terça-feira, 1 de dezembro de 2009

Sindjor oficia jornais por atraso salarial: Folha apresenta calendário com datas; DC ignora o problema

O Sindicato dos Jornalistas de Mato Grosso (Sindjor-MT) oficiou os jornais Folha do Estado e Diário de Cuiabá, no dia 26 de novembro, ou seja, quinta-feira da semana passada, por repetidos atrasos salariais.



No ofício, o Sindjor afirmava que, mediante várias reclamações de trabalhadores das duas empresas, iria levar os casos ao Ministério Público do Trabalho (MPT). E também avisava que daria divulgação ao problema trabalhista da categoria.

(Tela: "O Grito", de Edvard Münch)



Entre os jornalistas que procuraram o Sindjor, a maioria se preocupava com o aluguel em atraso já há mais de dois meses, a falta de dinheiro para fazer mercado e pagar escola de filhos. Além de outros transtornos, como a falta de dinheiro para por gasolina no carro ou até mesmo dinheiro para pegar ônibus.



Tanto o jornal Folha do Estado quanto o Diário de Cuiabá, que estavam com os salários em atraso, desde setembro, pagaram um mês de salário atrasado, na semana passada.



A direção da Folha do Estado procurou o Sindicato e entregou formalmente um calendário de pagamento de salários, se comprometendo a quitar a folha de outubro entre 08 e 10 de dezembro; a de novembro entre 25 a 28 de dezembro; e o 13º até o dia 20 do mesmo mês. A Folha ainda afirma que irá voltar a pagar religiosamente o salário até o dia 28 de cada mês, como vinha fazendo há 4 meses.



A direção do Diário de Cuiabá ainda não se manifestou. Informações extra-oficiais dão conta que a empresa vai pagar uma folha e mais o 13º até o final do ano.



No Diário Regional, em Rondonópolis, as duas jornalistas que trabalham lá ameaçaram entrar em greve, também devido a atrasos salariais, em outubro. Mediante a ameaça, e apoiadas pelo Sindjor, receberam dois salários. Em novembro, a empresa pagou mais um salário, conforme o acordo feito, totalizando três salários. Ainda assim, as jornalistas, que em outubro chegaram a parar por um dia, ainda estão com três salários em atraso.



No Diário Regional de Sinop, a situação também é grave.



A DIREÇÃO
Coral do Sindjor canta no Presídio Feminino

Detentas e coralistas se emocionam em sábado que tinha tudo para ser mais um dia comum

Muito animados, como sempre, os cantores do Grupo Literomusical “Na Boca do Povo” viveram no último sábado, dia 28, uma forte experiência.

Seria, talvez, uma tarde de sábado qualquer, mas essa foi diferente. No Presídio Feminino Ana Maria do Couto May, localizado na periferia de Cuiabá, o único de Mato Grosso que abriga detentas, cumpriu-se a sentença do mineiro Milton Nascimento. “Todo artista tem de ir aonde o povo está”.

É bem verdade que o grupo é amador, mas já vai completar dois anos de estrada em fevereiro do ano que vem. Isso ainda não é um longo caminho, nem também os primeiros passos.

Desde o início, o projeto, ligado ao Sindicato dos Jornalistas de Mato Grosso (Sindjor-MT), sempre foi de ir, justamente, aonde o povo está: nas redações de jornal, nas ruas, em instituições, hospitais, afinal, apesar deste ser um coral de jornalistas, é também aberto a quem quiser participar.

É por isso que a máxima deste coletivo vocal, regido por Ana Elizabeth, é: “Saia do banheiro e venha cantar com a gente”. E, para completar: “Você não precisa ser um Pavarotti!”

Logo na entrada, os risos - muito comuns nos ensaios, todos os domingos, às 16 horas, na Sala da Orquestra do Centro Cultural da UFMT - foram sendo substituídos, aos poucos, por olhares mais atentos e reflexivos.

O surgimento das grades trouxe, impactante, a realidade das aprisionadas e muitos dos cantores se perguntaram: e lá fora? Somos livres?

Somente uma parte das mais de 300 presas foi para um pátio, onde o coral se apresentou. Entre elas, algumas crianças, mais ou menos 20, de banho tomado, como que prontas para irem a uma festa, corriam entre os bancos, organizados igual em igrejas, para quem fosse ali assistir. Cenário simplório. De dar dó. Mulheres nitidamente de origem humilde, em sua ampla maioria, silenciaram. Se erraram, ali não era hora para julgamentos, mas sim de desanuviar, abrir o peito para a vertigem da arte.

