DESTAQUE

NOVO PISO: Jornalistas e patrões firmam acordo coletivo de 2017

Da assessoria Após seis rodadas de negociação, mediadas pela Superintendência Regional do Trabalho e Emprego de Mato Grosso, o Sindic...

21 de dez. de 2007

Nota de Esclarecimento

SINDICATO DOS JORNALISTAS DE MATO GROSSO - Sindjor
Filiado à Fenaj – Federação Nacional dos Jornalistas e à CUT
Gestão “Não Abandone o Gilmar”
Rua Presidente Marques, 1532, Santa Helena-Cuiabá-MT- 78.005.000

NOTA DE ESCLARECIMENTO


Em função das declarações do primeiro-secretário da Assembléia Legislativa, deputado estadual José Riva (PP), a respeito da conduta de jornalistas que estão lotados na Assembléia Legislativa e não prestam serviço à Casa de Leis, o Sindicato dos Jornalistas de Mato Grosso (Sindjor) vem a público repudiar tal conduta e esclarecer que:

- Condena a conduta de jornalistas, e de qualquer outro profissional, que recebem salários de órgãos públicos sem prestar serviço aos mesmos, pois é preciso moralizar o serviço público e acabar com os chamados funcionários fantasmas pode ser o primeiro passo para atingir esse objetivo;

Aproveitamos para esclarecer que o Sindjor:

- Condena a prática de compra de matérias por quem quer que seja, pois a informação, além de ser um direito do cidadão, deve ter como principal objetivo o interesse público;

- Condena a prática conhecida como “verba zelo”, que consiste no repasse de recursos dos poderes públicos aos veículos de comunicação, pois só teremos uma imprensa livre e voltada para o
interesse público se houver independência entre veículos de comunicação e poderes constituídos;

- Condena qualquer prática de chantagem, ameaça ou extorsão que possa ser praticada por jornalistas ou por empresários de comunicação;

O Sindjor-MT exige ainda que, assim como ressaltou na tribuna da Assembléia Legislativa, na sessão plenária do dia 21 de dezembro de 2007, o primeiro secretário José Riva divulgue quais são os jornalistas que se prestam a qualquer um desses tipos de conduta e que recebem salário da Assembléia Legislativa sem prestar serviço à Casa de Leis. É de fundamental importância que essa situação seja esclarecida para que a conduta de tais jornalistas, se assim ficar entendido, seja levada à Comissão de Ética do Sindicato para que a mesma possa tomar as medidas necessárias.

É preciso ressaltar ainda, que as declarações feitas pelo parlamentar atingem toda a categoria de jornalistas, uma vez que não foram citados nomes. Desta forma, o Sindjor considera fundamental o total esclarecimento dos fatos para que tais práticas, repudiadas por esta entidade, não sejam atribuídas à classe em geral.

Keka Werneck
Presidente
Márcia Raquel
Secretária Geral
Alcione dos Anjos
Tesoureira

Comissão de Ética

19 de dez. de 2007

SINDICATO DOS JORNALISTAS DE MATO GROSSO CONVIDA A TODOS PARA A...

...Festa de Confraternização

Dia 22 de dezembro (sábado), a partir das 12 horas, na Avenida Roma n.º 589 – Bairro Jardim Itália (casa da Steffanie)

* Piscina e quadra

* Johnny Marcus faz a animação

* Bingo de uma TV 29 polegadas

Serão sorteados brindes: dois relógios de pulso (Gradiente), dois celulares, uma hospedagem no Sesc Pantanal, CDs, bonés, um estojo da Boticário, quites de agenda e guia turístico, livros "Sabores de Mato Grosso" e muito mais.

* Estão previstas brincadeiras com a galera

* R$ 15, com direito ao almoço (arroz carreteiro, farofa de banana, tutu de feijão e salada)

* Cerveja e refrigerante a R$ 2

"Uma iniciativa do Fundo de Mobilização do Sindjor"

Na festa será escolhido o novo nome do bloco carnavalesco do Sindjor-MT ou será mantido o mesmo traga sugestões

* Apresentações de violão, música latina e outros talentos, traga o seu

* Varal de fotos de ações do sindicato

* Karaokê

O SINDICATO SOMOS TODOS NÓS!

Pingando vela em Zeca

Por Cláudio Oliveira*

Receio que talvez tenha passado tempo demais para a reflexão, mas o distanciamento é bem-vindo para evitar os excessos. A última segunda-feira foi palco do encontro anual de jornalistas organizado pelo Sebrae. Esta edição teve como palestrante o editor-chefe do Fantástico, Zeca Camargo. A palestra começou com um certo desconforto promovido pelo apresentador do evento, que pediu para todos ficarem de pé e acompanharem o hino de MT. O problema é que o hino não foi cantado, mas, sim, apresentado em vídeo dirigido pela diretora Bárbara Fontes. Senti falta do céu nesta segunda apreciação.

Diferente do jornalista João Negrão, a quem admiro, não senti falta de neurônios no editor-apresentador. Pelo contrário, senti um compromisso com o jornalismo, com a ética e a responsabilidade que é produzir para o Fantástico cuja audiência gira na casa dos milhões. Zeca fala dos pontos de Ibope: “é lógico que queremos ser vistos e ouvidos, mas esta não pode ser a bússola de nenhum jornalista, se for, começou errado.” E complementa: “você quer ser visto e revisto. Quer cativar as pessoas, seduzir, e isso vale para todas as mídias”.

A trajetória do Zeca é interessante: editor da Ilustrada (FSP) e diretor de jornalismo da MTV, entre outras. Hoje é editor-chefe da maior revista eletrônica da Globo: são duas horas e meia de programa. Senti um profissional que olha para o futuro e tem a noção do processo de conversão digital que os meios estão sofrendo.

Achei overpromisse (excesso de promessa) e questionei-o sobre a sua afirmação de que toda a semana o Fantástico estréia um quadro novo. Ele se defendeu dizendo que os ganchos são novos, ou teria eu visto por aí, rotoscopia misturado com filosofia? É claro que a série sobre física ou sobre filosofia, ou a matéria sobre alquimia é realmente gancho interessante que deve ser buscado em qualquer meio.

Interessou-me a sistemática do programa, o cronograma de atividades e o tamanho das matérias, que, segundo ele, podem ter até 2h30 (piada, a meu ver), mas citou o exemplo do Falcão, meninos do tráfico que ocupou 56 minutos do programa. Senti que a média é de cinco minutos podendo crescer um pouco mais caso valha a pena, mas dificilmente uma matéria terá mais de dez minutos.

Lembrei durante a sua palestra dos meus tempos de criança quando a curiosidade me levou a pingar vela sobre as formigas para vê-las com calma e estudá-las em detalhe. Acho que no fundo era esta a minha vontade, extrair mais da sua experiência e não ficar discutindo ideologia ou teoria da conspiração.

*CLAUDIO OLIVEIRA é jornalista

18 de dez. de 2007

SINDICATO DOS JORNALISTAS DE MT APÓIA JEJUM EM FAVOR DOS ATINGIDOS POR BARRAGENS NO "VELHO CHICO"

O Sindicato dos Jornalistas de Mato Grosso (Sindjor MT), conforme deliberado na reunião ordinária de sábado (15), se une a movimentos sociais de todo o Brasil nesta terça (dia 18) para dizer que a transposição do rio São Francisco precisa ser melhor discutida com a sociedade. Hoje estão sendo feitos jejuns em várias cidades em apoio ao bispo dom Luis Cappio, que faz greve de fome contra a transposição.

Em Cuiabá, as atividades começam às 5 h com missa na igreja de São Benedito, no centro, seguem com jejum e terminam às 19 h com missa celebrada pelo arcebisco dom Milton.

O Ministério Público Federal (MPF) pede na justiça paralisação da transposição porque ela viola o Plano Nacional de Recursos Hídricos. O projeto destina a maior parte do aproveitamento da água para uso econômico e não consumo humano, segundo o Ministério da Integração Nacional. As empreiteiras são as que mais lucrarão. O preço da água e os custos para a geração de energia deverão subir, apontam pesquisadores.

Exemplo similar é a usina de Manso, em MT, feita há quase uma década, que ainda prejudica centenas de famílias que moravam no local. Quem mais lucrou foi o setor privado internacional de energia elétrica.

Discutir a transposição do São Francisco é refletir sobre o modelo de desenvolvimento que nós queremos. De que vale, então, um Mato Grosso pautado no agronegócio e na exportação de energia elétrica, se a maior parte dos alimentos não são industrializados aqui e se o ICMS que pagamos é o mais alto do Brasil?

17 de dez. de 2007

Boné e Camiseta Sindjor

Estamos vendendo bonés e camisetas do Sindicato dos Jornalistas de Mato Grosso para a mobilização de fundos da categoria.

Você caro amigo que queira ter uma camiseta ou boné do Sindjor/MT basta comparecer no Sindicato e adquirir o seu.

O Sindjor/MT está localizado na Rua Presidente Marques, 1532, Santa Helena-Cuiabá-MT- 78.005.000 e no telefone (65) 3025-4723.

O boné está sendo vendido a R$ 5,00 nas cores preta ou bege. A camiseta no valor de R$ 10,00 nas cores preta ou branca. Já o kit (camiseta+boné) R$ 15,00.

O SINDICATO DOS JORNALISTAS DE MATO GROSSO (SINDJOR-MT) INFORMA QUE:

No próximo sábado, dia 22, não haverá reunião, porque nós, jornalistas, estaremos festando, é o dia da festa do Sindjor-MT.

Na festa, haverá sorteios de brindes !!!

ENVIAREMOS CONVITE POR E-MAIL PARA A FESTA, PREÇO, LOCAL, HORÁRIO, MAS DESDE JÁ INFORMO QUE ELA É ABERTA A TODOS.

No sábado, dia 29, não haverá reunião ordinária, como ocorre todos os sábados, PARA DESCANSARMOS.

As reuniões ordinárias voltam a acontecer dia 5 de janeiro, sempre às 14h, na sede do Sindjor.

