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NOVO PISO: Jornalistas e patrões firmam acordo coletivo de 2017

Da assessoria Após seis rodadas de negociação, mediadas pela Superintendência Regional do Trabalho e Emprego de Mato Grosso, o Sindic...

30 de out. de 2009

Deputado tucano apresenta voto contra a PEC do Jornalista

QUEM É QUEM NA QUESTÃO DIPLOMA
QUEM É QUEM NA QUESTÃO DIPLOMA
QUEM É QUEM NA QUESTÃO DIPLOMA

Fonte: Vermelho

Mais uma vez foi adida a votação da Proposta de Emenda à Constituição (PEC)
que prevê a necessidade de curso superior em jornalismo para o exercício da
profissão. A votação na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), marcada para
terça-feira (27), ficou para a próxima quarta-feira (4).

O deputado Paulo Pimenta (PT-RS), autor da proposta, classificou como “censura” a tentativa de barrar a votação da matéria. O deputado tucano Zenaldo Coutinho (PA), apresentou voto em separado contra a proposta.“É estranho que aqueles que se dizem defensores da liberdade de expressão revelem na prática exatamente o inverso, manipulando e restringindo a discussão. Desde que se começou a cogitar a votação da PEC na CCJ, iniciaram, estrategicamente, movimentos para impedir a análise da proposta, o que considero uma prática anti-democrática”, criticou Pimenta.

Na quarta-feira (4), quando a matéria volta à pauta da CCJ, os deputados Paulo Pimenta e Maurício Rands (PT-PE), relator da proposta, serão recebidos pelo presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Gilmar Mendes. Em junho, o STF acabou com a obrigatoriedade do diploma para o exercício do jornalismo.

Antes mesmo de ser avaliada pela CCJ, o deputado Zenaldo Coutinho já apresentou um voto contra a Proposta. Na opinião dele, a proposta viola a Constituição e acordos internacionais. Além disso, sustenta que a aprovação provocará um “enfrentamento entre Poderes absurdo”, já que o Supremo Tribunal Federal decidiu que a exigência da graduação é inconstitucional.“Ora, se a Suprema Corte já expôs em decisão máxima que nossa Constituição veda em sua estrutura sistêmica, em seu conteúdo orgânico qualquer restrição que possa ser adicionada ao Princípio da Liberdade de Expressão e Informação parece-me, data vênia, mera persistência na elaboração de norma ineficaz e no enfrentamento entre Poderes absurdo e, portanto incabível”, afirmou.

Em seu voto, o deputado cita as pressões exercidas, “dentro dos primados do direito e da ética”, pelos sindicatos dos trabalhadores e patronais, mas afirma que sua decisão não foi influenciada por elas.“Neste cenário, afasto desde já, qualquer adesão aos argumentos não escritos dos patrões que desejam liberdade para contratar e dos trabalhadores que, naturalmente, defendem um mercado exclusivo”, afirmou.

O voto do deputado vai contra o relatório apresentado por Maurício Rands (PT-PE), que defende que a PEC não possui “ofensa às cláusulas invioláveis do texto constitucional”.

Da sucursal de Brasília
Com agências

MAIS INFORMAÇÕES ASSIM QUE AS DECISÕES FOREM SENDO TOMADAS. FIQUE ATENTO. PARA PARTICIPAR, HAVERÁ PRÉ-INSCRIÇÃO


DEU NO SITE DA SECOM-MT
UMA CONQUISTA DOS MOVIMENTOS SOCIAIS ORGANIZADOS!

29 de outubro de 2009, 09h10
DEMOCRACIA
Conferência Estadual de Comunicação será nos dias 19 e 20 de novembro em Cuiabá


ALINE ROMIO Redação/Secom-MT

A Conferência Estadual de Comunicação em Mato Grosso será realizada nos dias 19 e 20 de novembro em Cuiabá. A etapa estadual é uma preparação para a 1ª Conferência Nacional de Comunicação (Confecom) que será em Brasília-DF, de 14 a 17 de dezembro, sob o tema “Comunicação: meios para a construção de direitos e de cidadania na era digital”.

A princípio a data prevista para a Conferência Estadual era de 29 a 31 de outubro. No entanto a comissão organizadora entendeu que o adiamento do evento era necessário devido a questões de infraestrutura.

Sexta entrevista da série: "Jornalistas de MT: o que pensam?"

'HÁ MUITOS FALSOS ARTISTAS POR AÍ'

Foto: Duflair Barradas
* Por Keka Werneck


São poucos os jornalistas que trabalham com cultura em Mato Grosso. Talvez
porque cultura seja uma área menosprezada em sociedades culturalmente
sufocadas por outras, como é justamente o caso da cultura cuiabana, que
resiste a ataques, principalmente nas últimas décadas de migração sulista.
Lorenzo Falcão, editor de Cultura do Diário de Cuiabá, com certeza, está entre esses poucos. E ele gosta disso! Numa
entrevista bem à cara dele, conta que já vendeu amendoim em comício do
Maluf e faturou (rsrsr). Também afirma que já trabalhou como garimpeiro. Que não liga para coisas materiais e, por
conta da reputação firme, jamais recebeu suborno para engavetar matéria. Leia
a entrevista toda!

POSE DE 'O PENSADOR'

Lorenzo, você nasceu aqui? Se não nasceu aqui, veio de onde e por que, com quem e quando?

Nasci em Niterói (RJ) em 1958. Minha mãe é de Nossa Senhora do Livramento (MT) e meu pai de Santana do Livramento (RS). E acho livramento uma bela palavra pra estar envolvida na vida da gente. Meus pais se conheceram aqui, mas fui gerado em Niterói, para onde eles se mudaram por razões profissionais. Vim pra cá pela primeira vez com minha avó, que morava num sítio papa-banana e foi visitar minha mãe em Niterói. Eu tinha menos de um ano. Minha mãe viria logo em seguida, mas não pôde vir. Fiquei vários meses com meus avós maternos morando nesse sítio, que era uma espécie de célula mãe de uma comunidade rural. Meses depois, quando minha mãe pôde vir e eu a reencontrei, dizem que eu fiquei com vergonha dela. Assim se materializou meu laço com esta terra, que já vinha de quando eu "morava" na barriga da minha mãe, em Niterói, e ela chorava copiosas lágrimas pela saudade deste lugar que acho maravilhoso, mas já achei muito mais. Entre o Rio de Janeiro e Cuiabá minha trajetória é cheia de idas e vindas.