No repertório do coro, uma música se destacou. A emoção tomou conta com “Freedom”, que significa liberdade. Música do cancioneiro popular afro, era entoada por escravos norte-americanos, sempre que um deles sofria a violência do açoite. “A liberdade está chegando, sim, está!”. Afirma a letra! Muitas das presas cantaram junto com o coro, e fizeram batuques corporais, que compõem a música, no final.

Liberdade: um sonho para muitas ali; na verdade, um sonho humano!

No adeus às detentas, alguns dos cantores e cantoras se emocionaram ou seguraram o choro.

A apresentação no presídio foi uma prévia do que o público irá conferir, no dia 9 de dezembro, no bar Chorinho.

“Na Boca do Povo” segue rumo à 2010, um projeto que está germinando.

sexta-feira, 27 de novembro de 2009

Programa "SUA CARA"

ASSISTA!


Vídeo produzido por estudantes do 6° semestre de Radialismo da UFMT. A entrevistada Lucinéia Freitas (MST), além de trabalhadores e estudantes, falam sobre a criminalização dos mivimentos sociais, como a mídia representa o povo, se representa, de fato, cada um de nós.

"Você se vê na TV?"

Oportunidade

A MTO2 Produtora está selecionando jornalistas com experiência em televisão para formar equipe de trabalho. Outras informações, entrar em contato pelo telefone 3623-6250 falar com Marcelo Okamura.

Jornalista Martha Batista lança livro em Cáceres


Olá pessoal!

Gostaria de divulgar no blog do Sindjor MT o lançamento em Cáceres, amanhã (dia 27) do meu livro "Cantos de Amor e Saudade". Vou mandar em anexo uma foto da capa para o caso de vocês poderem divulgar.Publicado pela Editora Entrelinhas em 2005, só agora "Cantos de amor e saudade - a história de Cáceres contada através das lembranças de vó Estella" será lançado na cidade de Cáceres. O lançamento será nesta sexta-feira, às 20h, na Câmara Municipal, por iniciativa do vereador Celso Fanaia Teixeira (professor Tetinho).

Grata!

Um abraço,

Martha

segunda-feira, 23 de novembro de 2009

Sílvio Carvalho e o jornalismo que dá voz aos de baixo

Najla e Sílvio no Reveillon de 2006, em Chapada dos Guimarães
Por Najla Passos*

Eu e o jornalista Sílvio Carvalho nos mudamos para Cuiabá mais ou menos na mesma época, em fins de 1996, quando o pensamento único sufocava o mundo e muitos poucos ainda acalentavam a hipótese de que as coisas desse mundo podiam ser diferentes. Eu já havia usufruído do privilégio de ser sua colega de faculdade, em Minas Gerais, pouco tempo antes. Mas foi lá, no coração do Brasil, em meio às muitas guerras travadas no dia-a-dia contra a ocupação monocultural do solo, pela colonização dos índios e pelo extermínio dos sem-terra e ribeirinhos que aprendi de fato a admirar aquele mineiro matuto de profundos olhos verdes, versado em poesia e filosofia, que me deu minhas primeiras verdadeiras lições de que o jornalismo só faria sentido se servisse aos de baixo.

Sílvio Carvalho era tão menino quanto eu. A inexperiência de vida contrastava com a vontade de fazer o certo, de fazer diferente. Como todo bom “foca”, Sílvio caiu direto na editoria de Polícia do jornal em que eu, também tão “foca” quanto, exibia minha pouca literatura nas páginas de Cultura. O esquema de trabalho na área dele já estava cristalizado há muito: os jornalistas liam os boletins de ocorrência, pegavam uma ou outra informação tão exclusiva quanto insignificante, sempre com fontes oficiais, preferencialmente da Polícia, e enchiam os jornais de sangue, passionalidade e preconceito. Pobres, negros, índios, sem-terra se confundiam com a violência sempre crescente e assustadora. E isso bastava a todos.

Ele, entretanto, jamais se conformou. Jamais se rendeu a facilidade do BO, do ar condicionado, do amparo das versões oficiais da história. Sílvio desafiou o poder, o crime organizado e foi até os de baixo. Correu favelas, assentamentos, beiras de rios, comunidades quilombolas. Colocou a voz dos excluídos pela primeira vez nas páginas policiais do Estado. Fez escola, fez bonito. Também fez muitos inimigos. Primeiro, os próprios colegas, que desaprovavam aquela alteração na ordem “natural das coisas”. Depois, por motivos óbvios, os poderosos.