LEMBRANDO QUE AINDA SERÃO CONVOCADOS MAS JÁ ESTÁ DETERMINADA A DATA DE 16 DE JANEIRO PARA A PRIMEIRA ASSEMBLÉIA GERAL DA CATEGORIA NESTA GESTÃO PARA TRATARMOS DE UM NOVO PISO, REAJUSTE E OUTRAS REIVINDICAÇÕES.

EM 2008, NÃO PODEMOS MAIS CONVIVER COM ATRASOS SALARIAIS, E É PRECISO PENSARMOS EM UM NOVO PISO (QUAL É SUA SUGESTÃO? PARTICIPE DO PROCESSO, PARA NÃO SERMOS PRESSIONADOS POR UMA SITUAÇÃO QUE TEM NOS DEIXADO À MARGEM DAS DECISÕES EMPRESARIAIS.)

FELIZ NATAL E UM 2008 DE LUTAS FRUTÍFERAS !!!

NÃO ESQUECENDO NUNCA QUE O SINDICATO SOMOS TODOS NÓS E A IMPORTÂNCIA QUE CADA UM DE NÓS DÁ A ELE.

até sempre!

Keka Werrneck
Presidente do Sindjor-MT

Sindjor finaliza visitas de apresentação

A diretoria do Sindicato dos Jornalistas de Mato Grosso (Sindjor-MT) fez quatro visitas formais a empresas de comunicação na semana passada, na finalização das rodadas de apresentação da gestão e pontuou assuntos específicos. As visitas aos sites e outras mídias sugeridas ficaram agendadas para janeiro.

No Circuito MT, terça-feira, dia 11, a superintendente do jornal, Flávia Salem, não pôde receber a diretoria do Sindjor-MT, que protocolou ofício na empresa.

Na Folha do Estado, a superintendente Isabela Brandão firmou acordo de pagamento aos trabalhadores que estão com salários atrasados. E, na parte da manhã, o Sindicato fez o informe do acordo na redação do jornal. O 13º já foi pago. o salário de novembro será pago esta semana. E dezembro até o dia 15 de janeiro, com a primeira de seis parcelas do mês de outubro.

Na TV Rondon, o diretor Zeniel Coutinho estava em viagem e a responsável pelo setor financeiro, Graciene Silva, recebeu o Sindicato. A equipe da entidade conversou com a reportagem da TV e anexou documentos no mural da empresa.
No Grupo Gazeta, o superintendente João Dorileo recebeu o Sindicato e foi alertado, por meio de ofício, quanto a possíveis estágios excessivos e a prática do assédio moral.


Amanhã, dia 18, terça-feira, às 8 horas será visitada a TV Assembléia e a TV Centro América.
O SINDICATO DOS JORNALISTAS DE MATO GROSSO (SINDJOR-MT) ESTÁ CONSTRUINDO UM DEBATE SOBRE A QUESTÃO DOS JORNALISTAS POLÍTICOS APRESENTADORES E A INFLUÊNCIA DESTA PRÁTICA NA INTENÇÃO DE VOTO PARA FEVEREIRO.

Projeto limita ação dos comunicadores

Marcos Lemos
Jornal A Gazeta

O deputado federal, Victório Galli (PMDB-MT), idêntico ao ex-senador Luiz Soares (PSDB) futuro secretário de Saúde de Cuiabá, apresentou projeto de
Lei na Câmara Federal restringindo a participação de comunicadores, ou seja, profissionais da imprensa um ano antes das eleições, para evitar o que já é evidente, que os mesmos se aproveitem da condição profissional e dos veículos de comunicação para o qual trabalhem ou são proprietários para massificar seus nomes e levar vantagem na disputa eleitoral.

As pessoas que apresentem ou participem regularmente de programas de rádio e/ou TV, que não se desincompatibilizarem de suas respectivas funções no período mínimo de 12 meses anteriores à data de realização de eleições, ficarão inelegíveis para qualquer cargo eletivo. A proposta foi apresentada na Câmara como projeto de lei.

"Por conta de sua exposição cotidiana no rádio e na TV, trabalho muitas vezes exercido por longos períodos de tempo, esses profissionais, quando resolvem ingressar no mundo da política representativa, sua atividade lhes confere inegável vantagem em relação aos demais concorrentes. Assim, a disputa fica desigual, e, portanto, fora do que preceitua a Constituição", argumenta o deputado.

O projeto propõe a introdução, na Lei Complementar 64, de 18 de maio de 1990, de dispositivo que obrigue a desincompatibilização. Segundo Victório, é significativa a presença de parlamentares cuja atividade profissional principal é o trabalho em empresas de comunicação, especialmente no rádio e na TV, veículos de maior disseminação popular.

"Esperamos, com a aprovação desta proposição, estar reduzindo os efeitos da visibilidade que a mídia eletrônica proporciona a esses candidatos", disse.

15 de dez. de 2007

A prática do Jornalismo

(ficção) Jornalismo é a atividade profissional que consiste em lidar com notícias.

Você que assiste filmes já deve ter visto como os jornalistas são retratados. O profissional da informação é sempre um homem conquistador, irônico, até arrogante em alguns pontos. Sempre com papel e caneta à mão para anotar até os pensamentos e gestos das pessoas que ele interroga como se fosse um inquisidor. Já a jornalista, é sempre uma mulher encalhada e atrapalhada, cheia de neuroses. Bem, isso até que é verdade. Mas as únicas que fazem sucesso são as que dão pro editor.

Parece que é tudo bacana. Mas isso não é verdade. O jornalista é o ser mais infeliz do mundo. Vive com a missão de dar o máximo de descrição da maneira mais objetiva o possível. Todo jornalista é um desiludido. Nas rodas de intelectuais, sempre contam aquela piada do jornalista bem sucedido. Ninguém ri, é claro.

O jornalismo é a mais suja das funções. Talvez não tão suja quanto à função de limpar privadas de presídios. Mas é uma competição dura. Surgiu antes da prostituição. Ou logo depois, quando um cara relatou aos amigos sobre a prostituta que ele havia comido. Até hoje as duas profissões são motivo de desonra para a família.

Antigamente o jornalista era uma máquina de fumar cigarros e de beber cachaça em puteiros. Mesmo assim eles escreviam textos brilhantes e os jornais vendiam muito. Sim, completamente bêbados. Não se sabe porque esses hábitos foram abandonados e cerceados pelos donos dos jornais. Talvez fosse uma questão de produtividade. Os jornalistas também eram detetives, peritos em criminalística e técnicos de contabilidade. Mas nem tudo era uma maravilha. Os jornalistas morriam sempre com menos de 40 anos, e sempre com doença venéreas ou enfisema pulmonar. Além de que muitos enlouqueciam com os barulhos das máquinas de escrever. Outros jornalistas também desapareceram nas esfumaçadas redações após sair para tomar um café.

Hoje em dia o jornalista não é assim. Sua atividade é fazer entrevistas por telefones. Dependendo de seus editores ele é obrigado a colocar 45 fontes em seus textos. E isso não é uma questão de Verdana, Arial ou Trebuchet. O jornalista não pode ter opinião com relação a nada até que ele fique famoso. Mas ele só fica famoso dando opiniões. Então, é impossível.

O jornalista não vive. Ele está aqui apenas para apurar matérias e entrevistar pessoas. O tempo todo. O jornalista também não come, e não faz sexo. A não ser que seja para conseguir a capa do jornal, revista. O jornalista também não dorme. Esse tempo é dedicado para pensar em pautas. Os sonhos de um jornalista tem lead e sub-lead e estão em pirâmide invertida.

Dizem que o jornalista tem que ter cheiro de rua. Ou seja, ter cheiro de paredes mijadas, esgoto e gente suada. Com isso dá pra entender porque o jornalista não come ninguém.

O jornalista nunca tira férias. Quando ele pensa em passar um fim de semana na praia, já será mandado a fazer uma matéria sobre a praia. Se o jornal for do governo, é para mostrar como o governo cuida bem de nossos turistas. Se o jornal for contra o governo, é para mostrar como nossos praias estão todas cagadas por culpa do governo.

O calvário do jornalista começa logo que entra na faculdade. É o começo do fim de sua vida. Como os jornalistas são sempre mesquinhos e desunidos, os professores acham que os outros professores nunca dão trabalho nenhum, e por isso todos passam trabalhos suficientes para todos os outros. Se você não entendeu, um estudante de jornalismo faz cerca de 40 trabalhos por semana. E não são meros 40 trabalhos. São trabalhos que exigem um dia inteiro da vida de um estudante. Logo, o mês do estudante de jornalismo teria que ter 171 (número sugestivo) dias. E assim sendo o jornalista envelhece 5,63 vezes mais rápido. Por isso, pode não parece, mas Cid Moreira tem apenas 89 anos.

Depois de começado o calvário, ele nunca terminará. Após morrer os jornalistas vão para o inferno. Principalmente os hereges. Isso porque jornalistas vivem procurando o furo, e furar colegas. Os mais sortudos irão ser cozinhados em caldeirões de água quente, enquanto que os mais azarados irão fazer a cobertura jornalística do inferno, ou pior ainda, serem assessores de imprensa do tinhoso. No inferno os jornalistas também encontrarão seus amigos publicitários.

Não há escapatória. O único jornalista que foi para o céu, foi Assis Chateaubriand, mas ele conseguiu isso apenas porque ameaçou difamar a imagem de deus em seus jornais.

Autor Desconhecido.

Obs.: Este texto nos foi enviado pelo jornalista Kléber Lima, que o encontrou no seguinte blog http://chtres.blogspot.com/
Jornalistas que quiserem ter algum artigo ou texto seu públicado aqui no blog do Sindicato dos Jornalistas de Mato Grosso podem estar nos enviando que iremos postá-lo aqui.

