O Sindjor está desenvolvendo duas campanhas para arrecadar recursos. A primeira e mais antiga é para o Fundo de Mobilização.
A campanha consiste na arrecadação de latinhas de alumínio (refrigerantes, cerveja, sucos) e garrafas pet. O material coletado deve ser encaminhado ao Sindjor. Essa campanha, além de angariar recursos, pretende chamar a atenção para a importância da reciclagem e cuidado com o meio ambiente.
Outra forma de arrecadar recursos para o Fundo de Mobilização é com a venda de camisetas e bonés do Sindjor.
A segunda campanha iniciou recentemente e busca recursos para o pagamento de um acordo referente a uma pendência judicial do Sindjor, transitada em julgado, no valor de 200 salários mínimos.
A ação, impetrada em 1993, está tendo seu desfecho agora, quando o Sindjor conseguiu reduzir o valor, por meio do acordo, para R$ 24 mil (com custas judiciais). Desse total, R$ 12 mil estavam retidos nas contas bloqueadas da entidade. Para pagar o restante, dividido em parcelas até abril de 2009, o Sindjor está circulando um livro de contribuições.
Com o pagamento da primeira parcela em agosto de 2008, tivemos as contas desbloqueadas e poderemos conseguir novamente crédito na praça.
Então, como agora você já sabe que as campanhas são por causas nobres e justas, participe!!!
DESTAQUE
NOVO PISO: Jornalistas e patrões firmam acordo coletivo de 2017
Da assessoria Após seis rodadas de negociação, mediadas pela Superintendência Regional do Trabalho e Emprego de Mato Grosso, o Sindic...
30 de set. de 2008
PARCERIAS
Além de manter os convênios com a Unimed e com a Unirondon, o Sindjor fechou novas parcerias que podem ser usufruídas pelos associados: Sinergia Terapias Naturais, Ótica Elohim e Escola de inglês e espanhol Yázigi. Todos os sindicalizados e familiares tem descontos na compra de produtos ou contratação de serviços.
Sindjor busca novas adesões
“Diga SIM ao Sindjor”
O Sindicato dos Jornalistas de Mato Grosso (Sindjor-MT) está ganhando fôlego e se fortalecendo novamente enquanto entidade. Ao longo de um ano a atual diretoria conseguiu retomar as lutas trabalhistas e sociais que estavam abandonadas há anos. Muitos passos já foram dados para recuperar a dignidade e a força da nossa categoria. Mas é preciso mais. E para conseguir mais, é necessário que você venha reforçar essa luta que também é sua. Por isso, “Diga SIM ao Sindjor”!
Para se associar ao Sindjor e ajudar a construir uma categoria que tenha condições de interferir na sociedade e no seu local de trabalho, basta levar no Sindicato RG e CPF originais, xérox da carteira de trabalho onde consta o número e série e do registro profissional de jornalista (DRT ou MPT), além da qualificação civil. A mensalidade é de R$ 15,75. Além disso, você pode também solicitar a carteira de jornalista da Fenaj (Federação Nacional de Jornalistas), cujos valores variam a partir de R$ 45,00.
26 de set. de 2008
ELEIÇÕES 2008 - Carta aberta à sociedade mato-grossense
CARTA ABERTA
O Sindicato dos Jornalistas de Mato Grosso (Sindjor-MT), por meio desta carta quer demonstrar sua preocupação com o desenrolar das campanhas eleitorais em Mato Grosso. Diariamente a entidade acompanha troca de acusações entre os candidatos ou de ofensas pessoais em pleno horário eleitoral, baixando o nível da propaganda política, quando na verdade os horários gratuitos do rádio e da TV, garantidos com o dinheiro do contribuinte, deveriam ser utilizados para a apresentação de propostas que visam melhorias em nossas cidades, permitindo que escolhamos aqueles com os quais mais nos identificamos para receber nosso voto de confiança.
As "baixarias" por si só já é um fato inquietante, entretanto o mais grave nesse cenário é que a animosidade apresentada na tela acaba se refletindo nas ruas e atingindo as equipes de profissionais que trabalham nas campanhas. Como entidade que representa a categoria de jornalistas, o Sindjor não pode permitir que a falta de respeito e a truculência para com os profissionais da comunicação se instalem no nosso Estado. O sindicato acredita, ainda, que o exemplo deve partir daqueles que disputam os cargos públicos.
Apesar da dificuldade de encontrar candidatos disponíveis a manter um grau elevado de discussão durante a campanha, a sociedade organizada faz sua parte. Nessa semana, por exemplo, foi lançada a campanha Eleições Limpas – Pelo Voto Livre e Consciente, uma iniciativa da Associação dos Magistrados Brasileiros (AMB) e do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), com apoio da Associação Mato-grossense de Magistrados (Amam), do Movimento de Combate à Corrupção Eleitoral (MCCE), e de segmentos da sociedade organizada. O objetivo é fazer com que o eleitor assuma uma postura ativa e denuncie as irregularidades eleitorais às autoridades competentes. O Sindjor apóia a iniciativa, mas avalia que é preciso ir além.
É preciso sim discutir a famigerada compra de votos, a propaganda irregular, a boca de urna e se a ficha do candidato é limpa ou não, porém devemos dar atenção também as condições de trabalho dos profissionais da comunicação, a tão comentada e defendida liberdade de imprensa, o direito do manifesto das diversas opiniões, o de ir e vir do cidadão, sempre respeitando o limite da lei. Ou esses direitos só valem para algumas pessoas e para alguns momentos?
O sindicato tem informações de casos em que o desrespeito ao profissional da comunicação é passível de ação penal. Os relatos vão desde profissionais que sofrem ameaças ou violência, passam por uso do nome para 'plantar' matérias (falsidade ideológica), chegando ao absurdo de serem vítimas mantidas em cárcere privada e até mesmo terem os equipamentos apreendidos de forma indevida.
O Sindjor-MT quer Eleições Limpas de verdade, por isso defende campanhas eleitorais limpas. E avalia que para isso ocorrer de fato os candidatos - principalmente os majoritários que detêm o maior tempo da propaganda eleitoral - precisam querer que as Eleições sejam higienizadas. Se o candidato se preocupa em manter o nível das campanhas é sinal de que respeita o eleitor e a democracia. Essa preocupação pode ser percebida pelas contratações que o postulante fez para formar sua equipe de comunicação. Basta observar se os profissionais contratados têm ou não respaldo do mercado, se são ou não qualificados e se apresentam ou não a situação profissional regulamentada. Pois, quem contrata maus profissionais, já revela desde o início qual o verdadeiro objetivo da sua campanha.
25 de set. de 2008
“Saneamento Básico – O Filme” inicia nova fase do “Sessão Pipoca” do Sindjor

Os 15 alunos da turma do Brasil Alfabetizado que funciona na Escola Municipal Maria Elazir Correia de Figueiredo, do Bairro São João Del Rey, periferia de Cuiabá, serão os primeiros expectadores da nova fase do projeto “Sessão Pipoca” do Sindicato dos Jornalistas de Mato Grosso (Sindjor-MT). A exibição do filme nacional “Saneamento Básico – O Filme” ocorre hoje (25) às 18h30 na própria escola.
Essa nova fase do projeto foi batizada de “Sessão Pipoca à Brasileira” e visa proporcionar a reflexão de estudantes que têm poucas oportunidades sobre temas do cotidiano brasileiro, a partir da análise da produção cinematográfica nacional.
O evento será realizado em parceria com a empresa de energia Eletronorte, que mantém a sala do programa federal Brasil Alfabetizado e com o Fórum Estadual Pela Democratização da Comunicação (FEDC). O Sindjor ainda solicitou ao programa “Justiça Comunitária”, do Tribunal de Justiça do Estado, cartilhas sobre o programa que tem por objetivo orientar os cidadãos sobre seus direitos.
Após a exibição haverá um debate sobre o filme e distribuição das cartilhas, bem como um momento de confraternização com pipoca e refrigerantes.
O Sindicato já buscou parceiras com o Sesc Arsenal e a Secretaria de Estado de Educação (Seduc) para a realização do projeto nas classes da Educação de Jovens e Adultos (EJA) . Tanto a secretaria, quanto o Sesc mostraram interesse no projeto, faltando apenas cumprir as exigências burocráticas para executá-lo.
Sinopse - A comunidade da Linha Cristal, uma pequena vila de descendentes de colonos italianos na serra gaúcha, reúne-se para tomar providências sobre a construção de uma fossa para o tratamento do esgoto. Uma comissão é escolhida para pleitear a obra junto à sub-prefeitura.
Após ouvir a reivindicação, a secretária da prefeitura reconhece a legitimidade da solicitação, mas afirma que não dispõe de verbas para obras de saneamento básico até o final do ano. No entanto, a prefeitura tem quase R$ 19 mil em verbas para a produção de um vídeo. A verba veio do governo federal e, se não for gasta, terá que ser devolvida.
A comunidade decide então fazer um vídeo sobre a obra. A prefeitura apóia a idéia da realização do vídeo e da utilização da verba para a obra, que seria um absurdo devolver, mas esclarece que, para requerer a verba, a comunidade deve apresentar um roteiro e um projeto do vídeo, e que a verba era necessariamente para obras de ficção.Os moradores da Linha Cristal passam então a fazer um vídeo de ficção que, segundo interpretações, é um filme de monstro, ambientado nas obras de construção de uma fossa, com o único objetivo de usar a verba para as obras. O que eles não esperavam é que a produção do vídeo fosse se tornando cada vez mais complexa e interessante.
24 de set. de 2008
Prêmios colocam em pauta temas de grande relevância social
JORNALISMO QUE FAZ DIFERENÇAO Sindicato dos Jornalistas de Mato Grosso (sindjor-MT) é parceiro na realização de dois prêmios de jornalismo que estão em curso: I Prêmio de Jornalismo UNIC/Sindjor-MT, que tem como tema a Educação Superior em Mato Grosso, e o I Prêmio Nacional de Jornalismo Dom Pedro Casaldáliga – Pela erradicação do trabalho escravo em Mato Grosso.
Para o Sindjor, o a realização de prêmios de jornalismo é uma forma de valorizar o profissional da imprensa, por serviços prestados. E é também uma forma de incentivar melhores reportagens e chamar a atenção para assuntos e temas de grande relevância social.O I Prêmio de Jornalismo UNIC/Sindjor-MT tem como objetivo incentivar a produção jornalística de reportagens sobre o papel da educação superior no Estado, com vistas à inovação, tecnologia, responsabilidade social e inserção global, focando todas as áreas de conhecimento.
Mais informações sobre regulamento e ficha de inscrição para o prêmio, que vai dar um notebook para cada ganhador, podem ser obtidas por meio dos telefones (65) 3363-1013 ou (65) 3025-4723, ou por meio do www.sindicatodosjornalistasmt.blogspot.com/2008_05_01_archive.html.
Vale destacar que as inscrições deverão ser feitas impreterivelmente até o dia 03 de novembro de 2008.
Prêmio Nacional Dom Pedro Casaldáliga
Para o I Prêmio Nacional de Jornalismo Dom Pedro Casaldáliga – Pela erradicação do trabalho escravo em Mato Grosso, as reportagens deverão ser veiculadas em rádios, jornais impressos, telejornais, revistas ou sites de notícias de todo o país, no período de oito de agosto deste ano até fevereiro de 2009. Poderão concorrer jornalistas de todo o Brasil, porém, o enfoque da notícia terá de ser a realidade do trabalho escravo no Estado de Mato Grosso, que ocupa o segundo lugar no ranking nacional de trabalhadores resgatados.O Prêmio Nacional Dom Pedro Casaldáliga é uma iniciativa do Ministério Público do Trabalho e do Ministério Público Estadual, e conta com o apoio da FENAJ, do Sindjor-MT, da Associação dos Magistrados do Trabalho (AMATRA23), da Associação dos Promotores de Justiça do Estado e da Superintendência Regional do Trabalho (SRTE/MT).
