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NOVO PISO: Jornalistas e patrões firmam acordo coletivo de 2017

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3 de dez. de 2012

Cinejor debate produção de reportagens e jornalismo “de verdade”


Correria, deadline, tumulto, pressão... nada do que costuma ocorrer no dia a dia de uma redação jornalística fez parte das produções apresentadas no segundo Cinejor, promovido pelo Sindicato dos Jornalistas de Mato Grosso (Sindjor/MT), no dia 24 de novembro. Ao contrário, os curtas produzidos pelo jornalista Rodrigo Vargas e pelo repórter fotográfico José Medeiros, “Nativa: movimento feminino nas aldeias” e “A Cruz do Padre João”, são verdadeiros exemplos de como a elaboração de reportagens é coisa cada vez mais distantes do jornalismo diário.

Esse foi o tema do último encontro, que rendeu excelentes reflexões. Em “Nativa”, os produtores trazem aos espectadores uma visão bem próxima da discussão feminina dentro das aldeias indígenas. Cem mulheres, de 16 etnias, mostram que a postura da mulher indígena está bem longe de ser submissa, como algumas pessoas imaginam. “Se você vai a uma aldeia, você pode ter uma impressão errada, de que as índias são quietas, caladas, submissas, mas é o contrário”, comenta Rodrigo Vargas.

“Me surpreendeu ver que os índios e as índias vivem em pé de igualdade e ver que elas têm uma postura tão clara de que a mulher deve respeitar o homem, assim como o homem deve respeitar a mulher”, comentou a tesoureira do Sindjor, Priscila Mendes, e ressaltou que as mulheres “brancas”, por vezes, se submetem a questões de desrespeito. Isto é, a cultura indígena se apresenta mais avançada nesse sentido do que a não indígena, enquanto muitos ainda teimem em promover a ideia de que os povos indígenas são, de alguma maneira, “atrasados”.

Com apenas 200 reais custeados pela empresa em que trabalhavam na época, mas uma vontade de ver e mostrar diferentes realidades impossível de ser calculada, os profissionais partiram, em 2006, a convite da Convenção das Igrejas Batistas Independentes (CIBI), para o evento que reuniu as participantes do movimento feminino nas aldeias. E a produção de um vídeo de qualidade, que aborda um tema tão interessante a baixo custo foi uma das questões levantadas na discussão. Por que as empresas jornalísticas não investem mais em trabalhos desse tipo? Quantos outros bons trabalhos poderiam ser realizados se houvesse incentivo?

Mas o que motiva essa vontade nos jornalistas? “Quando você vê uma notícia dizendo que Colniza é a cidade mais violenta do país, você vai lá ver, e dá uma puta matéria”, explicou José Medeiros, quando questionado de seus motivos. Empolgado, o repórter contou diversas curiosidades das viagens que fez com o colega em busca de boas reportagens, como o caso do “último mato-grossense”, que mora na última casa antes da fronteira com o Pará, no município de Apiacás. “Último se você estiver vindo do sul, mas se você vier do norte eu sou o primeiro”, brinca Rodrigo, reproduzindo a fala do entrevistado, que o alertou sobre a importância das diferentes perspectivas que rodeiam as situações.

Para ele, as experiências pessoais, o contato com o outro e o conhecimento a partir destas vivências é que são o mais interessante dessas jornadas.

O vídeo, gravado com uma câmera amadora e editado em casa, foi exibido no Festival de Cinema e Vídeo de Cuiabá, nos Festivais de Cinema de Santa Maria, no Rio Grande do Sul, e de Vitória, no Espírito Santo, e também foi selecionado para ser exibido em um festival francês.

O segundo curta, “A cruz do padre João”, mostra a Romaria dos Mártires da Caminhada, realizada a cada cinco anos, em homenagem às vítimas da luta pela terra em Ribeirão Cascalheira, região do Araguaia, mortos em outubro de 1976. Entre eles, o padre João Bosco, assassinado por um policial. Trinta anos depois do fato que revolucionou a cidade, os moradores relembram que o município pode ter sofrido com a repressão, que “acabou Ribeirão Cascalheira, mas não acabou com o povo”, como diz Raimundo Soares, um dos entrevistados no curta.

Nos emocionantes depoimentos daqueles que vivenciaram a história, a dor de quem perdeu amigos e parentes lutando por algo que deveria ser direito de todos: um simples pedaço de terra. Ao mesmo tempo, o orgulho por ter pertencido a um forte movimento popular, que teve a coragem de enfrentar um poder que estava ali estabelecido. O vídeo produzido por Rodrigo Vargas, desta vez com uma verba de R$ 1600,00, gastos com o aluguel da câmera e editado pelo próprio jornalista, em casa, evidencia que esse sentimento, de trinta anos antes, resiste até na população local hoje.

Em 2007, “A cruz do padre João” foi o premiado como o melhor curta metragem no 14º Festival de Cinema e Vídeo de Cuiabá.

“Eu fico pensando... esses vídeos são regionais, mas será que os colegas conhecem? Essa é a nossa história! Eu não nasci aqui, mas moro e trabalho. Essa é a minha história também”, questionou a presidente em exercício do Sindjor, Keka Werneck.

Chamou a atenção também a riqueza de detalhes de informações passadas pelos entrevistados no vídeo, a naturalidade e desenvoltura, o que levou o jornalista Robson Fraga, que trabalha com tele jornalismo, a levantar a questão da escolha das fontes.

“Eu acho que tem que ter feeling”, respondeu José Medeiros. Além disso, para ele, quando se faz trabalhos desse tipo, o profissional acaba aprendendo a conquistar, aos poucos, a confiança e a simpatia dos entrevistados.

Na verdade, a qualidade de texto, de imagem, de fotografia, sensibilidade para o fazer jornalístico em geral foi o grande foco do debate. Mas será que os jornalistas devem trabalhar como “voluntários” para conseguir fazer um trabalho de qualidade? O ideal é que questões como essa nunca se esgotem nos debates da categoria...

Os curtas exibidos no Cinejor estão disponíveis na internet. Para assistir “Nativa: movimento feminino nas aldeias”, clique aqui. Para ver “A cruz do padre João”, clique aqui.

14 de nov. de 2012

35º CNJ - Carta de Rio Branco

Os jornalistas brasileiros, reunidos em seu 35º Congresso Nacional, realizado em Rio Branco (Acre), no período de 7 a 10 de novembro, dirigem-se à Nação Brasileira para expressar suas preocupações relativas ao modelo de crescimento econômico adotado na maioria dos países do mundo, no qual o ser humano, o respeito aos demais seres vivos e a utilização responsável dos recursos naturais do planeta não são a prioridade.

A categoria entende que a mais recente crise do capitalismo reforça a necessidade de a humanidade buscar novos caminhos para o efetivo desenvolvimento dos diversos povos que habitam o planeta, reunidos ou não em nações. A forma predatória de exploração do ser humano e dos recursos naturais do planeta precisa dar lugar ao desenvolvimento com sustentabilidade.