14 de dez. de 2007

Convite Reunião do dia 15/12


SINDICATO DOS JORNALISTAS DE MATO GROSSO - Sindjor
Filiado à Fenaj – Federação Nacional dos Jornalistas e à CUT
Gestão “Não Abandone o Gilmar” 2007/2010
Rua Presidente Marques, 1532, Santa Helena-Cuiabá-MT- 78.005.000
Fone: (65) 3025-4723
http://sindicatodosjornalistasmt.blogspot.com

Convite

O Sindicato dos Jornalistas de Mato Grosso (Sindjor-MT) convida todos os
jornalistas do Estado para participar da reunião ordinária da diretoria. As reuniões são
realizadas aos sábados, às 14h, na sede do Sindjor. Três assuntos extremamente importantes
serão discutidos neste sábado (15):


- CAMPANHA SALARIAL 2008
- FESTA DE CONFRATERNIZAÇÃO
- BALANÇO DAS AÇÕES DE 2007


Além desses assuntos, informes e outros temas serão colocados na pauta, de acordo
com a deliberação da Assembléia. O Sindjor ressalta que a presença de todos é fundamental
para que possamos fortalecer nossa luta e nos firmarmos enquanto categoria que somos.


O Sindjor reafirma que esse é um momento de crucial importância para discutirmos
e definirmos estratégias de organização e atuação para 2008. Não é possível tolerar mais
um ano de atrasos e “congelamentos” salariais. Temos que mostrar nossa força e exigirmos
o respeito que a nossa categoria merece.


“SOU JORNALISTA, SOU TRABALHADOR!”

“A liberdade de imprensa de uma sociedade burguesa consiste na liberdade dos ricos
para fraudar, desmoralizar e ridicularizar sistemática e incessantemente as massas
exploradas e oprimidas do povo”.
(Lênin)

OBS: O Sindjor fica atrás do Hospital Santa Helena, próximo à TV Centro América.

Márcia Raquel
Secretária Geral do Sindjor

Preservação e mobilização

O Sindicato dos Jornalistas de Mato Grosso (Sindjor-MT) está em campanha pela preservação do meio ambiente e pelo fundo de mobilização da categoria.

E pede que cada jornalista adote, em casa, a prática de guardar latinhas, garrafas pets e outros produtos recicláveis, para depois levá-los à sede do Sindicato, que fica à rua Presidente Marques, 1532, bairro Santa Helena. Telefone: 3025-4723.

Os acúmulos de recicláveis serão vendidos e o dinheiro revertido ao Sindjor-MT.

A intenção é, além de cuidar da vida natural, cuidar também da vida financeira da entidade, que pede socorro!

EM CUIABÁ, JEJUM EM APOIO A DOM LUIZ‏

Pessoal, A CNBB em nível nacional está puxando uma vigília no dia 18 de dezembro, próxima terceira-feira, em apoio a greve de fome do padre Luiz Cappio e também para ampliar a discussão sobre a transposição do rio São Francisco.

Aqui em Cuiabá o Centro Burnier, que deu apoio à chapa Não abandone o Gilmar e que vive nas lutas sociais, vai puxar uma programação para o dia 18, que começará às 5 horas com missa na paróquia Nossa Senhora do Rosário, terá atividades durante o dia no mesmo locale terminará às 19 horas com outra missa no mesmo local. Tudo em jejum.

A reunião de preparação da vigíliaserá no sábado (dia 15), às 14 horas, no mesmo horário da reunião do Sindjor.

ABAIXO, TRECHO DA CARTA QUE A CNBB ESPALHOU EM NÍVEL NACIONAL
"O jejum e a oração de Dom Luiz Flávio Cappio, o bispo da diocese de Barra-BA são motivados por seu espírito de pastor que ama seu povo. Dom Luiz expressa seu constante compromisso em defesa do Rio São Francisco e da vida das populações ribeirinhas – agricultores, quilombolas, povos indígenas – e de outras áreas. Sua atitude revela respeito à dignidade da pessoa e da criação e sua convicção de que o ser humano é capaz de conviver em harmonia e respeito com o meio-ambiente".

13 de dez. de 2007

Mais respeito, senhor Prefeito!

Steffanie Schmidt

Jornalistas que atuam na cobertura política em Cuiabá andam indignados com a postura do prefeito Wilson Santos (PSDB). Nos últimos meses o digníssimo alcaide vem se esquivando de perguntas; responde "não sei" quando a resposta é um simples "sim ou não" e chegou ao cúmulo de desferir um tapa na testa de uma jornalista da capital, no estilo "tóim", dizendo: "Ei, lá vem você com essas perguntas"....

Em um outro episódio ficou clara a posição de Santos em relação à imprensa local: "Decidi que vou falar cada vez menos e trabalhar cada vez mais. Cansei de polemizar, de bater a magoar os outros". A frase foi dita por ocasião do julgamento da denúncia do caso do aposentado que teria o imóvel tomado pelo então candidato à prefeitura de Cuiabá, Alexandre César, no Tribunal Regional Eleitoral (TRE), durante abordagem dos jornalistas.

À imprensa local resta continuar fazer as perguntas que julgar pertinente, mesmo que para isso tenha de passar pelo desaforo de levar um tóim, literalmente falando. Ao prefeito, cabe uma postura no mínimo digna de seu cargo. A categoria está de olho....

Mídia conservadora prepara população para aceitar violência contra movimentos

Novelas e filmes preparam população para aceitar repressão ao movimento estudantil, denunciam pesquisadores

Najla Passos
ANDES-SN

A mídia tem exercido papel fundamental no processo de criminalização dos movimentos sociais brasileiros, mais recentemente do movimento estudantil, reprimido com violência nunca vista antes em períodos de governos democráticos. Essa é a avaliação de jornalistas, pesquisadores e intelectuais que estiveram reunidos no 13º Curso do Núcleo Piratininga de Comunicação – NPC: Ação e prática dos trabalhadores na comunicação contra-hegemônica, realizado de 21 a 25 de novembro, no Rio de Janeiro.

“Para entender esse processo, é preciso ficar atento ao efeito provocado no público por obras como o filme Tropa de Elite, e a novela Duas Caras, que repetem o papel tradicional dos aparelhos de manutenção da hegemonia de criminalizar as chamadas classes perigosas”, alertou a jornalista e coordenadora do NPC, Claudia Santiago, instigando um público de cerca de 200 pessoas, entre jornalistas, dirigentes sindicais e militantes de movimentos sociais e populares a debater mais profundamente o assunto.

Para a jornalista, esses produtos culturais que exercem forte influência sobre o pensamento e o comportamento dos indivíduos teimam em passar visões distorcidas sobre o movimento estudantil brasileiro. É o caso da novela de Aguinaldo Silva. “É um desrespeito tratar o movimento estudantil daquela maneira”, afirma.

Para Claudia, a novela tem indícios de ser encomendada pelos grandes organismos internacionais interessados na entrada do capital estrangeiro na educação brasileira, no momento em que instituições privadas estão abrindo seu capital na Bolsa de Valores de São Paulo e o setor torna-se altamente cobiçável para os investidores internacionais.

Para ela, o entretenimento pode, também, ter o objetivo de preparar a população para não revidar às ações repressivas e truculentas que, por ventura, o Estado e as elites comprometidas com o capital financeiro precisem vir a tomar, em função da manutenção do que chamam de “ordem pública” e manutenção do status quo.

“Tropa de Elite exerce uma violência tremenda quando retrata estudantes e militantes dos direitos humanos como os principais responsáveis pela violência gerada pelo tráfico de drogas. É esse tipo de postura que reforça o discurso hegemônico de que militante de direito humanos só sabe defender bandido. Esse discurso é também a porta de entrada para discursos ainda mais conservadores e fascistas, como os da pena de morte, da prisão perpétua e da redução da maioridade penal”, analisa.

Cultura para a violência
Tropa de Elite é o longa-metragem de maior sucesso do ano, em bilheteria e também em pirataria. Dirigido pelo cineasta José Padilha a partir de roteiro elaborado pelo capitão Rodrigo Pimentel, o filme conta a história de policiais do BOPE, o batalhão de elite da polícia militar carioca. Em meio a denúncias de tortura policial e desrespeito aos direitos humanos mais primários, o filme critica também a cumplicidade dos jovens universitários da classe média que atuam nas ONGs com os traficantes de drogas que comandam os morros.

“Duas Caras” é a novela de Agnaldo Silva que estreiou no horário nobre das 20 horas, na Rede Globo, o canal hegemônico de televisão brasileira. Mesmo registrando um índice de audiência bem abaixo do esperado, a novela é vista diariamente por uma média de 40 milhões de brasileiros. Em capítulo recente, exibiu a ocupação da reitoria de uma universidade privada pelo “Movimento dos Sem-Escola”, que acabou sendo expulso do local com a ajuda do batalhão de choque da Polícia, armada com cacetetes, escudos e bombas de feito moral, debaixo do coro de grandes atores globais que os taxavam de “sem-limite” e “sem-vergonha”.

O mito das classes perigosas
A professora universitária e militante do grupo Tortura Nunca Mais, Cecília Coimbra, lembrou que o vínculo entre pobreza e criminalidade é produzido historicamente no Brasil desde meados do século XIX. Segundo ela, está completamente arraigada na percepção popular a idéia de que pobre é carente, faltoso e, por isso, perigoso. E, com o aumento da violência, a classe média se torna cada vez mais tolerante às práticas repressiva. “É aquela velha história do mal menor. Em função da nossa segurança (da classe média), aceitamos que o extermínio, a tortura e a repressão sejam praticadas. O Estado penal repressivo se maximiza, enquanto o estado social se minimiza”, alerta.

Autora do livro “Operação Rio – o mito das classes perigosas: um estudo sobre a violência urbana, a mídia impressa e os discursos de segurança pública” (2001), Cecília Coimbra garante que a mídia tem exercido exemplarmente a função de preparar a população para conviver com as práticas violentas de repressão e desrespeito aos direitos humanos. “Antes da Operação Rio ser lançada, a imprensa produziu inúmeras matérias com o intuito de preparar a população para aceitar e aplaudir uma operação policial que resultou em mortes, desaparecimentos e torturas”.