Casado? Filhos?

Sou casado com Fátima Sonoda há uns 25 anos, ou mais, com quem tenho dois filhos: Beatriz (21) e Vítor (18).

Você já trabalhou de quê na vida?

Sou formado em Educação Física, mas antes estudei um pouco de Engenharia, em Cuiabá e no Rio. Mudei-me pra Cuiabá onde, por ser atleta, com 18 ou 19 anos, comecei a trabalhar como professor de educação física, desde antes de ingressar no curso. Mas sempre tive um pé nas letras. Meus pais me ofereceram, desde a infância, uma biblioteca maravilhosa onde me iniciei na literatura lendo autores como José de Alencar, Érico Veríssimo, Alexandre Dumas e Miguel de Cervantes, entre muitos outros. Soube misturar a saúde da vida esportiva, com a cultura literária e lógico que com a música: meu pai, que é engenheiro, mas também é estudioso do canto lírico, me permitiu desde bem cedo a convivência com a arte da música, especialmente o canto lírico. Trabalhei muito com esportes, mas também me adentrei pelas artes com o teatro e a poesia e outras atividades culturais. Já fui marchand, garimpeiro, guia de turismo, vendi esfirras num comício de Tancredo Neves (levei prejuízo) e amendoim num comício do Paulo Maluf (faturei).

Com tantas habilidades (rsrs), porque você partiu para o jornalismo e como foi essa transição?

Em meados dos anos 80 eu era hábil na escrita. Colaborava com publicações em impressos e me fixei como revisor da Revista Contato, a convite do saudoso Antônio de Pádua. Comecei também a trabalhar como assessor de imprensa na Assembléia Legislativa. Não havia a faculdade de jornalismo aqui. Consegui me "legalizar" como jornalista, profissão que acho que jamais abandonarei. Escrever me dá muito prazer. Participei de uma peça teatral como co-autor e ator (O Capote) em 1988. Um sucesso lascado. E acho que essa performance teatral foi a minha principal experiência de vida até hoje. De lá pra cá fui vidrando cada vez mais nas artes e na comunicação.

Não sendo diplomado, embora seja de uma geração que muitos jornalistas também não são, você acha que isso te faltou em algum momento no exercício do jornalismo?

Sim e não (rs...). A experiência prática e a bagagem cultural, especialmente a literatura e logo em seguida o cinema, me tornaram uma pessoa de extrema facilidade para a comunicação e sempre pautado em comportamentos éticos e humanitários. Os conhecimentos teóricos, sistematizados, que o curso de comunicação oferece são importantes para entender melhor o mundo. Escrever bem e compromissado com valores positivos também vale muito. Ajuda a mudar o mundo. Mas acho que a comunicação tende muito para a transversalidade.

Você defende a obrigatoriedade do diploma para o exercício do jornalismo?
Esse tema me desperta muitas dúvidas. Opiniões de idas e vindas. No momento estou tentado a acreditar que o diploma não é assim tão importante. Mas condeno a forma como isso foi imposto pela "sociedade".

O bom jornalista é...
Uma pessoa que sabe ouvir e se exprime com clareza. Que conhece das sutilezas da comunicação ao ponto de desenvolver a criticidade nos outros. E, logicamente, alguém preocupado com valores positivos e coletivos.

Jornalista tem a mesma síndrome que os advogados: acham-se deuses? Ou essa é a profissão dos humildes: só sei que nada sei?
Deveríamos seguir a linha socrática, mas a maioria parece ter nobreza no estômago. Em relação aos advogados, às vezes, eles são até mais preparados para, por exemplo, enfrentar as contradições e os antagonismos.

Já te ofereceram suborno para não publicar matéria?
Claramente, não. Não é que eu tenha uma imagem de sujeito sério, compromissado. Sou até um pouco anarquista. Mas minha reputação é firme.

Você já se sentiu um inútil indo cobrir uma pauta nada a ver?
Algumas pautas nem sempre são tão boas, mas para ser 100% inútil é preciso ser muito preguiçoso ou incompetente. E sempre fui um profissional articulador das próprias pautas.

Quem manda mais nos meios de comunicação: o governo, os políticos ou o capital publicitário?
Essas três coisas que você citou é que mandam. Variando o percentual de situação para situação e de lugar para lugar. Acho que em alguns veículos ditos estatais a sociedade é tratada com mais respeito e o capital, a força do dinheiro e da política pesam menos.

Você defende a escola da imparcialidade ou o contrário disso?
Mesmo sabendo que ela é um tanto inatingível, acho que a imparcialidade deve ser perseguida. E também considero que a notícia pode e às vezes até deve vir acompanhada pela opinião de quem a produziu. Mas é preciso saber respeitar a inteligência do público alvo.

Você atua mais diretamente no jornalismo cultural? O que é cultura? Por que um jornal deve ter essa editoria? Tudo não é cultural?
Jornalismo cultural é a minha praia. Cultura é um conjunto de manifestações e de padrões comportamentais que caracterizam sociedades, nichos, etnias. E quanto mais essas manifestações tenderem para o produto artístico mais complexo e sofisticadamente cultural será o conceito. A indústria cultural, onde entra o entretenimento, é uma das que mais cresce no mundo. Vivemos o tempo que foi profetizado pela Escola de Frankfurt: a espantosa reprodutibilidade que a tecnologia propicia. O acesso cultural torna-se mais e mais democrático. As sociedades precisam saber tirar proveito disso. É o futuro. Isso não pode ser ignorado por nenhum veículo de comunicação.