Este é um salto para o qual o Jornalismo e os jornalistas profissionais têm importante contribuição a dar. O Jornalismo Ambiental deve ser difundido até que cheguemos à condição ideal de que todo o Jornalismo seja ambiental. E, para além do jornalismo especializado, o olhar sobre as questões socioambientais – pilares da sustentabilidade – tem de estar presente, transversalmente em toda a cobertura jornalística.

O Jornalismo, como forma de conhecimento imediato da realidade, deve proporcionar aos cidadãos(ãs) brasileiros(as), as informações necessárias para a formação do juízo crítico em relação ao que é comumente apresentado como avanço para a Nação. Desenvolvimento medido pelo crescimento do Produto Interno Bruto (PIB), por exemplo, não revela os custos socioambientais que quase invariavelmente são gerados.

Para cumprir seu papel social, os jornalistas precisam contar com um ambiente de real liberdade de expressão e de democracia nas comunicações. Assim como os autonomistas acreanos lutaram, no passado, para conquistar seus direitos políticos, transformando o Acre em Estado, os jornalistas lutam pela conquista de autonomia intelectual sobre seu trabalho. Esta autonomia é condição para que o Jornalismo seja meio para a liberdade de expressão dos diversos segmentos da sociedade, em especial da classe trabalhadora.

A categoria, que é protagonista no debate sobre a democratização dos meios de comunicação, reitera a urgência da aprovação de um novo marco regulatório para a área das comunicações, sob a princípio do controle público dos meios, entendido como um conjunto de mecanismos e espaços públicos que atuem no sentido de impedir o predomínio de interesses privados em detrimento do interesse geral da sociedade. Para isso, conclama a presidenta Dilma Rousseff a levar adiante as propostas aprovadas na Conferência Nacional de Comunicação (Confecom), realizada em 2009.

Entre estas propostas, os jornalistas destacam a criação do Conselho Nacional de Comunicação, a aprovação de uma nova Lei de Imprensa para o país e a necessidade de aperfeiçoar a regulamentação da profissão de jornalistas, tendo como base a criação do Conselho Federal e Conselhos Regionais de Jornalistas (CFJ) e, ainda, a retomada da exigência da formação de nível superior em Jornalismo para o exercício da profissão, com a aprovação na Câmara dos Deputados da Proposta de Emenda à Constituição (PEC), já aprovada no Senado.

Neste sentido, os jornalistas repudiam todas as tentativas de classificar como autoritárias as propostas de regulamentação da profissão de jornalista e do setor das comunicações, manipulação promovida pela mídia conservadora que, frequentemente, também atua contra os governos progressistas da América Latina.

Os jornalistas brasileiros também precisam de condições dignas de trabalho. Por isso reivindicam a aprovação da lei federal que cria o Piso Nacional da Categoria e o respeito à jornada de trabalho de 5 horas diárias e às demais normas estabelecidas na CLT, para por fim à crescente precarização das relações de trabalho.

A categoria reivindica a implementação de um protocolo nacional, a ser celebrado com os empregadores, contemplando o Piso Nacional, o respeito aos direitos de autor dos jornalistas e medidas para garantir a segurança dos trabalhadores no exercício da profissão.

Os jornalistas somam-se ao esforço de resgate da dívida histórica para com aqueles que foram vítimas de violências praticadas pelo Estado Brasileiro quando sob domínio da ditadura militar e o fazem por meio da criação da Comissão Memória, Verdade e Justiça da FENAJ.

Por fim, os jornalistas brasileiros reafirmam seu compromisso com promoção da igualdade de gênero e etnicorracial, entendendo que os grupos sociais historicamente discriminados têm o direito de desfrutar do binômio justiça e desenvolvimento. Reafirmam também o compromisso com a observância de seu Código de Ética, com a defesa das liberdades de expressão e de imprensa e do direito do cidadão (ã) à comunicação, ressaltando o papel fundamental do Jornalismo na consolidação da democracia e da cidadania.

Rio Branco, 10 de novembro de 2012.

Jornalistas do Brasil mantêm luta pelo diploma e pensam a profissão em Congresso Nacional



O Sindicato dos Jornalistas de Mato Grosso (Sindjor-MT) encaminhou a maior parte das proposições contidas no caderno de teses que norteou o debate no 35º Congresso Nacional dos Jornalistas realizado entre 7 e 10 de novembro em Rio Branco, capital do Acre.

Foram 16 proposições de Mato Grosso, entres teses e emendas, tiradas, através do voto, no III Congresso Estadual dos Jornalistas, realizado em abril de 2011, na capital Cuiabá.

Uma das teses propostas por Mato Grosso, e que foi aprovada pela plenária, é a que questiona a permanência do profissional de comunicação na mídia quando passar a exercer mandato político partidário. A tese vai na direção de uma outra matéria também aprovada em dezembro de 2009 na I Conferência Nacional de Comunicação.

Além das contribuições de MT, foram inscritas sete formulações da diretoria da Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj) - realizadora do evento, mais nove do Distrito Federal, quatro de Minas Gerais, quatro do Rio Grande do Sul, cinco de Alagoas, três de São Paulo, duas do Ceará, duas do Rio de Janeiro, uma da Comissão Nacional de Ética e duas de Santa Catarina.

O Congresso, ainda que pequeno – tendo aglomerado não mais que 70 delegados eleitos em boa parte dos 31 sindicatos filiados à Fenaj – é a instância máxima de deliberação da categoria. O que é decido ali no voto vale como proposta de implementação para os próximos dois anos.

Há que se considerar as dificuldades geográficas para se chegar ao Acre, um estado fora do eixo Rio-SP-DF. No entanto, quem foi teve a oportunidade de conhecer um pouco do extremo Oeste do Brasil, a fisionomia dos acreanos, a dinâmica social, as questões socioambientais. Ali é o coração urbanizado da floresta amazônica.

Apesar do tema monocórdio das mesas ter sido sustentabilidade (“Os desafios do jornalismo e sua contribuição para o desenvolvimento sustentável), o que polemizou de fato no evento foram, nas plenárias, as questões mais urgentes trabalhistas, como a recolocação do diploma como obrigatoriedade para o exercício legal da profissão, a sindicalização de jornalistas não-diplomados e a implementação do Conselho Federal dos Jornalistas (CFJ).

Se a luta do diploma unifica a categoria que atribui a escola fundamental tarefa formativa, a sindicalização de não-diplomados divide opiniões. Os sindicatos de São Paulo, Ceará, Distrito Federal e Mato Grosso avaliam que, de acordo com o papel de qualquer sindicato, todos os trabalhadores do segmento devem ser acolhidos pela entidade. Já a direção da Fenaj e a grande maioria dos sindicatos entendem que não e que isso seria uma afronta à luta pela diploma que tem se mostrado vitoriosa no Congresso Nacional.

Porém, conforme o presidente do Sindicato dos Jornalistas do DF, Lincom Macário, o trâmite tranquilo observado no Senado dificilmente se repetirá na Câmara Federal, inclusive porque, conforme ele alerta, vem ainda a lei dos meio e, na disputa política do marco regulatório, os deputados serão muito mais pressionados a não garantir conquistas aos jornalistas, para enfraquecer a categoria.