Premiação terá valores nunca pagos
As melhores matérias jornalísticas vão concorrer a prêmio em dinheiro cuja origem é de ações judiciais e termos de ajustamento de conduta. No total será destinada a importância de R$ 180 mil. Os segundos colocados em cada categoria serão premiados com notebooks. As inscrições já estão abertas desde o dia 08 de agosto e deverão ser feitas via internet no seguinte endereço http://www.mp.mt.gov.br/ <http://www.mp.mt.gov.br/>. É necessário preencher a ficha de inscrição e consultar todo o regulamento do prêmio.
Mais informações podem ser obtidas por meio dos telefones: (65) 3613 9140 ou (65) 3613 1632.
23 de set. de 2008
Inacessibilidade no transporte coletivo
Por LAURA LUCENA *
Sou usuária do transporte coletivo. Tenho o saudável hábito – para o meu bolso, a minha saúde e a do planeta – de deixar o carro na garagem e enfrentar a espera pelo coletivo no ponto de ônibus. Assim, vejo a cidade do ponto de vista do usuário, do pedestre, pois – penso eu - quem caminha conhece detalhes de onde mora.
Confesso que, para quem é usuário do transporte coletivo urbano da Grande Cuiabá desde 1976, até que hoje em dia o desconforto do serviço é um ‘luxo’ perto do que a Nova Era, empresa que monopolizava o setor naquela década, oferecia para a população. Mas esse é um assunto para um outro artigo. Hoje trafegamos em muitos ônibus mais limpos e modernos. Alguns até contam com aparelhos de ar condicionado que, nos dias muito quentes, tornam esse tipo de coletivo proibitivo, principalmente para quem sofre de problemas respiratórios como eu.
Sou usuária do transporte coletivo. Tenho o saudável hábito – para o meu bolso, a minha saúde e a do planeta – de deixar o carro na garagem e enfrentar a espera pelo coletivo no ponto de ônibus. Assim, vejo a cidade do ponto de vista do usuário, do pedestre, pois – penso eu - quem caminha conhece detalhes de onde mora.
Confesso que, para quem é usuário do transporte coletivo urbano da Grande Cuiabá desde 1976, até que hoje em dia o desconforto do serviço é um ‘luxo’ perto do que a Nova Era, empresa que monopolizava o setor naquela década, oferecia para a população. Mas esse é um assunto para um outro artigo. Hoje trafegamos em muitos ônibus mais limpos e modernos. Alguns até contam com aparelhos de ar condicionado que, nos dias muito quentes, tornam esse tipo de coletivo proibitivo, principalmente para quem sofre de problemas respiratórios como eu.

Os motoristas e cobradores – com raríssimas exceções – estão mais educados. Parecem que, finalmente, começaram a entender que somos nós que pagamos os salários deles. E, com o advento do cartão transporte, pagamos adiantado, diga-se de passagem. Mas, como nem tudo são flores no setor, as deficiências no sistema são muitas, não nos cabendo aqui citar todas. Dentre elas, a inacessibilidade para cadeirantes continua e hoje é até mais cruel do que antes. E não me venham dizer que os ônibus hoje, cumprindo as cotas determinadas na questão da renovação da frota, são dotados de instrumentos que permitem ao cadeirante ter acesso ao interior do coletivo, praticamente sem ajuda de ninguém.
É MENTIRA!
E duvido que possa encontrar por aqui um cadeirante com disposição a declarar tal facilidade por conta dos modernos equipamentos que alguns ônibus possuem. Ninguém, a não ser que esteja sendo patrocinado pela politicagem que fervilha em campanhas eleitorais, fará isso.
Simplesmente porque, tal acessibilidade existe só nos acordos de gabinete. É onde todos ficam satisfeitos em dotarem um número X de coletivos de equipamentos que facilitem o acesso aos portadores de necessidades especiais, numa espécie de ‘cala a boca porque estamos fazendo de tudo para sermos politicamente corretos e dentro da lei”. O efeito prático disso pude presenciar numa tarde quente cuiabana.
Confortavelmente sentada próxima à porta de saída do coletivo, vi um cadeirante ficando rouco de tanto gritar para o cobrador movimentar o equipamento que o permitira ter acesso ao interior do coletivo. O cobrador só percebeu o cadeirante quando eu o interpelei: ‘Moço, esse equipamento funciona ou não funciona? Tem um moço aí querendo usar essa geringonça’. Só então ele apressadamente desceu a escada, que ficou bem abaixo do meio fio, do qual se distanciava uns 15 cm, para desespero do cadeirante, que implorou para o motorista manobrar de forma a que ele pudesse entrar no ônibus. O motorista, doido para cumprir com o horário, na pressa do trânsito, não deu a menor bola para o cadeirante, que esbravejou e terminou sendo auxiliado por dois usuários que o colocaram na plataforma. Daí em diante, tudo funcionou, até que o cadeirante percebesse ter entrado no coletivo errado e pedir para descer. E mais uma vez a escada ficou longe do meio fio o suficiente para que o cadeirante não pudesse descer com dignidade, sem a ajuda de ninguém, como prometem as publicidades enganosas que o sistema faz sobre o assunto! E não pude deixar de ficar indignada, mais uma vez, com essa demagogia que destrói a cidadania fingindo que, na verdade, está valorizando o cidadão excluído. E você?
* Laura Lucena é jornalista em Cuiabá
DEU NO DIÁRIO DE CUIABÁ - Com ou sem diploma?
Dentro de algumas semanas o Supremo Tribunal Federal (STF) deve julgar ação que regulamenta a obrigatoriedade do diploma de jornalismo para o exercício da profissão, uma questão de suma importância para a categoria e que há muito tempo é alvo de embates judiciais. Basta lembrar a liminar da juíza Carla Rister, em 2001, que suspendeu em todo o país a obrigatoriedade do diploma, colocando por terra o Decreto-Lei nº 83.284/79, que regulamenta a profissão. Uma situação que só foi revertida em 2005, através de uma decisão do TRF da 3ª Região que restaurou a obrigatoriedade do diploma e restabeleceu a ordem jurídica no campo do Jornalismo. Agora, três anos depois, estamos perto de vivenciar uma nova mudança.
De novo os portões poderão ser abertos a todos os cidadãos que se achem aptos a exercer a profissão, sem que para isso disponham de um diploma de nível superior na área. Pois é, nada contra aqueles que labutam há um bom tempo na profissão e mesmo sem o diploma obtiveram o registro profissional, até porque o referido canudo não confere talento a ninguém, e muitos deles são talentosíssimos. Na verdade, o diploma algumas vezes serve apenas como escudo para aqueles que não nasceram para a profissão, e tentam fazer dela o seu ganha-pão. Mas nem por isso devemos garantir o livre acesso ao jornalismo a todo aquele que acredita ser dotado de algum talento para exercer a profissão.
Muitos dos que defendem o fim da obrigatoriedade do diploma se apóiam no artigo quinto, parágrafo nono da Constituição que diz que “é livre a expressão da atividade intelectual, artística, científica e de comunicação, independentemente de censura ou licença”. No entanto, não se pode confundir o cerceamento à liberdade de expressão e a censura, com o direito dos jornalistas terem uma regulamentação profissional que exija qualificação, assim como em outras profissões. Uma coisa é garantir o direito de expressão a todos os cidadãos, outra é a garantia do exercício da profissão aqueles que são devidamente capacitados e legalizados para isso. Além disso a exigência do diploma não tem cunho elitista, nem impede o acesso de profissionais talentosos à profissão, pois quem tem talento de fato busca se aperfeiçoar e se adequar as regras existentes no mercado.
Não bastasse toda essa polêmica, esta semana o ministro da Educação, Fernando Haddad propôs a criação de uma comissão para discutir as diretrizes curriculares dos cursos de comunicação social, mais precisamente o de jornalismo, para o qual sugere cursos de especialização para que formados em outras áreas também possam exercer a profissão.
Em outras palavras, o ministro entende que outros profissionais podem exercer a profissão de jornalista, bastando para isso um curso de pós- graduação. Para ele, um médico, por exemplo, pode fazer uma pós em comunicação para cobrir os assuntos de saúde, ou um pedagogo para cobrir educação. Simples assim.
Desse modo entendemos que nós jornalistas também poderíamos nos habilitar a outra profissão. Para tanto seria necessário apenas uma pós-graduação na área, nada mais.
Mas será que o ministro e os outros profissionais concordariam com isso? É, como se diz por aí: pimenta nos olhos dos outros é refresco.
TÂNIA NARA MELO é jornalista
De novo os portões poderão ser abertos a todos os cidadãos que se achem aptos a exercer a profissão, sem que para isso disponham de um diploma de nível superior na área. Pois é, nada contra aqueles que labutam há um bom tempo na profissão e mesmo sem o diploma obtiveram o registro profissional, até porque o referido canudo não confere talento a ninguém, e muitos deles são talentosíssimos. Na verdade, o diploma algumas vezes serve apenas como escudo para aqueles que não nasceram para a profissão, e tentam fazer dela o seu ganha-pão. Mas nem por isso devemos garantir o livre acesso ao jornalismo a todo aquele que acredita ser dotado de algum talento para exercer a profissão.
Muitos dos que defendem o fim da obrigatoriedade do diploma se apóiam no artigo quinto, parágrafo nono da Constituição que diz que “é livre a expressão da atividade intelectual, artística, científica e de comunicação, independentemente de censura ou licença”. No entanto, não se pode confundir o cerceamento à liberdade de expressão e a censura, com o direito dos jornalistas terem uma regulamentação profissional que exija qualificação, assim como em outras profissões. Uma coisa é garantir o direito de expressão a todos os cidadãos, outra é a garantia do exercício da profissão aqueles que são devidamente capacitados e legalizados para isso. Além disso a exigência do diploma não tem cunho elitista, nem impede o acesso de profissionais talentosos à profissão, pois quem tem talento de fato busca se aperfeiçoar e se adequar as regras existentes no mercado.
Não bastasse toda essa polêmica, esta semana o ministro da Educação, Fernando Haddad propôs a criação de uma comissão para discutir as diretrizes curriculares dos cursos de comunicação social, mais precisamente o de jornalismo, para o qual sugere cursos de especialização para que formados em outras áreas também possam exercer a profissão.
Em outras palavras, o ministro entende que outros profissionais podem exercer a profissão de jornalista, bastando para isso um curso de pós- graduação. Para ele, um médico, por exemplo, pode fazer uma pós em comunicação para cobrir os assuntos de saúde, ou um pedagogo para cobrir educação. Simples assim.
Desse modo entendemos que nós jornalistas também poderíamos nos habilitar a outra profissão. Para tanto seria necessário apenas uma pós-graduação na área, nada mais.
Mas será que o ministro e os outros profissionais concordariam com isso? É, como se diz por aí: pimenta nos olhos dos outros é refresco.
TÂNIA NARA MELO é jornalista
Mais de 70% da população brasileira quer jornalista com diploma
A pesquisa de opinião nacional CNT/Sensus, divulgada ontem (22), em Brasília, pela Confederação Nacional do Transporte (CNT), registra que a grande maioria da população brasileira é a favor da exigência do diploma para o exercício da profissão de jornalista. Dos dois mil entrevistados em todo Brasil, 74,3% se disseram a favor do diploma, 13,9% contra e 11,7% não souberam ou não responderam.
Os dados foram muito comemorados pela Federação Nacional dos Jornalistas (FENAJ) e pelos sindicatos de jornalistas. Para o presidente da FENAJ, Sergio Murillo de Andrade, este é melhor apoio que a campanha poderia obter e o resultado da pesquisa renova as forças dos que estão lutando pela regulamentação profissional. "Esses números da pesquisa CNT/Sensus mostram que a população brasileira tem a real dimensão da importância do jornalismo para o País e que quer receber informações de qualidade, apuradas por jornalistas formados".
Murillo afirmou, também, que esses dados ficam ainda mais importantes com a proximidade da votação da exigência do diploma pelo STF e espera que ministros percebam o desejo da sociedade. "O STF tem a chance de mostrar à população que anda junto com seus anseios, reconhecendo que jornalismo precisa ser feito por profissionais com formação teórica, técnica e ética e que o jornalismo independente e plural é condição indispensável para a verdadeira democracia".
