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NOVO PISO: Jornalistas e patrões firmam acordo coletivo de 2017

Da assessoria Após seis rodadas de negociação, mediadas pela Superintendência Regional do Trabalho e Emprego de Mato Grosso, o Sindic...

28 de ago. de 2009

Liberdade sim, pero no mucho






Saia às ruas de Mato Grosso Gilmar Mendes! Ouça o que o povo tem a lhe
dizer. Este povo que está unido pela construção de uma sociedade livre, justa e
solidária, diferentemente do senhor, esse povo continua respeitando o Artigo 3ª
da nossa Constituição Federal, que determina esse objetivo fundamental.

Por Alcione dos Anjos*

O Sindicato dos Jornalistas de Mato Grosso (Sindjor-MT), aproveitando a possível vinda do mato-grossense e presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Gilmar Mendes, a Cuiabá nessa quinta-feira (27), divulgou nota pública manifestando a insatisfação da categoria com as decisões do STF, em especial, que diz respeito a desregulamentação da profissão de jornalismo, já que no dia 30 de abril deste ano, o plenário do STF declarou inválida, por sete votos a quatro, a Lei de Imprensa, de 1967. No dia 17 de junho, o mesmo plenário decidiu eliminar a exigência do diploma de jornalismo para o exercício da profissão.

O ministro não veio, mandou uma gravação em vídeo transmitida durante a abertura do 1º Encontro Nacional das Comissões de Constituições e Justiça das Assembleias Legislativas e Câmara Municipais.

Mas, a nota foi feita e enviada a todos os jornais e sites, e mesmo sendo assinada por 18 representantes dos movimentos sociais, foi ignorada pela mídia mato-grossense. Alias, como vem ocorrendo pelo Brasil a fora, já que Gilmar Mendes é alvo constante de manifestações de desagravo por todo o canto, não apenas por conta da cassação do diploma de jornalista e a ameaça de desregulamentar outras profissões, como também pela constante defesa da minoria classe privilegiada desse país: a elite brasileira.

Um dos episódios, que evidência essa defesa, ocorreu quando o ministro ‘mandou soltar’ o banqueiro do Opportunity, Daniel Dantas, acusado de crimes financeiros descobertos na Operação Satiagraha da Polícia Federal. Nessa época, foram presos e expostos nos veículos de comunicação o banqueiro Dantas, o investidor Naji Nahas e o ex-prefeito Celso Pitta, entre outros. Todos estavam algemados. Surgiu logo depois disso a edição de uma súmula do STF, determinando que presos e réus não podem ser algemados, em exposição pública.

Em Santos, Campina Grande, Aracaju e Porto Alegre houve manifestações contra o ministro Gilmar Mendes no último mês. Os protestos ecoaram, também, na Jornada Nacional Unificada de Lutas realizada por centrais sindicais e movimentos sociais nesse mês. Infelizmente, a maioria da população não chega a saber desses fatos porque o ministro é blindado pelo silêncio da dita grande mídia, que não divulga manifestações contra o ilustre magistrado. A nota do Sindjor-MT avaliou que para essa pequena classe, sempre protegida pelo ministro, a visita dele pode até ser motivo de festa. E sentencia: “Porém, para nós, dos movimentos sociais, trabalhadores, jornalistas, professores, sem-terra, afro-descendentes, mulheres, crianças, favelados, desempregados e todos que sofrem, mais ou menos, nas mãos desse modelo perverso e desigual de país, onde não há justiça, este homem não é bem-vindo”.

Eu completo a nota dizendo: Saia às ruas de Mato Grosso Gilmar Mendes! Ouça o que o povo tem a lhe dizer. Este povo que está unido pela construção de uma sociedade livre, justa e solidária, diferentemente do senhor, esse povo continua respeitando o Artigo 3ª da nossa Constituição Federal, que determina esse objetivo fundamental.

Apesar das dificuldades, a blindagem midiática a Mendes foi rompida algumas vezes, por veículos que não são tão conservadores. No ano passado, quando reportagem da revista Carta Capital (de 19 de Novembro de 2008 - Ano XV Nº 522) revelou que em Diamantino, onde nasceu, terra de um povo humilde e sofrido pelas oligarquias e o desmando de latifundiários, Gilmar Mendes usou sua influência política para eleger o irmão, Chico Mendes.

A blogosfera é outro campo que tenta romper o silêncio dos mandos e desmandos desse mato-grossense que chegou ao cargo mais alto da mais alta corte judicial desse país e agora, parece deslumbrado com o poder.

A tal liberdade de imprensa, argumento usado por Mendes para defender a queda do diploma de jornalismo, só vale para aqueles que pensam da mesma forma que o ministro, como a ‘poderosa’ Rede Globo. Para o Blog Conversa Afiada, do jornalista Paulo Henrique Amorin, que denuncia os abusos do magistrado, o pensamento é outro.

Mendes entrou com uma representação no Ministério Público Federal contra o Conversa Afiada, para calar o jornalista. A revista Isto É também está sendo processada pelo ministro. Não é de se estranhar? Um paladino da liberdade de expressão quer calar quem põe o dedo na ferida e tapar os ouvidos para o apelo popular. Este é o atual presidente do STF.

*Alcione dos Anjos é jornalista diplomada e está exercendo o cargo de Tesoureira do Sindjor-MT

27 de ago. de 2009

Jornalistas, estudantes, advogados e deputados defendem diploma

Site Portal da Câmara dos Deputados
Foto: Luiz Xavier

Deputados propõem aprovação de propostas que regulamentam profissão de jornalista.

Durante audiência pública sobre a dispensa do diploma de jornalismo para o exercício da profissão, decidida pelo Supremo Tribunal Federal (STF) em junho, representantes de jornalistas, estudantes, advogados e parlamentares defenderam a regulamentação para a profissão de jornalista.


No debate promovido nesta quinta-feira pelas comissões de Ciência e Tecnologia, Comunicação e Informática; e de Educação e Cultura, a deputada Jô Moraes (PCdoB-MG), criticou a decisão do Supremo e defendeu uma estratégia para que o Congresso aprove a Proposta de Emenda à Constituição 386/09, que restabelece a exigência de diploma para jornalista; ou o Projeto de Lei 5592/09, que dá nova regulamentação à profissão de jornalista.A deputada disse que esse assunto também precisa ser discutido na 1ª Conferência Nacional de Comunicação, que será realizada em dezembro, em Brasília.


O presidente da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), Cezar Britto, afirmou que é preciso haver regulamentação para o exercício do jornalismo, para possibilitar o afastamento de maus profissionais e garantir a qualidade técnica e ética na profissão. Liberdade de expressão Britto ressaltou que a liberdade de expressão é um princípio da Constituição brasileira, mas lembrou que a própria Constituição cria restrições para aperfeiçoar o exercício dessa liberdade, como a proibição do anonimato, a preservação da imagem e o direito de resposta.


A coordenadora do Diretório Central dos Estudantes da Universidade Federal de Goiás (UFG), Lis Caroline Lemos, questionou o fato de o STF ter julgado a exigência do diploma de jornalismo como um atentado à liberdade de expressão. Para ela, há outros problemas que são mais danosos à liberdade de expressão, como a concessão de rádio e TV para políticos.Constituição de 1988 O presidente da OAB disse que a Constituição se refere à profissão de jornalista por duas vezes, de maneira implícita.


A primeira vez, quando estabelece que é livre o exercício de qualquer profissão, desde que atendidas as qualificações que a lei estabelecer. A segunda vez, quando trata do sigilo da fonte, vinculando esse direito ao exercício profissional.Além disso, Britto disse que a legislação já resguarda a figura do colaborador, ou seja, não é só o jornalista que escreve em jornal. Ele também defendeu o registro profissional de jornalista no Ministério do Trabalho como forma de regulamentação.Decisões do Congresso Já o presidente da Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj), Sérgio Murillo de Andrade, citou dois momentos em que o Congresso Nacional decidiu favoravelmente ao diploma. Ele lembrou que o fim da exigência de diploma foi debatido durante a Assembleia Constituinte de 1987/88, mas os constituintes decidiram não incluir essa regra na Constituição. Esse debate teria sido proposto, na época, pela Folha de S.Paulo.