O coletivo Luta, Fenaj cobrou, durante o Congresso, uma Federação mais engajada, combativa e forte, que acompanhe os sindicatos nas campanhas salariais, em prol de uma campanha forte e unificada pelo piso nacional de R$ 3.720.

O presidente da Fenaj, Celso Schoereder, admite que a entidade tem focado quase que exclusivamente na luta pelo diploma e também na briga pelo marco regulatório dos meios. A direção da Fenaj não admite, porém, que as críticas conduzam a uma mudança de postura na entidade que existe para representar os jornalistas brasileiros, hoje tão precarizados, desrespeitados, marginalizados das decisões editoriais.

A diretoria do Sindjor vai convocar uma assembleia geral para o dia 21 de novembro, uma quarta-feira, às 19h em primeira convocação e 19h30 em segunda, com a seguinte pauta: informes e avaliações sobre o 35º Congresso Nacional; IV Congresso Nacional dos Jornalistas; atrasos salariais; sindicalização e encaminhamentos.

25 de set. de 2012

VII SIMPÓSIO DE JORNALISMO DA UNEMAT\ALTO ARAGUAIA - Conferência de abertura destaca relação entre eleições e imagem na mídia


Professor doutor Paulo da Rocha Dias, da UFMT\Cuiabá, associa tema com sensacionalismo e simulações


Da assessoria
(Gibran Luis Lachowski)

O VII Simpósio de Jornalismo da Universidade do Estado de Mato Grosso (Unemat)\campus Alto Araguaia começa hoje (terça-feira, 25), tendo como destaque a conferência “A imagem na mídia: estética do espetáculo, identidade, persuasão...”, que se refere ao tema do evento. A palestra será feita a partir das 19h pelo professor doutor em Comunicação Paulo da Rocha Dias, da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT)\campus Cuiabá.

O Simpósio é organizado pelo Departamento de Comunicação Social da Unemat e se estende até sexta-feira (28) com palestras, oficinas, minicursos, trabalhos científicos, festival de vídeos e realização de prêmio de jornalismo entre acadêmicos. O evento espera cerca de 100 pessoas entre acadêmicos, professores e população local.

Dias adiantou que em sua conferência fará uma conexão entre eleições, sensacionalismo e a capacidade que a mídia tem de criar simulacros. O historiador britânico Lawrence Reese e os pensadores franceses Guy Debord e Jean Baudrillard vão lhe dar suporte teórico na discussão sobre imagem na mídia.

A atuação acadêmica de Dias é em Teoria e Ética do Jornalismo, com enfoque em teoria da comunicação e comunicação ligada a assuntos como política, religião, cidadania e cultura.

A mediação da conferência será efetuada pela jornalista e professora mestre Giovanna Betine, da Unemat. Nas posições de debatedores, os jornalistas e professores mestres Eduardo Medeiros, da mesma instituição, e Nara Chaves Mourão, do curso de Comunicação da UFMT\campus Barra do Garças.

“Nosso objetivo com o tema ‘A imagem na mídia’ é discutir algo que está muito presente no dia a dia das pessoas. Afinal, a mídia é uma fábrica de imagens, e usa isto em toda a sua programação”, explica Betine, integrante da equipe de organização do Simpósio.

Programação

Na noite de amanhã (quarta, 27) o jornalista Rodrigo Vargas, que atua em Cuiabá e foi correspondente da “Folha de São Paulo” em Mato Grosso, discute a relação entre vida de repórter com estética do espetáculo e sensacionalismo.

O Simpósio tem 12 oficinas\minicursos, entre eles de humor no jornalismo, jornalismo e literatura, jornalismo e meio ambiente, edição e radiojornalismo, expressão oral e reportagem auxiliada por computador. Mais informações constam do blog do evento: 7simposiodejornalismo.blogspot.com.br

Mais informações com professor da Unemat e jornalista Gibran Luis Lachowski, membro da comissão organizadora do evento, pelo 66 9612-5018 e pelo e-mail simposiodejornalismo.unemat@gmail.com

24 de set. de 2012

Exposição '1000 mulheres pela paz ao redor do mundo' chega a Cuiabá



Constituída de rostos, fotos e fatos, a exposição “1000 Mulheres Pela Paz ao Redor do Mundo”, que visitou todo país, chega a Cuiabá. O evento ocorre do dia 26 de setembro a 10 de outubro, no Pavilhão das Artes, localizado na Rua Antonio Maria, 151, na Praça da República, no centro da capital. O solenidade de abertura contará com integrantes da Associação Mulheres da Paz (AMP), além de Clara Charf, de 87 anos, ativista política e viúva do guerrilheiro Carlos Marighella, um dos principais organizadores da luta armada contra o regime militar. A entrada é franca. 

Em 2005, para o Prêmio Nobel da Paz, a associação suíça “Mulheres pela Paz ao Redor do Mundo”, com o apoio da Unesco, propôs a indicação de 1000 mulheres que, em 150 países, representavam as lutas contra a violência, a discriminação, a opressão e a miséria, em inúmeros espaços e frentes. O Comitê do Prêmio Nobel daquele ano não premiou o coletivo das mulheres, mas a articulação internacional que levou à seleção dos 1000 nomes mobilizou diferentes campos da sociedade, revelando a garra e a diversidade da atuação das indicadas, apesar dos múltiplos empecilhos que encontram no seu dia-a-dia.

Agora, seus rostos estão fixados nas imagens da exposição fotográfica, num convite à continuidade e ao aprofundamento da ação dessas e de toda a sociedade na promoção da paz, dos direitos humanos, da justiça e da segurança. A abertura do evento acontece no dia 26, quarta-feira, das 19h às 22h, no Palácio da Instrução, com painel temático sobre a importância de se dar visibilidade ao trabalho das mulheres e os novos desafios de trabalhar a questão da violência doméstica reunindo mulheres e homens.

A exposição contará com a presença de autoridades e lideranças locais, além de uma das brasileiras indicadas ao Prêmio Nobel da Paz 2005. No Brasil, a coordenação do processo de mobilização e seleção teve à frente Clara Charf, militante dos direitos das mulheres de longa e de reconhecida história, com o apoio de várias representações do movimento de mulheres, feminista, popular, sindical e da academia. Mais de 300 mulheres foram indicadas por pessoas e organizações do país. Em uma difícil tarefa, a Comissão de Seleção chegou a 52 nomes, notáveis pelas suas lutas e trabalhos nos quilombos, nas aldeias, no campo, em vilarejos, cidades, megalópoles. E seus rostos e perfis são também homenageados na publicação “Brasileiras Guerreiras da Paz”, cujo relançamento acontecerá no dia da abertura da exposição.

         As iniciativas são uma realização da Associação Mulheres pela Paz, presidida por Clara Charf, hoje com 87 anos, e dirigida por Vera Vieira. Contam com o patrocínio da Petrobrás e com o apoio da Associação Mulheres pela Paz ao Redor do Mundo (Suíça), EED (Alemanha), Fundação Avina, Instituto Avon, Vital Voices, NNEDV e Secretaria de Políticas para as Mulheres do Governo Federal. A imprescindível parceria local é de: UFMT/Nuepom, Governo de Mato Grosso, Secretaria de Estado de Cultura, Pavilhão das Artes (Palácio da Instrução), SEJUDH, Superintendência da Mulher de Mato Grosso, Prefeitura de Cuiabá, FAMMT e SINTEP-MT.

