB/SE), segundo divulgou a Agência Brasil.
Vale lembrar, no entanto, que, se aprovada, a emenda já nasce inconstitucional.
Isso porque o Supremo Tribunal Federal (STF) já afirmou que a "liberdade de expressão" é cláusula pétrea e não pode ser restringida. Esta foi uma das razões elencadas para desregulamentar a profissão
"Pretendo ampliar ainda mais o apoio à proposta e, com isso, criar condições para que sua tramitação ocorra de forma ágil", explica o senador.
ApoiosA expectativa é de que, no início da próxima semana, a PEC já conte com pelo menos 50 assinaturas de apoio dos senadores para a sua apresentação.
A emenda precisa ser aprovada por três quintos dos senadores em dois turnos, o que corresponde a 49 dos 81 votos. Antes, terá de passar pela Comissão de Constituição e Justiça (CCJ).
"Não acredito que a proposta venha a ser considerada inconstitucional porque é
uma situação bastante similar à PEC da Verticalização Política. Na época, o STF
julgou que as alianças entre partidos nos estados teria de, obrigatoriamente,
ser estendida a todo País. Mas, por meio de uma PEC o Congresso Nacional
conseguiu mudar a situação", disse o senador à Agência Brasil.
Na opinião do ex-ministro do Supremo Tribunal Federal Maurício Corrêa, a estratégia de tornar obrigatória a exigência do diploma por meio de emenda constitucional pode ser bem sucedida.
"Isso é possível, mas há que se ter cuidado para que ela não seja interpretada como repreensão à decisão do Supremo", disse Corrêa.
A PEC pretende acrescentar o artigo 220A na Constituição, exigindo o diploma de curso superior de comunicação social, com habilitação em jornalismo, para o exercício da função.
A proposta acrescenta também um parágrafo único ao artigo, tornando facultativa a exigência do diploma para os colaboradores. (Fonte: Conjur)

Sexta-feira, 26 de Junho de 2009

Como endireitar um esquerdista


Por Frei Betto


*Fonte: Diap


Ser de esquerda é, desde que essa classificação surgiu na Revolução Francesa, optar pelos pobres, indignar-se frente à exclusão social, inconformar-se com toda forma de injustiça ou, como dizia Bobbio, considerar aberração a desigualdade social.


Ser de direita é tolerar injustiças, considerar os imperativos do mercado acima dos direitos humanos, encarar a pobreza como nódoa incurável, julgar que existem pessoas e povos intrinsecamente superiores a outros.


Ser esquerdista - patologia diagnosticada por Lênin como "doença infantil do comunismo" - é ficar contra o poder burguês até fazer parte dele. O esquerdista é um fundamentalista em causa própria. Encarna todos os esquemas religiosos próprios dos fundamentalistas da fé. Enche a boca de dogmas e venera um líder. Se o líder espirra, ele aplaude; se chora, ele entristece; se muda de opinião, ele rapidinho analisa a conjuntura para tentar demonstrar que na atual correlação de forças...


O esquerdista adora as categorias acadêmicas da esquerda, mas iguala-se ao general Figueiredo num ponto: não suporta cheiro de povo. Para ele, povo é aquele substantivo abstrato que só lhe parece concreto na hora de cabalar votos. Então o esquerdista se acerca dos pobres, não preocupado com a situação deles, e sim com um único intuito: angariar votos para si e/ou sua corriola.


Passadas as eleições, adeus trouxas, e até o próximo pleito!


Como o esquerdista não tem princípios, apenas interesses, nada mais fácil do que endireitá-lo. Dê-lhe um bom emprego. Não pode ser trabalho, isso que obriga o comum dos mortais a ganhar o pão com sangue, suor e lágrimas. Tem que ser um desses empregos que pagam bom salário e concedem mais direitos que exige deveres. Sobretudo se for no poder público. Pode ser também na iniciativa privada. O importante é que o esquerdista se sinta aquinhoado com um significativo aumento de sua renda pessoal. Isso acontece quando ele é eleito ou nomeado para uma função pública ou assume cargo de chefia numa empresa particular. Imediatamente abaixa a guarda. Nem faz autocrítica. Simplesmente o cheiro do dinheiro, combinado com a função de poder, produz a imbatível alquimia capaz de virar a cabeça do mais retórico dos revolucionários. Bom salário, função de chefia, mordomias, eis os ingredientes para inebriar o esquerdista em seu itinerário rumo à direita envergonhada - a que age como tal, mas não se assume. Logo, o esquerdista muda de amizades e caprichos. Troca a cachaça pelo vinho importado, a cerveja pelo uísque escocês, o apartamento pelo condomínio fechado, as rodas de bar pelas recepções e festas suntuosas.


Se um companheiro dos velhos tempos o procura, ele despista, desconversa, delega o caso à secretária, e à boca pequena se queixa do "chato". Agora todos os seus passos são movidos, com precisão cirúrgica, rumo à escalada do poder. Adora conviver com gente importante, empresários, ricaços, latifundiários. Delicia-se com seus agrados e presentes.


Sua maior desgraça seria voltar ao que era, desprovido de afagos e salamaleques, cidadão comum em luta pela sobrevivência. Adeus ideais, utopias, sonhos! Viva o pragmatismo, a política de resultados, a cooptação, as maracutaias operadas com esperteza (embora ocorram acidentes de percurso. Neste caso, o esquerdista conta com o pronto socorro de seus pares: o silêncio obsequioso, o faz de conta de que nada houve, hoje foi você, amanhã pode ser eu...).


Lembrei-me dessa caracterização porque, dias atrás, encontrei num evento um antigo companheiro de movimentos populares, cúmplice na luta contra a ditadura. Perguntou se eu ainda mexia com essa "gente da periferia". E pontificou: "Que burrice a sua largar o governo. Lá você poderia fazer muito mais por esse povo".


Tive vontade de rir diante daquele companheiro que, outrora, faria um Che Guevara sentir-se um pequeno-burguês, tamanho o seu aguerrido fervor revolucionário. Contive-me, para não ser indelicado com aquela figura ridícula, cabelos engomados, trajes finos, sapatos de calçar anjos.


Apenas respondi: "Tornei-me reacionário, fiel aos meus antigos princípios. E prefiro correr o risco de errar com os pobres do que ter a pretensão de acertar sem eles".


(*) Escritor. É autor de "Calendário do Poder" (Rocco), entre outros livros