Qual livro marcou sua infância, adolescência e vida adulta? São três portanto.
Já li demais. Desde 8, 9 anos, venho traçando livros. Vou transgredir as regras da sua pergunta. Citarei três autores por período de minha vida. Infância: José Mauro de Vasconcelos, Mark Twain e Alexandre Dumas. Adolescência: Dostoiévski, Eça de Queiroz e Graciliano Ramos. Adulto: James Joyce, Ricardo Dicke e Clarice Lispector. Se fosse falar de toda a poesia que me persegue...

Você trucida o funk? Ou faz reflexões em torno dele? E o pagode? E outras manifestações da cultura popular urbana? Só a música feita pela elite serve?
Não entendo muito de funk. Mas penso que não há como desgostar de um cara como o James Brown. Acho o funk carioca, freqüentador da mídia, não muito interessante, embora reforce o meu desconhecimento sobre esse gênero. Acho divertido o trabalho da Tati Quebra-barraco... algumas coisas. Claudinho e Buchecha até que passa de vez em quando. Mas, no geral, não gosto mesmo do funk carioca. E nem desse pagode que vive nas paradas de sucesso. Uma ou outra música é um pouco mais divertida, engraçada. Acho que vai um pouco de preconceito de minha parte. Outras manifestações da cultura popular e urbana, como coisas ligadas ao hip hop... break dance, grafite e rap são muito interessantes... originais e comportamentais. Adoro o siriri e o cururu. A base da cultura brasileira tem como principais vetores as contribuições do índio, do negro e do europeu pobre, que veio pra cá tipo para cumprir pena. Fechar as portas para as manifestações musicais que não provêm da elite é uma espécie de suicídio cultural.

Acha que o jornalismo precisa mudar de cara? De jeito? De "dono"?
Acho que ele está mudando. E que isso é preciso. A internet, que gera a inclusão digital, é o principal agente nessa história.

Já sofreu algum tipo de preconceito na vida?
Nada muito traumático. Desde bem pequeno sempre fui bem aceito onde quer que estivesse.

Seu salário dá para tudo que você precisa?
Mais ou menos. Não sou muito ambicioso e cada vez me desprendo mais das coisas materiais.

Quem te faz passar raiva?
Tenho um pouco de dificuldade para me relacionar com gente muito burra e teimosa. E odeio políticos corruptos.

Toda dita obra de arte rende matéria? Mas há muitos falsos artistas por aí e, se há, quem os cria?
Claro que rende. Gosto de definir arte como comunicação. Algo que está querendo dizer alguma coisa, mesmo que indizível. A arte é a forma mais complexa de comunicação que existe. Gosto da definição do Paul Valery: a arte é a ciência do belo. Há muitos falsos artistas por aí porque há muita gente que não entende nada de arte, apesar de ter condições materiais e suposto nível intelectual para sacar das coisas.

O jornalista é um artista?
Segundo Ignácio de Loyola Brandão, o jornalismo bem feito é literatura. Hoje, quando realidade e ficção parecem ter assumido uma relação mais séria e a arte simplesmente deixou de imitar a vida e essa relação se tornou uma via de mão dupla, arriscaria dizer que um bom jornalista está a um passo de ser artista. Numa longa conversa que tive com o Eduardo Ferreira outro dia, acabamos concordando radicalmente com uma frase em torno do que é ser artista... "artista é o caralho".

29 de out. de 2009

REFLEXÕES SOBRE A MÍDIA


Por Gibran Lachowski
Jornalista, professor universitário em Cuiabá e militante de movimentos sociais

gibranluis@gmail.com

O povo deve fiscalizar a mídia: o exemplo da Argentina
Está certa a Argentina, que agora tem uma lei que fiscaliza a mídia impressa, audiovisual ou virtual, proíbe o monopólio do setor e prevê punições para seu descumprimento http://www.cartamaior.com.br/templates/materiaMostrar.cfm?materia_id=16158.

A mensagem foi de autoria do governo e a maioria do Congresso aprovou.

O exemplo argentino nos mostra que não é possível mais aceitar que os meios de comunicação comerciais sejam considerados um quarto poder, que fiscaliza os três convencionais, mas que não passa pelo controle público ativo, do povo.

Não dá mais para aceitar que conglomerados de comunicação, associados a grupos econômicos e políticos, continuem mentirosamente a rogar para si o direito e o dever de representar a totalidade da população.

Não é novidade que várias emissoras de tv e radio são capitaneadas por políticos que tomam um serviço público e o tratam com base em seus interesses privados.

Jornais e revistas são empresas privadas na maioria, mas vendem a ideia de que publicam assuntos de interesse público, quando, na verdade, muitos de seus informes são fundados em desejos privados.

Que a mídia comercial (baseada mais no índice de audiência que no respeito à cidadania) continue a dizer que fiscaliza os poderes executivos, legislativo e judiciário, o que inúmeras vezes não passa de retórica.

E que os movimentos sociais, ongs, escolas, grupos de igreja, associações de moradores, mulheres, homens, adolescentes e crianças sintam-se no direito e no dever de observar as condutas dos veículos que informam e entretêm.


Qual a sua opinião?
Diga o que você pensa. Vamos conversar sobre esse assunto.


O povo deve fiscalizar a mídia: o exemplo da Venezuela
Está certo o presidente Hugo Chávez, da Venezuela, quando não renova concessões de emissoras de tv cujos titulares não respeitaram dispositivos constitucionais.

Afinal, serviço de radiodifusão é patrimônio do Estado entregue a empresas por determinado período e que se baliza por contrato.

Não cumpriu, advertência. Se houver insistência no desrespeito, punição.

Se não tem jeito, o grupo econômico que controla temporariamente a emissora deve perder o direito sobre o serviço. Ou seja, a concessão tem de ser cassada.

Isso não é censura. É simplesmente fazer cumprir a lei.

Boa parte das críticas da Globo, Bandeirantes, Folha de São Paulo, SBT, Estado de São Paulo e seus pares ao governo Chávez são convenientes.