        Ao difundir as imagens dessas mulheres, a exposição quer deixá-las fixadas não apenas como “memória”, mas como estímulo, efeito multiplicador do que já se fez e do muito que se há de fazer em todo o mundo, por essas e por milhões de tantas outras mulheres que lutam pela paz, cujo exercício se dá no cotidiano.

SERVIÇO:
Exposição: 1000 Mulheres pela Paz ao Redor do Mundo
Painel temático: Mulheres e Homens pela Paz e contra a Violência Doméstica e a Importância de se dar visibilidade ao trabalho das mulheres (com a presença de autoridades e lideranças locais, além de uma das brasileiras indicadas ao Nobel da Paz 2005)
Relançamento do livro Brasileiras Guerreiras da Paz
Dia e horário da abertura e lançamentos: 26 de setembro, quarta-feira, das 19h às 22h.
Período da exposição: de 26 de setembro a 10 de outubro de 2012.
Local: Pavilhão das Artes- Palácio da Instrução - Rua Antonio Maria, 151 - Praça da República - Cuiabá/MT
Assessor de imprensa: José Fernando (65) 9664-6696

4 de set. de 2012

Sétimo Simpósio de Jornalismo: A imagem na Mídia

Clique no link abaixo e veja as informações do Sétimo Simpósio de Jornalismo da Unemat Alto Araguaia, que será realizado entre os dias 25 e 28 de setembro.

Conferência da Elaine na noite do dia 31 de agosto: Seminário Liberdade de imprensa e direitos da personalidade


