
Foto: Fabio Rodrigues Pozzebom/ABr
*** Por Juliana Ghisolfi
E começou a nona edição do Fórum Social Mundial 2009. Muita confusão da comissão (des) organizadora, estrutura precária na UFPA e na UFRA, mas está acontecendo.
Logo no primeiro dia, durante uma apresentação de uma atividade de Eco-Socialismo, estava em uma das salas de aulas do prédio básico da UFPA, o ar condicionado não funcionava, tentamos (o grupo) ligar os ventiladores para refrescar o calorão do inverno paraense, mas em um dos lados da sala um dos ventiladores estava sem uma das hélices, o que inviabilizava seu funcionamento. A apresentação ocorreu assim mesmo, com todo aquele calorão. Após cerca de uma hora de apresentação, o inevitável aconteceu: o ventilador e parte do forro caiu sobre as cabeças dos participantes. Poderia ter sido durante uma aula normal na UFPA, mas aconteceu durante um evento internacional, com a presença de gente do Canadá, da Suécia, da Espanha e, claro, do Brasil. Um auditório, que deveria ter sido entregue em junho de 2008, continua fechado, e o público se espreme em salas pequenas e caindo aos pedaços. Fica a pergunta: o que foi feito do dinheiro para preparar a universidade para o FSM?
Na UFRA a situação não é muito diferente – as pessoas no Acampamento da Juventude estão em uma área recentemente desmatada para a realização do acampamento (detalhe: o tema do FSM é a preservação da Amazônia...), acampam em cima de tocos e diversos já levaram picadas de animais peçonhentos, como cobras e escorpiões.
Pois é... Eu bem que tento abandonar o tema universidade pública, simplesmente por não aguentar mais a sensação de dar murro em ponta de faca, mas, literalmente, a universidade pública caiu sobre a minha cabeça na UFPA. A maquiagem feita pelos reitores da UFPA e da UFRA para a realização do FSM 2009 borrou, e feio.
Cabe ressaltar que o evento não é totalmente aberto 'a população de Belém – quem quiser amplo acesso tem que ter feito a inscrição, que custa R$ 30,00. Além disso, não há disponibilidade de água potável para os participantes do FSM, que se veem obrigados a comprar dezenas de garrafinhas plásticas com água, em mais uma atitude incompatível com a própria proposta do evento. O transporte entre ume universidade e outra, que ficam alguns quilômetros distantes em uma mesma avenida, é precário e o trânsito é caótico.
Na marcha de abertura, no dia 27/01, era flagrante a falta de apoio da prefeitura da cidade, que não cuidou de fechar as ruas ao redor da passeata – carros, motos e ônibus picavam a marcha em diversos pedacinhos, e atravessavam entre a multidão dividida.
Como se pode notar, o balanço até agora não é dos melhores... Mas, mesmo assim, é emocionante ver tanta gente de tantos estados e países diferentes se locomomoverem de seus locais originários e virem até aqui, mostrarem sua insatisfação com suas realidades locais e com a realidade do planeta. Foi forte ver a propaganda do Governo do Estado do Pará, que se diz uma Terra de Direitos, ser desmentida por cartazes de grevistas, desterrados, oprimidos, familiares de pessoas mortas ou desaparecidas, dos que morreram trabalhando por falta de condições seguras de trabalho.
Boa mesmo é a sensação de poder sonhar, junto com tanta gente diferente, que um outro mundo é possível.
*** Juliana Ghisolfi é professora da UFMT


Homens de descendência árabe, mulheres de burca e crianças, brasileiros herdeiros da palestina, marcaram o ato, dando as características culturais do povo do Oriente Médio. Gente que vive aqui e que garante que em Cuiabá e no Brasil não há desavenças entre judeus e palestinos. A relação harmoniosa mantida aqui é um sinal de que é sim possível a paz entre esses povos na verdade irmãos.
A presidente do Sindicato dos Jornalistas de Mato Grosso (Sindjor-MT), Keka Werneck, destacou que a luta do povo palestino também é nossa, porque precisamos levar nossa mão solidária onde houver injustiça no mundo.