A Pesquisa CNT/Sensus quis saber, também, o que a população acha da criação do Conselho Federal dos Jornalistas. Para a pergunta: o sr. (a) acha que deveria ou não deveria ser criado um Conselho Federal dos Jornalistas, para a regulamentação do exercício da profissão no País – como as OAB's para os Advogados e os CREA's para os Engenheiros, o resultado foi que 74,8 % acham que o Conselho deveria ser criado, 8,3% que não deveria ser criado, para 6,5% depende e 10,4% não sabem ou não responderam.
A última pergunta relacionada ao tema foi sobre a credibilidade das notícias. Parte dos entrevistados, 42,7%, disseram que acreditam nas notícias que lêem, ouvem ou assistem, 12,2% que não acreditam, 41,6% que acreditam parcialmente e 3,5% não sabem ou não responderam.
A Pesquisa foi realizada de 15 a 19 de setembro, com dois mil questionários aplicados em cinco regiões brasileiras e 24 estados, com sorteio aleatório de 136 municípios pelo método da Probabilidade Proporcional ao Tamanho – PPT. A margem de erro é de mais ou menos 3%.
Os dados foram muito comemorados pela Federação Nacional dos Jornalistas (FENAJ) e pelos sindicatos de jornalistas. Para o presidente da FENAJ, Sergio Murillo de Andrade, este é melhor apoio que a campanha poderia obter e o resultado da pesquisa renova as forças dos que estão lutando pela regulamentação profissional. "Esses números da pesquisa CNT/Sensus mostram que a população brasileira tem a real dimensão da importância do jornalismo para o País e que quer receber informações de qualidade, apuradas por jornalistas formados".
Murillo afirmou, também, que esses dados ficam ainda mais importantes com a proximidade da votação da exigência do diploma pelo STF e espera que ministros percebam o desejo da sociedade. "O STF tem a chance de mostrar à população que anda junto com seus anseios, reconhecendo que jornalismo precisa ser feito por profissionais com formação teórica, técnica e ética e que o jornalismo independente e plural é condição indispensável para a verdadeira democracia".
A Pesquisa CNT/Sensus quis saber, também, o que a população acha da criação do Conselho Federal dos Jornalistas. Para a pergunta: o sr. (a) acha que deveria ou não deveria ser criado um Conselho Federal dos Jornalistas, para a regulamentação do exercício da profissão no País – como as OAB's para os Advogados e os CREA's para os Engenheiros, o resultado foi que 74,8 % acham que o Conselho deveria ser criado, 8,3% que não deveria ser criado, para 6,5% depende e 10,4% não sabem ou não responderam.
A última pergunta relacionada ao tema foi sobre a credibilidade das notícias. Parte dos entrevistados, 42,7%, disseram que acreditam nas notícias que lêem, ouvem ou assistem, 12,2% que não acreditam, 41,6% que acreditam parcialmente e 3,5% não sabem ou não responderam.
A Pesquisa foi realizada de 15 a 19 de setembro, com dois mil questionários aplicados em cinco regiões brasileiras e 24 estados, com sorteio aleatório de 136 municípios pelo método da Probabilidade Proporcional ao Tamanho – PPT. A margem de erro é de mais ou menos 3%.
19 de set. de 2008
COMUNICAÇÃO PARA O POVO
Estudantes do IVE debatem democratização da comunicação
Por Luana SoutosEstudante de Jornalismo
Alunos do IVE (Instituto Várzea-grandense de Educação) participaram, no dia quatro de setembro, do debate sobre Democratização da Comunicação, organizado por integrantes do Fórum Estadual pela Democratização da Comunicação (FEDC). O debate teve inicio às 19h30, com a exposição da presidente do Sindicato dos Jornalistas de Mato Grosso, Keka Wernek, seguida da palestra do psicólogo Arlindo de Arruda representante do Conselho Regional de Psicologia (CRP).

Na avaliação dos organizadores o evento foi positivo, pois houve boa participação de alunos e professores, com perguntas, opiniões e até a apresentação de composições musicais sobre o tema.
O debate correu até às 22h sem intervalo. A mesa foi composta pela presidente do Sindjor/MT, Keka Werneck, pela jornalista e diretora do Sindjor/MT, Márcia Raquel, pelo psicólogo Arlindo de Arruda e pelo professor Doutor em Comunicação Roberto Boaventura, todos membros do FEDC.
O Fórum pretende levar a discussão sobre democratização da comunicação à universidades, escolas, movimentos sociais e população em geral. Com esse objetivo, será parceiro do Sindjor-MT na realização do projeto Sessão Pipoca à Brasileira, que será lançado no próximo dia 25 de setembro. O projeto visa proporcionar reflexão de estudantes da Educação de Jovens e Adultos (EJA) sobre temas do cotidiano brasileiro a partir da análise cinematográfica nacional.
Os encontros do FEDC acontecem quinzenalmente, às quintas-feiras, na sede do Conselho Regional de Psicologia, localizada na rua 40, nº120, próximo ao Colégio Master Júnior, no bairro Boa Esperança.
VÍDEO MOSTRA LUTA DOS SEM-TETO
http://br.youtube.com/watch?v=-Gc1AqkTcq8
NOSSAS LUTAS INTERFEREM EM TODAS AS OUTRAS, A CHAMA DA LIBERDADE SE RENOVA.
NOSSAS LUTAS INTERFEREM EM TODAS AS OUTRAS, A CHAMA DA LIBERDADE SE RENOVA.
Deu no Diário de Cuiabá - Cada macaco no seu galho

Por EDUARDO MAHON
Parece ser apenas uma provocação haver alguém que queira pegar carona em diploma de curso superior para exercer profissão para o qual não foi habilitado, apenas porque é formado em outra disciplina. Já foi o tempo em que emoldurava-se na parede o status que conferia poder para dizer-se superior. Agora, é preciso estudar mais, especializar-se, graduar-se na área para a qual houve preparação. Essa evolução não é do cidadão ou das profissões e sim uma garantia da sociedade pelo estabelecimento de um mínimo de estofo teórico sobre aquilo que se presta de serviços.
A bola da vez daqueles que querem tirar uma casquinha do estudo alheio é o jornalista. O Ministério da Educação, num rasgo de paternalismo com terceiros interessados, avalia a permissão de qualquer profissional com diploma de curso superior exercer o jornalismo, com as características inerentes à profissão, incluindo as prerrogativas legais exclusivas para a classe. Quando o populismo avança na educação, ideários como este assaltam a sociedade. Simples – quem tenha diploma não vai pra cela comum e pode assinar um jornal sob sua responsabilidade. Ou seja, o jornalismo sairia de lambuja, uma adicional para quem estuda e se forma. É que se os integrantes de um governo populista confundem partido com governo, podem muito bem transformar bacharel em jornalista.
E é mais interessante que essa distorção só venha a afetar o jornalismo. O profissional de enfermagem, o homeopata, o fisioterapeuta, cada qual tem o seu valor e as profissões devem ser especializadas para que o paciente seja melhor atendido, aumentando as chances de sucesso. Mas quem queira bancar o médico, avançando no campo de atuação alheio, será punido criminalmente inclusive. Da mesma forma com os advogados e mais fortemente com essa classe. Não basta apenas exibir um título de bacharel como também é necessário ser aprovado em exame de desempenho para comprovar que tem o mínimo de técnica para exercer um múnus público. Quem se arvora a desempenhar o papel de causídico sem habilitação, é estelionatário.
A maioria dos “advogados medalhões” não fez o exame, porque este não havia. Ainda assim, só protesta contra a avaliação os acadêmicos que se pelam de medo de serem examinados. Mas claro, quem exige um mínimo de bagagem conceitual não é este ou aquele cliente e sim a sociedade que precisa de controle, porque assim como cargo público estável não mais é distribuído por simpatia, profissão não é um lazer fútil.
Mas, estranhamente, com o jornalista a mesma lógica não se dá. Ao que tudo indica, o curso de jornalismo para o Ministério da Educação não tem qualquer serventia e isso é um absurdo. No currículo, o profissional de comunicação tem aulas específicas de como lidar, pautar, apresentar uma notícia, preservando a fonte ou administrando um conflito de interesses. E a ética. A compostura jornalística é toda especial, a ética profissional não é a ética popular – só o cidadão muito desinformado que acredita no paralelo entre a “sua” ética e a ética profissional. Não se exige que nenhum outro profissional leia e saiba o código disciplinar do advogado, mas se deduz que qualquer profissional tenha conhecimento da ética jornalística. É pitoresco o raciocínio!
Claro que há péssimos profissionais de jornalismo, inclusive aqueles que são medíocres no ofício de comunicar-se e outros piores a amealhar dinheiro com chantagens e manipulações do fato, mas também há péssimos médicos, advogados, engenheiros, arquitetos, historiadores, geógrafos, igualmente vendilhões e manipuladores, o que não dá qualquer placet para que um jornalista vá registrar uma obra no conselho profissional alheio e nem tampouco defender-se a si mesmo em um processo, por mais culto que possa parecer o profissional. Evidente que o conhecimento não está no cabresto universitário e a competência vem a reboque do diploma, mas o bacharelato e a licenciatura são pressupostos mínimos de ciência de um currículo específico, como ocorre com qualquer profissão.
Trazer outros profissionais para ilustrar um jornal é uma coisa, pegar carona no diploma alheio, é bem diverso. O economista poderá contribuir com sua ótica sobre economia, o cientista político trará consigo a percepção da conjuntura política, o jurista oferecerá o ponto de vista legal: um jornal cresce ouvindo outros saberes, como qualquer profissão. O bom advogado se socorre de laudos emanados de outros profissionais, assim como o próprio Poder Judiciário, ao chamar para auxiliar tantos expertos quantos forem as especialidades envolvidas no caso. O multiculturalismo, a diversidade, a pluralidade não só amplia a visão social sobre um fato como democratiza o conhecimento.
Ainda assim, não se misture alhos com bugalhos. O jornalista é justamente aquele que aprendeu transitar por várias áreas, colhendo impressões, ações e reações diante e detrás da notícia. Quem pensa ser fácil lidar com uma notícia e com o feixe de interesses que a circundam, é um amador. Amador e usurpador, diria eu. É muita presunção pessoal e irresponsabilidade profissional creditar-se a si mesmo as láureas que a bancada universitária concede. Ora, então por que há faculdade? Qual o diferencial de mais de setecentos anos de estudos de ensino superior? Aquele sem habilitação específica que quer administrar um jornal, responsabilizar-se por um periódico, coordenar outros profissionais da imprensa não pode ser um rábula ou um estelionatário. Rábula porque a prática, por mais que confira a excelência no trabalho jamais substituirá o conhecimento científico universitário e estelionatário, porque parece que certos setores querem fazer um jornal sob encomendas, sem qualquer pauta profissionalizada e nem responsável técnico. Fico perplexo com colegas advogados que querem tanto proteger seus escritórios, não tendo a mínima coerência ao franquear um jornal àqueles completamente alheios à profissão para a qual foram talhados.
De fato, todos têm direito de escrever e se ver publicada a sua opinião. É com a multiplicidade de idéias que se constrói uma sociedade democrática. De outro giro, os leitores têm direito de não ler o que é ruim ou de preterir uma notícia plantada, forjada ou negociada, inclusive por jornalistas. Contudo, cada macaco no se galho: a liberdade de expressão numa linha editorial (aspecto muito mais amplo que um mero ensaio) deve vir acompanhada de uma série de responsabilidades inerentes ao mister de cada profissional. O jornalista não é um livre-pensador, um escritor de ocasião, um sujeito de segunda classe. Vamos parar com a mania de pegar carona no estudo alheio.
* EDUARDO MAHON é advogado
A bola da vez daqueles que querem tirar uma casquinha do estudo alheio é o jornalista. O Ministério da Educação, num rasgo de paternalismo com terceiros interessados, avalia a permissão de qualquer profissional com diploma de curso superior exercer o jornalismo, com as características inerentes à profissão, incluindo as prerrogativas legais exclusivas para a classe. Quando o populismo avança na educação, ideários como este assaltam a sociedade. Simples – quem tenha diploma não vai pra cela comum e pode assinar um jornal sob sua responsabilidade. Ou seja, o jornalismo sairia de lambuja, uma adicional para quem estuda e se forma. É que se os integrantes de um governo populista confundem partido com governo, podem muito bem transformar bacharel em jornalista.