Liberdade de imprensa e direitos da personalidade
Por Elaine Tavares - jornalista
Esse seminário é uma boa provocação do sindicato. Afinal, não é pouca coisa discutir liberdade e direitos da pessoa.  Então vejamos. Liberdade é um conceito moderno, do mundo liberal. No mundo antigo, seja ele autóctone, oriental, árabe ou europeu, a ideia de liberdade estava mais ligada à situação do escravo de fato. Aquele que era capturado nas guerras de conquista e que sentia desejos de liberdade, de sair dos grilhões. De uma forma geral, nas comunidades antigas não se pensava em termos de liberdade individual. O que estava em jogo sempre era a comunidade, o clã. Basta que a gente se lembre de como eram – e ainda são em algumas comunidades comunitárias – arranjados os casamentos. Não estava em questão a vontade individual, o amor romântico, mas a sobrevivência do clã, da família, do reino.  Viver era ser comunidade.
É o mundo grego, com o debate sobre a razão, que inaugura outro olhar sobre esse conceito, individualizando-o. Aristóteles fala sobre a liberdade declarando que o homem livre é aquele que é capaz de realizar suas escolhas com livre arbítrio e desde a razão. Isso significa que ele descola o ser (a pessoa individual) da comunidade. Ou seja, o homem, escolhendo e guiado pela razão pode ascender à liberdade de ser e fazer o que quiser.  Ora, mesmo na Grécia de Aristóteles isso já era uma coisa bem difícil de ser real. Por quê? Porque na Grécia só podiam exercer o tal do livre arbítrio aqueles que tinham esse direito na polis, quais sejam, os homens, os proprietários.  Mulheres e crianças estavam fora dessa ideia de liberdade.
Não foi sem razão que o grande filósofo da razão e da moral, Immanuel Kant, definiu a liberdade na relação com a propriedade.  Para ele, os homens livres são os que têm propriedade e  são esses livres os que fazem as leis. Aí já foi tudo para as cucuias e abre o corte de classe nesse debate. Liberdade então seria o direito de fazer tudo o que a lei permite. Mas se a lei é feita pelos proprietários, a liberdade seria coisa de poucos, não é mesmo? Ou de uma única classe, a dos proprietários. De novo estamos aí com a ideia de liberdade apenas para alguns.
Marx, ainda no marco da modernidade europeia, vai fazer a crítica a esse modo de ver a liberdade. Ele mostra que a propriedade não é um bem natural nem um pressuposto do Estado, ela é fruto da violência e do domínio de uns sobre os outros. Mostra ainda que a propriedade privada faz com que um único dono desfrute de um bem, arbitrariamente, segundo um interesse pessoal. Essa seria uma visão egoísta do mundo e nesse pilar se fundamentaria a sociedade burguesa. Assim, diz Marx, a liberdade de expressão e de posse representa o direito de advogar para si aquilo que é produzido coletivamente. O mundo moderno, dos proprietários, defende e cristaliza o individual sobre o coletivo. Daí que liberdade de imprensa, para Marx, representava unicamente a liberdade de empresa, ou seja, do proprietário.
Vejam aí que chegamos a um ponto interessante. A concepção de liberdade que impera no mundo ainda é a ideia liberal, de Kant: só são livres os proprietários, ou para usar uma palavra mais contemporânea, só são livres os consumidores. Esses, os que podem consumir, são os que podem fazer escolhas segundo a razão. Que liberdade tem um pobre no mundo capitalista? Que opções e escolhas ele tem se não tem dinheiro para consumir? Por isso, a crítica de Marx segue atualíssima. Então, quando falamos então em liberdade de expressão, no mundo moderno, seguimos falando da liberdade de muito poucos. No geral, no campo das empresas de comunicação, os que podem exercer a liberdade de expressão são os donos dos meios, ou os amigos dos donos, ou os anunciantes que financiam os meios. Esses podem expressar livremente sua opinião, suas ideias e até seus preconceitos. Tudo é válido, inclusive mentir, omitir, inventar.
Aos demais – excluídos da propriedade e também da liberdade – resta o silêncio. Quando aparecem nos meios, são as vítimas de enchentes, os coitadinhos, ou então, os bandidos. É raro ver os pobres, feios, sujos e malvados em situação de sujeito, de pessoa livre, capaz de atuar dentro do seu livre arbítrio, fazendo aquilo que quer, dizendo o que pensa. O pobre, ao gritar e clamar por justiça, ao questionar a sua situação de prisioneiro de um sistema, está quase sempre se contrapondo à lei criada pelos proprietários. E não tem, verdadeiramente, nos espaços da mídia burguesa, como expressar a sua liberdade. É certo que aqui no Brasil estamos muito atrasados nessa discussão enquanto em outros países da América Latina, a população conseguiu avançar. Na Venezuela, de desde 2004 está em vigor a Lei de Responsabilidade Social em Rádio e Televisão, uma das mais interessantes do continente, que garante ao povo organizado o direito de produzir e controlar o conteúdo. Um avanço importante na soberania comunicacional do país. Também na Bolívia as comunidades indígenas tem logrado constituir uma rede de rádios comunitárias que já saíram do campo do “alternativo” e é uma das  forças mais importante do país. O Equador produziu lei de comunicação, a Argentina também. Nós, aqui, ainda patinamos, na busca por um pouquinho mais de democracia, tateando na busca de liberdade de expressão dentro dos marcos de um Estado que não dá sinais de mudança.
Assim, é preciso que a gente tenha bem claro que essa coisa de liberdade está intimamente ligada com a luta de classes. E, se aceitamos que o que impera é mesmo o conceito de Kant, a liberdade, pelo menos por aqui, ainda só é possível aos proprietários - é o que constatamos ao analisar a realidade - então sobra aí uma outra classe, a dos não proprietários, que precisa lutar muito para fazer valer os seus direitos.
A internet
Então vamos introduzir aqui um elemento não previsto por Marx, que é a Internet. A rede que nasce com objetivos militares é uma cópia virtual da técnica de guerrilha tão bem ensinada por Che. Pequenos focos, sempre em movimento para proteção do centro. De repente, a coisa foi crescendo e se popularizando. Hoje, qualquer um – que tenha a liberdade de ter dinheiro para pagar – pode estar conectado. Qualquer pessoa - pagando - pode ter um blog, pode postar informações no facebook, no twitter. Isso é uma revolução no conceito de liberdade de expressão e no fazer jornalístico. Na internet a pessoa pode inclusive postar informações anonimamente, criando contas falsas. Há uma exaustiva divulgação de fatos e ideias de forma bastante livre na internet. Não é mesmo?
Bom, é claro que isso também é uma ilusão. A primeira é essa da liberdade. Só pode quem paga. Assim, empresas há que ganham bilhões de dólares com a loucura da "liberdade de informação" na net, basta vermos a história do guri do facebook que inclusive vende informações privadas, enquanto existem criaturas que nem deram seu primeiro telefonema. A outra é que os servidores que gerenciam e controlam a informação permitem que a pessoa divulgue o quer, até por ali. Se tocar em algum interesse que seja caro ao sistema o servidor tira do ar o blog, suspende o facebook. Isso acontece todos os dias. O sistema pode tudo. Não há liberdade na rede. É tudo ilusão.
Lá em Florianópolis tínhamos um companheiro, agitador cultural, jornalista popular, o Mosquito, que mantinha um blog, o Tijoladas, onde escrachava a vida dos políticos, denunciava as maracutaias dos governantes, apresentava documentos. Ele vivia enredado com a justiça. O blog dele foi tirado do ar várias vezes. A coisa foi tão violenta que ele se matou, acossado pelas ameaças e pela provável prisão, decretada porque ele dizia verdade de forma dura e crua. Então, isso é só uma pequena mostra de como a liberdade de expressão só é possível enquanto não toca em pontos nevrálgicos do sistema. Se for para denunciar "massacres" do governo sírio, todas as liberdades são dadas, mas Cuba seque impedida de ter internet banda larga, por quê? Porque não querem que seja mostrada a verdade sobre o sistema cubano. Lá, apenas os agentes pagos pela inteligência estadunidense têm acesso à internet rápida. Então, onde está a liberdade? Não voltamos outra vez à luta de classe e à batalha por formas diferentes de organizar a vida?
A enxurrada de informação a que estamos submetidos todos os dias está repleta de coisas que não são do interesse do sistema, por isso essa sensação de liberdade. Mas, por outro lado, essa mesma sensação de que agora, com a rede, podemos fazer tudo o que quisermos, acaba mexendo com a vida cotidiana das pessoas no seu mundo real. Daí que chegamos ao ponto: se podemos ser livres para informar o que queremos, não teríamos que zelar pelo direito do outro/ Qual é o limite ético da informação que produzimos/ E aqui não estou falando da pessoa comum, no seu direito individual de ferir quem quer que seja – a considerar o conceito kantiano de que a pessoa proprietária é livre para fazer o que quiser. Estou falando do jornalista, que tem por obrigação ética narrar a vida nas suas mais variadas facetas. Como enfrentar esse dilema? O que, nós jornalistas, podemos fazer nessa selva de informação?
Tem um filósofo de quem eu gosto muito a despeito das muitas interpretações que se fazem sobre sua obra: é Friedrich Nietzsche. Ele foi o grande crítico da moral kantiana, moderna. Ele previu que chegaria o dia do “último homem” que seria bem esse que a gente vê nos dias atuais. Egoísta, individualista, incapaz de se comover com a vida mesma. Mas, ao mesmo tempo ele anunciou o “super-homem”, que ao contrário do que seus opositores costumam dizer não é o puro de raça, o ariano, o totalitário. Não! A ideia de Nietzsche era de que o “super-homem” seria aquele capaz de superar o último homem, uma criatura que carregasse dentro dela a pureza da criança. Ele dizia: "o super-homem é aquele que vivendo num tempo em que é possível fazer tudo o que se quer, só faz o que é nobre". Pois não é uma coisa incrível, isso? Não é uma porrada certeira na cabeça da frivolidade do mundo atual? Tu podes tudo, é certo, mas, podendo tudo, só fazes aquilo que é nobre. Fantástico!
Em outras palavras, o “super-homem” nietzschiano cumpriria a ética de libertação proposta por Henrique Dussel. Num tempo em que praticamente todos os valores se particularizam, a única ética  universal possível é a preservação da vida. Mas não qualquer vida, a vida da comunidade das vítimas, dos excluídos da liberdade de expressão, de ser, de morar, de viver.  Bom, e nesse campo onde então se colocam os jornalistas?
Deveriam se colocar no patamar de defensores da vida que se expressa na comunidade das vítimas. Daí que sua função primeira seria a de narrar esse mundo. Mas, narrar com verdade. O jornalista tem o compromisso ético de não mentir nem inventar fatos. O jornalista tem de checar e checar mil vezes uma informação porque a vida do outro é como um cristal, uma vez partido, não cola mais.
Outro dia circulou na internet uma foto de uma jovem com uma criança no colo e apontando uma arma para ela. Foram horríveis os comentários. As pessoas realizaram um linchamento moral. Logo depois apareceu a foto real, ela segurava um pássaro na mão, fora uma montagem. As pessoas comuns podem até disseminar essas coisas, porque não tem um compromisso ético com a informação. Mas nós, jornalistas, não. Tudo tem de ser checado. É muito perigoso esse instrumento de "liberdade" que é a internet, porque, no fundo, se analisarmos bem, está completamente a serviço das grandes empresas, do sistema capitalista como um todo. A quem interessa que a população permaneça com um véu colocado sobre seus olhos? A quem interessa que a rede dissemine a desinformação, o preconceito, o modo de vida capitalista de egoísmo, de consumismo, de vaidades?
É certo que não é fácil ser jornalista nesse mundo. No mais das vezes é mais fácil servir ao poder. Ganhamos dinheiro, não nos incomodamos tanto, podemos fazer pequenas sujeiras, praticar pequenas corrupções e seguimos salvos. Mas essa não é a função de um ser crítico que quer construir um mundo melhor. 
A história do jornalismo nos conta que ele nasceu como prática diária, na França, e que é filho dileto do capitalismo. Isso é verdade. Mas o jornalismo como crítica é tão antigo quanto o homem. O jornalismo como expressão de um mundo pode ser remontado à idade da pedra, quando os humanos desenhavam nas cavernas nos contando sobre a vida. Adelmo Genro, no seu brilhante livro sobre o segredo da pirâmide, diz: a notícia é aquela capaz de partir da singularidade de um fato e descrevê-lo de tal forma que o leitor possa compreender a universalidade onde ele está inserido. Parece uma coisa difícil e complexa, mas não é. O que Adelmo nos convida a fazer é praticar um jornalismo crítico, impressionista, que contextualize os fatos cotidianos e leve o leitor a compreender a realidade como um todo e não como um fragmento. O jornalismo de hoje é isso, pequenos drops descolados e desconectados, não estabelece nexos com o todo.  E o que é pior, agora, com a internet ainda se permite inventar, mentir e enganar com muito mais rapidez.
Nós podemos mudar isso. O jornalismo não é um ente vivo, ele é o que fizermos dele. E nós podemos fazer jornalismo de qualidade, que mude o mundo, que balance as pessoas, que emocione, que faça o mundo se mover, que desperte o senso crítico, a capacidade de compreender a realidade.
Há um livro muito lindo do Saramago chamado “A Caverna”, no qual ele conta de um mundo em que tudo perdeu a sua beleza, que a vida é de plástico, que as pessoas moram em bolhas tipo shoppings. Mas há um pequeno grupo que ainda faz coisas artesanais, que vive no mundo fora da bolha. Eles acabam sendo levados para viver dentro da bolha. Se rendem... E lá ficam por algum tempo até que percebem que as coisas podem ser diferentes... Então eles saem dali e seguem na direção do talvez, do impensado, do improvável, do ainda-não... É isso que temos de fazer. Romper com esse mundo de plástico. Essa é a verdadeira liberdade. Ser capaz de dizer não ao que está aí e caminhar na direção do grande meio-dia. Como fazemos isso? Praticando o jornalismo de verdade, esse, do Adelmo, que não serve a nenhum sistema, mas à compreensão do mundo e à libertação. 
Conferência proferida no Seminário: Liberdade de Expressão e Direitos da Personalidade, promovido pelo Sindicato dos Jornalistas de Mato Grosso, Ministério Público e OAB. Cuiabá - 31 de agosto de 2012.