Prova disso é que eles não se levantaram com dentes de sabre contra o fechamento de ume expressiva emissora de tv em Honduras pelo golpista Roberto Michelet.

Passaram a chamar o golpista de “presidente de fato”. Palhaçada!


Qual a sua opinião?
Diga o que você pensa. Vamos conversar sobre esse assunto.


O povo deve fiscalizar a mídia: o caso do Brasil


No Brasil, a discussão do controle público sobre a mídia ganha força aos poucos. Trata-se de um movimento que começou a ter mais destaque na atual década.

O assunto se concentra, especialmente neste ano, na Primeira Conferência da Comunicação, composta de etapas locais, estaduais e uma nacional, esta última a ser realizada em meados de dezembro em Brasília.

O objetivo é definir diretrizes e propostas para a criação de um Marco Regulatório para Comunicação no Brasil.

Um dos assuntos mais polêmicos das conferências é o coronelismo presente na mídia eletrônica. Duzentos e setenta e um políticos controlam 324 veículos. Veja em
http://donosdamidia.com.br/levantamento/politicos

O termo também se estende, a meu ver, aos empreendimentos religiosos que ocupam consideráveis parcelas das emissoras de tv e rádio. É preciso discutir mecanismos legais efetivos que impeçam o controle político-partidário do serviço de radiodifusão brasileiro.

Do mesmo modo, precisamos discutir se um estado deve permitir que igrejas tenham direito a concessão, assim como qual o percentual total de programação uma preferência religiosa pode ocupar.

Ainda, é necessário garantir as religiões mostradas respeitem a diversidade característica do nosso país. O imperialismo católico-evangélico deve acabar.


Qual a sua opinião?
Diga o que você pensa. Vamos conversar sobre esse assunto.


O governo deve regular a internet

Um dos assuntos polêmicos que permeia os debates das conferências de Comunicação no Brasil é que papel os governos devem ter em relação à internet.

As etapas locais e estaduais do evento devem ocorrer até novembro e a nacional se realizada em meados de dezembro em Brasília.


?????
Continuaremos aceitando ser conduzidos pelas empresas nacionais, transnacionais e conglomerados? Ou seja, a velocidade de acesso à internet, os conteúdos veiculados, entre outros tópicos, serão definidos por mãos privadas?

Lógico que a participação de indivíduos e grupos figura positivamente na internet, no entanto é bobeira achar que “novidades” como youtube, twitter, orkut, facebook e similares não têm dedos orientadores extremamente capitalistas.


Internet como política pública
Agora a onda é o kindler (livro eletrônico), criado por quem? Pela Amazon. Ou seja, não se fala mais em tecnologia, mas, sim, em que empresa fez o produto. Isso não incentiva a democracia. Ao contrário, estimula a dependência cultural e econômica.

Por isso é importante defender que o Estado finque os pés no universo virtual. Só que não estou falando de ter sites, blogs, twitters e tais. Estou dizendo que o Estado brasileiro tem de regular a internet, como o faz com o transporte, a saúde, a segurança, a educação...

O governo precisa organizar o setor para ampliar o acesso do povo à internet, pois pouco mais de um terço utiliza a rede on line.

O país tem 183,9 milhões de pessoas, segundo contagem populacional divulgada em novembro de 2007 pelo IBGE
http://www.ibge.gov.br/home/presidencia/noticias/noticia_visualiza.php?id_noticia=1028&id_pagina=1, mas apenas 64,8 milhões de internautas, incluindo uso de lan house, bibliotecas, telecentros e escolas, conforme pesquisa atualizada do Ibope Nielsen On Line http://www.tobeguarany.com/internet_no_brasil.php .

Devemos lutar pela utopia de em uma década termos centenas de cidades digitais em que todas as pessoas possam usar a internet de qualquer lugar, e de graça.

Isso a iniciativa privada não vai fazer porque ela, por natureza estrutura, se move e visa lucro.


Qual a sua opinião?
Diga o que você pensa. Vamos conversar sobre esse assunto.



Google público, G-mail público...

O Estado brasileiro deve produzir tecnologia voltada para o mundo da informática e da internet, pois se ficarmos nas mãos privadas das empresas e conglomerados veremos o coronelismo audiovisual repetido no espaço on line.

Devemos nos livrar do uso obrigatório do Windows. Usa quem quiser.

O mesmo ocorre com o Google. Precisamos de um sistema de busca publico. Assim como um provedor nacional para abrirmos e-mail e tudo mais.

Creio que é possível. E não tem nada de subsersivo (risos).


Computadores coletivos
E que tal a criação de computadores coletivos? Afinal, por que a tecnologia deve ser cada vez mais pessoal?

Já digo: para gastarmos mais, darmos mais dinheiro às empresas nacionais, às transnacionais e aos conglomerados. Para continuarmos dependentes enquanto povo e enquanto cidadã\cidadão.

Já pensou em uma sala de aula em que as\os estudantes participem coletivamente via internet de discussões e produções de materiais?

Seriam várias telas, vários “mouses”, vários teclados, vários pensamentos. Ou tudo isso poderia ser condensado numa sala só, num comando-mouse só e por aí vai.

É difícil imaginar isso porque nossa mente está colonizada por um pensamento orientador que não nos permite criar juntos ou contestar criativamente. No máximo nos permitem participar do já feito ou criar produtos ou situações que sejam variáveis do mesmo.


Fim do controle exclusivo
O Estado brasileiro também precisa regular a estrutura on line. Ou seja, não pode permitir oligopólio de Google, Terra, Uol, Aol e outros.

Um grupo não pode ser transmissor de dados, provedor, produtor\distribuidor de conteúdos, sob pena de vermos repetido no espaço virtual o coronelismo midiático do audiovisual e da imprensa.


Qual a sua opinião?
Diga o que você pensa. Vamos conversar sobre esse assunto.

26 de out. de 2009

Vaga para jornalista

A Pantai Comunicação esta selecionando profissionais para o cargo de apresentadora/repórter e repórter masculino. Maiores informações, entrar em contato até o dia 29/10 pelo telefone 3023 2962 ou por e-mail : keilapantai@gmail.com.

