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14 de mar. de 2008

Artigo - Fúria e Inteligência

Por Gibran Luis Lachowski
gibranluis@gmail.com

O rap é um importante instrumento de luta social e organização popular na Grande Cuiabá. Uma manifestação política e cultural existente há quase 20 anos na região, que envolve dezenas de militantes e milhares de adeptos.

Mano Paco, Aldo 29, Cezza, Mano Rap, Rei Rapper, Mano Careca e Vulgo Bill são alguns dos rappers que atuam em Cuiabá e Várzea Grande. Você pode não conhecê-los, mas eles fazem parte da história contemporânea destas cidades.

Suas músicas embalam idéias e ideais de muitos jovens da periferia. A dor e a fúria decorrentes das discriminações econômica e racial servem de tema para as suas letras. A energia canalizada para a organização comunitária e a solidariedade de classe, também movimentam mentes e corações dessa juventude, que é guerreira.

Mano Rap, do bairro Mappin, em Várzea Grande, dispara: "O rei da soja faz mistério pra fazer filiação/Quer se aliar com os inimigos da nação". Mano Careca, do Osmar Cabral, periferia da região Sul de Cuiabá, emenda: "O sistema, a burguesia, não tá nem aí pra nós, não/Distribui arma para você matar, enriquecer a Taurus".

Do São João Del Rei, na capital, vem Vulgo Bill dizendo que "A verdadeira malandragem é aquela de quem aprendeu a viver/O mistério da vida é a morte/e o dom da vida é viver". O grupo Atos 29, com o rap gospel, apascenta o povo: "Aí, periferia, o jogo pode até durar uma noite, mas a alegria virá pelo amanhecer/A esperança de um mundo melhor, periferia, virá com o pôr-do-sol".

Nesse repente urbano, muitos raciocínios e sentimentos da juventude de periferia ganham corpo e explicitam conflitos entre pobreza e elitismo, carência e desperdício. Não é à toa que a mídia comercial pouco dá espaço ao rap local na Grande Cuiabá. Isso também ocorre em nível nacional.

Afinal, dar atenção ao que diz o movimento rap significa, por exemplo, diminuir o poder dos meios de comunicação baseados nos índices de audiência. Erguer a voz perante a parceria da prefeitura de Cuiabá com os empresários do transporte coletivo contra a população, expressa pelo superfaturamento da tarifa e as más condições de serviço.

Pois é com sabedoria e contundência que o rap se enraíza no dia-a-dia da juventude de periferia da Grande Cuiabá, aumentando perspectivas de vida, consciência crítica e a noção de que povo unido é povo forte.

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