E é mais interessante que essa distorção só venha a afetar o jornalismo. O profissional de enfermagem, o homeopata, o fisioterapeuta, cada qual tem o seu valor e as profissões devem ser especializadas para que o paciente seja melhor atendido, aumentando as chances de sucesso. Mas quem queira bancar o médico, avançando no campo de atuação alheio, será punido criminalmente inclusive. Da mesma forma com os advogados e mais fortemente com essa classe. Não basta apenas exibir um título de bacharel como também é necessário ser aprovado em exame de desempenho para comprovar que tem o mínimo de técnica para exercer um múnus público. Quem se arvora a desempenhar o papel de causídico sem habilitação, é estelionatário.
A maioria dos “advogados medalhões” não fez o exame, porque este não havia. Ainda assim, só protesta contra a avaliação os acadêmicos que se pelam de medo de serem examinados. Mas claro, quem exige um mínimo de bagagem conceitual não é este ou aquele cliente e sim a sociedade que precisa de controle, porque assim como cargo público estável não mais é distribuído por simpatia, profissão não é um lazer fútil.
Mas, estranhamente, com o jornalista a mesma lógica não se dá. Ao que tudo indica, o curso de jornalismo para o Ministério da Educação não tem qualquer serventia e isso é um absurdo. No currículo, o profissional de comunicação tem aulas específicas de como lidar, pautar, apresentar uma notícia, preservando a fonte ou administrando um conflito de interesses. E a ética. A compostura jornalística é toda especial, a ética profissional não é a ética popular – só o cidadão muito desinformado que acredita no paralelo entre a “sua” ética e a ética profissional. Não se exige que nenhum outro profissional leia e saiba o código disciplinar do advogado, mas se deduz que qualquer profissional tenha conhecimento da ética jornalística. É pitoresco o raciocínio!
Claro que há péssimos profissionais de jornalismo, inclusive aqueles que são medíocres no ofício de comunicar-se e outros piores a amealhar dinheiro com chantagens e manipulações do fato, mas também há péssimos médicos, advogados, engenheiros, arquitetos, historiadores, geógrafos, igualmente vendilhões e manipuladores, o que não dá qualquer placet para que um jornalista vá registrar uma obra no conselho profissional alheio e nem tampouco defender-se a si mesmo em um processo, por mais culto que possa parecer o profissional. Evidente que o conhecimento não está no cabresto universitário e a competência vem a reboque do diploma, mas o bacharelato e a licenciatura são pressupostos mínimos de ciência de um currículo específico, como ocorre com qualquer profissão.
Trazer outros profissionais para ilustrar um jornal é uma coisa, pegar carona no diploma alheio, é bem diverso. O economista poderá contribuir com sua ótica sobre economia, o cientista político trará consigo a percepção da conjuntura política, o jurista oferecerá o ponto de vista legal: um jornal cresce ouvindo outros saberes, como qualquer profissão. O bom advogado se socorre de laudos emanados de outros profissionais, assim como o próprio Poder Judiciário, ao chamar para auxiliar tantos expertos quantos forem as especialidades envolvidas no caso. O multiculturalismo, a diversidade, a pluralidade não só amplia a visão social sobre um fato como democratiza o conhecimento.
Ainda assim, não se misture alhos com bugalhos. O jornalista é justamente aquele que aprendeu transitar por várias áreas, colhendo impressões, ações e reações diante e detrás da notícia. Quem pensa ser fácil lidar com uma notícia e com o feixe de interesses que a circundam, é um amador. Amador e usurpador, diria eu. É muita presunção pessoal e irresponsabilidade profissional creditar-se a si mesmo as láureas que a bancada universitária concede. Ora, então por que há faculdade? Qual o diferencial de mais de setecentos anos de estudos de ensino superior? Aquele sem habilitação específica que quer administrar um jornal, responsabilizar-se por um periódico, coordenar outros profissionais da imprensa não pode ser um rábula ou um estelionatário. Rábula porque a prática, por mais que confira a excelência no trabalho jamais substituirá o conhecimento científico universitário e estelionatário, porque parece que certos setores querem fazer um jornal sob encomendas, sem qualquer pauta profissionalizada e nem responsável técnico. Fico perplexo com colegas advogados que querem tanto proteger seus escritórios, não tendo a mínima coerência ao franquear um jornal àqueles completamente alheios à profissão para a qual foram talhados.
De fato, todos têm direito de escrever e se ver publicada a sua opinião. É com a multiplicidade de idéias que se constrói uma sociedade democrática. De outro giro, os leitores têm direito de não ler o que é ruim ou de preterir uma notícia plantada, forjada ou negociada, inclusive por jornalistas. Contudo, cada macaco no se galho: a liberdade de expressão numa linha editorial (aspecto muito mais amplo que um mero ensaio) deve vir acompanhada de uma série de responsabilidades inerentes ao mister de cada profissional. O jornalista não é um livre-pensador, um escritor de ocasião, um sujeito de segunda classe. Vamos parar com a mania de pegar carona no estudo alheio.
* EDUARDO MAHON é advogado
18 de set. de 2008
MT participa do ato pelo diploma em Brasília

Mato Grosso esteve presente no ato histórico em favor do diploma para o exercício do jornalismo que reuniu, ontem, 17 de setembro, em Brasília, cerca de 150 jornalistas de todo o país, em frente ao Supremo Tribunal Federal (STF).
A idéia é pressionar o ministro Gilmar Mendes, presidente do Supremo. Mendes é relator do processo, impetrado, em primeira instância, pelo patronato da radiodifusão de São Paulo. O ministro, liminarmente, já indicou que tem a preocupante posição para a categoria de que o jornalismo pode e deve ser exercido por qualquer pessoa, sem a exigência de diploma para isso. "A intenção com este ato é fazê-lo mudar de idéia, percebendo as complicações que a desregulamentação do mercado trará", diz a presidente do Sindjor-MT, Keka Werneck. Durante o ato, Keka e a secretária-geral em exercício, Alcione dos Anjos, levaram faixas e panfletaram a primeira edição do jornal "Imprensa que Pensa", dos jornalistas daqui.O ato foi à tarde, das 13h às 15h, sob um sol forte e a baixa umidade do ar, típica de Brasília. Houve apitaço.
Os jornalistas brasileiros fizeram uma roda em frente ao STF. Cantaram o hino nacional.Houve uma tímida cobertura local.
A idéia é pressionar o ministro Gilmar Mendes, presidente do Supremo. Mendes é relator do processo, impetrado, em primeira instância, pelo patronato da radiodifusão de São Paulo. O ministro, liminarmente, já indicou que tem a preocupante posição para a categoria de que o jornalismo pode e deve ser exercido por qualquer pessoa, sem a exigência de diploma para isso. "A intenção com este ato é fazê-lo mudar de idéia, percebendo as complicações que a desregulamentação do mercado trará", diz a presidente do Sindjor-MT, Keka Werneck. Durante o ato, Keka e a secretária-geral em exercício, Alcione dos Anjos, levaram faixas e panfletaram a primeira edição do jornal "Imprensa que Pensa", dos jornalistas daqui.O ato foi à tarde, das 13h às 15h, sob um sol forte e a baixa umidade do ar, típica de Brasília. Houve apitaço.
Os jornalistas brasileiros fizeram uma roda em frente ao STF. Cantaram o hino nacional.Houve uma tímida cobertura local.

Por volta das 15 horas, o presidente da Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj), Sérgio Murillo, e mais quatro representantes das comunicações, entraram no STF e foram recebidos pelo secretário geral da presidência do STF, Luciano Fuck. "Não nos serviram nem cafezinho", disse Sérgio Murillo, ao sair do STF e prestar esclarecimentos aos manifestantes. Fuck, segundo Murillo, foi sucinto e disse que a matéria será apreciada pelo Supremo até o fim do ano.
Informações extra-oficiais dão conta que os ministros estariam divididos em quatro a três, com vantagem para o voto favorável ao diploma. Não há certezas quanto a isso. Este ato público foi proposto pelo Sindicato dos Jornalistas do Distrito Federal e aprovado pelo 33º Congresso Nacional de Jornalistas.
Muitos sindicalistas chegaram a Brasília de ônibus, como foi o caso dos representantes de Goiás. Também estiveram presentes jornalistas do Ceará, Paraná, Rio de Janeiro, Sergipe, Minas Gerais e outros estados.
Os jornalistas, no auge do ato, tentaram chegar mais próximo do prédio do Supremo, mas foram impedidos pelos seguranças. No entanto, permitiram que a manifestação ficasse por um tempo no pátio do STF.
A vice-presidente do Sindicato dos Jornalistas do DF, Emília Magalhães, avalia que a manifestação cumpriu seu objetivo, mas ponderou que é preciso avançar ainda mais na mobilização da categoria. "Precisamos voltar mais vezes às ruas e praças para mostrar à sociedade brasileira que somos trabalhadores e que dependemos de sua solidariedade para alcançar nossos objetivos".
Emília sugere que se comece imediatamente a organização da próxima manifestação nacional de jornalistas, que deverá coincidir com o dia do julgamento da ação de inconstitucionalidade pelo Supremo, ainda sem data marcada.
17 de set. de 2008
É HOJE O GRANDE ATO!!!
FENAJ realiza ato em defesa da regulamentação e concede coletiva
Por FENAJ
A Federação Nacional dos Jornalistas (FENAJ) e Sindicatos de Jornalistas de todo país realizarão nesta quarta-feira (17), às 13h, em frente ao Supremo Tribunal Federal (STF), na Praça dos Três Poderes, em Brasília, um ato em defesa da regulamentação profissional e da exigência do diploma em jornalismo para o exercício da profissão.
O Ato busca sensibilizar os ministros do STF, que julgarão em breve um recurso extraordinário - RE/511961 - que questiona a constitucionalidade da legislação que regulamenta a profissão no Brasil.
Vinte e dois Sindicatos já confirmaram presença, além de diversas entidades da sociedade civil e da área do jornalismo. A FENAJ também recebeu apoio de entidades de jornalistas de vários países, solidários à luta dos colegas brasileiros.
Durante o ato, dirigentes da FENAJ, dos Sindicatos e das entidades estarão à disposição da imprensa
16 de set. de 2008
ESCUTE NESTE LINK A LINDA****El pueblo unido jamás será vencido, com o grupo chileno Quilapayún
http://br.youtube.com/watch?v=KRH0uYgK2QQ
Quilapayún (palavra em lengua mapuche, que significa Tres Barbas) é um conjunto musical formado em Santiago de Chile em Julho de 1965 pelos irmãos Eduardo e Julio Carrasco comJulio Numhauser, como forma de inovação sonora para a música folclórica e popular latinoamericana.
E acompanhe a letra.
El Pueblo Unido Jamas Será Vencido
Composição: Indisponível
El pueblo unido jamás será vencido! El pueblo unido jamás será vencido!
De pie cantar, que vamos a triunfar, avanzan ya banderas de unidad y tú vendrás marchando junto a mi y así verás tu canto y tu bandera al florecer. La luz de un rojo amanecer anuncia ya la vida que vendrá,
De pie marchar, que el pueblo va a triunfar; será mejor la vida que vendrá, A conquistar nuestra felicidad y en su clamor mil voces de combate se alzaran; dirán canción de libertad. Con decisión la patria vencerá.
Y ahora el pueblo que se alza en la lucha con voz de gigante gritando; adelante!
El pueblo unido jamás será vencido! El pueblo unido jamás será vencido!
La patria está forjando la unidad; de norte a sur, se movilizará, desde el salar ardiente y mineral, al bosque austral, unidos en la lucha y el trabajo, irán, la patria cubrirán. Su paso ya anuncia el porvenir.
De pie cantar, que el pueblo va a triunfar. Millones ya imponen la verdad; de acero son, ardiente batallón, sus manos van llevando la justicia y la razón. Mujer, con fuego y con valor ya estás aquí junto al trabajador.
Y ahora el pueblo que se alza en la lucha con voz de gigante gritando; adelante!
El pueblo unido jamás será vencido! El pueblo unido jamás será vencido!
Quilapayún (palavra em lengua mapuche, que significa Tres Barbas) é um conjunto musical formado em Santiago de Chile em Julho de 1965 pelos irmãos Eduardo e Julio Carrasco comJulio Numhauser, como forma de inovação sonora para a música folclórica e popular latinoamericana.