Andrade ressaltou também que, em 2006, o Congresso aprovou uma lei que regulamentava o exercício da profissão de jornalista, mas essa lei acabou sendo vetada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva por ampliar o registro profissional. A Associação Nacional dos Jornais (ANJ), a Associação Brasileira de Emissoras de Rádio e Televisão (Abert), e os ministros do Supremo, Marco Aurélio Mello e Gilmar Mendes, foram convidados para a audiência, mas informaram que não poderiam comparecer.

Segunda entrevista da série - JORNALISTAS DE MATO GROSSO


'Minha melhor reportagem ainda vou fazer', diz Denise


Denise Niederauer da Silveira é talvez a figura mais conhecida do meio
jornalístico. Todo mundo, ou quase todo mundo, sabe quem ela é. Será?



Idade: 44 anos em 23 de setembro.

Local de nascimento: Porto Alegre (RS).

Há quanto tempo vive em Cuiabá: Veio para cá por que?

Meu pai é militar e foi transferido de Brasília para Cuiabá em 1979.

Formação acadêmica: Economia na UFMT e Jornalismo no IVE.

Há quanto tempo é jornalista e como buscou essa profissão?
Desde 1981, como repórter da TVCA - Televisão Centro América - Afiliada da Rede Globo.
Estado civil: Divorciada.

Filhos: Uma filha, Fernanda, e Eduardo, Camila, Chandra e Sarah, sobrinhos que amo enlouquecidamente.

Sua fama é incrível, todo mundo te conhece e você está por toda parte. Qual é o segredo?
Pois é... A profissão é assim estamos onde tem notícias, circulo muito e estou há 27 anos trabalhando, então fica bem fácil ser conhecida e também reconhecida. Muito trabalho no Estado e matérias nacionais e internacionais. Ah!Tratar as pessoas da mesma forma que gostaria de ser tratada. Adoro conhecer as pessoas, e com os amigos sou generosa, cuido, fico atenta. Ser humano, ser ético em todos os momentos. Sei que muitos ignoram todas essas máximas, mas, para esses, a fama se torna efêmera, sem dúvida. Em 12 de setembro de 2006 recebi o Título de Cidadã Mato-grossense, homenagem linda que muito me emociona.

De que forma você se informa? Lê o quê? Quais livros, sites, jornais, revistas?
Leio tudo e no máximo de tempo possível. Compulsiva. E meus amigos me atualizam também.

Você é a favor da fofoca? Esse é um meio jornalístico eficiente ou é um câncer?
Não. Fofocas estimulam boatos. Adoro Fatos. E já fui alvo de algumas fofocas, mas tudo bem. Jornalismo não ganha o respeito com boatos, mas sim com informações concretas e verdadeiras.

Na década de 70, teve algum envolvimento com política? Ou Deus me livre de política?
Não, era muito menina. Mas hoje, sim. Afinal, a política faz parte da vida de um jornalista bem informado. Posso parecer ser da era do gelo (risos), mas nessa época ainda era mesmo estudante sem participação política, só jogava vôlei pela escola. E claro, viajava muito, coisa que amo fazer.

Jornalista tem que ter ideologia ou vale mais a escola da imparcialidade?
Vamos por partes. Denise é um ser privado. A jornalista Denise é um ser público. Como qualquer ser humano, tenho ideologias. Mas a Denise jornalista deve optar pela imparcialidade. Temos de saber separar as duas coisas.

A nova geração de jornalistas dará conta do recado ou você é da linha que critica a juventude que está chegando pelo esvaziamento cultural?
Acredito que muitos jovens jornalistas dão conta do recado. Tudo depende de uma série de fatores como caráter e formação cultural. Jovens com ou sem potencial para o jornalismo ou qualquer outra profissão sempre existiram. Acho que a discussão sobre o esvaziamento cultural está mais em voga porque os problemas estão mais aparentes e transparentes que antes.

Qual o papel do jornalista de modo geral? E da imprensa?
O papel do jornalista é trabalhar a ética aliada à técnica. Ter compromisso com o bem e a verdade, usando com responsabilidade todas as técnicas disponíveis. Nessa carona, vai o papel da imprensa. A imprensa é formada pelos profissionais.

Você defende o diploma para o exercício do jornalismo?
Sim, lógico. Ser jornalista vai muito além de escrever e saber muito sobre algum assunto. Envolve técnicas e teorias específicas para nossa função.

A imprensa de Mato Grosso comete quais ‘crimes’ dos mais graves?
A parcialidade, a futilidade e a politicagem.

Você citaria alguns jornalistas que fazem a diferença na sua opinião?
Ah!sim, Paulo José Cunha, Fausto Macedo, Paula Martins Miranda, Alana Casanova, Romilson Dourado, Marcus Cotinho, Auro Ida, Marcos Lemos e Márcia Andreola.

Jornalista mulher faz diferente?
Sim. Somos mais perspicazes, sensíveis, organizadas. Conseguimos enxergar os fatos de várias formas. Ou seja, nossa visão periférica do fato é muito maior. Nosso poder de observação é incrível! Mas adoro ler o que os homens escrevem.

Vida de casada ou vida de solteira?
Vida de solteira, mas tenho meus amores.

A Lei Maria da Penha resolve alguma coisa na luta contra a violência doméstica?
Ajuda a minimizar o problema. Agora, alguns homens pensam mais um pouco antes de fazer qualquer coisa. Mas a violência continua...

Qual a matéria inesquecível que você fez e gostaria que todos lessem?
Putz!Depois de tanto tempo no jornalismo fica difícil, mas posso dizer que acompanho minhas matérias no site da Secom-MT. Ter trabalhado na Assessoria de Imprensa da Sejusp-MT, me deu destaque no jornalismo, pois muitas coisas aconteceram como o acidente do avião da Gol com o Legacy, queda do helicóptero da Polícia Militar de Mato Grosso, máfia das ambulâncias, rebeliões nos presídios entre outros. Posso destacar algumas coberturas nacionais e internacionais como a vinda do Papa João Paulo II ao Brasil e a Mato Grosso em 1991. Ter sido a primeira jornalista a entrevistar a Thereza Collor quando ficou viúva e essa ter sido Capa da “Revista Caras”, (número 85/junho/1995), oito páginas e 14 fotos publicadas do fotógrafo Lenine Martins e minhas também, foi uma ótima experiência. Tenho também matérias com fotos, publicadas na Revista Boa Forma de setembro de 2001 e 2002, - As Melhores Academias do Brasil. Mas diariamente, como repórter, sei que ainda vou fazer a minha melhor reportagem.

Movimentos sociais de MT soltam nota pública de repúdio ao ministro Gilmar Mendes.

NOTA PÚBLICA – GILMAR MENDES, FORA DE MATO GROSSO!


(Essa nota foi motivada pela possível presença do ministro do Supremo Tribunal Federal –STF, Gilmar Mendes, em Cuiabá, hoje, para um evento, a convite da Assembléia Legislativa. Ele não veio; mandou um vídeo. Mas nós, dos movimentos sociais abaixo-assinados, resolvamos divulgar a nota mesmo assim, aproveitando a oportunidade para sensibilizar a opinião pública)


Minha gente de Mato Grosso, o ministro Gilmar Mendes, presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), aquele que mandou soltar o banqueiro do Opportunity, acusado de crimes financeiros, Daniel Dantas, está hoje em Cuiabá, capital do nosso Estado, mais uma vez visitando a terra onde nasceu. Para os ricos, os burgueses, os legalistas de plantão, os conservadores, os anti-povo, a visita dele é motivo de festa. Porém, para nós, dos movimentos sociais, trabalhadores, jornalistas, professores, sem-terra, afro-descendentes, mulheres, crianças, favelados, desempregados e todos que sofrem, mais ou menos, nas mãos desse modelo perverso e desigual de país, onde não há justiça, este homem não é bem-vindo.


Fora ‘Gilmar Dantas’! Precisamos respirar!


É muito comum o povo brasileiro se ver nas mãos de homens públicos que só atendem aos interesses da burguesia nefasta deste país. Os que têm casa, carro, comida boa, roupas finas, conforto, viagens, altos salários, os que podem tudo.


Esses homens públicos, sem compromisso com o povo e com a construção de uma nação mais justa, como é o caso deste ministro, no poder, são um arraso à maioria da população e um fiel representante de uns poucos privilegiados.