1 de set. de 2012

Elaine Tavares dá aula sobre reportagem e humanidade


Ficou difícil escrever qualquer coisa depois da passagem de um verdadeiro furacão chamado Elaine Tavares.  O corpo pequeno é visivelmente apertado para guardar dentro dele tantos questionamentos, tantos sentimentos, tanta humanidade... então, explode! Foi assim que a jornalista falou sobre reportagem e emocionou os participantes do Seminário Liberdade de Imprensa e Direitos da Personalidade, na manhã desta sexta-feira, 31 de agosto.

O contato com humanos desde a infância a transformou na profissional extremamente sensível que é. Pode parecer estranho dizer “o contato com humanos”, mas nos dias de hoje não são todas as pessoas que enxergam o próximo assim, como humanos - em especial jornalistas, que têm a obrigação de descrever histórias que envolvem humanos.

Traficantes, prostitutas, jogadores de futebol... o que todos eles têm em comum? São vidas. São humanos. E ela sempre soube enxerga-los assim, desde criança, quando nos intervalos das aulas no Rio Grande do Sul, ia até a beira do rio com os colegas e encontrava lá humanos, que por algum motivo a nossa sociedade tentava esconder. A verdade é que a jornalista, além de dar uma grande aula sobre o jornalismo, nos deu mesmo uma grande aula de humanidade.

Ao apresentar Enrique Dussel, teórico da filosofia da libertação, que a inspirou sobre um jornalismo também libertador, a jornalista afirma que “a única ética que existe é a da vida, e da vida da vítima”. Segundo ela, há apenas dois tipos de jornalismo: aquele que serve à maioria (oprimida), e aquele que serve à minoria (detentores do poder político e econômico). O jornalista, de maneira ou outra, vai servir a um desses lados, mesmo que acredite que não, porque não existe “imparcialidade” jornalística. O profissional da imprensa pode, sim, se abster de opiniões no decorrer do seu texto, mas a maneira como a história é contada favorece determinada perspectiva.

“Quando vocês abrem a torneira de manhã e sai água vocês não ficam estupefatos? Vocês não pensam em como tudo isso foi construído, quantas pessoas trabalharam para isso, o que elas passaram, de onde elas vieram?”, provocou a jornalista. “As pautas brotam o tempo todo na nossa frente”, diz,  mas é preciso sensibilidade para identifica-las. “A gente aprende a olhar, olhando! Não é incrível?”, brincou. É assim que ela enxerga a rede de energia elétrica, meios de transporte e tudo mais que foi construído pelo ser humano.

Assim, Elaine defende que é necessário, para a produção jornalística, o contato entre humanos. “Alguém acredita que é possível o chamado jornalismo assistido, feito pelo computador? Não!”. Para ela, a linguagem corporal é fundamental para que a informação seja apurada, de fato; para que, em suas palavras, o jornalista possa contar “as histórias”, enxergando mais do que um discurso oficial. Isso faz toda a diferença.

Quem observa a maneira explosiva da jornalista entende que essa é a demonstração da sua paixão pelo humano e também de toda a indignação pelas condições a que somos submetidos. E a força da fala vem acompanhada de sincera doçura. “Quando você faz uma reportagem com esse sentimento, você cria um laço amoroso com aquelas pessoas, que fica para sempre. Porque a gente se dá conta de que estamos mexendo com uma vida, a gente tem responsabilidade sobre ela, tem cuidado, porque a vida é como um cristal, se a gente quebrar, não cola mais”.

Durante toda a oficina, Elaine nos brindou com suas histórias, na busca desenfreada por outras histórias. Cada frase carregando imensa riqueza cultural, política e social dos lugares por onde andou. Quem não a ouviu, perdeu muito. Resta saber quem, dos presentes, teve sensibilidade para compreendê-la e, mais do que isso, entender que uma boa reportagem só é possível se o humano atrás da caneta conseguir tocar e ser tocado. 

Por Luana Soutos. 

31 de ago. de 2012

Querer, pensar e sentir: a fotografia de José Medeiros


Acabou agora a oficina de Fotojornalismo do repórter fotográfico José Medeiros, a primeira do Seminário Liberdade de Imprensa e Direitos da Personalidade, organizada pelo Sindjor, OAB/MT e AMP. 

Cheio de sensibilidade, ele mostrou aos participantes diversas fotografias e contou algumas experiências em aldeias indígenas, festas religiosas e outros momentos da rica cultura brasileira, em especial de Mato Grosso. Seu trabalho é carregado de sentidos, com registros de movimentos que passam idéias, por vezes, de sonhos.

O profissional que carrega uma máquina na mão deixa claro que para se fazer uma boa foto só o equipamento não é suficiente. “Para fazer uma boa fotografia, primeiro você tem que saber o que quer, depois o que pensa, depois o que sente, depois, por último, utilizar o dedo”.

