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6 de mar. de 2008

Editorial do Diário de Cuiabá - 06/03

Triste espetáculo

Um dos alvos do Ministério Público, em meio aos quase 500 processos de perda de mandato por infidelidade partidária em Mato Grosso, o deputado estadual Walter Rabello (PP) presta depoimento, hoje, no Tribunal Regional Eleitoral (TRE). O parlamentar figura como um dos casos mais notórios na polêmica lista da infidelidade. Afinal, seu nome foi o alvo do primeiro requerimento protocolado pelo MPE, após o PMDB (em tese, o dono do mandato) desistir de ação judicial.

Eleito pelo PMDB em 2006, Rabello migrou para o PP em setembro de 2007. A resolução do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) que arbitrou a data de 27 de março de 2007 como prazo final para a troca de partido, obviamente, sugere que o deputado praticou uma irregularidade passível de punição, sendo a mais provável a perda do mandato.

A infidelidade partidária, no caso, é apenas uma das muitas polêmicas que envolvem o nome desse político, que, aliás, parece ter se acostumado à idéia de que, tantas sejam as irregularidades cometidas e as ações judiciais, mais o seu nome fica exposto na mídia. Rabello, em verdade, notabiliza-se muito mais pelo confronto que tenta estabelecer com a Justiça (ele não hesita em se fazer parecer dono absoluto da verdade e especialista em legislação eleitoral, ainda que sem argumentos convincentes), do que propriamente como deputado estadual.

O caso mais emblemático do seu comportamento intempestivo foi registrado na última terça-feira, ao fazer, publicamente, pouco ao caso de uma notificação do MPE sobre os abusos que pratica como apresentador de um programa de TV na Capital. Com efeito, o deputado utilizou o programa não apenas para tornar pública a ação do MPE, mas, sobretudo, para dar “lição” de legislação eleitoral e desafiar as autoridades, ao afirmar, alto e bom som, que seu programa continuará com o perfil clientelista e, por que não dizer?, eleitoreiro.

Não é de hoje que parte considerável da opinião pública condena o formato do programa do deputado Rabello que, de resto, é semelhante aos de outros parlamentares com projetos para as eleições municipais de outubro. Como ele, os demais políticos – casos dos deputados Sérgio Ricardo (PR) e Maksuês Leite (PP) – também foram notificados, porém tiveram uma atitude extremamente respeitosa para com as autoridades.

O mínimo que se pode dizer dos políticos que utilizam a mídia – em especial, a TV – como palanque eleitoral, sob o disfarce de prestação de contas ou de atendimento às demandas dos menos favorecidos pela sorte, é que são antiéticos. Além de extrapolar na função pública, o deputado Walter Rabello se revela incompetente na desesperada tentativa de exercer o jornalismo. Lamentavelmente, ele usa e abusa da TV, privilegiando a questão meramente pessoal, em detrimento dos legítimos interesses da população. A Justiça Eleitoral não pode se fazer de surda e muda ante o machismo exacerbado do parlamentar, sob pena de cair no descrédito. E o deputado, ao contrário do que pensa, não é dono da verdade. É preciso pôr um fim à baixaria!

“Políticos que usam a TV como palanque sob o disfarce de atender os menos favorecidos mostram ser antiéticos”

Um comentário:

Anônimo disse...

O que dizer do então podre Lino Rossi que está apresentando programa de televisão??? O sindicato não vai se posicionar ??