Fora daqui ‘Gilmar Dantas’! O povo de Mato Grosso se envergonha de você!


Em Diamantino, onde nasceu, terra de um povo humilde e sofrido pelas oligarquias e o desmando de latifundiários, Gilmar Mendes usou sua influência política para eleger seu irmão, Chico Mendes, conforme revelou reportagem da revista Carta Capital. E com a anuência de políticos locais, que se derretem em favores, numa troca eterna de mútuas vantagens, sempre à nossa revelia.


Esse mesmo Gilmar Mendes, que atua contra o povo brasileiro, comanda o superior tribunal deste país, minha gente. Estamos perdidos!


Foi ele que no dia 17 de junho comandou seus pares na cassação do diploma para o exercício do jornalismo. A pedido de quem? Dos empresários da radiodifusão de São Paulo. Para que? Em nome da liberdade de imprensa como argumentou em seu voto de relator do processo? Claro que não! Para que as empresas contratem quem quiserem, por qualquer salário e para fazerem qualquer coisa, em favor do status quo, ou seja, da coisa como está: boa só para alguns e péssima para muitos.


Fora Mendes e seus capangas, inclusive os que usam ternos de grife! Aliás, nós não esquecemos. Quem são seus capangas em Mato Grosso, heim, senhor Gilmar Mendes? O Brasil inteiro delirou ao ouvir o também ministro do Supremo, Joaquim Barbosa, lhe enquadrar na posição de pessoa comum e não de semi-deus, como insiste em se colocar. Era o “sopapo” verbal que todos nós queríamos dar e foi um remédio vê-lo a gaguejar sem respostas para suas decisões infames.


Ministro Gilmar Mendes, um dia a casa cai!


No Brasil todo, o povo brasileiro pede: “Fora Gilmar Mendes”. Movimento em franco crescimento e nós, dos movimentos sociais de Mato Grosso, abaixo-assinados, fortalecemos esse grito.

1) Sindicato dos Jornalistas de Mato Grosso (Sindjor-MT)

2) Sindicato dos Trabalhadores no Ensino Público de Mato Grosso (Sintep-MT)

3) Sindicato dos Bancários do Estado de Mato Grosso (SEEB-MT)

4) Sindicato dos Trabalhadores em Estabelecimentos de Ensino no Estado de Mato Grosso (Sintrae)

5) Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil (CTB) de Mato Grosso

6) União da Juventude Socialista (UJS)

7) Movimento Favelativa

8) Diretório Central dos Estudantes da Universidade Federal de Mato Grosso (DCE-UFMT)

9) União Brasileira de Mulheres (UBM)

10) União dos Negros pela Igualdade (Unegro)

11) Comissão Estadual Pró-Conferência de Comunicação

12) Grupo de Consciência Negra (Grucon)

13) Movimento de Combate à Corrupção Eleitoral (MCCE)

14) ONG Moral

15) Faculdades Integradas de Várza Grande (IVE) – Facom

16) Movimento Rumo ao Socialismo (MRS)

17) Intersindical

18) Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST)

25 de ago. de 2009

O juiz não quer mais 200 mil

Por ENOCK CAVALCANTI

O juiz não quer mais 200 mil Meus amigos, meus inimigos: o juiz Herbert Luis Esteves, da Justiça do Trabalho, reconheceu que não há porque punir a OAB de Mato Grosso e muito menos a este sossegado jornalista só porque registramos, em nossos saites, que um grupo de advogados trabalhistas de Mato Grosso não estava nada satisfeito com a postura dele, enquanto magistrado, nas audiências que presidia.

Deixem-me recordá-los: depois que eu e a OAB registramos, na internet, a reação de um grupo de advogados trabalhistas contra a postura, em suas audiências, do juiz Herbert Luis Esteves, ele contratou o advogado Mauricio Aude e ingressou com uma ação, na Justiça Federal, pedindo indenização de R$ 100 mil reais a serem pagos pela OAB-MT por ter registrado em seu site o encontro em que os tais advogados reclamaram dele ao presidente do TRT-MT, desembargador João Carlos Ribeiro de Souza, e R$ 100 mil reais a serem pagos por este tranqüilo jornalista simplesmente por ter reproduzido o texto do site da OAB.

Uma situação kafkaniana, expressão da reação de um servidor graduado do Judiciário brasileiro que, naquele momento, parecia se julgar acima de toda e qualquer crítica. O juiz Herbert Luis Esteves, todavia, resolveu recuar. Seu advogado procurou o meu advogado, Eduardo Mahon, e propôs o acordo, propondo a extinção do processo com a resolução do mérito, conforme Art. 269 do CPC. Diante do ataque do juiz, havíamo-nos preparado para a batalha judicial e, durante o período em que o processo caminhou, o juiz foi sendo derrotado em sucessivas etapas. Ao iniciar o processo, ele pediu, em liminar, que os textos publicados pela OAB e pela Página do E, registrando as críticas dos advogados contra a sua postura como juiz, fossem retirados do ar. Seu pedido não foi acolhido pela juíza federal Vanessa Perenha. Ele agravou a sentença, perdeu novamente. Enfim, de derrota em derrota, acabou resolvendo recuar. A conciliação é sempre uma benção – dizia, sim, velho meu pai, para quem a conciliação chegava a ser expressão mesmo da vontade de um Deus altíssimo, que jamais enxerguei (talvez porque paire muito além do alcance de meus olhos míopes).

Eu, que aprendo uma nova lição a cada episódio em que me envolvo, fico torcendo para que o juiz Herbert Luis Esteves tenha também aprendido a sua lição. Que os advogados trabalhistas de Cuiabá possam freqüentar as audiências do juiz Herbert Luis Esteves sem qualquer receio e sem pé atrás. Nunca aprofundei as investigações sobre os motivos que levaram os advogados a questionarem a postura do juiz Herbert Luis Esteves (sim, com o tempo transformei-me em um repórter barrigudo e enfadado). É importante que esse juiz, todos os juízes, amoldem os seus egos ao que fixa a Lei: não existe hierarquia entre advogado e magistrado - seja o magistrado juiz, desembargador, ministro, que diabo for. Advogados e magistrados devem se tratar com respeito porque são iguais. Infelizmente, as pessoas não nascem educadas para a democracia, precisam aprender ao longo de suas vidas. Como no caso do cidadão Herbert Luis Esteves que, depois deste episódio, espero eu, se transforme em um juiz mais respeitoso para com os outros cidadãos e cidadãs que, como ele, operam o Direito em Mato Grosso. Sua iniciativa de conciliar com aqueles dos quais chegou a intentar sacar 200 mil reais à conta de pretensos danos morais à sua figura - só por que registramos, eu e a OAB, aquilo que de fato aconteceu, um mero episódio da rotina forense de Cuiabá - é um passo importante. Imagino que Manoel Paulo, meu pai, estivesse vivo, conciliador que era, diria: “Deus abençoe esse homem e o mantenha no caminho da retidão”. Amém.

* ENOCK CAVALCANTI, jornalista, é titular em Mato Grosso do blog www.paginadoe.com.br

20 de ago. de 2009

Globo X Record; precisamos de uma CPI da mídia

"A lavagem de roupa suja entre as duas maiores emissoras do país [...] cria a oportunidade ideal para as forças organizadas da sociedade, engajadas na luta pela democratização da comunicação, também exigirem a instalação de uma CPI para averiguar tais irregularidades", escreve Altamiro Borges em seu blog.* Confira a íntegra

A “guerra nada santa” travada entre as TVs Globo e Record comprova que existe algo de muito podre no reino dos poderosos e impenetráveis impérios midiáticos do país. Os barões da mídia, por razões políticas e na busca por audiências sensacionalistas, adoram impor a instalação de Comissões Parlamentares de Inquéritos. A “presunção de culpa” se sobrepõe à “presunção da inocência”, inscrita na Constituição, e reputações são jogadas na lata de lixo da noite para o dia. A agenda política fica contaminada pelo denuncismo vazio, que rende pontos no Ibope e novos anunciantes, e que ofusca o debate sobre os problemas estruturais da democracia brasileira.

O processo sui generis de concentração da mídia nativa e sua alta capacidade de manipulação de corações e mentes são, de fato, graves atentados à democracia. A lavagem de roupa suja entre as duas maiores emissoras do país, num caso inédito de transparência no setor, revela que há muito a se apurar sobre a ditadura midiática.