De uma feita, Sílvio foi condenado a cumprir pena alternativa por desmantelar o tráfico de armas na cidade, mostrando que os revólveres que assustam as residências ricas não são provenientes das aldeias indígenas, dos quilombos ou dos assentamentos, como muitos gostariam de fazer crer. A alegação da promotoria era a de que Sílvio cometeu o crime de porte ilegal de armas: ele havia conduzido por cerca de 500 metros o revólver que comprou sem nenhuma dificuldade em um bairro tradicional da cidade, sob as barbas das autoridades de plantão, até o Fórum Criminal.

Sílvio denunciou a guerra contra o terrorismo, a aculturação dos quilombolas, a ofensiva do agronegócio sobre índios e florestas. Tornou-se um inimigo do status quo em potencial. Acabou desistindo de brigar naquela arena. Correu mundo. Viveu como imigrante ilegal em Londres. Visitou a Palestina para demonstrar seu desagravo contra a ofensiva sionista, planejou entrar no Panamá para desmantelar Guantánamo. Vez ou outra dava notícias, um e-mail, um telefone. Pedia contatos de revistas ligadas ao campo da esquerda. Trocava idéias sobre livros, teorias e pautas futuras.

Há uns dois anos voltou ao Brasil para tentar um mestrado e aprofundar os estudos. Prometeu visitas e telefonemas, mas nunca mais fez contato. É por isso que hoje, Dia da Consciência Negra, dia símbolo de luta e resistência, rendo minhas homenagens ao bom e velho amigo, jornalista Sílvio Carvalho. Que os bons ventos levem estas palavras até suas mãos para que ele possa me dar notícias sobre onde e como anda travando as suas sempre nobres batalhas!
*Najla Passos é jornalista em Brasília

Indignação de uma jornalista (Eu fiz a prova do concurso)


Por Gleid Moreira

É de amargar! Aquele que poderia ter sido um dos maiores concursos públicos do país, uma nova chance na vida de milhares, oportunidade de empregos a tantas pessoas esperançosas, se tornou um verdadeiro “pesadelo”, aliás, mais uma vergonha para denegrir a imagem de Mato Grosso e, pior em nível nacional. Inevitavelmente, tristemente, mais uma fraude para contabilizar. Até quando?
O mais constrangedor é o fato de que tudo isso acontece num momento onde a prioridade é mostrar o lado “belo” do Estado, afinal, Mato Grosso é um dos escolhidos para a Copa de 2.014. Não podemos negar que a decepção é geral. Desempregados, pais de famílias que buscam a estabilidade funcional, estudantes de todo o país, enfim, representantes do “povo brasileiro” estão aqui, no Estado, onde o tão esperado Concurso Público poderia fazer a “diferença” depois de tantos anos na expectativa de tal evento.
Assim como milhares de candidatos, também fiz a prova. Exceto por algumas questões que em minha opinião tiveram um teor “infeliz” e, porque não dizer até “ridículo” para o nível dos cargos a que se propunha tal argüição, tudo estaria dentro da normalidade, não fossem as inúmeras “aberrações” que surgiram em alguns locais de provas, ainda nas primeiras horas do dia “D”, mostrando a fragilidade da “segurança” ou a falta “dela”, que tantos temiam.
E agora? É a pergunta que não quer calar. É claro que o governo apontará uma solução. Pode ser a prorrogação do evento, a devolução do valor pago pelos candidatos na inscrição, mas nenhuma delas apagará a imagem da “vergonha” que irá veicular, país afora, sobre o nosso Estado.
Enquanto pessoas honestas se preocupam em preservar a idoneidade, o oposto de cidadão não sabe mais de onde tirar tamanha “criatividade” para driblar as leis, burlar regras e tirar proveito a qualquer custo das situações, como se vivêssemos numa “selva” onde as leis existissem apenas em prol do “mais forte”, esquecendo que a “Lei de Deus” tudo vê, tudo pode e mais, a mentira tem perna curta. Ou ainda, chega um momento em que a “casa cai”, “as máscaras também” e, aquele que não acata as regras em algum momento talvez, quem sabe, será punido. Enquanto isso teremos o dissabor de escolher o cardápio das inúmeras “pizzas” a que somos submetidos dia-a-dia em todos os segmentos do país.
Fraudar um concurso desse nível deve ter pena “muito” severa, afinal, quanto dinheiro dos nossos bolsos, agora, vai parar no lixo? Alguém já sabe o montante gasto dos cofres públicos para o evento? Não sei se sinto indignação, revolta ou asco de tais responsáveis por esse caos, mas o certo é que a população deve se manifestar de alguma forma.

Gleid Moreira
Jornalista em Cuiabá, atualmente assessora de imprensa do deputado Airton Português (PP)
Obs: Desculpem-me por erros de qualquer natureza, mas não poderia deixar de manifestar minha indignação a mais uma fraude.