Segundo ela, os mesmos esteriótipos usados no passado para condenar os subversivos foram resgatados para marginalizar os pobres. Hoje, são retomados também para criminalizar o movimento estudantil. Em Tropa de Elite, os estudantes da classe média são drogadiços mal formados intelectualmente, que protestam contra a violência que eles próprios financiam através do consumo de drogas e da aliança com os mandatários das favelas. Em “Duas Caras”, os líderes do “Movimento dos Sem-Escola” não são estudantes ricos matriculados em universidades particulares, mas garotos pobres, sujos e descabelados, que estão à margem do ensino superior.

Humberto e Teis no TCE: Mera formalidade

Mera formalidade. A sabatina do deputado Humberto Bosaipo ontem na Assembléia Legislativa para aprovação de seu nome ao Tibunal de Contas do Estado (TCE) não passou de formalidade. Enquanto os jornais da capital mato-grossense aguardavam o resultado no final do dia para fechar suas respectivas edições, o convite para a posse dos novos conselheiros já estava sendo rodado. Pelo menos essa é a explicação mais lógica para que a formalidade fosse cumprida já na manhã de hoje!

A eficiência é tanta que às 9h30 os convites já etavam sendo entregues aos órgãos públicos e demais entidades que ao cerimonial cumpre convidar. Cartas marcadas? Todos sabemos que sim, mas ao menos podiam ter disfarçado, não?!

12 de dez. de 2007

Zeca Camargo brincou com nossa inteligência

João Negrão *

O encontro anual com jornalistas promovido pelo Sebrae-MT por ocasião do final de ano é um desses momentos mágicos de confraternização, de reencontro de velhos e queridos amigos e colegas e de compartilhar experiências com profissionais de renome nacional. O evento sempre tem a marca de qualidade que prima tudo o que o Sebrae faz. Já tive a oportunidade de participar de vários. O encontro com o repórter Caco Barcelos foi o melhor de todos. O do último dia 10, no Centro de Eventos do Pantanal, só vale pelo reencontro com os colegas. A palestra do apresentador do Fantástico, Zeca Camargo, a meu ver, tinha tudo para ser proveitosa, não fosse por um pequeno problema: o palestrante.

Resolvo escrever sobre o assunto porque a minha intervenção durante a sessão de perguntas acabou gerando muita controvérsia. Até nota em jornal rendeu. No dia mesmo, no coquetel que seguiu o "bate-papo" com o Zeca, minha postura recebeu críticas e elogios. No dia seguinte, a mesma coisa. Quem esteve presente foi fidedigno nas observações. Quem não foi e acabou sendo informado por outros, me criticava ou elogiava, sobretudo, por ter chamado o Zeca Camargo de "mentiroso". É aquela história do telefone sem fio, que finda desembocando numa onda de boatos que não correspondem aos fatos.


Por isto resolvi escrever. Entre as críticas e elogios que recebi, havia posições como a de um colega que achou que deveria ter "destilado mais veneno" contra o apresentador global; e a da colega que pontuou que eu poderia tê-lo chamado de mentiroso, mas com outras palavras. Nem ou coisa nem outra. Para começar, não fiz nenhuma critica pessoal ao Zeca. Muito pelo contrário, até o elogiei. Vamos ao que de fato aconteceu.


Aproveitando o gancho de uma pergunta do colega Jersel Marques, que mencionou fala do Maurício Kubrusly em evento que organizei para discutir Cultura e Jornalismo, confirmei as observações do colega local e adicionei que Kubrusly havia se referido ao Fantástico como o "programa do bode", ou seja, aquele momento em que as famílias, num domingo geralmente modorrento, se prostram diante da TV na última distração do final de semana, detestando a perspectiva da segunda-feira.


Crítico e inteligente, Maurício Kubrusly apenas mencionou uma situação que é fato, sem, no entanto, criticar o programa, seus profissionais e a emissora. Zeca Camargo, ao contrário, não teve o mesmo desprendimento e nível intelectual. Disposto a apenas lustrar seu ego e receber afagos de tietes, ele demonstrou descaso, enfado e até grosseria com seu ar de superioridade disfarçado de "bom-mocismo".


Ao contrário de Kubrusly, que analisou o "sudeste-centrismo" e o descaso que a imprensa do eixo Rio-São Paulo tem para com as coisas do resto do País, em especial do Centro-Oeste e sua "periferia", Mato Grosso, Camargo preferiu contestar e exigir exemplos incitando um diálogo que iria se tornar uma chatice para a platéia. Na mesma linha, foi defensivo e provocativo ao ser convocado a analisar as mentiras que seus colegas, em especial os correspondentes internacionais, contam aos telespectadores.


É nesta parte que se agregou o maior número de críticas à minha intervenção. Alguns, como já disse, consideraram o termo "mentira" muito pesado, embora concordasse com meu posicionamento. Outros me consideraram um radical, insensível e deselegante. Concordo! Mas só me arrependo pela deselegância, não diante do Zeca Camargo, e sim perante aos colegas e amigos do Sebrae, pelos quais tenho o maior respeito e apreço. De resto, não tenho mais disposição a fazer concessões a quem brinca com a inteligência dos outros. Ademais, não fui ali para ver o apresentador global, até porque já imaginava que sua palestra não seria grande coisa. Fui para reencontrar e cumprimentar os amigos e colegas, confraternizar.


Se disse que o jornalismo da Globo é mentiroso, me baseio, como afirmei na minha intervenção, em leituras que faço em outras fontes, especialmente na internet. Aliás, foi esse um dos pontos levantados. O Zeca preferiu insinuar que eu leio sites de fofoca, exemplificando que em um deles houve até quem afirmasse que ele teria um filho com uma certa atriz. Além de imaginar muito pouco provável a capacidade dele para tal feito, penso que seu nível de informação é tão precário que o induz a comparar sites de fofoca com espaços alternativos que não estão alinhados à grande imprensa manipuladora.


No caso de quem achar que os sites de Paulo Henrique Amorim e Luiz Carlos Azenha – só para citar dois ex-globais – são coisa de "lulo-petistas", recomendo dar uma olhadela nos sites do New York Times e do Washington Post para ver lá o que o governo norte-americano está fazendo para sabotar a democracia nos países latino-americanos, como Bolívia e Venezuela, que não estão alinhados com seus interesses. E quem dá respaldo às ações golpistas da oposição boliviana e venezuelana? A imprensa ligada ao grande capital estrangeiro, aqui no Brasil em especial as Organizações Globo.


É fantástico! Incrivelmente fantástico como gente do quilate de um Zeca Camargo seja tão alienada. Seria uma fatal conveniência ou carência de alguns neurônios?


João Negrão é jornalista em Cuiabá (MT)

Sindjor visita Circuito MT

Membros da diretoria do Sindjor-MT visitaram ontem (11) pela manhã o jornal Circuito MT. A intenção era apresentar a nova gestão da entidade, que tomou posso no dia 12 de setembro de 2007. Porém, devido a compromissos internos, a superintendente do jornal, Flávia Salem, não pode receber a equipe.

Diante da impossibilidade, a diretoria do Sindjor protocolou ofício junto à empresa de comunicação em que fala do objetivo da visita e solicita algumas informações.

Visitas semelhantes já foram realizadas nos jornais Folha do Estado, Diário de Cuiabá e Correio, em Várzea Grande. Nesta e nas próximas semanas, o Sindjor vai concluir a rodada de visitas de apresentação.

10 de dez. de 2007

SINDJOR-MT APÓIA LUTA DO MST CONTRA AS TRANSNACIONAIS

O Sindicato dos Jornalistas de Mato Grosso (Sindjor/MT) emite nota pública em apoio à Via Campesina HOJE, 10 de dezembro de 2007, "Dia Nacional de Luta Contra as Transnacionais" . O Sindjor explicita sua participação no protesto e repudia a empresa suíça Syngenta Seeds, símbolo da expansão devastadora do agronegócio no Brasil e da covardia praticada contra movimentos sociais que defendem a reforma agrária.

A Syngenta, ligada ao agronegócio pela venda de sementes e fertilizantes, desrespeita a lei e despreza o ser humano. No dia 21 de outubro deste ano, contratou uma empresa de segurança para invadir uma área de conservação ambiental no entorno do Parque Nacional do Iguaçu (PR) com objetivo de prosseguir com experimentos de soja transgênica. Dessa forma, descumpriu decisão da Justiça Federal do Paraná que já havia lhe condenado a pagar R$ 1 milhão por crime ambiental. Em conflito com o MST e a Via Campesina, causou a morte de um sem-terra, Valmir Mota de Oliveira, o "Keno", de 34 anos, e o ferimento de mais 6 trabalhadores.

A palavra de ordem do MST hoje, em todo o país, é "SYNGENTA ASSASSINA, FORA DO BRASIL!" O governador do Paraná, Roberto Requião (PMDB), disse publicamente que não faz questão que a empresa se mantenha naquele estado.

Sindjor-MT, na luta por um Brasil mais popular!

Entrevista Rovai – Parte I


“É mais difícil democratizar a comunicação do que fazer reforma agrária no Brasil”.

O mito da imparcialidade dá lugar à honestidade com o leitor. Além da necessidade de democratizar a comunicação, Rovai defende a transparência na linha editorial dos veículos.

“Tem um amigo meu que diz que esse pessoal das rádios tem tido muito espaço de conversa com as pessoas do governo Lula, e isso é muito interessante porque antes tinha menos. Só que esse espaço tem sido na sede da Polícia Federal. Tem cinco mil processados”.

Natural de Santos (SP), Renato Rovai conheceu Mato Grosso no final do mês de outubro último. Editor da Revista Fórum, que nasceu juntamente com o Fórum Social Mundial, em 2001, Renato foi convidado pelo Tribunal Regional do Trabalho da 23ª Região para dar uma palestra sobre a relação entre a mídia e o judiciário.


Aproveitando a sua visita, o Sindicato dos Jornalistas de Mato Grosso (Sindjor) promoveu um bate-papo com Rovai para que ele pudesse falar sobre o seu livro “Midiático Poder – O caso Venezuela e a guerrilha informativa”, que acaba de ser lançado. Mas, como as histórias são muitas e a troca de experiências é uma das melhores formas de aprendizado e de despertar o interesse pelo diferente, o Sindjor decidiu explorar um pouquinho mais o nosso visitante e fez uma entrevista que, devido à riqueza do debate, terá que ser veiculada em duas partes.