Ela cria a oportunidade ideal para as forças organizadas da sociedade, engajadas na luta pela democratização da comunicação, também exigirem a instalação de uma CPI para averiguar tais irregularidades. Impõe a vários parlamentares, hoje alvos da fúria midiática, uma revisão deste poder descomunal. E não faltam motivos para esta justa demanda.

A sensível questão religiosa

Liderando uma “cruzada” que reúne os jornalões Folha e Estadão e a revista Veja, a Rede Globo tem exibido para milhões de telespectadores várias denúncias contra a sua principal concorrente. Com base numa denúncia do Ministério Público de São Paulo contra Edir Macedo, fundador da Igreja Universal do Reino de Deus (Iurd), a TV Globo tem apresentado exaustivamente matérias que comprovariam formação de quadrilha, lavagem de dinheiro e enriquecimento ilícito. Willian Bonner e Fátima Bernardes, o casal-âncora do Jornal Nacional, o noticiário de maior audiência no país, não se cansa de mostrar os vínculos entre o Edir Macedo e a Rede Record.

As reportagens globais também procuram explorar a sensível questão religiosa, acusando a Iurd, que possuí 8 milhões de fiéis no Brasil e igrejas espalhadas por 174 países, de desviar dinheiro das doações para compra de imóveis suntuosos, carros importados e emissoras de rádios e TV. “Edir Macedo deu outro destino ao dinheiro doado à Igreja Universal”, acusou Fátima Bernardes no Jornal Nacional. Com várias imagens das pregações feitas nos cultos, a TV Globo insiste que “a religião é apenas um pretexto para a arrecadação de dinheiro”. Os ataques são duros e diários.

Golpismo e irregularidades

Como resposta, a TV Record tem exibido para milhões de brasileiros inúmeros fatos irrefutáveis que só uma minoria conhecia. Aproveitando-se da vulnerabilidade política da concorrente, ela mostrou que a Rede Globo é cria da ditadura militar e que construiu seu império graças ao apoio decidido dos generais golpistas. Celso Freitas e Ana Paula Padrão, os âncoras do Jornal da Record, que já estiveram do outro lado do front, lembraram as fraudes para impedir a vitória de Leonel Brizola ao governo do Rio de Janeiro, as manobras para esvaziar a mobilização popular pelas Diretas-Já, a fabricação do “caçador de marajás” e as várias investidas para desestabilizar o governo Lula.

Mas a TV Record não ficou somente no campo da política – como a concorrente também não se limitou à discussão religiosa. Ela também apresentou inúmeras denúncias de irregularidades. Já na sua origem, o acordo misterioso com a empresa estadunidense Time-Life, numa transação que era proibida pela lei brasileira e que rendeu milhões de dólares à TV Globo. Depois, na aquisição suspeita da TV Paulista, num negócio com documentos falsos. O ex-ministro das Comunicações, Euclides Quandt de Oliveira, também garantiu numa entrevista que a Globocabo contraiu empréstimos irregulares na Caixa Econômica Federal e no BNDES, em 1999, no valor de R$ 400 milhões. Outra bomba foi a denuncia de que a TV Globo ocupa um terreno da Secretaria de Planejamento de São Paulo, numa relação promíscua com o governo tucano de José Serra.

Apuração rigorosa das denúncias

Como se observa, as denúncias de ambos os lados são graves e exigem rigorosa apuração. Em função da “guerra nada santa” entre as duas principais emissoras de televisão do Brasil, o tema hoje está na boca do povo – o que é saudável para a democracia.

Uma Comissão Parlamentar de Inquérito sobre a mídia contribuiria para investigar a veracidade dos fatos. Além disso, a CPI seria uma importante alavanca para o debate sobre a urgência da democratização dos meios de comunicação no país. Afinal, as emissoras privadas usufruem de uma concessão pública. Elas não podem ficar acima das leis, da Constituição e da Justiça.

Fonte: http://altamiroborges.blogspot.com/

17 de ago. de 2009

Curso de formação política pró-conferência de comunicação - MT

Atenção, colegas, jornalistas e cidadãos de outras áreas, no próximo sábado, a Comissão Estadual Pró-Conferência de Comunicação fará um curso preparatório, de formação política, a quem se interessar por esse debate sobre mídia e os meios de comunicação que temos e o que queremos. A convidada é a jornalista Carolina Ribeiro, do Intervozes. Veja abaixo a programação. E participe! Entrada franca.
Informações: 9922-9445 ou 9223-2494.


Curso de formação política pró-conferência de comunicação - MT
Data: sábado, dia 22 de agosto
Horário: das 8h às 18h
Local: Faculdade de Direito da UFMT – Sala de Pós-Graduação
Entrada franca

Reflexões sobre a democratização da mídia – Luta que precede!

7h30 – Café da manhã

8h - Mística

8h15 – VÍDEO

DEBATE 1
Objetivo: Reconhecer os passos dados pelo nosso coletivo (acertos e falhas) e verificar novos enfrentamentos necessários e mobilizações para garantir a conferência estadual.
8h30 – A articulação que construímos e os desafios a perseguir

Mesa: Keka Werneck (Sindjor-MT) e Lucinéia Freitas (MST)
Mediadora: Dafne Spolti (DCE-UFMT)

DEBATE 2

Objetivo: Análise de conjuntura pró-conferência e pré-conferência. Reconhecer o jogo de forças nesse ambiente pró-conferência. Verificar os movimentos sociais que estão mais engajados na luta. Dimensionar a força que nós, dos movimentos sociais, estamos tendo previamente, no estabelecimento das regras do jogo, e estimar a que teremos durante a conferência. Conhecer o mapa da mídia.

9h30 – I Conferência Nacional de Comunicação (I Confecom) - Jogo de poder e marco histórico

Mesa: Carolina Ribeiro
Mediador: Fran Fransetto (SINTEP-MT)

12h – Almoço no RU


DEBATE 3

13h30 – Formação de Grupos de Trabalho

Objetivo: Dividir a plenária em grupos e depois que cada grupo apresente um compêndio do que estudou e refletiu.

1 - Políticas Públicas de Comunicação (financiamento, gestão, produção, difusão e acesso): do local ao nacional
Facilitador: Mariana Freitas (Enecos)

2 - Marco Regulatório, concessões, monopólios e propriedade cruzada: uma nova legislação de Comunicação
Facilitador: Gibran Lachowiski (Sindjor-MT)

3 - Comunicação Pública, Comunitária e Livre
Facilitador: Geremias Santos (Abraço)

4 - Convergência Digital e Inclusão
Facilitador: Andréa Ferraz Fernandez (professora do curso de Comunicação Social - UFMT)

5 - Instrumentos de controle social na Comunicação
Facilitador: Keka Werneck (Sindjor-MT)

6 – Comunicação, cultura e direitos humanos: mídia e produção de subjetividade
Auremárcio carvalho

16 horas – Relatoria das reflexões feitas pelos GTs

18 horas - Pizza

NOTA PÚBLICA

O Sindicato dos Jornalistas de Mato Grosso (Sindjor) vem a público lembrar que há dois meses o Supremo Tribunal Federal (STF) cassou a obrigatoriedade do diploma específico para o exercício profissional do jornalista, dando continuidade a um processo de desregulamentação da profissão, iniciada com a derrubada da Lei de Imprensa. A data precisa ser marcada, para que a categoria e a sociedade não se esqueçam do golpe sofrido.

No dia 17 de julho, ao completar um mês da decisão do STF, diretores de Sindicatos de Jornalistas de todo o país, se reuniram com a diretoria da Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj), em São Paulo, para debaterem as propostas para uma jornada de lutas pela profissão e contra a desregulamentação.

Agora, no segundo mês de luto, Mato Grosso convocou a categoria para se vestir de preto e, mesmo de forma singela, mostrar sua indignação. A cada mês a categoria marcará a data de alguma maneira.

Além de indignada, a categoria está preocupada, vivemos um momento que gera especulações e dúvidas, pois até hoje o Acórdão (decisão do órgão colegiado) não foi publicado. E não sabemos, formalmente, o que está valendo. O que afinal o STF definiu? Tem que ter diploma em qualquer curso superior ou não? Só a conclusão do Ensino Médio vale, ou nem isso? É necessário o Registro Profissional? Que tipo de jornalismo teremos daqui para frente? Quais serão os salários? O que irá diferenciar o estágio curricular em jornalismo de um jornalista sem formação em início de carreira? Que tipo de penalidade poderá um jornalista, com ou sem diploma, sofrer ao cometer excessos?