19 de out. de 2009

Comissão organizadora define amanhã procedimentos finais para Confecom

A comissão organizadora da 1ª Conferência Nacional de Comunicação (Confecom) volta a se reunir terça-feira (20) com a presença dos ministros da Comunicação Hélio Costa, do Secretário-geral da Presidência, Luiz Dulci e do ministro da Comunicação Social, Franklin Martins. A reunião, no ministério das Comunicações, será para alinhavar os procedimentos finais para a realização da Conferência.

Um dos pontos polêmicos é a elaboração de um documento que servirá de base para o debate nos Estados. O coordenador do Fórum Nacional pela Democratização da Comunicação (FNDC) e diretor da Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj), Celso Schröder, alerta para o risco que esse impasse pode significar para a realização da Confecom.

"Perdeu-se muito tempo na elaboração do regimento interno e não há tempo hábil para discussão e elaboração de uma tese única. É um absurdo atribuir ao regimento e ao documento base uma importância que não deve ter. O importante é garantir que cada segmento apresente a sua contribuição. Um documento elaborado por uma comissão não pode substituir o debate nacional que a conferência proporciona", defende.

Schröder reforça o papel desempenhado pela comissão organizadora que, segundo ele, estruturou a conferência e construiu consensos em momentos difíceis. Por isso, acredita Schröder, não se deve transformar esse debate em "campo de batalha". Para ele, a 1ª Conferência de comunicação é um espaço republicano que se conquistou e que não se pode perder.

A 1ª Conferência Nacional de Comunicação acontecerá entre os dias 14 e 17 de dezembro. As etapas estaduais antes marcadas para os dias 4 a 8 de novembro serão redefinidas na reunião do próximo dia 20.

Fonte: Informes do PT

16 de out. de 2009

I SEMINÁRIO LIVRE PRÓ-CONFERÊNCIA - PARTICIPE!

Será realizado amanhã (17), aberto a toda a sociedade, o I Seminário Livre Pró-Conferência de Comunicação, no prédio novo da Faculdade de Direito da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT), à partir das 8h. O evento irá preparar o público para a Conferência Estadual de Comunicação, que acontece no fim do mês, aqui em Cuiabá.

O palestrante convidado para o evento é José Luiz Sóter, da Associação Brasileira da Radiodifusão Comunitária (Abraço Nacional). Sua palestra, seguida de debate, está marcada para a primeira parte do seminário. Sóter irá falar sobre os andamentos da Conferência e seus eixos temáticos.

No período da tarde, os participantes se dividem em grupos de trabalho, orientados por membros da Comissão Estadual Pró-Conferência de Comunicação, para debater os três eixos temáticos da Conferência Estadual e Nacional de Comunicação: Produção de Conteúdos; Meios de distribuição; e Cidadania: Direitos e Deveres. O objetivo é levantar a discussão, e também criar propostas concretas para cada um destes temas.

A comunicação é direito de todos os cidadãos e lida diretamente com outros setores como saúde, educação, meio ambiente, política, esporte. Então, é fundamental que a sociedade como um todo esteja envolvida com a questão da Conferência, e não apenas os que são ligados diretamente às comunicações.

O objetivo da Conferência Nacional de Comunicação (Confecom) é criar mecanismos de fiscalização e novas regulamentações para a mídia no país, de forma que ela seja diversificada, de fato, e que o povo seja melhor percebido, tenha mais vez e voz na comunicação. A Confecom acontece entre os dias 14 e 17 de dezembro em Brasília, e a Conferência Estadual de Comunicação, onde serão eleitos os delegados para a nacional, será realizada entre os dias 29 e 31 deste mês, em Cuiabá.

O Seminário de amanhã também marca o 4° mês de cassação da obrigatoriedade de formação acadêmica em jornalismo para o exercício da profissão. Desde junho, quando o Supremo Tribunal Federal decidiu a queda do diploma, o Sindicato dos Jornalistas de Mato Grosso, uma das entidades a participar da Comissão Estadual Pró-Conferência, organiza atos nos dias 17 de cada mês. No primeiro mês foi uma Vigília (em frente ao Sesc Arsenal), no segundo, uso de roupa preta durante todo o dia, e no terceiro mês protesto na Praça Ipiranga em Cuiabá com carro de som. Agora, o dia da queda será marcado pelos debates no I Seminário Livre Pró-Conferência de Comunicação, já que as regulamentações das profissões da comunicação também serão discutidas na Conferência de Comunicação.

Mais informações: proconferenciamt@gmail.com / (65) 9223-2494 / 9922-9445.


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8 de out. de 2009

HASTA SIEMPRE, CHE!


CHE GUEVARA - 14/JUN/1928 - 09/OUT/1967

OUÇA:


http://www.youtube.com/watch?v=CwTBCvb_4zo


http://www.youtube.com/watch?v=po09lcDxXIA



América Latina recorda Che Guevara nos 42 anos de sua morte

Fonte: Porta Vermelho



Nesta sexta-feira (09), diversos países latino-americanos homenageiam o
histórico guerrilheiro Ernesto Che Guevara, pelos 42 anos de sua morte. Nascido
em Rosário, Argentina, em 14 de junho de 1928, Che saiu de seu país para lutar
pela justiça social e pelos mais carentes. Morreu no dia 9 de outubro de 1967,
executado pelo exército boliviano, que estava a serviço de uma ditadura
obediente à CIA.



Em 26 de setembro de 1967, o exército emboscou as tropas revolucionárias comandadas por Che, perto do povoado de La Higuera. Houve um enfrentamento no qual vários guerrilheiros tombaram em combate. Guevara ficou ferido em uma perna.