Esta entrevista foi concedida na noite de 21 de outubro, no Hotel Deville em Cuiabá. Foram duas horas de boa conversa que só se encerrou devido ao cansaço do nosso entrevistado - em três dias Rovai falou praticamente o tempo todo sobre jornalismo e ainda arrumou uma folguinha para conhecer Chapada dos Guimarães.


Nesta primeira parte da entrevista, Rovai fala da sua entrada para o mundo do jornalismo, da sua militância política, das dificuldades e desafios da profissão, de rádios comunitárias, de democratização dos espaços de comunicação e questiona a exigência do diploma, entre outros assuntos.
Participaram da entrevista: Márcia Raquel, Ana Karla Costa, Johnny Marcus, Aruanã Costa, Maíra Sardinha e Eryca Monteiro.

Ana Karla – Acho que você poderia começar falando um pouquinho do seu perfil.
Renato Rovai – Fiz graduação na universidade Metodista de São Paulo. Entrei em 1985, ou seja, bem naquele burburinho de redemocratização. Tinha passado pela campanha das Diretas em 1984 e eu entro logo depois da derrota das Diretas Já, com o Sarney assumindo. O movimento estudantil era muito fragmentado, e acho que é até hoje, então tinha muitas tendências, muitas correntes e já tinha aquele pessoal que vinha do movimento secundarista, que não era o meu caso, eu fiz colégio estadual até 8ª Série e depois fiz colegial em escola privada de Santos (SP). Eu tive formação política por conta da história familiar, meus tios eram militantes do partido comunista, meu pai era um simpatizante de esquerda, um comunista de boteco, aquele gênero que até hoje existe muito. Quando eu entro na faculdade começo a conviver com aquela fauna política que era diferenciada. Eu tinha uma formação de esquerda, mas estava com 17 anos, ainda estava muito cru. Hoje quando eu vejo o pessoal da minha idade, ou um pouco mais velho, falando “essa geração é muito idiota, não sabe o que faz”, mas a gente não sabia também, as pessoas esquecem do que elas foram, são muito cruéis na análise das gerações subseqüentes. Bom, entrei no movimento estudantil assim, meio sem saber exatamente o que era e comecei a militar numa corrente que nem sei se existe mais, que se chamava “Caminhando”, que era corrente que tinha saído do PCdoB e tava dentro do PT junto com o Genuíno, que era a referência político-partidária daquela corrente. Mas eu não curtia muito a coisa de ser organizado, ser enquadrado, então eu dizia assim: simpatizo com a Caminhando vou votar naquilo que eu achar que não fere os meus princípios e aquilo que eu achar que é um jogo muito duro eu tô fora. Fui presidente do Centro Acadêmico em 1987, tive uma militância partidária no PT, durante 1988 e 1989, partidária mesmo, fui filiado.


Aruanã Costa – Já existia algum jornal que vocês atuavam?
Rovai – Na época da faculdade era engraçado, a CUT (Central Única dos Trabalhadores) não tinha quase nenhum sindicato, tinha muito menos que as outras correntes. A força Sindical não existia, era CGT, que atuou na época da Ditadura sendo conivente com algumas coisas, fazendo jogo. A CUT estava começando e disputava muita eleição de oposição, então a gente, os estudantes, ali do ABC e de outras cidades, o que faziam? Ajudavam essa relação que iniciou muito no diálogo com as oposições sindicais. O Centro Acadêmico se oferecia para ajudar e aí os caras pediam pra fazer boletim. Fazíamos e aprendíamos. E fazíamos muito esses materiais, fazíamos para os candidatos que a gente apoiava.


Johnny Marcus – Você entrou na faculdade com 17 anos, tinha algum motivo especial pra fazer jornalismo na época?
Rovai – Eu gostava muito de futebol, então eu comprava os jornais de futebol pra ler desde moleque, eu queria ser jornalista esportivo. Aí teve a campanha das Diretas, envolto naquela coisa, eu comecei a ler os jornais de política e como eu já era um leitor de jornal, comecei a comprar pra ler todo dia de manhã, só que em vez de comprar o de esportes eu comprava o outro. Em casa sempre teve jornal também. Eu lembro que há 10, 15 anos atrás (eu contei essa história pro (Ricardo) Kotcho e ele morreu de rir), eu lia a Folha de São Paulo e o Ricardo Kotcho escrevia quase todas as matérias de guerra, e eu falava, puts eu quero ser igual a esse japonês (risos)!


Ana Karla – Então você acha que jornalismo é vocação?
Rovai – Então, deixa até eu fazer um parênteses. Eu tenho que ser franco, eu não tinha muita leitura, eu lia jornal. Eu lia livro muito esporadicamente, na minha adolescência eu li pouquíssimos livros. Estudar já era um sacrifício, eu ia pra praia, chegava em casa, deixava os livros e saia desesperado pra jogar bola na praia, fazer qualquer coisa, menos ficar dentro de casa.


Johnny Marcus – Como que esse momento político, essa conjuntura se refletia na sala de aula?
Rovai – Na Faculdade era um turbilhão, qualquer coisa que você falasse você era peemedebista, ou você era conservador, ou você era de direita, todo mundo se posicionando, tinha duzentas correntes, ainda era muito forte o PMDB porque o PCB ainda estava dentro do PMDB, o MR8 estava e o PCdoB também estava. O debate era muito grande, as disputas para Centros Acadêmicos pareciam que eram para presidente de República. Eu acho que isso ainda tem um pouco...


Márcia Raquel – Então já na faculdade você percebeu essa sua tendência para o jornalismo político e abandonou o jornalismo esportivo?
Rovai – Já na faculdade tinha abandonado, mas acabei indo trabalhar no jornalismo esportivo, no Diário Popular em 1992. Trabalhei três meses e odiei. O caderno de Esportes do Diário Popular era o melhor de São Paulo. A tiragem do jornal de domingo era maior por causa do esporte. Só que tinha uma boa equipe, o caderno era a menina dos olhos...


Johnny Marcus – E você deixou por quê?
Rovai – Porque achava um saco cara. O diálogo entre os colegas de redação era aquela coisa muito “clube do Bolinha”, só futebol o tempo todo...


Ana Karla – Você torcia para qual time?

Rovai – Eu torcia e torço pro Santos. (risos)

Ana Karla – E você era meio tendencioso nas suas matérias?
Rovai – Não. Acaba que você não consegue nem fazer isso. O Santos ainda era um time ruim pra caramba na época, é em 1992 não era lá muito bom não. Eles até mandavam eu cobrir Santos, mas você não influencia no resultado do jogo, não tem jeito. Quando você tá cobrindo TV é ali na “pinta do lance” certo? Então você fala, foi pênalti e tal. Em jornal você vê o lance depois de três vezes e não vai se “meter a besta” de falar que foi ou não foi depois que todo mundo já viu.


Ana Karla – Fazendo uma comparação com política, se você tem uma tendência mais de esquerda isso reflete nas suas matérias e se você é santista isso reflete nas suas matérias de esporte...
Rovai – Eu acho que na política talvez até reflita mais porque é evidente que até a pauta que as pessoas escolhem pra cobrir tem a relação com as convicções que ela tem. Por exemplo, como eu sou contra a pena de morte, qualquer matéria que eu for fazer relacionada a isso vai ser tendenciosa sim. Eu não vejo problema.


Ana Karla – Como evitar isso? É preciso evitar isso? A pergunta é essa....
Rovai – Eu acho que tem que jogar limpo com o leitor. O leitor sabe.


Márcia Raquel – É aquela questão da imparcialidade. Como você avalia isso? É uma coisa que talvez não seja possível no jornalismo, o importante é ter transparência....
Rovai - Você tem que trabalhar com o leitor de uma forma honesta. Ele tem que saber primeiro que jornal que ele está comprando, que espectro ideológico e político que aquele jornal se localiza e você não pode inventar informações. Você fazer uma análise mais direcionada não significa inventar fatos. Eu não vou dizer para aquele cara que eu sou contra a pena de morte inventando histórias para dar força para minha matéria, eu não vou inventar um título que a minha matéria não sustenta.


Ana Karla – Qual é sua dica para o estudante de jornalismo que está saindo da faculdade agora e está entrando no mercado de trabalho e precisa ter isso claro. Como separar isso, como você, mesmo com suas convicções, passar uma informação de forma imparcial?
Rovai – Não precisa perder suas convicções. Tem como fazer. O texto tem que ser objetivo. Mesmo quando você tem convicções e você faz matérias, você tem que ser objetivo. Eu acho ruim quando jornalista fica adjetivando texto, eu não adjetivo texto, nunca.


Ana Karla – Blog, site, internet como um todo?
Rovai – Não se pautem por texto de blog. Reportagem em site eu acho que ela tem que ter o toque de reportagem de texto jornalístico. Blog é um espaço individual teu para emitir opinião também. Às vezes você dá a informação e dá opinião também, é uma coluna. O blog eu acho que é isso. Agora você faz uma reportagem, você vai cobrir por exemplo a posse do Evo Morales, eu não vou ficar adjetivando “o maravilhoso do Evo Morales”, você conta a história. Agora, até no contar a história é evidente que os meus olhos, a minha pele, os meus passos caminham por um espaço que eu tenho um pouco mais de convicção. Eu por exemplo, fui na posse do Evo Morales, a posse indígena dele, foi num espaço da Bolívia que é uma zona arqueológica indígena, distante de La Paz, cinco horas de carro, tinha índios representando todos os países da América, quase não tinha branco. Chegando lá tinha um bando de jornalistas brasileiros e do mundo inteiro. Estava um sol de rachar, aí tinha índios servindo chá gelado de graça. Tinha jornalista reclamando que o chá não tava do gosto que ele queria, que tava p. da vida porque o sol tava quente demais, “pra que trazer essa porcaria pra cá”, ou seja, reclamando o tempo todo, o tempo todo. O cara ficou reclamando e os olhos deles não conseguiam ficar abertos para verificar a beleza daquilo. E eu só conseguia ver beleza naquilo, imagine um presidente tomar posse num lugar daqueles...