Essas são algumas das perguntas que ainda permanecem sem respostas. Porém, já não podemos mais aguardar esclarecimentos, porque a decisão foi tomada pelos ministros do Supremo, mas, a ‘bomba’ explodiu aqui na ponta. E diariamente temos que lidar com os estilhaços que a explosão provocou, quando não, apagar os incêndios.

O Sindjor está de luto, mas permanece na luta pela qualificação profissional, pela melhoria das condições de trabalho nas redações e pelo jornalismo plural. Aguardamos cada um e cada uma que possa e queira contribuir nesse processo.

O Sindicato de Mato Grosso realiza reuniões todas as segundas-feiras, a partir dar 19 horas na sede do Sindjor (Rua Antônio Maria, 382, 3º andar, sala 304, Centro de Cuiabá)
A Diretoria

14 de ago. de 2009

SINDJOR-MT INFORMA - VISTA PRETO EM PROTESTO!

Atenção categoria,

Conforme orientação da Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj), que convocou representantes dos sindicatos dos jornalistas do país, no dia 17 de julho, em São Paulo, para tratar sobre a queda da obrigatoriedade do diploma para o exercício do jornalismo, iremos fazer nos dias 17 de todos os próximos meses ações, ainda que simbólicas, para lembrar a preocupante decisão do Supremo Tribunal Federal (STF).

Na última reunião do Sindjor-MT, segunda-feira passada, dia 10, decidimos que, aqui em Mato Grosso, vamos orientar a categoria a ir trabalhar de roupa preta, na próxima segunda-feira, dia 17 de agosto, em forma de protesto pelos dois meses da queda da obrigatóriedade do diploma. Nessa data, o Sindjor-MT irá emitir também uma nota, fazendo algumas reflexões sobre o cenário da nossa profissão, sob o ponto de vista do trabalhador da imprensa.

NÃO CUSTA COLABORAR!

Quem de alguma forma se sentiu lesado pela decisão do STF deve usar roupas
pretas nesse dia e demonstrar sua indignação! Se alguém questionar o motivo,
pode ser informado que os jornalistas estão de luto pela 'morte' da
regulamentação da profissão. A

DIREÇÃO

"Na primeira noite eles se aproximam
e roubam uma flordo nosso jardim.
E não dizemos nada.
Na segunda noite, já não se escondem;
pisam as flores,matam nosso cão,
e não dizemos nada.
Até que um dia,o mais frágil deles
entra sozinho em nossa casa,
rouba-nos a luz, e,
conhecendo nosso medo,
arranca-nos a voz da garganta.
E já não podemos dizer nada."

(Bertolt Brecht, poeta alemão)

7 de ago. de 2009

Governo de MT demora para convocar conferência estadual de comunicação

Movimentos sociais de Mato Grosso estão, há dois meses, tentando sensibilizar o Governo Maggi a convocar a Conferência Estadual de Comunicação que vai preceder a nacional, já garantida pelo Governo Lula para dezembro deste ano. Pela primeira vez na história do país, a sociedade civil organizada, empresários e governo irão discutir sobre as distorções na mídia brasileira. Em nível nacional, os coletivos populares vêm realizando debates, cursos de formação, audiências públicas e conferências estaduais e municipais, criando um ambiente preparatório para a I Conferência Nacional de Comunicação (Confecom).

A Comissão Estadual Pró-Conferência de Comunicação já teve audiência como secretário interino de Comunicação, Onofre Ribeiro, e por ofício requereu audiência também com o secretário-chefe da Casa Civil, Eumar Novacki. Mas nenhum dos dois deu retorno. Nos bastidores, já se sabe que há a intenção de Blairo Maggi em realizar a conferência no estado. Mas nada oficial ainda.

“Discutir os meios de comunicação é fundamental, porque sem uma imprensa democrática, que seja de todos realmente, teremos sérias dificuldades, como as que já temos hoje, para criarmos um ambiente de justiça social no país”, afirma Dafne Spolti, representante do Diretório Central dos Estudantes (DCE) da Universidade Federal de Mato Grosso.

Essa conferência trará à luz problemas graves, como o uso político da mídia, e os excessos publicitários. Propagandas indiscriminadas, para o Conselho Regional de Psicologia (CRP), por exemplo, adoecem a população, que fica emocionalmente escravizada a uma idéia de sucesso que não corresponde ao mundo real e sim aos interesses do capital, que tem no consumo sua alavanca. Crianças vivem o drama de não poderem ter brinquedos caros e mulheres assumem uma postura de baixa auto-estima por não acompanharem o padrão estético propalado.

A intenção é dar visibilidade também ao fato das concessões de rádios e TVs serem públicas, portanto os concessionários não são donos dos meios de comunicação e sim exploram o serviço, precisando assim prestar contas à sociedade brasileiras sobre a programação que exibem o padrão estético propagado.

O uso político e religioso da mídia também estará na pauta da Confecom. Quanto ao uso político, já há diversas iniciativas rechaçando isso. Sobre a programação religiosa, a comissão pró-conferência entende que isso deve ser discutido, sem ferir o direito constitucional de ter fé. Acredita-se, no entanto, que há um excesso de religiosidade das rádios e tevês em detrimento de uma escassez de programação educativa.

“Os meios de comunicação são importante instrumental de formação do povo, ou deformação. Não podem, portanto ficar nas mãos de uns poucos. Na verdade, cerca de 11 famílias dominam esse setor no Brasil. E reproduzem o discurso burguês. Ao tratar do negro, da mulher, da criança, do pobre, não o fazem com o viés de cada uma dessas comunidades culturais, mas sim em favor da manutenção do status quo”, reflete a presidente do Sindicato dos Jornalistas de Mato Grosso, Keka Werneck.

Há pelo menos 10 anos, a população brasileira se articula para cobrar debate sobre os meios de comunicação. Para se ter uma idéia dos entraves que existem nesse campo, as concessões públicas, no Brasil, nunca foram questionadas, nem muito menos houve punição a concessionários irregulares.

Há um entendimento geral de que o assunto não é interesse apenas dos que lidam nas comunicações. Tanto é que os movimentos de democratização são formados por jornalistas, psicólogos, movimento negro e LGBT, movimento de mulheres e de sem-terra, professores, rádios comunitárias, estudantes de jornalismo, e outros.

As reuniões da Comissão Estadual Pró-Conferência são realizadas no Instituto de Linguagens da UFMT, toda quinta-feira, às 18h30h. Para mais informações acesse: www.cepc-mt.blogspot.com / www.proconferencia.org.br; encaminhe e-mails para proconferenciamt@gmail.com; ou ligue para os telefones 3025-4723 / 9223-2494.

A FORÇA DO JORNALISMO


ARTIGO - Caso Lutero: cidadania e autocrítica




Gibran Lachowski, jornalista em Cuiabá, professor universitário e militante de movimentos sociais
A pressão de movimentos sociais foi fundamental para que a abertura de investigação sobre o vereador de Cuiabá, Lutero Ponce (PMDB), tivesse legitimidade popular. Não fossem as cerca de 300 pessoas em protesto em frente e dentro da Câmara da capital (quinta, 06), a votação que aprovou a instalação da Comissão Processante seria apenas um ato legal, institucional.

Como houve “pressão”, a investigação que objetiva saber se o ex-presidente do legislativo municipal desviou dinheiro público deverá ser fiscalizada pela chamada sociedade civil organizada.

A participação dos movimentos também estimulará transparência da comissão, composta pelos vereadores Francisco Vuolo/PR (presidente) e Lúdio Cabral/PT (relator) e pela vereadora Luecy Ramos/PSDB (membro).

Conhecimento
Por isso é importante saber tecnicamente que procedimentos vão orientar os trabalhos da comissão pelos próximos três meses. O conhecimento desses mecanismos dará condições aos movimentos de saberem como atuar. Capacitará militantes a informarem pessoas distantes do processo como funciona o jogo e quais as ferramentas à disposição.