Em 8 de outubro do mesmo ano, o capturaram junto a dois combatentes e os levaram à escola do povoado de Higuera, onde, um dia mais tarde, seriam executados por ordens do agente da CIA, Félix Rodrigues. Uma multidão é esperada hoje em marcha até o povoado boliviano, cmomo forma de enaltecer a figura de Che. Entre os participantes, estarão os delegados do V Encontro Social Alternativo 2009, que lerão o documento produzido no encontro mundial. O texto será entregue ao presidente Evo Morales, para que o divulgue entre outros estadistas.

Na última quarta-feira, centenas de nicaraguenses já teceram homenagens a Che, advogando por multiplicar a solidariedade com a causa dos cinco cubanos aniteterroristas, presos injustamente nos Estados Unidos.

Nesta sexta-feira (09), diversos países latino-americanos homenageiam o histórico guerrilheiro Ernesto Che Guevara, pelos 42 anos de sua morte. Nascido em Rosário, Argentina, em 14 de junho de 1928, Che saiu de seu país para lutar pela justiça social e pelos mais carentes. Morreu no dia 9 de outubro de 1967, executado pelo exército boliviano, que estava a serviço de uma ditadura obediente à CIA.

Nos 39 anos de sua vida, Guevara percorreu vários países da América do Sul comandando grupos guerrilheiros e divulgando suas ideias políticas. Quase 42 anos depois de sua morte, a figura de Che segue forte entre as pessoas que lutam contra o imperialismo.

Em Cuba, o músico Manu Chao realizará, junto com o cubano Kelvis Ochoa, dois shows no país. Na sexta (9) - dia da morte do guerrilheiro - a apresentação ocorrerá na escadaria da Universidade de La Habana. Já na segunda-feira (12), Chao cantará, com o grupo cubano Trovuntivitis, no Estado Sandino da cidade central de Santa Clara.

Na ocasião de suas apresentações, Jacel Wozniak, autor dos desenhos dos discos do músico, unirá a pintores cubanos para fazer um mural em homenagem ao revolucionário.

No Brasil, para recordar Che e debater sobre a situação de resistência na América Latina nos dias de hoje, o Centro Cultural Antônio Carlos Carvalho, no Rio de Janeiro, realiza, nesta quinta (08), às 18h30, um debate sobre "O pensamento revolucionário de Che e a resistência na América Latina hoje". Ademais, exibirá o documentário "Uma foto percorre o mundo", de Pedro Chaskel.

Quase 42 anos depois de sua morte, a figura de Che segue forte entre as pessoas
que lutam contra o imperialismo.


O 42º aniversario de queda de Che Guevara em combate será celebrado, no México, com um ato político. O evento ocorrerá às 18h no Clube de Jornalistas (Filomeno Mata, 8), com a participação de Dulce Maria Buergo, chefe da Chancelaria da Emabaixada de Cuba; Eloísa Lagonel, Ministra Conselheira da Embaixada de Venezuela; e Jesus Escamilla, do Movimento Mexicano de Solidariedade com Cuba.

Já no Uruguai, as atividades ocorrerão durante todo o mês de outubro. As ações começaram no sábado passado (3), com um debate internacional sobre o "guevarismo". Hoje, serrá realizada uma marcha da esplanada da Universidade até a Embaixada estadunidense.

Na sexta-feira (9), ocorrerá, às 9h, um ato na Plaza Raúl Sendica. As atividades terminarão no dia 17 de outubro, na Faculdade de Humanidade, com um "debate sobre a vigência do legado guevarista".

Com agências

6 de out. de 2009

Quinta entrevista da série: "Jornalistas de MT, o que pensam?"

'Jornalista tem a obrigação de conhecer de perto a realidade em que vive', opina Rodrigo Vargas



Rodrigo Vargas, aos 33 anos, ainda é um jornalista da nova geração, considerando, por exemplo, Mino Carta, de 76 anos, ou outros de nós, já há duas, três décadas ou mais no exercício do jornalismo. Tem 11 anos de estrada, mas é um cara bem sucedido - nos moldes do capitalismo, que ele, incluse, defende - mas sobretudo parece ser visto, por seus colegas, como alguém que chegou ao auge. Vargas trabalha em um dos jornais de maior distribuição do país, a Folha de S. Paulo, como correspondente em Mato Grosso/Mato Grosso do Sul. E tem se destacado! Escrevendo, diz vencer a timidez. Assume que já se emocionou ao ponto de quase chorar fazendo matéria e já pagou muito mico no dia a dia das apurações. Leia a entrevista, para quem sabe, perceber melhor esse sujeito boa praça.

Nome: Rodrigo Vargas.

Idade?
33 anos.

Nasceu onde?
Patrocínio/MG.

Se não nasceu aqui, veio para cá como e com quem e para quê?Vim para Cuiabá aos 4 anos de idade, quando meus pais decidiram tentar a sorte por estas bandas.

Casado?
Sim.

Filhos?
Pedro, 4, e Gabriela, 20 dias.

Você está no auge?
Espero que não. Quando alguém chega ao auge, não há mais o que conquistar, não há mais para onde avançar e, em muitos casos, só resta seguir ladeira abaixo. Diria que estou vivendo um bom momento, trabalhando onde sempre quis, fazendo o que gosto e aprendendo muito.

O jornalismo é um prazer inenarrável ou um ofício simplesmente? Ou um meio termo?
Minha relação com o jornalismo sempre foi muito passional. Desde pequeno, em vez de bombeiro ou médico, queria ser jornalista. Admirava os repórteres da TV, invejava a coragem dos correspondentes de guerra, sonhava com uma vida repleta de muitas viagens e contato com pessoas e pontos de vista diferentes do meu. De certa forma, e guardadas as devidas proporções, tenho vivido esse sonho, o que é muito gratificante. Agora, essa dificuldade de considerar o meu trabalho também como um emprego já me fez aceitar condições de trabalho inadequadas e inseguras. Meu esforço, hoje, é tentar chegar a esse meio termo, no qual a paixão pelo que faço não me impeça de perceber o que é melhor para mim.