Johnny Marcus – Vamos só voltar um pouquinho. Como que se deu essa transição, você começa cobrindo esporte e depois...

Aruanã Costa – É como que se deu essa transição aí, de estudante, que atuava na militância política, tinha esse contato com os movimentos sindicais no ABC e como surge o jornalista, como começa atuar, você disse dessa sua experiência no jornalismo esportivo...
Rovai – Antes de ir para o Diário Popular (onde cobriu esportes) eu já tinha passado pela Editora Globo, pelo Diário do ABC, pelo Diário de Minas, fazia free-lance para um monte de lugar.


Márcia Raquel – Sempre em política?
Rovai – Aí eu vou te ser franco. Escrevi matéria até pra revista de sexo. Fazia matérias, fazia reportagens...


Aruanã Costa – Pelo prazer?
Rovai – Pelo prazer não, pela grana mesmo (risos). Naquela época era uma dureza. Mas eu não assinava com meu nome, eu assinava com um pseudônimo. Porque eu não ia jogar meu nome numa revista dessas... e fazia reportagens mesmo, aliás eu aprendi muito fazendo essas reportagens.


Aruanã Costa – Por isso que eu falei prazer. Prazer da descoberta (risos). Porque a Márcia perguntou, especificamente política? E você falou, cara, tudo quanto é área. Só que pelo prazer de descobrir qual é o seu lance e aí você vai escrever em cultura, em tudo...
Rovai – Eu acho que essa história de jornalista que sai da faculdade especializado é cultura. Especialidade nenhuma. Você tem que ralar, você tem que ir pra cidade, fazer polícia. Depois você se especializa, dez anos de profissão. Ou se tiver sorte de entrar numa área e conseguir se especializar tudo bem. Porque falar que você sai da faculdade com especialidade é um absurdo, o cara não sabe escrever 10 linhas direito. Porque você sai babando, você está aprendendo, sai cru.


Ana Karla – Você trabalhou mais com impresso, não teve experiência no rádio ou na TV?
Rovai – Rádio eu tive seis meses fazendo um programa, mas era quase na época da faculdade. E TV eu fiquei seis meses também numa produtora que tinha um programa na TV Gazeta de São Paulo, fazendo um programa estranho, onde eu era o repórter de rua e falava mais com empresários, não tinha nada de política ali.


Ana Karla – A gente tem uma discussão muito comum que é se o jornalista precisa passar por todos os veículos para ele ter uma noção do que é realmente ser jornalista. Você acha que isso é necessário?
Rovai – Honestamente não acho. As pessoas tem às vezes possibilidade de entrar no rádio, se firma no rádio e por que ela vai ter que ir pro jornal pra ser jornalista?


Ana Karla – Pra saber como é o dia-a-dia, de pauta, de texto...
Rovai – Mas o jornalismo não é só impresso gente. A gente não pode ter essa visão porque senão a gente está sendo sectário. Tem muito jornalista de rádio muito bom.


Ana Karla – Você virou o ídolo do Johnny agora. (risos)
Johnny - Eu não tô falando nada... (risos)
Aruanã Costa – Acho que até pelo formato, tem pessoas que tem uma inclinação para TV, em rádio...
Rovai – Eu, por exemplo, fiz TV e achei um saco. Eu não gostava, entrevista de um minuto, queria aprofundar o assunto. Mas aí tem jornalistas que fazem a prestação de serviço na TV com muita tranqüilidade. Quando alguém está informando como é que está o trânsito, está fazendo jornalismo. O rádio, agora tem a internet, mas a primeira notícia era no rádio.


Ana Karla – Você não acha que o rádio perdeu muito isso hoje? Porque aqui em Mato Grosso, por exemplo, a gente tem poucas rádios que investem em jornalismo. Como você faz essa avaliação?
Rovai – Isso é no Brasil inteiro. Mas não é por isso que o meio é ruim. A possibilidade de fazer jornalismo bom no rádio existe. Agora, o rádio tem várias distorções. Uma por exemplo é que se investe pouco em publicidade em rádio. Não sei o que acontece. Os nossos publicitários, acho que foram criados só assistindo televisão. Todo o dinheiro que tem nas agências vai pra TV. Então eles distorcem os meios de comunicação no Brasil pela visão distorcida que eles têm do que os meios trazem de resultado.


Márcia Raquel – Já que a gente ta entrando nesse assunto, qual é o seu posicionamento sobre as rádios comunitárias? Você acha que elas são necessárias, que é preciso sim abrir esse espaço e se isso favorece na democratização da mídia?
Rovai – Claro, claro. Eu sou radicalmente a favor das rádios comunitárias. E acho que a potência delas é muito baixa, teria que ser aumentada. Olha, o justo seria no mínimo metade do espectro ser para rádio comunitária. Como não dá, teria que ter mais. Eu acho que ela ajuda a democratizar. Se tivesse uma grande quantidade de rádios comunitárias e de TVs Universitárias, ia ter mais mercado sim pra jornalistas, ia ter muita gente que ia começar fazendo isso e depois ia estudar, outros não iam estudar... Eu tenho boas dúvidas se o diploma é absolutamente importante para todo mundo... eu tenho dúvidas.


Márcia Raquel – Por quê?
Rovai – Primeiro porque eu acho que comunicação é um direito humano. Numa sociedade como essa, onde é preciso se comunicar, onde as pessoas têm essa necessidade humana de comunicação, você pega qualquer pessoa, aquele cara que faz o cordel, que canta, a necessidade de comunicação já era uma coisa antiga. Agora, hoje acho que é fantástica, aí você trabalha essa coisa de diploma de forma a castrar algumas possibilidades que poderiam ser mais amplas, de espaço de comunicação. Eu acho que é algo negociável, porque acho que hoje as empresas vão contratar jornalistas, não vão contratar estudante de filosofia...


Márcia Raquel – Mas você acha dispensável a exigência de diploma?
Rovai – Não, eu acho que pode se exigir, mas não acho que é crucial.


Ana Karla – Então você acha que jornalismo é uma vocação?
Rovai – Eu acho que é uma profissão. Por exemplo: eu dou aula. Eu não sou formado em pedagogia. Eu já dei aula de história, já dei aula de português, agora eu dou aula no curso de jornalismo. Mas em tese teria que ter licenciatura. Por que um cara que vai fazer um caderno de ciências e fez um curso de física, que escreve bem e tal não pode ser o editor desse caderno?


Márcia Raquel – Você acha que é só escrever bem? Por que tem várias pessoas que escrevem bem, mas tem a questão da apuração, da responsabilidade do jornalismo....
Rovai – Mas aí você pode até discutir isso, se for o caso, como um curso, como uma pós (graduação) de um ano. A gente sabe que no curso de jornalismo as pessoas ficam três ou quatro anos para aprender a escrever. Por exemplo, quase não tem aula de ética, aula de filosófica da comunicação, tem assim, teorias da comunicação muito vagamente. E mesmo essas coisas dos princípios éticos a apuração e etc., você trabalhando numa redação você interage com as pessoas e adquire, ganha. Aliás, esse que é o problema, os estudantes estão indo para as redações Márcia, estão adquirindo hábitos que não são bons. Por exemplo, você pega uma Veja, a Veja inventa notícias, ela inventa declarações, ela bota aspas onde não tem...


Márcia Raquel - Mas aí não teríamos que discutir a qualidade da educação nas faculdades do jornalismo?
Ana Karla – Complementando o que a Márcia falou, o diploma não dá essa qualidade pra você evitar esse tipo de coisa que você citou?
Rovai – Olha, a gente discute a questão do diploma por causa da qualidade do jornalismo ou por causa da questão corporativa?


Márcia Raquel – Pelas duas coisas.
Rovai – Você acha mesmo? Você bate tanto o pé pela qualidade do jornalismo? Mas eu não acho ruim bater pela questão corporativa, vejam só, as categorias têm que lutar pelas suas questões. Temos que trabalhar para que nossas condições de trabalho sejam melhores, para que haja uma reserva de mercado sim para os profissionais da área. Agora veja só Márcia, como o fotógrafo ganha a sua carteira de fotojornalista?


Márcia Raquel – Não necessariamente pela faculdade.
Rovai – Então, depois de um tempo de serviço ele comprova e consegue a certeira de fotojornalista. Eu defendo por exemplo, talvez seja o caso de dizer, não se pode abrir mão disso enquanto não se tiver outras coisas, mas eu topo trocar por exemplo o diploma de jornalismo pelo exame de uma ordem de jornalismo. Para que os caras tenham, independente se o cara tenha graduação em jornalismo, possibilidade de fazer um curso de um ano de pós, e que tenha uma ordem de jornalismo que seja o espaço do debate ético da profissão e onde o jornalista possa perder inclusive a sua carteira de jornalista dependendo da atuação...


Ana Karla – Então você é favorável ao Conselho de Jornalismo?
Rovai – Então, você vê que é um novo mecanismo de Conselho, onde os juízes disso seriam representantes da sociedade. Aí precisaria montar uma arquitetura que eu sinceramente não pensei nisso.


Márcia Raquel – Por que você acha que hoje a mídia em geral está tão presa a ao sensacionalismo. Por que existe leitor pra isso? Por que vende?
Rovai – A imprensa hoje, eu tava até lendo um artigo que fala o seguinte: os jornais, se eles não tiverem uma crise pesada a cada um ou dois meses, eles têm que inventar uma porque o jornal não vai vender se não tiver algo quente acontecendo. Então por exemplo: o caso “mensalão”, o caso dossiê do Vedoin, você vê a quantidade que tem que ter? A cada 20 dias os caras estão inventando um novo escândalo para ficar 10 dias remoendo aquilo. Vocês acham que o caso Renan precisava dessa cobertura? De você não agüentar mais abrir o jornal? Pô bicho, tem a reforma política, que não está na pauta... Fazer a denúncia, trabalhar jornalisticamente a matéria é uma coisa. Jornalismo de campanha, seja para o bem seja para o mal eu acho muito ruim.