Ainda, testará a habilidade e a organização dos movimentos para buscarem outros mecanismos de participação, caso os previstos nas regras locais limitem seu poder de atuação.

Em suma, o acompanhamento do “caso Lutero” é uma boa oportunidade para exercitar a cidadania. Para refletir sobre o nível e as formas de envolvimento da sociedade quanto ao assunto. Também para fazer uma autocrítica de como andam os movimentos. Ou seja: de como estão funcionando; que pedagogia (s) utiliza (m) para socializar informações, internamente e externamente, e tomar decisões.

Homofobia
Entendo que um dos tópicos imediatos a ser avaliado pela movimentação é a postura quanto ao “caso Ralf Leite”. Pois parcela considerável das pessoas que defendeu nas galerias da Câmara a investigação sobre Lutero – e também pediu sua cassação – agiu de forma preconceituosa em relação ao outro parlamentar (PRTB), acusado de abuso de um travesti menor de idade.

Atitudes homofóbicas (preconceito contra a pessoa por conta de sua orientação sexual) se viram aos montes, e entre risos. Como se houvesse prazer em ofender o parlamentar pelo fato de ter sido pego com um travesti e não em razão da acusação de exploração sexual juvenil e das subseqüentes suspeições de abusar de autoridade e tentar subornar PMs.

Cidadania e autocrítica
Como se vê, a caminhada em busca da democracia nos requer acesso às informações e estudo reflexão sobre as mesmas, mas também nos exige coragem para fazer a autocrítica e perceber as incoerências. O objetivo de tudo isso é qualificar nossa participação social, nos melhorarmos enquanto cidadãs\cidadãos nos aspectos coletivo e individual.

No mais, continuemos a empreitada. Pois é na luta do dia-a-dia que a gente muda o mundo.

2 de ago. de 2009

ENTREVISTAS EM SÉRIE - Jornalistas de MT

Na intenção de contribuir para que possamos perceber melhor os nossos colegas de
profissão, o que eles pensam, o que eles defendem, o que acreditam ser mais
importante para a nação e o mundo e para si mesmos, dou início, com o Enock
Cavalcanti, a uma série de entrevistas que pretendo fazer nesse sentido.

A série de entrevistas - "Jornalistas de Mato Grosso" - pode servir
apenas para a
gente se conhecer melhor. Se for assim, já é um ganho.

Pode apontar como
estamos de pensadores do jornalismo e no jornalismo.

Pode virar notícia, pautar
a mídia hegemônica e contra-hegemônica.
Polemizar.

Pode apenas alimentar
curiosidades.

Pode ser uma inutilidade, já
que sempre muitos ignoraram qualquer
coisa. Vivem a alienação em sua
plenitude.

Todo jornalista, porém, tem ou
deveria ter o que dizer e é certo
que todos nós temos uma história para contar,
uma ou mais.

Começando por, "meus amigos, meus inimigos", como ele mesmo diria:
Enock Cavalvanti...

Keka Werneck é jornalista em Mato Grosso

Enock Cavalcanti

'Alguém pode dizer que acabei sendo mais militante que repórter. E talvez tenha razão', diz Enock

Por Keka Werneck

Nome.
Enock Cavalcanti da Silva
Idade.
56 anos
Local de nascimento.
Nova Iguaçu, Rio de Janeiro
Há quanto tempo vive em Cuiabá?
Desde 1988.
Veio para cá por que?
Cansei das metrópoles, fugi da violência do Grande Rio
Formação acadêmica.
Direito, na UFMT.
Há quanto tempo é jornalista?
Desde 1972, se bem me lembro.
Quanto tempo de PT?
Desde antes da existência do PT, me filiei ao Movimento pelo Partido dos Trabalhadores, em 1978, se bem me lembro.
Estado civil.
Solteiro
Filhos?
Uma filha, Silvana.
Se eu dissesse para você voltar a sua infância, qual a primeira memória que lhe vem à mente?
Tranqüilidade. Cresci numa família de muitos irmãos, muitos vizinhos, muitos amigos, numa cidade então tranqüila, que era Nova Iguaçu, Rio de Janeiro, na década de 50, século passado. Antes de se multiplicar em loteamentos, haviam os laranjais, havia os rios de águas límpidas, havia os campos de futebol. Com o progresso, vieram outros tipos de confortos e perdemos estes que eram, basicamente, os confortos de uma convivência menos conflitiva. Hoje a convivência é mais complicada, a solidão se tornou uma grande problema social, notadamente para as crianças, sob a ameaça da violência urbana. Quando entro hoje num shopping e vejo aquela criançada toda lá, encurralada, fico triste porque ali no shopping não é um espaço familiar, é um espaço sob a égide do consumo. Não digo que minha infância foi melhor ou pior que a de ninguém, acho que hoje o desafio de criar uma criança é muito maior. Há menos doenças mas há menos tranqüilidade.
Como você entrou para a militância política, durante a ditadura? Chegou a ser clandestino?
Meu irmão mais velho, o Heraldo, me apresentou aos livros. Com os livros, veio a revelação da possibilidades e das angustias da convivência nesta sociedade humana. Lendo, aprendi a escrever razoavelmente, me informei muito. E sempre fui aluno muito aplicado, apesar de sentar sempre no fundão. Daí cheguei às redações dos jornais, onde estou até hoje. Muito cedo, vi que jornais são empresas e que não publicam tudo que a gente quer divulgar. Comecei muito cedo a produzir, com amigos, um jornal semanal, pequenino, voltado à cobertura das lutas sindicais e populares em Nova Iguaçu. Era o “Berro da Baixada”, um jornal alternativo, financiado pelos jornalistas, como eu, que o escreviam. A equipe do Berro acabou sendo contatada por grupos estudantis do Rio que participavam da articulação de um partido socialista no Brasil. Surgia o PT e eu fui escalado para disputar uma vaga de deputado estadual, por Nova Iguaçu, na primeira campanha. Ah, houve também uma prisão, quando fui levado para S. Paulo, quando ainda era estudante, sob a suspeita de que participava de assaltos a bancos. Foi uma semana só, felizmente me soltaram logo. Muitos foram presos, mesmo por engano, como eu, e acabaram morrendo. No tempo da ditadura, até reuniões de associações de bairro aconteciam na clandestinidade. Foram anos de violência inusitada.
E o jornalismo, como escolheu essa profissão?
Da literatura passei para o jornalismo, porque eu precisava me comunicar logo, a ditadura criou-me esta angústia. Inclusive abandonei o desejo de me formar jornalista numa faculdade quando vi que não precisava disso: em pouco tempo eu já estava escrevendo manchetes nos jornais de Nova Iguaçu, quando resolvi realmente procurar um espaço nos jornais. Mas fico sempre com aquela impressão de que, na imprensa, a gente nunca aprofunda nada, nunca apura tudo que tem que ser apurado. Eu gostaria de ter feito alguma coisas como o Truman Capote, naquele seu livro “A Sangue Frio”. Aquilo me parece soberbo. Mas, ao mesmo tempo, sou meio preguiçoso. Nos meus 20 anos, misturava muito jornalismo com boemia, com viradas de noite, com assessoramente de artistas como Gonzaguina, Novos Baianos, Nelson Pereira dos Santos. Eu sempre quis fazer muitas coisas ao mesmo tempo. Se havia um projeto jornalístico em minha vida, consegui traçar só um rascunho. Alguém pode dizer que acabei sendo mais militante que repórter. E talvez tenha razão.
Mas fico sempre com aquela impressão de que, na
imprensa, a
gente nunca aprofunda nada, nunca apura tudo que tem que ser
apurado.

Você é tido como um jornalista polêmico, que incomoda e se excede eventualmente. Algo a declarar sobre isso? Você reconhece os limites da imprensa ao tratar da vida alheia?