E acompanhe a letra.
El Pueblo Unido Jamas Será Vencido
Composição: Indisponível
El pueblo unido jamás será vencido! El pueblo unido jamás será vencido!
De pie cantar, que vamos a triunfar, avanzan ya banderas de unidad y tú vendrás marchando junto a mi y así verás tu canto y tu bandera al florecer. La luz de un rojo amanecer anuncia ya la vida que vendrá,
De pie marchar, que el pueblo va a triunfar; será mejor la vida que vendrá, A conquistar nuestra felicidad y en su clamor mil voces de combate se alzaran; dirán canción de libertad. Con decisión la patria vencerá.
Y ahora el pueblo que se alza en la lucha con voz de gigante gritando; adelante!
El pueblo unido jamás será vencido! El pueblo unido jamás será vencido!
La patria está forjando la unidad; de norte a sur, se movilizará, desde el salar ardiente y mineral, al bosque austral, unidos en la lucha y el trabajo, irán, la patria cubrirán. Su paso ya anuncia el porvenir.
De pie cantar, que el pueblo va a triunfar. Millones ya imponen la verdad; de acero son, ardiente batallón, sus manos van llevando la justicia y la razón. Mujer, con fuego y con valor ya estás aquí junto al trabajador.
Y ahora el pueblo que se alza en la lucha con voz de gigante gritando; adelante!
El pueblo unido jamás será vencido! El pueblo unido jamás será vencido!
15 de set. de 2008
MST E SINDJOR-MT CONVIDAM PARA TRILHA ECOLÓGIA
O Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) e do Sindicato dos Jornalistas de Mato Grosso (Sindjor-MT) convidam JORNALISTAS, PROFESSORES DE JORNALISMO E ESTUDANTES DE JORNALISMO para uma
TRILHA ECOLÓGICA
TRILHA ECOLÓGICA
TRILHA ECOLÓGICA
No Assentamento 14 de Agosto, que fica em Campo Verde, a 150 quilômetros de Cuiabá, pouco depois da Chapada. (Estrada de asfalto).
O lugar é bonito!
DIAS 20 E 21 DE SETEMBRO (sábado e domingo).
COMIDA CASEIRA
CAMINHADA PELA MATA
MERGULHO EM RIOS E CACHOEIRA, PISCINA DE ÁGUA NATURAL
MODA DE VIOLA
ACAMPAMENTO (LEVAR BARRACA)
Traslado por conta.
Alimentação: R$ 10 (por dia, café da manhã, almoço e janta). No lugar, tem uma lanchonete onde vendem bebidas.
Interessados devem confirmar até quinta-feira, dia 18, à noite, pelo celular 9922-9445 (Keka).
9 de set. de 2008
REFLEXÃO: VIVEMOS EM UM ESTADO LAICO?
PADRES PARTICIPAM DE CURSO DE MÍDIA EM MT
A Comissão Regional de Presbíteros de Mato Grosso promove nos dias 9,10 e 11 deste mês o curso "Meio de Comunicação Social – Púlpito, Rádio,TV e Mídia Impressa", que será realizado no Studium Eclesiástico Dom Aquino Côrrea (SEDAC), no bairro Cristo Rei, em Várzea Grande.
Aproximadamente 280 padres de todos os municípios do estado foram convocados a participarem do evento, que faz parte da Formação Permanente dos Presbíteros. De acordo com o secretário da Comissão, padre Christian Giovanni Costa, o objetivo é fazer com que os presbíteros utilizem os veículos de comunicação como uma ferramenta no trabalho de evangelização.
A Comissão Regional de Presbíteros de Mato Grosso promove nos dias 9,10 e 11 deste mês o curso "Meio de Comunicação Social – Púlpito, Rádio,TV e Mídia Impressa", que será realizado no Studium Eclesiástico Dom Aquino Côrrea (SEDAC), no bairro Cristo Rei, em Várzea Grande.
Aproximadamente 280 padres de todos os municípios do estado foram convocados a participarem do evento, que faz parte da Formação Permanente dos Presbíteros. De acordo com o secretário da Comissão, padre Christian Giovanni Costa, o objetivo é fazer com que os presbíteros utilizem os veículos de comunicação como uma ferramenta no trabalho de evangelização.
4 de set. de 2008
Sim, defendo o diploma. Mas não só!
Por elaine tavares – jornalista
Os jornalistas estão desde há anos enredados em uma discussão sobre a necessidade da formação superior para o exercício da profissão. O julgamento desta questão, que está para ser feito no Supremo Tribunal Federal, tem levado alguns colegas a refletirem sobre o assunto e é bastante intrigante a posição de algumas pessoas sobre a comunicação e o jornalismo. Por conta deste debate, pretendo discutir alguns aspectos da questão, trazendo para a polêmica temas como o Estado, a formação, a soberania comunicacional e o sindicato.
1 – O Estado e a corporação - Antes de qualquer argumento contra ou a favor é preciso desvelar o Estado no qual se faz este debate. É o estado capitalista, liberal-burguês. Este tipo de organização da vida impôs-se a grande parte da humanidade desde a Europa, quando a classe burguesa colocou fim ao feudalismo naquela região e iniciou sua escalada rumo ao capitalismo. E foi justamente na aurora do que mais tarde se configuraria como capitalismo que nasceu a idéia de corporação. Naqueles dias, de ascensão dos burgos, os artesãos, que eram os primeiros trabalhadores livres, instituíram uma regra: para que um jovem pudesse ser considerado mestre artesão ele deveria passar por um período como aprendiz, equivalente a sete anos. Só depois desta formação teria o direito de formar sua própria equipe e aceitar seus aprendizes para que o ciclo seguisse. Naqueles dias, as idéias liberais já se opunham a este tipo de “barreira” para o exercício da profissão. Assim se expressa Adam Smith em seu livro Riqueza das Nações: “.. a política da Europa, ao obstruir a livre circulação do trabalho e do capital de um emprego para outro dá origem em alguns casos a uma desigualdade pouco conveniente das vantagens e desvantagens dos seus diferentes empregos.. seja o que for que obstrua a livre circulação do trabalho de um emprego para outro, impede também a livre circulação de capitais. A quantidade de capital que pode ser empregue em qualquer ramo de trabalho depende muito da quantidade de trabalho que nele pode ser empregue”. Argumentava então, de forma veemente, que estas barreiras causadas pelas corporações não deixavam o capital evoluir com liberdade e condenava essa prática.
É óbvio que as corporações da época de Smith não são as mesmas de hoje, tampouco as regras são iguais. Mas é importante retomar a história para percebermos que o que vale no mundo capitalista é a liberdade do capital. Isso não mudou, daí a importância da retomada da análise do grande liberal inglês. “O privilégio das corporações restringe a competição... e a longa aprendizagem é desnecessária”, defendia Smith. Ele dizia que algumas profissões não deveriam requerer todo esse cuidado e deixava aberta a possibilidade de formação apenas para o que entendia serem profissões nobres como a de advogado, por exemplo. Também é bastante singelo o argumento de Adam Smith sobre o fato de as corporações servirem para juntar trabalhadores. Diz ele: “Um regulamento que obriga todos aqueles que se dedicam a uma mesma tarefa facilita as assembléias...permite que travem conhecimento entre si muitos indivíduos que de outro modo nunca se encontrariam e dá a cada homem de uma dada indústria uma informação sobre a forma como deverá procurar qualquer seu colega...se bem que a lei não possa impedir as pessoas que se dedicam a um mesmo negócio de se juntarem, não deve fornecer qualquer regulamento que facilite estas assembléias, e muito menos torná-las necessárias”.
Por conta desta histórica vocação liberal de garantir a liberdade do capital - tão somente -, condenar a formação específica para profissões que não entendem serem as “suas” e evitarem de todo modo a criação de um espírito de corpo nestas profissões “menores”, é que os jornalistas precisam defender estas coisas incomodativas ao capital, tais como sindicato, formação, diploma. É tudo uma questão de defesa do corpo. E isso não deve ser encarado com vergonha. É legítimo! Por isso não concordo muito com os argumentos de que a defesa do diploma para o exercício da profissão vai garantir melhor informação ao cidadão. Não creio nisso! Penso que a defesa da formação específica é um argumento de corporação, absolutamente necessário no mundo do capital. Como deve ser a formação? Aí já é outro debate.
Já li e ouvi vários argumentos de jornalistas que atuam de forma autônoma, que não têm vínculo empregatício com qualquer empresa, defendendo o fim da obrigatoriedade do diploma. Muitos deles insistem que para escrever num jornal a pessoa não precisa ser jornalista, basta que tenha vocação para a escrita ou qualquer outra formação. Isso soa tão pueril como a prédica do velho Smith. É importante que estes colegas - que estão fora do sistema opressor e explorador da empresa de comunicação - percebam que a lógica de exploração também ocorre ao jornalista que atua como profissional liberal. Não é diferente. De alguma forma os trabalhadores autônomos, os pejotizados (que se tornam Pessoa Jurídica), os que atuam em assessorias, são tocados pela super-exploração do capital e se não tiverem espírito de corpo, se não se integrarem em uma luta coletiva, também vão sofrer o peso da bota do capital, mais dia, menos dia.
2 – Há que diferenciar comunicação de Jornalismo - Esta é uma confusão muito comum. As pessoas que defendem a não obrigatoriedade do diploma falam do direito inalienável de comunicar, que deve ser estendido a todos os seres humanos e não só aos jornalistas formados. Está correto. Comunicar é direito de todos, e qualquer pessoa pode e deve fazê-lo. O ser humano se comunica desde os tempos imemoriais, seja através de desenhos nas pedras, em tabuletas, papiros ou gritando no alto das montanhas. Dizer a sua palavra é pressuposto fundamental da liberdade do ser. Até aí, temos acordo. Mas, é bom que se diga, o jornalismo é uma das formas de se comunicar alguma coisa a alguém que traz no seu bojo todo um conjunto de regras que extrapolam o elemento primordial de simplesmente dizer a palavra. Jornalismo é um jeito de narrar que pressupõe análise, conhecimento histórico, impressão, focos narrativos, contexto, conhecimento sobre linguagem, signos etc... Coisas que a gente precisa aprender em relações de educação formal que extrapolem o desejo criador e criativo do ser sozinho.
Dou um exemplo. Qualquer pessoa pode conhecer as ricas receitas da medicina popular que envolvem o uso de ervas e outros procedimentos de cura. Mas, é bem natural que quando fiquem doentes, além de todos esses saberes ancestrais, as pessoas recorram a médicos, gente formada em relações educacionais que aprimoram ainda mais os saberes populares. Gente que adquire, na educação formal, a habilidade com técnicas e recursos que poderão ajudar ainda mais no processo de cura. Outro exemplo. Todo o ser humano tem capacidade de expressar seu gosto estético acerca de como se projeta uma casa. Mas, se for construir uma, a pessoa vai buscar no conhecimento específico do engenheiro a maneira de fazê-la sem que ela caia na primeira chuva. E assim, nas demais profissões. Portanto, é preciso que fique claro: o jornalismo tem no seu bojo toda uma série de técnicas e maneiras de fazer que são específicas desta forma de comunicar. Daí a importância da formação e da valorização desta educação formal. Assim, todos podem comunicar suas coisa, mas quando essa comunicação for feita através das técnicas do jornalismo, precisamos valorizar aqueles que têm formação nesta área. Até porque, não podemos esquecer, o jornalismo é uma profissão.
3 - Soberania comunicacional não inviabiliza o jornalismo – A idéia de soberania comunicacional que hoje invade o mundo expressa justamente a questão do direito à comunicação, não só receber, como controlar e produzir. E isso coloca um embate junto a categoria dos jornalistas. A ênfase na produção de comunicação popular tem levado muitos jornalistas a questionar o fato de gente sem habilitação produzir vídeos, rádio e até material gráfico. Esse é um debate intenso principalmente na Venezuela onde o conceito tem caminhado com mais concretude. Mas, aí, também é bom que as pessoas separem o direito de comunicar com a profissão do jornalismo. Veículos como jornal, televisão, rádio e internet, apesar de terem muito espaço jornalístico não são feitos só de jornalismo. Uma novela é uma forma de comunicação, um programa de variedades é uma forma de comunicação, uma conversa com pessoas é uma forma de comunicação, vídeos feitos para narrar a reprodução da vida nas comunidades, as festas, os costumes, são outras formas de comunicar. Não são necessariamente o jornalismo se expressão como profissão. Como já frisei lá em cima, jornalismo é um jeito de narrar que pressupõe análise, conhecimento histórico, impressão, focos narrativos, contexto, conhecimento sobre linguagem, signos etc.. E, insisto, jornalismo é uma profissão.