Márcia Raquel – Mas por que você acha que chegou a este ponto? Tem condições de reverter isso?
Rovai – Eu acho que os veículos comerciais impressos, principalmente os diários, eles estão sofrendo muito com a entrada da Internet.


Johnny Marcus – Tem horas que a gente vê que as tiragens estão diminuindo e as vendagens também. Aí passa uns dias a gente vê que as tiragens estão aumentando e a venda de jornais também. Então em que pé está isso realmente?
Rovai – Hoje o jornal que vende mais no Brasil não é nenhum desses jornalões. É o Super Notícia, um jornal de Minas Gerais, auditado pelo IPC, que audita todos os veículos. No mês de setembro ele chegou a 302 mil exemplares vendidos e a Folha 291 mil por dia. Ele custa R$ 0,25 centavos.


Ana Karla – Por quê? É aquela linha tipo o Extra do Rio?
Rovai – É um fenômeno editorial. É, mas não é só por isso. É mais popular, é um jornal com essas características. Então mesmo a Folha, o Estadão, ele vêm perdendo leitores. Mesmo que a tiragem não tenha diminuído muito, ela deixou de aumentar. E quando não cresce isso é um problema também. Da década de 90 pra cá aumentou o número de pessoas que têm educação formal e não aumenta o número de leitores de jornais, não é estranho? Nesse espectro eles perderam muito espaço para a internet.


Ana Karla – Voltando um pouco, no caso do Renan você repetiu o que a gente ta ouvindo muito na TV que é o caso dos meios serem utilizados para esse tipo de campanha, mas tem que deixar muito claro que não é culpa do jornalista, da mídia, mas sim do interesse empresarial, econômico e político, que existe por trás disso. Então qual é a sua avaliação, qual é a influência hoje desses interesses por trás da informação?
Rovai – É total. Os jornais hoje já não são mais dos empresários de comunicação. Pode olhar localmente. Eu não conheço aqui. Mas eles são ou de grupos econômicos ou políticos. Nos locais onde o poder econômico não é tão forte, os interesses econômicos se confundem com os interesses políticos, ainda são grupos políticos que controlam. Já nos principais centros econômicos do país e do mundo, os grupos econômicos fortes estão adquirindo os veículos.


Aruanã – Aqui na capital, Cuiabá, por exemplo, há três deputados que têm programas, um deles é presidente da Assembléia Legislativa, e todos são candidatos declarados às eleições de 2008. Fazendo um paralelo, falando em democratização da comunicação a impressão que dá – e desde 1996 enquanto estudante de comunicação, ouço falar em democratização dos meios de comunicação, essa é uma bandeira há mais de 20 anos da Enecos (Executiva de Comunicação), e sinceramente, eu não vejo do ponto de vista prático, esses espaços de democratização da mídia - quando a gente fala em rádios comunitárias, por exemplo, não vejo muito avanço nessa área, aliás só vejo retrocesso. Pode ser que eu esteja equivocado. Vi uma entrevista na Caros Amigos sobre o avanço que as rádios comunitárias tiveram nas favelas em cidades como São Paulo e Rio de Janeiro, mas quando sai desse eixo a gente vê que pouca coisa mudou.
Rovai – Eu não conheço muito dessa área porque não tenho militado muito nesta questão das rádios comunitárias, e até acho que deveria entrar mais, to desejoso de fazer isso, mas infelizmente o tempo não permite. O que eu ouço é que tem havido um avanço das rádios comunitárias nas áreas mais pobres e que tem se constituído grupos mesmo de vizinhos, de pessoas próximas pra fazer sua rádio, pra construir sua programação, criando alternativas reais pra algumas localidades. Às vezes a gente é muito cruel na avaliação dos avanços, em todas as áreas, porque a gente não consegue perceber as mudanças quando elas acontecem. Há 10 anos atrás quantos canais de televisão a gente tinha, de verdade, que você podia acessar? Cinco ou seis. Nem a TV a cabo há 10 ou 15 anos atrás havia. Mas fora isso não havia as TVs Legislativas, que eu considero um grande avanço, não tinha a TV Comunitária, que bem ou mal você pode assistir programas diferentes, as TVs Universitárias também não existiam. Então tem um saldo, que ainda é pequeno, mas já tem uma faixa do espectro que não havia para as rádios comunitárias quando nem isso existia. E a luta nessa área talvez seja uma das mais difíceis de travar. É mais difícil democratizar a comunicação do que fazer reforma agrária no Brasil. Não tenho dúvida disso. É uma luta mais inglória. Porque a Reforma Agrária, a terra hoje não é tão importante quanto o que a comunicação pode fazer.


Aruanã – A resistência nesses espaços é por parte dos poderes constituídos?
Rovai – Dos empresários mesmo. Lembra do Conselho de Jornalismo? O que os veículos de comunicação fizeram pra destruir a questão do Conselho? Quando teve o negócio da Ancine foi igual, os caras foram pra cima. As rádios comunitárias, os caras fazem uma campanha diária falando que elas derrubam avião, nunca caiu, nunca vai cair por causa de uma rádio. E o governo está fechando a área. Tem um amigo meu que diz que esse pessoal das rádios tem tido muito espaço de conversa com as pessoas do governo Lula, e isso é muito interessante porque antes tinha menos. Só que esse espaço tem sido na sede da Polícia Federal. Tem cinco mil processados.


Johnny Marcus – Eu estou em uma rádio comunitária tem uns dois anos, mas é uma coisa muito perigosa. Eu tenho notado o seguinte: as associações reproduzem um modelo administrativo de programa da rádio comercial. Existe também gente da rádio comunitária querendo se promover, então é uma coisa que tem que estar vigilante. Mas rádio tem tido um avanço, principalmente na área de jornalismo, o pessoal pára pra ouvir o jornalismo da rádio.
Rovai – São umas 3 mil rádios comunitárias hoje. Os caras calculam que 300 são de caráter independente, 10%. É muito pouco, mas é muito.



Participe da rifa do Sindjor-MT

O Sindicato dos Jornalistas de Mato Grosso (Sindjor-MT) está rifando um quadro da artista plástica e jornalista Vitória Basaia e um DVD Rasqueia Brasil do Trio Pescuma, Henrique e Claudinho. O quadro foi uma doação da artista e o DVD dos músicos para que o sindicato consiga comprar um novo computador.

Vitória e os cantores já fizeram a parte deles para ajudar a entidade. Agora temos que fazer a nossa. Colabore com o sindicato e concorra a obras dos mais conceituados artistas do Estado. São só R$ 02,00 e o sorteio será no dia 22 de dezembro.

Informações no Sindjor-MT: 3025-4723


8 de dez. de 2007

Decisão do Supremo tira imunidade de deputados Riva e Bosaipo, do MT

Por Ademar Adams e Enock Cavalcanti

O Supremo Tribunal Federal (STF) decidiu no último dia 27 de novembro que os deputados José Riva e Humberto Bosaipo não têm imunidade parlamentar para as denúncias de crimes cometidos nas legislaturas anteriores. A 1ª Turma do STF negou provimento ao agravo regimental dos deputados acusados contra a decisão do Ministro Ricardo Lewandowski que acolhera um recurso extraordinário do Ministério Público de Mato Grosso.

No recurso, o MP/MT atacava o acórdão do Tribunal de Justiça de Mato Grosso (TJ/MT), que determinava suspensão das ações penais contra Riva e Bosaipo em razão da resolução da Assembléia Legislativa que negou licença para prosseguimento dos processos.

O Supremo já tinha decisão anterior no mesmo sentido, de que após a Emenda Constitucional nº 35/2001, o parágrafo 3º do art. 53 da Constituição tem aplicabilidade imediata e assegura que apenas delitos cometidos após a diplomação do parlamentar para a atual legislatura estão abrigados na imunidade parlamentar. Logo, os crimes cometidos no curso de mandatos passados podem ser julgados, independentemente de licença da casa legislativa.

Agora, o TJ/MT é obrigado a prosseguir no julgamento dos processos penais contra os dois deputados, que já respondem a mais de 50 Ações Civis Públicas nas Varas da Fazenda Pública em Cuiabá.

A decisão pode impedir a indicação do deputado Humbeto Bosaipo para ocupar uma vaga no Tribunal de Contas do Estado (TCE/MT). Por responder a processo criminal, ele poderia estar inapto a preencher os quesitos de “idoneidade moral e reputação ilibada” previstos em lei.

José Riva tem planos de concorrer ao senado nas eleições de 2010. Uma condenação criminal poderia prejudicar as pretensões, além de tirar do cargo de 1º Secretário da Assembléia ou até condená-lo à perda do mandato.

O Estado passa por uma faxina

Nos últimos dias Mato Grosso tem sido sacudido por decisões importantes da cortes locais. No dias 22 e 23 de novembro, o Tribunal Regional Eleitoral cassou o mandado do deputado Federal Pedro Henry e dos deputados estaduais Chica Nunes e Gilmar Fabris, acusados de compra de votos.

Também no dia 27 de novembro, em decisão inédita, o TCE/MT reprovou por unanimidade as contas da Câmara da Capital na gestão da deputada Chica Nunes, como presidente da Câmara e do secretário geral e hoje presidente do legislativo cuiabano, Lutero Ponce.

Falta agora o Tribunal de Justiça fazer valer o coro entoado por toda a população do Estado, que pede a punição dos deputados Riva e Bosaipo, que com diversas denúncias de desvio de verba pública na última década, passeiam livremente cobertos pelo manto da impunidade, com base numa abjeção chamada de imunidade parlamentar.

Mas a blindagem destes deputados na mídia de Mato Grosso, como a Revista Fórum já denunciou, prossegue. Apenas os sites e blogs noticiam denúncias contra essa dupla.

7 de dez. de 2007

Convite para reunião do dia 08/12/2007

SINDICATO DOS JORNALISTAS DE MATO GROSSO - Sindjor
Filiado à Fenaj – Federação Nacional dos Jornalistas e à CUT
Gestão "Não Abandone o Gilmar"
Rua Presidente Marques, 1532, Santa Helena-Cuiabá-MT- 78.005.000
sindormt@hotmail.com - (65) – 3025-4723

ATENÇÃO!!!!!!!!