Discordo de quem diz que cometo excessos. Discordo de quem diz que sou polêmico. Acho que sou até muito complacente. Tem hora em que me sinto preguiçoso, fico achando que devia fazer mais e ter feito mais. Mas não tenho mais 20 anos. Tem horas em que penso em parar, voltar para meus livros. Gosto muito da quietude de minha casa.
Sua relação com a senadora Serys Slhessarenko tem sido posta a prova. Fala-se em bastidores que você sabe demais. O que tem nessa relação que é direito do público saber e seu dever revelar?
Gosto muito da Serys, eu fiz muitas críticas a ela, como secretária de Educação, como editor do Jornal do Dia, meu primeiro emprego em Cuiabá. Um dia ela me procurou para participar, com ela, do seu mandato de deputada estadual – e a experiência foi muito gratificante. Acho que Serys, em Mato Grosso, essa sociedade tão machista, é um fenômeno.Alguém deveria, sim, contar a história dela com todas as suas superações. Será que todo mundo sabe que, quando criança, Serys ficou anos pregada numa cama, devido ao sério desvio que havia em sua coluna? A vitória de Serys sobre Dante, na disputa ao Senado, foi qualquer coisa de maravilhosa. Tem gente que faz beicinho: “mas ela viajou no avião do Riva”. Porra, Serys havia se transformado num símbolo da resistência contra todo aquele esquemão montado pelo Dante, e todos convergiram para ela, não houve como resistir, vieram os bons e os pecadores – e a derrota do Dante aconteceu, surgiu a Turma da Botina, surgiu o Maggi, uma contradição gerou muitas outras contradições. Acho que Dante acabou morrendo de desgosto, porque esta derrota marcou a vida dele, coitado. Dante foi um homem que destruiu a si mesmo, em minha modesta opinião. Tinha tudo para marcar a história, positivamente, e acabou jogando tudo no lixo, com as relações perigosas que o Julier e o Pedro Taques acabaram apontando, de sua estrutura de poder, com a estrutura de poder do crime organizado em Mato Grosso. Tanto que ele foi afastado do palanque da primeira campanha do Wilson Santos, porque pairava sobre ele um enorme desgaste. Não houve, ainda, competência da Universidade, do nosso jornalismo, para documentar convenientemente esta história – e nesta história, o papel da Serys, do mandato da Serys na Assembléia, ao qual dei minha modesta contribuição, foi fundamental. Um dia propus ao Lucky de Oliveira estruturarmos um livro que documentasse, convenientemente, a trajetória da Serys. Foi um projeto que, infelizmente, ficou na gaveta. Agora, essa sugestão na sua pergunta de que há coisas a revelar sobre Serys, “você sabe demais”, etc, isso me parece uma sacanagem, se é que percebi direito. Serys sempre foi um livro aberto e se cometeu um erro, por exemplo, foi não levar à Justiça aqueles que a atacara indevidamente no episódio dos sanguessugas, expondo seu nome e sua honra diante da nação. Passado o furacão, a Serys preferiu não mexer nessa merda toda, o que me pareceu um equívoco.

É papel do jornalista assessora de imprensa esconder fatos?
Nunca. Aliás, eu nunca me senti um assessor de imprensa da Serys, por exemplo. Posso ter cometido um engano, mas sempre procurei ser um militante do PT auxiliando outra militante do PT a exercer, da melhor forma possível, o mandato recebido da população. Entendo que esse deve ser o entendimento a presidir a formação do quadro de assessoria de qualquer partido político conseqüente. Mas essa é a minha cabeça. Esse é o entendimento que deixo para a História. Também falhei em expor, de uma forma melhor sistematizada, este meu entendimento. Para você perceber: já cheguei a defender a posição de não deveria existir Secretaria de Comunicação em governos do PT, pelo este modelo tradicional que fica produzindo releases e tal. Defendo a transparência total dos órgãos públicos. Acho que a TV Senado, a TV Câmara e a TV Justiça representaram um avanço fenomenal na transparência dos poderes e que se deveria criar também uma TV Executivo para transmitir, ao vivo, todas as audiências do presidente da República, do governador, do prefeito. Acho que negócios públicos deveriam sempre ser negociados diante do público, sem qualquer intermediação. Reduzir ao máximo os encontros segretos. Como avanço tecnológico isto hoje é possível e não sai tão caro, ter uma TV Câmara Municipal, uma TV prefeitura, uma Governo do Estado, etc, etc. Devemos fazer isso o mais amplamente possível e assim se reduziriam, no meu modesto entendimento, os espaços para conchavos, para a corrupção, e também a necessidades de tantas estruturas de assessoramento jornalístico para as repartições públicas. Talvez diminuísse até a necessidade de tantos jornais, com colunas de bastidores e fofocas políticas. Gostaria de debater mais este assunto.
Negócios públicos deveriam sempre ser negociados diante do
público, sem qualquer intermediação.

Qual o papel do jornalista de modo geral? E da imprensa?


Conseguir o máximo de informações sobre determinado fato e colocar estas informações à disposição do público para que o público, melhor informado, possa melhor se posicionar diante da realidade em seu derredor. Mas veja só: também acho que o jornalista pode ser um cara que defenda seus pontos de vista, de forma apaixonada. Importante é que vivemos todos nós numa democracia, a visão deste jornalista apaixonado pode ser, então, confrontada com a visão de outro jornalista apaixonado para que se chegue à visão mais ampla possível. Então, o processo democrático é vital por causa disso: ele corrige o erro das pessoas. Se você lê o Diogo Mainardi e acha ele uma besta, vai lá é tem o Paulo Henrique Amorim, o Luis Nassif e tantos outros para dizerem que o Mainardi é uma besta. Mas a existência do Mainardi, dentro de um processo democrático, é tão importante quanto a existência dos seus opositores. Então, o papel do jornalista é viver e divulgar a sua visão de mundo, trabalhando para que a Democracia impere sempre entre nós e possamos ter a multiplicidade da informação como valor fundamental. Acredito que este entendimento será definitivamente consolidado numa sociedade socialista, onde a informação deixe de ser mera mercadoria e passe a ser vista como um direito fundamental das pessoas.

Você defende o diploma para o exercício do jornalismo?
Defendo a importância do curso de Jornalismo, que deve ter um continuado aperfeiçoamento. O diploma pode ser uma forma de organizar o mercado de trabalho nas empresas jornalísticas mas a verdade é que, com o advento dos blogues, da revolução da Internet, este tipo de controle deixou de ser uma possibilidade porque hoje cada blogueiro também é um jornalista, são novas formas de comunicação que se multiplicam e o jornalista diplomado será apenas um dos atores neste admirável mundo novo que está se formando.
O papel do jornalista é viver e divulgar a sua visão de
mundo, trabalhando para que a Democracia impere sempre entre nós e possamos ter
a multiplicidade da informação como valor fundamental.


Por que militar contra a corrupção? As outras lutas - por saúde, educação, liberdade de imprensa, etc - não levam ao fim da corrupção por consequência?
Não existem regras. Entendo que lutar contra a corrupção é lutar por mais saúde, uma educação melhor, etc e tal, preservando o dinheiro público para todos estes gastos. É por isso que, além de jornalista, advogado, sou também militante, em Cuiabá, do Movimento pela Moralidade Pública e Cidadania, o Moral, contribuindo também com o Movimento Contra a Corrupção Eleitoral – o MCCE. Entendo que importante mesmo é militar, procurar agir sobre a realidade em derredor, inspirados por aquela máxima marxista: “O homem é produto do meio mas é também produtor do seu meio social caso se disponha a isso.” A militância é uma faceta da liberdade que cada individuo deve ter de fazer de sua vida o que bem entender. Eu sou pela liberdade das pessoas. Liberdade para as mulheres abortarem, porque o corpo é delas e elas é que devem decidir o que fazer deste corpo. Liberdade para o consumo de drogas, liberdade para votar ou não votar, e assim por diante. Claro que quem entende que aborto é crime, que fumar maconha é um primeiro passo para a morte, também deve ter a liberdade de defender as suas idéias. Seria bom se, no seu ambiente privado, as pessoas não se sentissem humilhadas por causa de determinadas opções que assumem. Fazer um cara se angustiar só porque ele gosta de dar a bunda, por exemplo, me parece o fim da picada. A bunda é dele porra.

Quais são os maiores corruptos de Mato Grosso?
Acho que não existe um ranking. O que existe é uma certa lassidão da sociedade que não reaje diante dos corruptos como deveria reagir. O caso da Assembléia Legislativa de Mato Grosso fica a cada dia mais escandaloso porque a corrupção está sendo revelada e discutida em todos os espaços públicos, do Brasil e de Mato Grosso, e lá, dentro da nossa Assembléia, impera uma espécie de pacto entre os mafiosos, ninguém é capaz de se rebelar no meio daquele bando de caititus e passar a questionar as irregularidades que, a julgar pelo que apontou o Ministério Público Estadual, são tremendas. Veja que, até mesmo na Câmara de Cuiabá, através do vereador Deucimar Silva, que nunca posou de revolucionário, importantes revelações tem sido feitas. Na Câmara Federal, no Senado, no Tribunal de Justiça, na Defensoria, no INCRA, enfim, por todos os cantos as investigações tem se multiplicado. Por que não se conta nada de dentro da Assembléia? Que estranho e absurdo poder e esse que Riva tem sobre os seus pares?