Nesse sentido, o papel do jornalista num país onde exista soberania comunicacional é, além de atuar como profissional nas empresas de comunicação, ser também um formador de agentes comunitários de comunicação. É estar entranhadamente ligado a estas formas de comunicar, atuando nas comunidades, ensinando e promovendo o desejo nos jovens comunicadores de estudar e de se apropriar de maneira mais profunda das técnicas e dos saberes que envolvem a prática do jornalismo. Não há qualquer conflito entre ser jornalista formado e defender o direito das gentes de produzir comunicação alternativa e popular. Um país soberano em comunicação não pode prescindir de seus jornalistas, pelo contrário, precisa deles para que sejam profissionais e também formadores. Agora, a regulamentação da profissão se faz necessária para que, em função dos interesses do capital, ela não seja aviltada.
4 – Se o jornalismo praticado é ruim, a culpa é de quem? – Uma das argumentações que se lê por aí é de que o jornalismo praticado hoje em dia é muito ruim, levando a crer que a formação é igualmente ruim, logo, descartável. Pleno acordo na primeira parte. O jornalismo praticado é ruim. Na verdade, eu iria mais longe. Pouquíssimos veículos de comunicação de massa praticam hoje o jornalismo, tal como já conceituamos. Processo de análise, com contexto, historicidade, interpretação, etc... No geral professam aquilo que Noam Chomski já caracterizou muito bem: a propaganda do status quo. E as escolas de jornalismo podem sim ter parte de culpa nisso também, não há como negar. Muitas delas – senão a maioria – renderam-se ao ensino do estilo de jornalismo estadunidense, ou seja, meramente informativo, sem que à informação sejam agregados os elementos análise, interpretação, contexto histórico, etc.. que definem o jornalismo de fato. Mas, isso por si só estabelece que as escolas são descartáveis? Não! Seja no curso mais reacionário do país, sempre sobra uma alma rebelde que abre veredas nas almas estudantis, apresentando o jornalismo tal como é. E, pelo seu lado, tampouco os estudantes são amebas. Colocados no ambiente universitário, obrigatoriamente se deparam com várias visões sobre o fazer jornalístico e não podem jamais dizer que não conhecem estas outras formas. Tomam posição e decidem qual delas vão escolher para trilhar seus caminhos profissionais. Se escolhem o jornalismo gosmento e cortesão, isso não é culpa do jornalismo, é fruto da decisão de um ser vivente. E mais, uma decisão tomada dentro de um sistema capitalista que tem por prática eliminar aqueles que não lhe seguem as regras.
O fato é que o que chamam de jornalismo nas grandes empresas de comunicação – e até nas pequenas – não o é. Quem consegue ver expressadas nestes veículos as várias vozes e os múltiplos olhares da sociedade? Esta não é uma regra cumprida por aqueles que detêm o mando. E a maioria dos jornalistas, por autocensura, por medo de perder o emprego, por enfado, ou até mesmo porque conspiram destas idéias de pensamento único, tampouco se esforçam para abrir espaço aos diversos discursos e fontes não-oficiais. Então, a crise não é do jornalismo e sim de um tipo de jornalista que, confrontado com a vida real, ou é cooptado pelo sistema, ou o teme demais para se rebelar. Por outro lado, dos milhares de jovens que saem das faculdades, sempre há uma porção de olhares críticos que insistem, que questionam, que subvertem a ordem das redações. E estes incomodam demais.
Assim, para o patrões, é muito mais saudável lidar com uma categoria cujo fazer não tenha uma regulamentação, que esteja alijada das lutas sindicais, que agradeça por ter um emprego. Daí esta sanha desatada pela desregulamentação da profissão do jornalista. Profissional regulamentado, protegido pela lei e pela corporação, é trabalhador perigoso, tal qual já alertava Adam Smith.
Mas, toda essa problemática não exime os cursos de jornalismo. Eles também precisam se re-pensar. Há que revolucionar e rebelar a maioria destes cursos que existem por aí. Porque a maioria fez escolhas que só servem para manter o estado de coisas. São os que preferem ensinar empreendedorismo, administração de negócios, webdesing, etc.. em vez do bom e velho jornalismo. São os que, com estas escolhas, defendem o modo de produção capitalista, que aceitam ser carregadores de palavra alheia, que não se aventuram pelos caminhos da análise, da contextualização, do aprofundamento que torna o jornalismo esse fazer singular, capaz de transitar pelo particular chegando ao universal, como bem ensinou Adelmo Genro Filho, transcendendo assim à mera informação, esta sim capaz de ser produzida por qualquer um.
Então, defender o jornalismo e, por conseqüência o diploma, passa a ser também a defesa de um outro curso, mas não a destruição dele, não a sua simples negação, ação bastante cômoda e entreguista. Resta então esperar que os professores e dirigentes dos cursos de jornalismo consigam fazer uma autocrítica e dêem o passo para mudar. E, além disso, também se espera o seu engajamento na luta por mais vagas nas universidades públicas, ampliando assim a possibilidade de formação gratuita.
5 – O sindicato – Neste contexto de lutas corporativas também o sindicalismo precisa rever suas práticas e compreender até onde também é responsável por esta indiferença da sociedade com relação às suas lutas. Quem, em sã consciência, pode esperar que a sociedade defenda os jornalistas? Alguém aí acredita mesmo que as pessoas são idiotas e não percebem o jogo de manipulação que a mídia faz diuturnamente? Há sim uma grande dose de dominação da mídia capitalista, mas também há compreensão das gentes. Estas sabem, ainda que muitas vezes de forma muito intuitiva, que as notícias que saem nos jornais e nas televisões não as representam. Elas nunca são protagonistas de nada. E quando são, é por tragédia ou por bandidagem. Ao “povo” resta a cena ritual, a imagem rápida, a marginalização. E, quando se alça em luta por direitos, contra os ataques das multinacionais, dos poderosos, dos que mandam, então são mostrados como baderneiros, loucos, bandidos. Por que raios então, eles iriam encampar uma luta de jornalistas pelo direito de regulamentação?
À maioria dos sindicatos de jornalistas, e à sua Federação, falta a devida inserção na vida real. Falta o debate direto com as gentes, a discussão acerca do trabalho, sobre o domínio das empresas, sobre a lógica que comanda a decisão do que é notícia ou não. Há que se alfabetizar toda a gente sobre o que é jornalismo e que a se propõe. Desvelar quem faz jornalismo de dominação e quem faz jornalismo de libertação. Compreender e fazer compreender aquilo que George Orwell tão bem ressaltou no seu clássico texto “Liberdade de imprensa”: que os empresários da comunicação temem a opinião pública, por isso não fazem questão de informá-la com qualidade. Ao povo, os donos do poder não deixam dar as “finas iguarias” como bem lembrava o grande repórter Marcos Faermann, daí a necessidade de discutir o fato de haver toda uma categoria de trabalhadores submetida às violações, desmandos, censuras e violências que todas as demais também passam.
Mas, para isso, precisaria primeiro haver a aceitação de que os jornalistas são classe trabalhadora. E, que, apesar da crescente pejotização, ninguém está livre da roda insana do capital. Aí sim, talvez, se pudesse iniciar um fraterno e cooperativo debate com as gentes da vida real, estas que não saem no jornal e às quais recorremos nas lutas contra o fim do diploma. Hoje, com esse jornalismo cortesão que se pratica não lograremos alcançar suas graças. Há ainda uma longa estrada a trilhar.
6– Finalizando – A luta pela manutenção do diploma deve ser feita, sem medo ou vergonha, no melhor estilo da defesa da corporação. Porque este é um estado capitalista no qual o consenso habermasiano não tem lugar. Sem uma regulamentação que garanta nossos direitos como profissionais de um determinado fazer não teremos força para sentar com os patrões e negociar. A única força capaz de dobrar o capital é o trabalhador protegido e organizado. Daí também a necessidade do fortalecimento dos sindicatos como órgãos capazes de fazer o jornalista compreender sua condição de classe. Depois, uma outra grande frente de luta junto aos cursos de Jornalismo para que enfunem suas velas na direção de um jornalismo comprometido com as maiorias. E, então, aí sim, teremos a possibilidade de encontrar nas gentes o apoio necessário para caminhar com os jornalistas na defesa de seus direitos. Defendo o diploma sim, mas não só. E sem estes outros elementos penso que esta defesa é vazia e desprovida de sentido. Ou se defende tudo isso junto, ou nada! E sempre com o firme propósito de mudar o sistema de organização da vida que aí está. Nada de humanizar o capitalismo, mas sim caminhar para sua destruição, construindo uma vida em que não haja exploração e as riquezas sejam repartidas. Utopia? Sim! Estas que fazem a gente caminhar...
Os jornalistas estão desde há anos enredados em uma discussão sobre a necessidade da formação superior para o exercício da profissão. O julgamento desta questão, que está para ser feito no Supremo Tribunal Federal, tem levado alguns colegas a refletirem sobre o assunto e é bastante intrigante a posição de algumas pessoas sobre a comunicação e o jornalismo. Por conta deste debate, pretendo discutir alguns aspectos da questão, trazendo para a polêmica temas como o Estado, a formação, a soberania comunicacional e o sindicato.
1 – O Estado e a corporação - Antes de qualquer argumento contra ou a favor é preciso desvelar o Estado no qual se faz este debate. É o estado capitalista, liberal-burguês. Este tipo de organização da vida impôs-se a grande parte da humanidade desde a Europa, quando a classe burguesa colocou fim ao feudalismo naquela região e iniciou sua escalada rumo ao capitalismo. E foi justamente na aurora do que mais tarde se configuraria como capitalismo que nasceu a idéia de corporação. Naqueles dias, de ascensão dos burgos, os artesãos, que eram os primeiros trabalhadores livres, instituíram uma regra: para que um jovem pudesse ser considerado mestre artesão ele deveria passar por um período como aprendiz, equivalente a sete anos. Só depois desta formação teria o direito de formar sua própria equipe e aceitar seus aprendizes para que o ciclo seguisse. Naqueles dias, as idéias liberais já se opunham a este tipo de “barreira” para o exercício da profissão. Assim se expressa Adam Smith em seu livro Riqueza das Nações: “.. a política da Europa, ao obstruir a livre circulação do trabalho e do capital de um emprego para outro dá origem em alguns casos a uma desigualdade pouco conveniente das vantagens e desvantagens dos seus diferentes empregos.. seja o que for que obstrua a livre circulação do trabalho de um emprego para outro, impede também a livre circulação de capitais. A quantidade de capital que pode ser empregue em qualquer ramo de trabalho depende muito da quantidade de trabalho que nele pode ser empregue”. Argumentava então, de forma veemente, que estas barreiras causadas pelas corporações não deixavam o capital evoluir com liberdade e condenava essa prática.
É óbvio que as corporações da época de Smith não são as mesmas de hoje, tampouco as regras são iguais. Mas é importante retomar a história para percebermos que o que vale no mundo capitalista é a liberdade do capital. Isso não mudou, daí a importância da retomada da análise do grande liberal inglês. “O privilégio das corporações restringe a competição... e a longa aprendizagem é desnecessária”, defendia Smith. Ele dizia que algumas profissões não deveriam requerer todo esse cuidado e deixava aberta a possibilidade de formação apenas para o que entendia serem profissões nobres como a de advogado, por exemplo. Também é bastante singelo o argumento de Adam Smith sobre o fato de as corporações servirem para juntar trabalhadores. Diz ele: “Um regulamento que obriga todos aqueles que se dedicam a uma mesma tarefa facilita as assembléias...permite que travem conhecimento entre si muitos indivíduos que de outro modo nunca se encontrariam e dá a cada homem de uma dada indústria uma informação sobre a forma como deverá procurar qualquer seu colega...se bem que a lei não possa impedir as pessoas que se dedicam a um mesmo negócio de se juntarem, não deve fornecer qualquer regulamento que facilite estas assembléias, e muito menos torná-las necessárias”.