Pela apresentação de Medeiros, entende-se que para ser um bom profissional é preciso conhecimento político, histórico e antropológico, além de respeito às diferenças.

O repórter relata que vive as culturas por onde passa, quase como um trabalho etnológico. “Não precisa forçar nada. É só ter sensibilidade”, comenta.

Medeiros também respondeu perguntas dos participantes. Entre elas, sobre Direitos autorais, em que recomendou aos fotógrafos que editem uma marca d’água em suas fotos.

Daqui a pouco terá início a oficina de Reportagem com a jornalista Elaine Tavares. As atividades do Seminário Liberdade de Imprensa e Direitos da Personalidade serão durante todo o dia de hoje e na parte da manhã deste sábado. Confira a programação no site do Sindjor/MT.

Por Luana Soutos  

28 de ago. de 2012

Última semana de inscrições para seminário sobre liberdade de imprensa

Jornalistas de todo o estado já se inscrevem no seminário “Liberdade de Imprensa e Direitos da Personalidade”, que o Sindicato dos Jornalistas de Mato Grosso (Sindjor-MT) está promovendo em parceria com a Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) e a Associação Matogrossense do Ministério Público (AMMP), nos dias 31 de agosto e 01 de setembro, próximas sexta e sábado, no auditório da Ordem (CPA). 

Já são mais de 250 inscritos. Chegando em 300 participantes, os organizadores vão encerrar as inscrições. 

Os organizadores cederam bolsa transporte para 40 jornalistas do interior, dos pólos de Sinop, Barra do Garças, Rondonópolis e Alto Araguaia, cidades onde tem curso de comunicação social. A bolsa transporte já está encerrada. Os organizadores já comemoram a oportunidade de reunir tanta gente para discutir um assunto de tanta relevância social. Confira a programação aqui. Esta é a última semana de inscrições. Inscreva-se aqui.

17 de mai. de 2012

Jornalistas de Cuiabá se encontram em cinema neste sábado (19) para fazer valer a meia entrada


Com o objetivo de divulgar a Lei municipal 5497/12, que estabelece a meia entrada para jornalistas e radialistas de Cuiabá em eventos culturais, profissionais da capital se reúnem neste sábado (19), às 19h, no cinema do Pantanal Shopping. A ideia é que o grupo inteiro possa assistir uma sessão utilizando o direito.

A referida lei foi apresentada pelo vereador Lúdio Cabral (PT), por solicitação do Sindicato dos Jornalistas (Sindjor/MT) e sancionada pelo prefeito Chico Galindo (PTB) em janeiro deste ano e, por isso, alguns estabelecimentos ainda se recusavam a cumprir a nova determinação. No entanto, o Sindjor já encaminhou ofícios aos estabelecimentos informando-os da existência da Lei e organizou o encontro do próximo sábado para que a meia entrada comece a ser praticada.

Os jornalistas e radialistas precisam levar algum documento que comprove o exercício da profissão, tal como carteirinha expedida por entidade representativa da categoria ou carteira de trabalho com registro profissional. 

17 de fev. de 2012

Carnaval dos Jornalistas: Adquira hoje abadá para a festa

Você já comprou seu abadá da festa do Bloco Imprensando o Bebum? As camisetas já estão acabando. Há camisetas com e sem manga e nos tamanhos P, M, G e GG. Ligue no Sindjor hoje (17/02) até às 14 horas e solicite a sua. Já combinou com seus colegas de trabalho para irem juntos? Se agendar, o Gilmar Ramos leva as camisetas onde você trabalha, ainda hoje.

O abadá, que custa R$ 20,00, dá acesso à Festa "Imprensa q'eu gosto!", no domingo de Carnaval (19/02), a partir das 19 horas, no Clube de Esquina Bar. A animação fica por conta de Raul Fortes e Orquestra Jazz, Farofa e Samba. 

A festa "Imprensa q'eu gosto!" é uma realização do Sindjor/MT, por meio da Gestão "O Sindicato é Você".
Venda de abadás com com Gilmar Ramos 8119 5265, 99235795 ou 84690441

15 de fev. de 2012

O Bloco Imprensando o Bebum já está na rua

A festa do Bloco Imprensando o Bebum já está organizada: será no dia 19/02 (domingo de Carnaval), a partir das 19 horas, no Clube de Esquina Bar e animação fica por conta de Raul Fortes e Orquestra Jazz, Farofa e Samba.

Jornalistas e amigos não podem perder a Festa "Imprensa q'eu gosto!". O abadá, que custa R$ 20,00, já está sendo vendido e o número de camisetas é limitado. Com o abadá, os foliões entram livremente na festa e pagam apenas o que consumirem no local.

Há camisetas com e sem manga e nos tamanhos P, M, G e GG. Mas corra, porque estão sendo vendidas como água. Se programe com seus amigos e colegas para ir, agende no Sindjor a aquisição dos abadás, que o Gilmar Ramos pode ir até seu trabalho para levá-los. O telefone do Sindicato é (65) 3025-4723.

A festa "Imprensa q'eu gosto!" é uma realização do Sindjor/MT, por meio da Gestão "O Sindicato é Você".
Para mais informações, ligue na entidade. O horário de atendimento é das 8h às 14h.

16 de nov. de 2011

Sindjor lança Prêmio MT de Jornalismo

O Sindicato dos Jornalistas de Mato Grosso lançou o 1º Prêmio Mato-grossense de Jornalismo Pedro Rocha Jucá, cujo tema este ano é "Mato Grosso em Foco". O prêmio avaliará produções jornalísticas em sete categorias, das quais estão presentes 'foto-jornalismo', 'mídias comunitárias' e a categoria especial 'estudante'. O   Grande Prêmio - melhor reportagem dentre as categorias - concederá R$ 3 mil.

As inscrições são gratuitas e podem ser feitas entre 28 de novembro e 09 de dezembro de 2011 na sede do Sindicato ou por correio. Todos os classificados receberão certificado e troféus. As regras do concurso (documentos para inscrição, categorias, critérios de avaliação, etc.) estão disponíveis em edital aqui.

A premiação está prevista para o dia 17 de dezembro, no salão de festas da Associação dos Magistrados de Mato Grosso.

Mais informações, no regulamento ou pelos telefones (65) 3025-4723, 9604-2953 ou 9256-8948.

Participe e convide seus colegas!

28 de out. de 2011

Convite - Seminário “Mais e Melhor Justiça Para Todos”


A Ouvidoria-Geral e a Corregedoria-Geral da Defensoria Pública de Mato Grosso, em conjunto com a Comissão de Justiça e Paz de São Paulo, a Associação Nacional dos Defensores Públicos e com a Ouvidoria-Geral da Defensoria Pública de São Paulo, convidam Vossa Senhoria para participar do Seminário “Mais e Melhor Justiça Para Todos”, a realizar-se no dia 04/11/2011, das 8h30min às 14h30min, no Plenário da Ordem dos Advogados do Brasil – Seccional Mato Grosso.