A grande gargalhada hoje da direita é poder dizer que o PT também é corrupto e não fez a revolução social prometida. O que deu errado?
Certamente que há corrupção no PT porque a corrupção está presente em toda a nossa sociedade. O PT levantou bandeiras importantes e, por causa de seus vacilos, surgiram outros partidos e outros movimentos, como o PDT, o PSB, o PSTU, o PSOL, o MST. Acho que a mensagem fundamental do PT é a importância de construirmos a democracia direta, em que a participação cotidiana das pessoas será sempre fundamental. Esse será a sociedade socialista da qual ainda não temos contornos muito claros mas já está mais do que evidente que essa atual divisão de poderes, entre Legislativo, Judiciário e Executivo, como temos aí há tantos séculos, deixa brechas muito grandes, que precisam ser superadas. Não serão superadas da noite pro dia. É preciso ter calma, continuar militando com muita paciência e acreditando que, em partidos como o PT existem militantes radicais e sinceros. Só que eles não existem só no PT. Esses militantes da transformação estão também em outros partidos e, muitas das vezes, em partido nenhum, atuando como ativistas de causas ecológicas, de associações comunitárias, de grupos de mulheres, de sindicatos, em blogues, na televisão, etc, etc, etc. Nada deu errado no PT. A gente não pode é ter esta pressa pequeno burguesa de achar que tudo tem que acontecer imediatamente. O Brasil, depois do PT, é um país muito melhor. Eu, que vivi sob a ditadura, fico maravilhado com as conquistas e com a liberdade que temos hoje. Me divirto muito com as criticas que se fazem ao Lula e a todos os governantes. A liberdade é muito gostosa só que, além das criticas, temos que ter a competência de fazer a democracia avançar em seus parâmetros.
Há uma crise na democracia representativa, e lutamos tanto pelo voto e pela representação eleita. O que fazer agora?
Continuar lutando. Aperfeiçoar os critérios de escolha de nossos representantes e saber que, mais importante do que ter um representante na política é atuar politicamente de forma direta. A maioria das pessoas, infelizmente, nasce para ser gado, para ser conduzida por outros mais espertos, mas aqueles que se dispõe a agir são cada vez em um maior e isto é que produz o avanço da democracia em nossas sociedades. Então, na escola, no trabalho, no local de moradia, é importante agir. Para usar uma imagem de Jesus Cristo: é importante ser o sal da terra. Quando uma garota reaje ao namorado que a agride, que tolhe seus movimentos por ciúme doentio, ela está contribuindo positivamente com a democracia. A atuação pela democracia não se dá somente através do vereador, do deputado, do presidente da República. É um processo continuo, incessante, que precisa ser cada vez mais fortalecido. Não se iluda: haverá SEMPRE uma crise na democracia porque está é a forma pela qual a democracia vai se aperfeiçoando.

Percebo em você, como articulista, uma coragem em se posicionar e a intenção sempre em ser pessoal, citar nomes. Isso não gera uma personalismo? Qual sua intenção com isso?
A história não acontece no ar. Os atos são feito por atores. A minha intenção de identificar bem os atores é contribuir para que o retrato que faço, cotidianamente, para a História saia o mais nítido possível. Quem não trabalha movido pela mesma intenção é um bocó, está brincando de documentar a realidade de Mato Grosso.

Me desculpe a sinceridade, mas muito precariamente do ponto de vista técnico, gráfico, visual, o blog Página do E vai cavando seu espaço. Por que?
Desculpá-la por exercer o seu direito de opinar?! Dá licença! Não se desmereça, não se comporte como uma tola. A Página do E é precária mesmo, só que tem a força do seu conteúdo, o que me orgulha muito porque este conteúdo nada mais é do que a força das idéias e do posicionamento deste jornalista que sou, o Enock Cavalcanti. As pessoas gostam de quem se posiciona, daí o reconhecimento para gente de opinião como o Onofre Ribeiro, o Alfredo Mota Menezes, a Adriana Vandoni, o Marcos Antonio Moreira, o Gabriel Novis Neves, o Sebastião Carlos, o Eduardo Gomes, o Mario Marques, o Kleber Lima, o Roberto Boaventura, o Eduardo Mahon, o Muvuca, o Louremberg Alves, o Alexandre Aprá, o Bruno Boaventura, o Hélcio Correa Gomes, o Renato Nery, o Licinio Carpinelli, o Onofre Ribeiro – e tantos outros que se expõe em Mato Grosso. São pessoas que contam sempre com meu aplauso e meu reconhecimento.
Agora que fique bem claro: eu sei das limitações da Página do E. Aquilo ali não é jornalismo, é mais opinionismo. Para fazer jornalismo você precisa de muita, muita reportagem e eu não tenho condição de oferecer isso para quem me acessa. Então, vou dando um toques, vou fazendo uns alertas. É só isso que faço: dou o meu grito, esperando que ele ecoe na internet. Se lá no início fiz o Berro da Baixada, agora estou fazendo o Berro de Mato Grosso, na internet. Claro que se eu, de repente, tivesse um credenciamento do Google, do Yahoo, tivesse condições de contratar uma grande equipe, montar um saite com todos os recursos técnicos, a coisa poderia resultar num jornalismo verdadeiramente compromissado com o leitor. Mas, quando vê os critérios de patrocínio em Mato Grosso, percebe que o capital não pensa, prioritariamente, em informar, mas, sim, sempre, em faturar às custas das pessoas. Eu não consigo entender como certos empresários, como o pessoal da Decorliz, da Coca-Cola, da Gabriela, do Big Lar, da Kadri Informática, das revendas de carros, etc, gasta rios de dinheiros em out-doors, promovendo uma poluição visual terrível em Cuiabá, e não priorizam o investimento em jornais e saites. Com estes critérios de patrocínio, não dá pra reclamar que o Riva acabe impondo seus interesses a partir da derrama de publicidade que ele promove sob o selo da Assembléia Legislativa.
A Página do E é precária mesmo, só que tem a força do seu conteúdo, o que me orgulha muito.
É inspirado ainda no Quebra-Torto?
O Quebra-Torto foi uma experiência coletiva. Acho mesmo que o saudoso Antonio de Pádua, no Quebra-Torto, foi mais importante do que eu – embora o Quebra-Torto tenha sido uma idéia minha, desenvolvida com a Marta Arruda dentro do Ilustrado do Diário de Cuiabá. Na fase internet, o Pádua, virando noites, conseguiu, ao lado do Lorenzo Falcão, construir uma experiência de interação mais importante do que a minha, levando mais longe a minha proposta. O Pádua, infelizmente, morreu muito cedo, porque fumava demais, pegou um câncer no pulmão. Choro a sua ausência e sei que sou seu devedor, devedor da sua experiência, da sua disciplina profissional, da sua reverência e do seu companheirismo. Era uma das raras pessoas, da profissão, que freqüentava a intimidade de minha casa, sendo sempre bem vindo. Sinto muita saudade dele e sei que perdi um grande amigo quando ele partiu. Algum destes cursos de Jornalismo que tem por aí deveria honrar a memória do Pádua, sistematizando e catalogando a contribuição imensa que ele deu à liberdade de expressão em Cuiabá, ele que, acima de qualquer coisa, sabia ser tão provocador.
E por fim, você vai denunciar o deputado estadual José Riva (PP) até quando?
Enquanto houver o que se denunciar, é óbvio. E enquanto eu estiver por aqui. E enquanto eu tiver saco. Felizmente, já não faço estas denuncias sozinho. O Eduardo Gomes, se continuar com seus textos sobre o Riva, vai nos informar de muita coisa. E outros saites também tem se mexido. O mais importante, é claro, deve vir da Justiça, na apreciação das denúncias apresentadas pelo Ministério Público contra o tão questionado parlamentar.