Por conta desta histórica vocação liberal de garantir a liberdade do capital - tão somente -, condenar a formação específica para profissões que não entendem serem as “suas” e evitarem de todo modo a criação de um espírito de corpo nestas profissões “menores”, é que os jornalistas precisam defender estas coisas incomodativas ao capital, tais como sindicato, formação, diploma. É tudo uma questão de defesa do corpo. E isso não deve ser encarado com vergonha. É legítimo! Por isso não concordo muito com os argumentos de que a defesa do diploma para o exercício da profissão vai garantir melhor informação ao cidadão. Não creio nisso! Penso que a defesa da formação específica é um argumento de corporação, absolutamente necessário no mundo do capital. Como deve ser a formação? Aí já é outro debate.
Já li e ouvi vários argumentos de jornalistas que atuam de forma autônoma, que não têm vínculo empregatício com qualquer empresa, defendendo o fim da obrigatoriedade do diploma. Muitos deles insistem que para escrever num jornal a pessoa não precisa ser jornalista, basta que tenha vocação para a escrita ou qualquer outra formação. Isso soa tão pueril como a prédica do velho Smith. É importante que estes colegas - que estão fora do sistema opressor e explorador da empresa de comunicação - percebam que a lógica de exploração também ocorre ao jornalista que atua como profissional liberal. Não é diferente. De alguma forma os trabalhadores autônomos, os pejotizados (que se tornam Pessoa Jurídica), os que atuam em assessorias, são tocados pela super-exploração do capital e se não tiverem espírito de corpo, se não se integrarem em uma luta coletiva, também vão sofrer o peso da bota do capital, mais dia, menos dia.
2 – Há que diferenciar comunicação de Jornalismo - Esta é uma confusão muito comum. As pessoas que defendem a não obrigatoriedade do diploma falam do direito inalienável de comunicar, que deve ser estendido a todos os seres humanos e não só aos jornalistas formados. Está correto. Comunicar é direito de todos, e qualquer pessoa pode e deve fazê-lo. O ser humano se comunica desde os tempos imemoriais, seja através de desenhos nas pedras, em tabuletas, papiros ou gritando no alto das montanhas. Dizer a sua palavra é pressuposto fundamental da liberdade do ser. Até aí, temos acordo. Mas, é bom que se diga, o jornalismo é uma das formas de se comunicar alguma coisa a alguém que traz no seu bojo todo um conjunto de regras que extrapolam o elemento primordial de simplesmente dizer a palavra. Jornalismo é um jeito de narrar que pressupõe análise, conhecimento histórico, impressão, focos narrativos, contexto, conhecimento sobre linguagem, signos etc... Coisas que a gente precisa aprender em relações de educação formal que extrapolem o desejo criador e criativo do ser sozinho.
Dou um exemplo. Qualquer pessoa pode conhecer as ricas receitas da medicina popular que envolvem o uso de ervas e outros procedimentos de cura. Mas, é bem natural que quando fiquem doentes, além de todos esses saberes ancestrais, as pessoas recorram a médicos, gente formada em relações educacionais que aprimoram ainda mais os saberes populares. Gente que adquire, na educação formal, a habilidade com técnicas e recursos que poderão ajudar ainda mais no processo de cura. Outro exemplo. Todo o ser humano tem capacidade de expressar seu gosto estético acerca de como se projeta uma casa. Mas, se for construir uma, a pessoa vai buscar no conhecimento específico do engenheiro a maneira de fazê-la sem que ela caia na primeira chuva. E assim, nas demais profissões. Portanto, é preciso que fique claro: o jornalismo tem no seu bojo toda uma série de técnicas e maneiras de fazer que são específicas desta forma de comunicar. Daí a importância da formação e da valorização desta educação formal. Assim, todos podem comunicar suas coisa, mas quando essa comunicação for feita através das técnicas do jornalismo, precisamos valorizar aqueles que têm formação nesta área. Até porque, não podemos esquecer, o jornalismo é uma profissão.
3 - Soberania comunicacional não inviabiliza o jornalismo – A idéia de soberania comunicacional que hoje invade o mundo expressa justamente a questão do direito à comunicação, não só receber, como controlar e produzir. E isso coloca um embate junto a categoria dos jornalistas. A ênfase na produção de comunicação popular tem levado muitos jornalistas a questionar o fato de gente sem habilitação produzir vídeos, rádio e até material gráfico. Esse é um debate intenso principalmente na Venezuela onde o conceito tem caminhado com mais concretude. Mas, aí, também é bom que as pessoas separem o direito de comunicar com a profissão do jornalismo. Veículos como jornal, televisão, rádio e internet, apesar de terem muito espaço jornalístico não são feitos só de jornalismo. Uma novela é uma forma de comunicação, um programa de variedades é uma forma de comunicação, uma conversa com pessoas é uma forma de comunicação, vídeos feitos para narrar a reprodução da vida nas comunidades, as festas, os costumes, são outras formas de comunicar. Não são necessariamente o jornalismo se expressão como profissão. Como já frisei lá em cima, jornalismo é um jeito de narrar que pressupõe análise, conhecimento histórico, impressão, focos narrativos, contexto, conhecimento sobre linguagem, signos etc.. E, insisto, jornalismo é uma profissão.
Nesse sentido, o papel do jornalista num país onde exista soberania comunicacional é, além de atuar como profissional nas empresas de comunicação, ser também um formador de agentes comunitários de comunicação. É estar entranhadamente ligado a estas formas de comunicar, atuando nas comunidades, ensinando e promovendo o desejo nos jovens comunicadores de estudar e de se apropriar de maneira mais profunda das técnicas e dos saberes que envolvem a prática do jornalismo. Não há qualquer conflito entre ser jornalista formado e defender o direito das gentes de produzir comunicação alternativa e popular. Um país soberano em comunicação não pode prescindir de seus jornalistas, pelo contrário, precisa deles para que sejam profissionais e também formadores. Agora, a regulamentação da profissão se faz necessária para que, em função dos interesses do capital, ela não seja aviltada.
4 – Se o jornalismo praticado é ruim, a culpa é de quem? – Uma das argumentações que se lê por aí é de que o jornalismo praticado hoje em dia é muito ruim, levando a crer que a formação é igualmente ruim, logo, descartável. Pleno acordo na primeira parte. O jornalismo praticado é ruim. Na verdade, eu iria mais longe. Pouquíssimos veículos de comunicação de massa praticam hoje o jornalismo, tal como já conceituamos. Processo de análise, com contexto, historicidade, interpretação, etc... No geral professam aquilo que Noam Chomski já caracterizou muito bem: a propaganda do status quo. E as escolas de jornalismo podem sim ter parte de culpa nisso também, não há como negar. Muitas delas – senão a maioria – renderam-se ao ensino do estilo de jornalismo estadunidense, ou seja, meramente informativo, sem que à informação sejam agregados os elementos análise, interpretação, contexto histórico, etc.. que definem o jornalismo de fato. Mas, isso por si só estabelece que as escolas são descartáveis? Não! Seja no curso mais reacionário do país, sempre sobra uma alma rebelde que abre veredas nas almas estudantis, apresentando o jornalismo tal como é. E, pelo seu lado, tampouco os estudantes são amebas. Colocados no ambiente universitário, obrigatoriamente se deparam com várias visões sobre o fazer jornalístico e não podem jamais dizer que não conhecem estas outras formas. Tomam posição e decidem qual delas vão escolher para trilhar seus caminhos profissionais. Se escolhem o jornalismo gosmento e cortesão, isso não é culpa do jornalismo, é fruto da decisão de um ser vivente. E mais, uma decisão tomada dentro de um sistema capitalista que tem por prática eliminar aqueles que não lhe seguem as regras.
O fato é que o que chamam de jornalismo nas grandes empresas de comunicação – e até nas pequenas – não o é. Quem consegue ver expressadas nestes veículos as várias vozes e os múltiplos olhares da sociedade? Esta não é uma regra cumprida por aqueles que detêm o mando. E a maioria dos jornalistas, por autocensura, por medo de perder o emprego, por enfado, ou até mesmo porque conspiram destas idéias de pensamento único, tampouco se esforçam para abrir espaço aos diversos discursos e fontes não-oficiais. Então, a crise não é do jornalismo e sim de um tipo de jornalista que, confrontado com a vida real, ou é cooptado pelo sistema, ou o teme demais para se rebelar. Por outro lado, dos milhares de jovens que saem das faculdades, sempre há uma porção de olhares críticos que insistem, que questionam, que subvertem a ordem das redações. E estes incomodam demais.
Assim, para o patrões, é muito mais saudável lidar com uma categoria cujo fazer não tenha uma regulamentação, que esteja alijada das lutas sindicais, que agradeça por ter um emprego. Daí esta sanha desatada pela desregulamentação da profissão do jornalista. Profissional regulamentado, protegido pela lei e pela corporação, é trabalhador perigoso, tal qual já alertava Adam Smith.
Mas, toda essa problemática não exime os cursos de jornalismo. Eles também precisam se re-pensar. Há que revolucionar e rebelar a maioria destes cursos que existem por aí. Porque a maioria fez escolhas que só servem para manter o estado de coisas. São os que preferem ensinar empreendedorismo, administração de negócios, webdesing, etc.. em vez do bom e velho jornalismo. São os que, com estas escolhas, defendem o modo de produção capitalista, que aceitam ser carregadores de palavra alheia, que não se aventuram pelos caminhos da análise, da contextualização, do aprofundamento que torna o jornalismo esse fazer singular, capaz de transitar pelo particular chegando ao universal, como bem ensinou Adelmo Genro Filho, transcendendo assim à mera informação, esta sim capaz de ser produzida por qualquer um.
Então, defender o jornalismo e, por conseqüência o diploma, passa a ser também a defesa de um outro curso, mas não a destruição dele, não a sua simples negação, ação bastante cômoda e entreguista. Resta então esperar que os professores e dirigentes dos cursos de jornalismo consigam fazer uma autocrítica e dêem o passo para mudar. E, além disso, também se espera o seu engajamento na luta por mais vagas nas universidades públicas, ampliando assim a possibilidade de formação gratuita.
5 – O sindicato – Neste contexto de lutas corporativas também o sindicalismo precisa rever suas práticas e compreender até onde também é responsável por esta indiferença da sociedade com relação às suas lutas. Quem, em sã consciência, pode esperar que a sociedade defenda os jornalistas? Alguém aí acredita mesmo que as pessoas são idiotas e não percebem o jogo de manipulação que a mídia faz diuturnamente? Há sim uma grande dose de dominação da mídia capitalista, mas também há compreensão das gentes. Estas sabem, ainda que muitas vezes de forma muito intuitiva, que as notícias que saem nos jornais e nas televisões não as representam. Elas nunca são protagonistas de nada. E quando são, é por tragédia ou por bandidagem. Ao “povo” resta a cena ritual, a imagem rápida, a marginalização. E, quando se alça em luta por direitos, contra os ataques das multinacionais, dos poderosos, dos que mandam, então são mostrados como baderneiros, loucos, bandidos. Por que raios então, eles iriam encampar uma luta de jornalistas pelo direito de regulamentação?
À maioria dos sindicatos de jornalistas, e à sua Federação, falta a devida inserção na vida real. Falta o debate direto com as gentes, a discussão acerca do trabalho, sobre o domínio das empresas, sobre a lógica que comanda a decisão do que é notícia ou não. Há que se alfabetizar toda a gente sobre o que é jornalismo e que a se propõe. Desvelar quem faz jornalismo de dominação e quem faz jornalismo de libertação. Compreender e fazer compreender aquilo que George Orwell tão bem ressaltou no seu clássico texto “Liberdade de imprensa”: que os empresários da comunicação temem a opinião pública, por isso não fazem questão de informá-la com qualidade. Ao povo, os donos do poder não deixam dar as “finas iguarias” como bem lembrava o grande repórter Marcos Faermann, daí a necessidade de discutir o fato de haver toda uma categoria de trabalhadores submetida às violações, desmandos, censuras e violências que todas as demais também passam.