Onde você estudou até chegar à faculdade de jornalismo? Tem títulos acadêmicos? Isso é importante?
Do pré à quarta séries (até hoje não aprendi a nova nomenclatura), estudei em escolas públicas de Cuiabá (Maria Dimpina e Souza Bandeira). Fiz parte do ginásio no Patronato Santo Antônio e, a partir da 8ª série, passei a estudar no Colégio São Gonçalo, onde concluí o 2º grau. Formei-me na UFMT em 1998 e, por absoluta falta de planejamento do meu tempo, não obtive nenhum título depois disso. Considero importantes os títulos acadêmicos obtidos como resultado de um genuíno interesse em pesquisa -e não apenas como forma de enriquecer o currículo do pesquisador.

Diploma tem alguma validade para o exercício das profissões? E para o exercício do jornalismo?
Diploma, por si só, não -a multidão de diplomados em Direito que leva sucessivas bombas no exame da OAB não me deixa mentir. Agora, é inegável que uma formação acadêmica bem feita contribui para melhorar a qualidade do profissional que chega ao mercado. A grande questão, no caso do jornalismo, não é a obrigatoriedade ou não do diploma, mas a ausência de regulamentação profissional. Não vejo problema em um graduado em História buscar registro como jornalista -desde que atenda a requisitos definidos pela categoria e se comprometa a seguir o código de ética do ofício. A liberação irrestrita, contudo, deixará milhares de trabalhadores submetidos unicamente à regulação do mercado, um caminho que a atual crise econômica já provou ser desastroso. A desregulamentação também causa a mim preocupações de ordem mais, digamos, prática: como ficarão as filas para o credenciamento de jornalistas em eventos pagos, como seminários e jogos de futebol? Coletivas de imprensa serão concedidas a partir de palanques? Quem vai ler tanta notícia?

Qual a matéria mais besta que você já leu ou viu, e onde viu?
Qualquer abordagem sobre a vida amorosa e/ou sexual e/ou social de celebridades é absolutamente besta sob qualquer ponto de vista -os sites de notícias estão repletos de pérolas da insignificância jornalística que, para meu desalento, ocupam sempre o topo dos rankings de notícias mais lidas.

Qual livro todo jornalista deveria ler? Qual livro qualquer pessoa deveria ler? E filme? Por que?
Para jornalistas, qualquer livro do “dinossauro” Ênio Silveira (recomendo “A Milésima Segunda Noite da Avenida Paulista”, editado pela Companhia das Letras na coleção Jornalismo Literário). É triste perceber como nós jornalistas estamos a perder a capacidade de escrever textos que tenham, além de registros factuais e números, um pouco de vida, de sabor e de alma. Os textos do Ênio são repletos dessa chama verdadeira. Para todos, recomendo “A Pedra do Reino e o Príncipe do Sangue do Vai-e-Volta”, do Ariano Suassuna: simplesmente a melhor e mais impressionante obra literária que já tive a oportunidade de ler (e reler, compulsivamente) nos últimos 33 anos.

Capitalismo ou socialismo? Ou nenhum dos dois sistemas?
Num mundo em que o principal esteio do capitalismo mundial é um país comunista e os ditos socialistas empreendem reformas neoliberais, acho que a única resposta possível seria nenhum dos dois. Mas, para não ficar em cima do muro, declaro aqui a minha admiração pelo capitalismo tal como se vê em países como Noruega e Canadá, onde a livre iniciativa e a democracia convivem com um Estado forte e presente na vida das pessoas.

De que forma a miséria aparece nos jornais? Mostrá-la é uma forma de resolvê-la?
O jornalista não tem a obrigação de resolver nada, nem deve prometer isso a ninguém. Jornalista tem a obrigação de conhecer de perto a realidade em que vive e, por meio um trabalho de apuração sensível, apartidário e rigoroso, ser capaz de levá-la ao conhecimento de seus leitores, provocar o debate e cobrar ações do Estado. Sobre a miséria, trata-se de uma realidade em muitos lugares do Brasil e não é possível colocar todas as abordagens da imprensa em um mesmo balaio para a avaliação. Muitas matérias sobre a miséria limitam-se ao registro factual de sua existência, o que costuma render fotos chocantes, mas não provoca o debate. Mas há muitos exemplos de jornalistas que conseguem enxergar e traduzir o cenário político e econômico que gera e faz perpetuar a fome país afora. Cito um exemplo da chamada “grande imprensa”: a série “A Fome no Brasil”, do excelente Marcelo Canellas, repórter da TV Globo.

Qual seu melhor momento na produção jornalística? Apurando ou escrevendo?
Escrever é uma tarefa dolorosa para mim. É quando me deparo com a realidade do espaço (o tempo da TV, as linhas do jornal, as laudas da revista), tenho de fazer escolhas e optar por essa ou aquela abordagem. E há o relógio, o deadline, o tempo a me vigiar por sobre o ombro. Por isso mesmo, meu melhor momento é na apuração, quando ainda não há limites de abordagem e cada pergunta ou observação pode levar a matéria para um rumo completamente novo.

Você tem fama de ter lindo texto, quem te ensinou a escrever?
O Carlos Heitor Cony disse certa vez que começou a escrever por não saber falar. Acho que a timidez também foi uma grande escola para mim. Quando criança, escrevia jornais e revistas (com tiragem de 1 exemplar) para dizer aquilo que, em público, guardava comigo ou expunha de forma atrapalhada. Depois, já na faculdade, a participação no jornal laboratório coordenado pelo professor Aílton Segura e a oportunidade de produzir textos sobre eventos específicos (eleições, seminários) me ajudaram a ter mais confiança no que fazia. Naquele momento, porém, ainda achava que teria mais futuro no fotojornalismo do que na produção de textos. Depois, a vida tratou de ir me encaminhando, sem que eu pudesse fazer nada para impedir.

Já chorou apurando matéria?
Não, mas já tive que me segurar muitas vezes. A mais recente que me lembro foi quando entrevistei aquele senhor que trabalhava como borracheiro em um posto de gasolina e viu o filho de 9 anos morrer em seus braços, vítima de uma bala perdida. Durante a entrevista, eu não conseguia deixar de lembrar do meu próprio filho e de como devia ser terrível estar na pele daquele sujeito. Saí de lá bem abalado e quase que não consigo escrever a matéria.