O Sindicato dos Jornalistas de Mato Grosso (Sindjor-MT) convida todos os jornalistas do Estado para participar da reunião ordinária da entidade. Na reunião deste sábado (08 de dezembro), às 14h, vamos iniciar as discussões sobre a CAMPANHA SALARIAL 2008.

VAMOS DISCUTIR ATRASOS SALARIAIS, UMA PRÁTICA CRETINA, QUE ARREGAÇA COM A VIDA DA GENTE, E COM A QUAL NÃO PODEMOS CONTINUAR CONVIVENDO EM 2008. VAMOS AO PONTO NEVRÁLGICO DO SINDICATO! POR ISSO, É INDISPENSÁVEL AJUDA DE TODOS NESSA MILITÂNCIA.

VAMOS DISCUTIR UMA PRÉ-AGENDA PARA AS CONVENÇÕES COLETIVAS E O POSSÍVEL DISSÍDIO. VAMOS PLEITEAR UM NOVO PISO, MAIS CONDIGNO COM A FORÇA BRAÇAL E INTELECTUAL DISPENSADA NAS ROTINAS DE TRABALHO DO JORNALISTA DE MATO GROSSO. E COM A CAPACIDADE DE PAGAMENTO DOS PATRÕES, QUE SÃO RICOS.

E VAMOS TAMBÉM FAZER O FECHAMENTO DO ANO, BALANÇO, ANÁLISES, AGREDECIMENTOS, PLANEJAMENTOS.

Venha ajudar a construir um sindicato forte. A presença de todos é fundamental para que possamos fortalecer nossa luta e nos firmarmos enquanto categoria que somos. As reuniões são abertas e as pautas definidas de acordo com a demanda e prioridade apresentada pela categoria.


"Meus caros companheiros, isso não é discurso meu.
O negócio é pegar para fazer, com firmeza na luta!
Se estiverem cansados no sábado, peço que durmam depois da reunião.
Se tiverem compromissos adiáveis, adiem, por favor.
Se estiverem estressados, joguem essa energia no lixo, e transformemos, juntos, fel em garra.
Se estiverem desiludidos, procurem se unir ao grupo".

Keka Werneck
Presidente do Sindjor-MT

OBS: O Sindjor fica atrás do Hospital Santa Helena, próximo à TV Centro América.

3 de dez. de 2007

Cronos vence prêmio Divulgação 2007 com a AACC-MT



Trabalho da assessoria de imprensa foi reconhecido pelo McDonald’s como o melhor de todo o País

Da Assessoria



A Cronos Comunicação conquistou, junto com a Associação de Amigos da Criança com Câncer de Mato Grosso (AACC-MT), o prêmio de Divulgação 2007, oferecido pelo Instituto Ronald McDonald à instituição com maior quantidade de matérias veiculadas na mídia em geral sobre o McDia Feliz 2007, reconhecendo a assessoria de imprensa como a melhor de todo o País.

O prêmio será recebido pela vice-presidente da AACC-MT, Tellen Costa, na Casa Ronald de São Paulo, nesta terça-feira (4.12). O concurso considera a quantidade de inserções de mídia espontânea que a entidade consegue antes e durante a campanha em prol do McDia Feliz. O evento, que aconteceu em agosto nos McDonald’s de todo o País, destinou parte da renda da venda dos sanduíches Big Mac para instituições que cuidam de crianças com câncer.

Ao todo, foram 350 inserções, entre veículos impressos, rádios, TVs e Internet, das quais 128 citando o nome do Instituto Ronald McDonald. Somente estas últimas foram consideradas para a pontuação. O prêmio, no valor de R$ 20 mil, será revertido para a manutenção dos serviços prestados pela AACC-MT a crianças e adolescentes com câncer que vêm realizar tratamento em Cuiabá.

“Foi muito importante Cuiabá ganhar este prêmio pela primeira vez, concorrendo com entidades muito mais famosas. Perseguimos este prêmio há muitos anos, mas este ano o diferencial foi a assessoria de imprensa feita pela Cronos. Com a assessoria, pessoas que sabem fazer, a coisa anda”, comentou a presidente da instituição, Vandete Pastorello.

A vice-presidente, Tellen Costa, lembrou do retorno que o prêmio trará a médio e longo prazos. “Além do repasse financeiro, que é muito importante para o trabalho da AACC-MT, este prêmio também vai ajudar muito na captação de parceiros no futuro”, comentou.

Cronos Comunicação

O trabalho que garantiu o grande número de matérias em TVs, rádios, sites e outros veículos de comunicação foi feito pela Cronos Comunicação, empresa de assessoria de imprensa dirigida pelos jornalistas João Negrão e Neusa Baptista. A divulgação do evento, que começou em junho, ganhou espaço em cadernos de Cultura, Cidades, Economia e nas colunas sociais.

“Esse prêmio mostra que a estratégia que a Cronos utilizou deu certo. Tanto neste caso como em todos os nossos trabalhos, procuramos oferecer à imprensa informações de boa qualidade, bem redigidas e confiáveis. Isso é essencial para conseguir o apoio de nossos colegas jornalistas. Esta ótima notícia é um incentivo para melhorarmos cada vez mais”, comentou o jornalista João Negrão.

A jornalista Neusa Baptista diz se considerar realizada, uma vez que o recurso recebido pela entidade vai fazer diferença na vida de muitas crianças com câncer. “Este é o maior resultado, não tem o que pague. Saber que muitas crianças serão ajudadas com esse dinheiro. Agradecemos também à mídia cuiabana e mato-grossense, que abraçou a causa.”

Os dois jornalistas fizeram questão de agradecer aos colegas nas redações dos veículos de comunicação pelo espaço aberto, sem o qual não teria sido possível conquistar o reconhecimento. “Os colegas dos veículos sempre foram sensíveis à causa da AACC e sempre nos apoiaram em nosso trabalho na Cronos. Devemos muito a todos. Portanto, queremos dividir as honras com os jornalistas mato-grossenses, que de fato têm responsabilidade social”, afirmou João Negrão.

Artigo: Política do Medo

*Keka Werneck
Presidente do Sindicato dos Jornalistas de Mato Grosso (Sindjor/MT)


Sábado de manhã, dia 1 de dezembro, na praça central de Rondonópolis, sol de verão, calma pré-natalina, um picolezeiro vende geladinhos a R$ 0,50. Homens comuns, mulheres e crianças circulam. Árvores, bancos, autoridades públicas lançam uma obra debaixo de uma tenda. E três homens da Polícia Militar espreitam tudo, de pé, fortemente armados, armas em punhos. Os três conversam e riem, fardados. A população não está alheia a esta agressão.
Aliás, a calma pré-natalina, os assuntos sobre presentes, viagens e festas possíveis, em Rondonópolis, foram substituídos por outro papo. A conversa é sobre as três execuções, semana passada, dia 28 de novembro, da pró-reitora Sorahia - pivô do crime - e outros dois servidores da UFMT na rica cidade, onde o governador Blairo Maggi tem uma mansão no sofisticado bairro Vila Birigui. E os carrões são vistos em todo canto.


A notícia das mortes foi publicada nos principais jornais do país.
Talvez a PM nas ruas seja uma reação ao crime, uma forma de mostrar presença, meter medo. Um forasteiro pode pensar que é por isso. Mas na conversa com os moradores a resposta é: não! A PM de Rondonópolis é sempre assim, ostenta armas mesmo.

Rondonópolis tem menos de 200 mil habitantes, e pelo menos três histórias recentes de violência de repercussão nacional. Em duas delas, violência policial. Na terceira, de omissão policial. Um delas é a factual, as execuções da UFMT.
Mas há outra bizarra, trágica, também recente. Bairro Jardim das Flores, maio deste ano. A PM, numa simulação desastrosa da corporação, dispara balas reais, e não de festim como o previsto. Quatro pessoas foram feridas, um menino de 13 anos morre. Uma calamidade pública. Ninguém ainda devidamente punido.
Outra história é menos recente, remonta 2001. Imagens mostram o adolescente Nilson Pedro da Silva, 15 anos, desarmado, em fuga até que é morto por um tenente da PM, na madrugada de 30 de março. Nilson é atingido por dois tiros na cabeça e um no abdômen. Conforme publicou a Folha de S. Paulo na época, Nilson e o amigo Ronilson Oliveira, 19, foram abordados em uma moto por policiais que averiguavam uma denúncia de roubo. "Ronilson se entregou e foi algemado, enquanto Nilson tentou escapar, se escondendo nos fundos de uma casa".

Uma parte da opinião pública possivelmente pode fazer o discurso anti-humano dando aval à Polícia para que mate bandidos. Mesmo de 15 anos. Não é possível admitir isso, ou o alvo pode ser você.

Polícia seria, em tese, para confiarmos nela. E não temê-la, nós, cidadãos comuns. E para prender, nunca matar, criminosos.

Não entendi até agora o porquê de três PMs fortemente armados em plena praça pública, num sábado de manhã. Nem uma abordagem desastrosa como a contra o adolescente supostamente infrator justifica isso. Nem a simulação cretina de maio deste ano. Nem as mortes dos educadores, lamentáveis.

A PM sair pelas ruas da cidade empodeirada por armas expõe que a política é a da violência para coibir violência. Qualquer coisa, a gente mata. E isso é o fracasso da sociedade de direito, em que toda pessoa é inocente até que se prove o contrário.

O cidadão rondonopolitano não é obrigado a ser acuado desta forma, para que a corporação mostre força. É inclusive temerária a presença de três PMs em plena praça pública, armados até os dentes. Vai que pensam que devem agir e disparam naquele ambiente familiar...

Já perguntaram os Titãs, num rock - "Polícia!" - da década de 80, 90: "Polícia! Para quem precisa?" E há que ser feita uma outra pergunta também de novo e de novo: "Qual é a Polícia necessária?"

A Polícia de Rondonópolis dá uma tese. E é notícia das mais toscas; envergonha.
Tenho até medo de pensar em qual será o próximo episódio desastroso.

* keka.werneck@gmail.com