Mas, para isso, precisaria primeiro haver a aceitação de que os jornalistas são classe trabalhadora. E, que, apesar da crescente pejotização, ninguém está livre da roda insana do capital. Aí sim, talvez, se pudesse iniciar um fraterno e cooperativo debate com as gentes da vida real, estas que não saem no jornal e às quais recorremos nas lutas contra o fim do diploma. Hoje, com esse jornalismo cortesão que se pratica não lograremos alcançar suas graças. Há ainda uma longa estrada a trilhar.
6– Finalizando – A luta pela manutenção do diploma deve ser feita, sem medo ou vergonha, no melhor estilo da defesa da corporação. Porque este é um estado capitalista no qual o consenso habermasiano não tem lugar. Sem uma regulamentação que garanta nossos direitos como profissionais de um determinado fazer não teremos força para sentar com os patrões e negociar. A única força capaz de dobrar o capital é o trabalhador protegido e organizado. Daí também a necessidade do fortalecimento dos sindicatos como órgãos capazes de fazer o jornalista compreender sua condição de classe. Depois, uma outra grande frente de luta junto aos cursos de Jornalismo para que enfunem suas velas na direção de um jornalismo comprometido com as maiorias. E, então, aí sim, teremos a possibilidade de encontrar nas gentes o apoio necessário para caminhar com os jornalistas na defesa de seus direitos. Defendo o diploma sim, mas não só. E sem estes outros elementos penso que esta defesa é vazia e desprovida de sentido. Ou se defende tudo isso junto, ou nada! E sempre com o firme propósito de mudar o sistema de organização da vida que aí está. Nada de humanizar o capitalismo, mas sim caminhar para sua destruição, construindo uma vida em que não haja exploração e as riquezas sejam repartidas. Utopia? Sim! Estas que fazem a gente caminhar...
3 de set. de 2008
QUESTÃO AMBIENTAL****Marcelo Leite fará bate-papo com jornalistas de Cuiabá
Na próxima segunda-feira, o jornalista da Folha de S. Paulo e doutor em Ciências Sociais pela Unicamp Marcelo Leite vem a Cuiabá para um bate-papo com a categoria e estudantes de comunicação para conversar sobre a abordagem dos temas relacionados às mudanças climáticas na mídia nacional e internacional.
Será no Palácio da Instrução, prédio histórico que fica na praça da República, 151, Centro da capital. Ao lado da Igreja Matriz.
Abaixo o convite. Entrada franca!

Será no Palácio da Instrução, prédio histórico que fica na praça da República, 151, Centro da capital. Ao lado da Igreja Matriz.
Abaixo o convite. Entrada franca!

1 de set. de 2008
Fenaj segue em defesa do diploma, mas já discute alternativas
Por Jonas Valente
Do Observatório do Direito à Comunicação
A principal discussão do 33o Congresso Nacional dos Jornalistas, realizado em São Paulo entre 20 e 24 deste mês, foi a estratégia para garantir a exigência da formação superior para o exercício do jornalismo. No entanto, na iminência de uma decisão contrária à exigência do diploma pelo Supremo Tribunal Federal (STF), a Federação Nacional dos Jornalista (Fenaj) já prepara um “plano B”. A tática apontada pelos dirigentes sindicais foi apostar no Grupo de Trabalho criado pelo Ministério do Trabalho e Emprego para discutir um projeto de regulamentação profissional para a atividade.
A Fenaj espera que o grupo consiga produzir um consenso que viabilize o envio de um projeto de lei ao Congresso em até 90 dias. A esperança da federação é que se a obrigatoriedade for garantida em uma lei o Supremo não tenha razão para votar a constitucionalidade do Decreto-Lei 972. Para isso, é necessário que os ministros aceitem postergar o julgamento até a aprovação da nova lei. Segundo José Carlos Torves, diretor da federação, o STF estaria disposto a aguardar.
Ainda que o consenso entre trabalhadores e patrões seja possível e o trâmite dentro do Congresso, rápido, a tática não defende os interesses da Fenaj de uma decisão do STF sobre o mérito da obrigatoriedade do diploma. Se o Supremo julgar inconstitucional a exigência, esta não pode mais ser estabelecida por novas leis. Neste caso, qualquer regulamentação da profissão de jornalista poderia ser criada, desde que sem a previsão da formação superior como critério de barreira.
Histórico
Em 2001, o Ministério Público Federal entrou com ação na Justiça Federal de São Paulo contra a exigência do diploma de jornalista para exercer a profissão. Segundo o MP, o Decreto-Lei 972/69, que estabelece que o diploma é necessário para o exercício da profissão de jornalista, vai de encontro com o artigo 5o da Constituição, que garante a liberdade de expressão.
Em 23 de outubro de 2001, por decisão liminar, foi suspensa a exigência do diploma de jornalismo. A ação foi julgada parcialmente procedente em primeira instância. A Fenaj e o Sindicato dos Jornalistas Profissionais de São Paulo recorreram da decisão e, em outubro de 2005, a 4ª Turma do Tribunal Regional Federal da 3ª Região revogou a liminar.
Em seguida, o Ministério Público Federal entrou com Recurso Extraordinário no STF e, depois, com a Ação Cautelar para garantir o exercício da profissão por quem não tem diploma. Em novembro o presidente do Supremo, Gilmar Mendes, emitiu liminar suspendendo novamente a obrigatoriedade do diploma.
Além do conflito com o artigo 5o da Constituição, as críticas dentro do STF em relação ao Decreto-Lei 972 de 1960, que regulamenta até hoje a profissão de jornalista, apontam para a invalidade de uma norma sem força de lei, já que o decreto não teria sido recepcionado pela Constituição Federal.
A avaliação feita até mesmo dentro da direção da Fenaj é que, no momento, a tendência dos ministros do STF é votar contra a obrigatoriedade da formação específica de nível superior para o exercício da atividade jornalística. “A posição do STF pende mais contra o diploma, embora haja possibilidades de reverter um ou outro voto”, analisa Torves.
Convencer os ministros
Para reverter a situação, os dirigentes sindicais pretendem convencer os ministros do Supremo de que as alegações constitucionais são insustentáveis. Segundo a Fenaj, a fragilidade jurídica do Decreto-Lei 972 não poderia ser questionada, uma vez que há outras normas semelhantes em vigência no país. “O Estatuto da Terra é um exemplo”, diz Maria José Braga, secretária-geral da Fenaj. Já a limitação da liberdade de expressão também não seria argumento plausível, uma vez que a atividade profissional de produção de notícias não impediria a livre opinião da população por se tratarem de formas de expressão distintas e não-excludentes.
Publicamente, os sindicalistas mantém a crença na força destes argumentos. “Sei que há ceticismo, porque a tradição de julgamentos anteriores não nos dá margem, mas acho que precisamos acreditar que vamos ganhar o julgamento. Há várias decisões do STF que consideram lei os decretos-lei baixados e há decisões importantes tomadas no judiciários em defesa da exigência do diploma, inclusive no STJ [Superior Tribunal de Justiça]”, afirmou o membro da Comissão Nacional de Ética da Fenaj, Washington Mello.
Na tentativa de convencer os ministros do STF, o Congresso dos Jornalistas aprovou a intensificação da agenda da campanha em defesa do diploma e da regulamentação profissional. A campanha começou em 2001. Nos últimos meses, sindicatos e alguns cursos de Comunicação Social organizaram atos em defesa da obrigatoriedade da formação em nível superior.
Do Observatório do Direito à Comunicação
A principal discussão do 33o Congresso Nacional dos Jornalistas, realizado em São Paulo entre 20 e 24 deste mês, foi a estratégia para garantir a exigência da formação superior para o exercício do jornalismo. No entanto, na iminência de uma decisão contrária à exigência do diploma pelo Supremo Tribunal Federal (STF), a Federação Nacional dos Jornalista (Fenaj) já prepara um “plano B”. A tática apontada pelos dirigentes sindicais foi apostar no Grupo de Trabalho criado pelo Ministério do Trabalho e Emprego para discutir um projeto de regulamentação profissional para a atividade.
A Fenaj espera que o grupo consiga produzir um consenso que viabilize o envio de um projeto de lei ao Congresso em até 90 dias. A esperança da federação é que se a obrigatoriedade for garantida em uma lei o Supremo não tenha razão para votar a constitucionalidade do Decreto-Lei 972. Para isso, é necessário que os ministros aceitem postergar o julgamento até a aprovação da nova lei. Segundo José Carlos Torves, diretor da federação, o STF estaria disposto a aguardar.
Ainda que o consenso entre trabalhadores e patrões seja possível e o trâmite dentro do Congresso, rápido, a tática não defende os interesses da Fenaj de uma decisão do STF sobre o mérito da obrigatoriedade do diploma. Se o Supremo julgar inconstitucional a exigência, esta não pode mais ser estabelecida por novas leis. Neste caso, qualquer regulamentação da profissão de jornalista poderia ser criada, desde que sem a previsão da formação superior como critério de barreira.
Histórico
Em 2001, o Ministério Público Federal entrou com ação na Justiça Federal de São Paulo contra a exigência do diploma de jornalista para exercer a profissão. Segundo o MP, o Decreto-Lei 972/69, que estabelece que o diploma é necessário para o exercício da profissão de jornalista, vai de encontro com o artigo 5o da Constituição, que garante a liberdade de expressão.
Em 23 de outubro de 2001, por decisão liminar, foi suspensa a exigência do diploma de jornalismo. A ação foi julgada parcialmente procedente em primeira instância. A Fenaj e o Sindicato dos Jornalistas Profissionais de São Paulo recorreram da decisão e, em outubro de 2005, a 4ª Turma do Tribunal Regional Federal da 3ª Região revogou a liminar.
Em seguida, o Ministério Público Federal entrou com Recurso Extraordinário no STF e, depois, com a Ação Cautelar para garantir o exercício da profissão por quem não tem diploma. Em novembro o presidente do Supremo, Gilmar Mendes, emitiu liminar suspendendo novamente a obrigatoriedade do diploma.
Além do conflito com o artigo 5o da Constituição, as críticas dentro do STF em relação ao Decreto-Lei 972 de 1960, que regulamenta até hoje a profissão de jornalista, apontam para a invalidade de uma norma sem força de lei, já que o decreto não teria sido recepcionado pela Constituição Federal.
A avaliação feita até mesmo dentro da direção da Fenaj é que, no momento, a tendência dos ministros do STF é votar contra a obrigatoriedade da formação específica de nível superior para o exercício da atividade jornalística. “A posição do STF pende mais contra o diploma, embora haja possibilidades de reverter um ou outro voto”, analisa Torves.
Convencer os ministros
Para reverter a situação, os dirigentes sindicais pretendem convencer os ministros do Supremo de que as alegações constitucionais são insustentáveis. Segundo a Fenaj, a fragilidade jurídica do Decreto-Lei 972 não poderia ser questionada, uma vez que há outras normas semelhantes em vigência no país. “O Estatuto da Terra é um exemplo”, diz Maria José Braga, secretária-geral da Fenaj. Já a limitação da liberdade de expressão também não seria argumento plausível, uma vez que a atividade profissional de produção de notícias não impediria a livre opinião da população por se tratarem de formas de expressão distintas e não-excludentes.
Publicamente, os sindicalistas mantém a crença na força destes argumentos. “Sei que há ceticismo, porque a tradição de julgamentos anteriores não nos dá margem, mas acho que precisamos acreditar que vamos ganhar o julgamento. Há várias decisões do STF que consideram lei os decretos-lei baixados e há decisões importantes tomadas no judiciários em defesa da exigência do diploma, inclusive no STJ [Superior Tribunal de Justiça]”, afirmou o membro da Comissão Nacional de Ética da Fenaj, Washington Mello.
Na tentativa de convencer os ministros do STF, o Congresso dos Jornalistas aprovou a intensificação da agenda da campanha em defesa do diploma e da regulamentação profissional. A campanha começou em 2001. Nos últimos meses, sindicatos e alguns cursos de Comunicação Social organizaram atos em defesa da obrigatoriedade da formação em nível superior.
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