O Seminário integra um projeto amplo, que visa promover o debate sobre o acesso à justiça e realizar um diagnóstico participativo sobre a situação das Defensorias Públicas e os anseios dos movimentos sociais, bem como proporcionar troca de experiências e elaboração de propostas de demandas institucionais e sociais, conforme pode se verificar da programação constante no documento acima anexado.

Portanto, sua presença é de fundamental importância para que o evento possa alcançar seus objetivos, que nada mais são do que o aperfeiçoamento da Defensoria Pública de Mato Grosso e do Brasil, mediante participação ativa e direta da sociedade civil - especialmente quanto aos direitos de acesso à justiça; de defesa dos direitos humanos, da terra e fundamentais; de democratização do processo de definição das prioridades institucionais; e de transparência das ações executadas pela Instituição.

Por fim, é importante ressaltar e agradecer os honrosos apoios dispensados pela União Européia, a Ordem dos Advogados do Brasil/Seccional Mato Grosso, o Colégio de Ouvidorias de Defensorias Públicas do Brasil, o Fórum Estadual de Direitos Humanos e da Terra e pelo Sindicato dos Jornalistas de Mato Grosso; sem os quais a Etapa da Região Centro-Oeste do Seminário "Mais e Melhor Justiça Para Todos" provavelmente não poderia ser realizada com a mesma magnitude. Muito obrigado a todos.

22 de set. de 2011

ENTRADA FRANCA: Núcleo exibe o filme "O fabuloso destino de Amélie Poulain"

O Núcleo Psicanálise e Cinema convida a todos para a exibição do filme "O FABULOSO DESTINO DE AMÉLIE POULAIN",  na próxima terça-feira (27/09), às 18h30, no Centro Cultural da UFMT, com a presença da professora Vera Capilé e Juliana Capilé.

21 de set. de 2011

Oficina irá capacitar comunicadores sobre trabalho infantil

São convidados jornalistas, publicitários, relações públicas, repórteres fotográficos e radialistas que atuam na mídia mato-grossense

Utilizar mão de obra de crianças e adolescentes é crime. Embora as ações para erradicação desta prática sejam freqüentes, a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD) de 2009 apontou que existem 80 mil crianças entre 05 e 17 anos em situação de trabalho infantil em Mato Grosso, sendo 65% nos meios urbanos. Com o objetivo de ampliar esta discussão social, proporcionando para formadores de opinião informações sobre a abordagem eficaz deste assunto, o Fórum Estadual de Prevenção e Erradicação do Trabalho Infantil (Fepeti) realiza uma Oficina de Capacitação para Comunicadores.

O evento é coordenado pela Organização Internacional do Trabalho (OIT) e organizado no Estado pela Superintendência Regional do Trabalho (SRTE), Sindicato dos Trabalhadores no Ensino Público (Sintep) e Sistema Federação das Indústrias no Estado de Mato Grosso (Sistema Fiemt). Esta ação faz parte do início dos trabalhos para divulgação do projeto Me Encontrei, que será executado pelo Serviço Social da Indústria (Sesi-MT) e o Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (Senai-MT), com o intuito de promover o ensino básico e a capacitação profissional de crianças e adolescentes em situação de risco.

A participação na Oficina de Comunicadores é gratuita e as vagas são limitadas. A ação será realizada no dia 22 de setembro, quinta-feira, no auditório do Sistema Fiemt, das 8h às 10h. São convidados jornalistas, publicitários, relações públicas, repórteres fotográficos e radialistas que atuam na mídia mato-grossense. A palestrante será a jornalista Milena Oliveira, do Cipó Comunicação Interativa, organização civil sem fins lucrativos ligada à Agência de Notícias dos Direitos da Criança (Andi), com experiência em monitoramento de mídia, produção oficinas, pautas e notícias voltadas para os direitos de crianças e adolescentes.

Interessados em participar devem entrar em contato com a Assessoria de Imprensa do Sistema Fiemt pelo telefone (65) 3611-1516 ou imprensa1@fiemt.com.br.

FEPETI
O Fórum Estadual de Prevenção e Erradicação do Trabalho Infantil (Fepeti) foi criado em 2008 por iniciativa da Superintendência Regional de Trabalho e Emprego (SRTE/MT) e se constitui em um espaço de discussão entre governo, entidades e sociedade civil sobre formas de combate à exploração do trabalho infantil. Em 2009, ações estruturadas do programa levaram a implantação do Plano Estadual para a Erradicação do Trabalho Infantil e a criação da Agenda de Trabalho Decente para Mato Grosso.

Confira aqui Carta Convite para o evento, elaborada pela Coordenação Nacional do Programa de Cooperação Horizontal contra o Trabalho Infantil

FONTE: Sistema Fiemt

18 de set. de 2011

Inscrições para o Destaque Senai em Jornalismo terminam este mês

Para quem está interessado, mas ainda não fez inscrição no prêmio Destaque Senai em Jornalismo, um lembrete: o prazo termina no próximo dia 30. O tema é um só "Educação Profissional para a indústria de Mato Grosso". Mas são muitas opções de abordagens, isso considerando apenas os desdobramentos das histórias contidas nas 25 áreas de atuação do Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (Senai-MT). E, agora, a parte que mais interessa. São R$ 45.000 em prêmios divididos em pacotes turísticos e dinheiro.

Este ano, a novidade do Destaque Senai em Jornalismo foi a divisão da categoria jornalismo impresso em outras duas - Jornal e Revista, passando de seis para sete categorias no total (Impresso - Jornal, Impresso – Revista, Fotojornalismo, Telejornalismo, Webjornalismo, Radiojornalismo e Especial Estuda nte). Além disso, houve incremento da premiação, que aumentou para R$ 3 mil nas categorias e para R$ 2 mil estudante. Continua valendo a premiação do pacote turístico no país para os vencedores nas categorias e a viagem internacional para a melhor matéria entre as vitoriosas.

Todas as informações sobre o prêmio (tema, inscrição, categorias, premiação, regulamento, sugestões de pauta e galerias de fotos) podem ser obtidas no hotsite do concurso. Por meio do link, o profissional da imprensa também poderá acessar o Blog Pauta Quente para assistir aos vídeos e ler outras publicações. Jornalistas interessados em inscrever-se, também podem entrar em contato com a assessoria de imprensa pelos números (65) 3611-1516 / 9968-2562.

Mais uma motivação para os profissionais da imprensa. Jornalistas mato-grossenses que concorrerem no Destaque Senai em Jornalismo podem aproveitar o material produzido para o concurso e inscrevê-lo também no Prêmio CNI de Jornalismo, cujos prêmios somam R$ 240 mil. As categorias são Jornal, Revista, Telejornalismo, Radiojornalismo e Internet (sites e blogs), e o prêmio também contempla os Destaques Regionais (Norte, Sul, Centro-Oeste, Nordeste, Sudeste) e mais dois Prêmios Especiais (Educação profissional para a indúst ria; e Inovação para a competitividade Industrial). Há ainda o Grande Prêmio José Alencar de Jornalismo, conferido ao melhor entre todos os trabalhos jornalísticos inscritos.

FONTE: Assessoria de Comunicação do Sistema FIEMT