Homem chora?
Claro. Uns mais abertamente que os outros (botafoguenses e colorados, por exemplo), mas todos temos na vida momentos em que, por alegria ou tristeza, não resta outro jeito de colocar para fora o que sentimos e cair no choro.

Já pagou algum mico no jornalismo? Já foi ofendido por fonte?
Vários. Lembro que uma vez um cacique xavante conseguiu me convencer que sua etnia enviaria a Cuiabá dezenas de ônibus lotados de guerreiros para uma audiência na qual um índio seria julgado por homicídio. Ele me disse que, se fosse preciso, iriam invadir o Fórum e resgatá-lo. No dia seguinte, a manchete do Diário Žfoi: “Índios ameaçam invadir Cuiabá”. Quando cheguei ao Fórum, contudo, estranhei a falta de mobilização. Encontrei por lá o cacique e perguntei pelos guerreiros: “Vieram três”, disse ele. Eu retruquei, ainda confuso: “Três ônibus?”. Foi quando, com o mesmo ar grave do dia anterior, o cacique me olhou nos olhos e disse: “Não, três índios. Mas são bem bravos, viu?”. Sobre ofensas, não me lembro de nenhuma em particular, mas muitas fontes já bateram o telefone na minha cara, o que considero uma tremenda falta de educação.

Cite um assunto que você acha importante e não está na pauta da chamada grande mídia. E se não está, por que não está, sendo importante?
Não acredito em movimentos deliberados que justifiquem essa ou aquela deficiência de abordagem. Creio que falta à imprensa investimento e tempo. Só assim vai ser possível um tratamento mais aprofundado de grandes assuntos, como desigualdade de renda, desenvolvimento regional, educação básica, geração de empregos, fluxos migratórios e racismo, para citar só alguns. No caso dos jornais impressos, que sempre foram a minha praia, tenho a cada dia mais certeza de que o atual modelo (baseado em notícias de leitura rápida) já foi ultrapassado pelas novas tecnologias. Não há nada mais velho do que notícias de ontem. Se quiserem sobreviver, os jornais terão de investir em mão de obra qualificada e permitir que os jornalistas tenham tempo para trabalhar em pautas melhores e mais contextualizadas.

Você iria à guerra por algo?
Que perguntinha, hein? Seria fácil responder que sim, aqui do conforto da minha poltrona e sem nenhum inimigo à vista, só para dar uma de revolucionário. Eu só sei que estar predisposto à guerra significa estar predisposto a matar outro ser humano (ou vários, se for preciso). Eu não estou e espero nunca estar. De qualquer modo, fosse qual fosse o motivo, seria um soldado de meia tigela.

Você se surpreendeu com o golpe em Honduras? A embaixada brasileira fez certo ao acolher Manuel Zelaya?
Parafraseando o Casseta & Planeta: se as instituições do Brasil são como são, imagine em Honduras? Então não houve surpresa alguma com tudo o que ocorreu, a saber: uma tentativa de golpe “democrático” por parte de Zelaya (um latifundiário neo-esquerdista que pretendia se perpetuar no poder) e sua destituição por um contragolpe de opositores “legalistas” de araque. Ninguém é santo naquela briga e a diplomacia brasileira, ciente disso, tinha é que ter se mantido como uma força de busca pela estabilização e o diálogo. Se de fato não sabia dos planos de Zelaya, o país tomou a atitude correta ao recebê-lo em sua representação, mas falhou feio ao permitir que ele e seus seguidores transformassem a embaixada em um comitê de campanha. Se sabia, correu um risco desnecessário.

Quais são as melhores histórias?
Tudo depende do repórter. Uma matéria sobre casas levadas pela enxurrada pode se limitar ao registro factual e durar, no máximo, até o final do dia seguinte. Uma matéria sobre a história das vítimas, e de como vieram morar em áreas de risco, pode render muito mais e revelar problemas como a falta de uma política habitacional, fiscalização deficiente e o efeito de movimentos migratórios repentinos.

Uma pessoa pode ser mais importante que a outra?
Dependendo do contexto e das habilidades de cada um, sim. Explico: se você tem uma hemorragia interna, um cirurgião será para você muito mais importante do que um cabeleireiro. Se for o dia do seu casamento, poucas pessoas serão mais importantes do que o seu cabeleireiro. Agora, perante a Lei, a sociedade e as instituições públicas, nenhum deles deveria ser tratado de forma diferente, nem gozar de privilégios de nenhum tipo. Não é o que acontece, mas é o que devemos buscar.

4 de out. de 2009

MORRE MERCEDES SOSA, A VOZ de todas as lutas


A família da cantora argentina Mercedes Sosa informou que o corpo da cantora será cremado e suas cinzas serão espalhadas em sua cidade natal, Tucumán, em Mendoza e na capital argentina, Buenos Aires.

Mercedes Sosa morreu hoje, aos 74 anos. Ela estava hospitalizada desde 18 de setembro em Buenos Aires e seu estado de saúde se agravou na semana passada, devido a problemas renais e hepáticos, que debilitaram seus órgãos vitais. O corpo da cantora será velado também hoje na sede do Congresso argentino.

Com seis décadas de carreira na qual circulou por todos os gêneros musicais, também no exílio, enfrentando a censura de ditadores, Mercedes Sosa dividiu o palco em todo mundo com músicos de diferentes estilos e gerações, sem perder nunca sua profunda ligação com o folclore, a música predominante do interior argentino.

"Haydé Mercedes Sosa nasceu no dia 9 de julho de 1935 na cidade de San Miguel de Tucumán. Com 74 anos e uma trajetória de 60 anos, ela transitou por diversos países do mundo... e deixou um grande legado", disse da família da cantora em um comunicado.

Fonte do texto: Folha de São Paulo

Mercedes Sosa com "Gracias a la vida": http://www.youtube.com/watch?v=WyOJ-A5iv5I