A formação acadêmica do jornalista não passa somente pela questão técnica das cadeiras da faculdade, passa pela formação ética. É algo que vai além de saber falar, ler e escrever é o peso na consciência que nos dá freio quando damos projeções aos temas que chegam à sociedade. Sermos olhos e ouvidos do povo nos pesa nas costas a responsabilidade de sermos o quarto poder.
O Supremo Tribunal Federal (STF) tem nas mãos a responsabilidade de desmerecer nosso trabalho e dar ao lobby patronal mais uma vitória. A falta do diploma de jornalista só impulsiona a queda dos nossos salários na troca de qualidade por quantidade. Na selva de pedras, a competição no mercado de trabalho se atrelaria, de forma pura e simples, ao crescimento dos lucros dos meios de comunicação. Jornalistas mais baratos.
Em todo o tempo a educação é o alvo das discussões. Critica-se a insuficiência do ensino, estipula-se cotas nas faculdades para a desigualdade social e na contramão, elimina-se dos corredores universitários os comunicadores, aqueles que dão voz e contam a história em seu tempo real.
Mas é fácil de entender. Numa realidade palpável em Mato Grosso, nossos legisladores, esses mesmo que estão, de alguma forma, em campanha este ano, defendem médicos, professores, policiais, mas não defendem nossa categoria. Muitos querem negociar nosso preço e nos propõe contratos aquém de nossa categoria. Não respeitam nosso piso salarial e nem nossa carga horária. Isso é o mínimo que poderiam fazer. É fácil quando se tem mais oferta do que vagas. É fácil quando se tem uma categoria desmobilizada.
Não valorizar a educação dos jornalistas é gradativamente ter controle em cima daqueles que questionam, entre tantos, o poder público. É uma ditadura subliminar que vai ser refletida em longo prazo, nos tornam sem conhecimento para assim sabermos menos que eles. É a imprensa marrom se consolidando e a informação em escala industrial.
Mas enfim, com ou sem voz, a disputa é com eles: Os patrões. Sejam dos setores público ou privado, são sempre eles. O homem nasce bom e a sociedade o corrompe, ou seja, o homem através da história torna-se mau. Nos bastidores da notícia, será que o Supremo dará início à guerra das canetas, dos teclados e dos microfones? Sem graduação, os jornalistas também não terão pós-graduação, nem mestrado, nem doutorado, nem nada. Iremos para o embate com menos armas para enfrentar os três poderes que nos antecedem: Executivo, Legislativo e Judiciário.
*Thaís Raeli é jornalista em Cuiabá

















