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NOVO PISO: Jornalistas e patrões firmam acordo coletivo de 2017

Da assessoria Após seis rodadas de negociação, mediadas pela Superintendência Regional do Trabalho e Emprego de Mato Grosso, o Sindic...

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15 de ago. de 2017

Diretoras do Sindjor levam acordo coletivo ao MidiaNews

Assessoria/Sindjor

As diretoras do Sindicato do Jornalistas de Mato Grosso (Sindjor/MT) Thalyta Amaral e Mylena Petrucelli visitaram a redação do site MidiaNews na manhã desta terça-feira (15/08) para tratar do Acordo Coletivo 2017. O momento atual é de colhimento de assinaturas das empresas interessadas em aderir ao acordo, que representa a normativa anual de direitos econômicos e sociais dos jornalistas atuantes no Estado.

O gerente administrativo da empresa, Sullyvan Amaral, recebeu as diretoras e demonstrou interesse em conhecer as 43 cláusulas do documento - a maioria já cumprida pelo site, segundo ele.

Sullyvan informou que o reajuste salarial de 3,99% referente ao INPC e o aumento real de 5% já foi aplicado pelo setor de contabilidade e repassado aos funcionários de forma retroativa ao mês de maio.

Agora a empresa irá avaliar com o proprietário a assinatura do acordo coletivo.

A equipe de jornalistas também recepcionou as diretoras com atenção e cordialidade. 

O Sindjor/MT continuará a ação de visitas às empresas, em busca do maior número de assinaturas possível.

24 de out. de 2016

Sindjor/MT inicia processo eleitoral para renovação da diretoria biênio 2017-2018





O Sindicato dos Jornalistas de Mato Grosso (Sindjor/MT) publicou no Diário Oficial do Estado que circulou nessa segunda-feira, 24/10, o edital de abertura de processo eleitoral com o calendário das eleições para renovação da diretoria. A eleição ocorrerá nos dias 06 e 07/12, e a próxima gestão deve ficar à frente do sindicato no biênio 2017-2018. 

Os jornalistas interessados em inscrever chapas já podem entregar a documentação necessária na sede do Sindjor/MT, das 12h às 18h. As inscrições vão desde a publicação do calendário eleitoral, até o dia 14/11. 

A chapa, para diretoria colegiada, deve ser formada por 11 jornalistas com pelo menos um ano de sindicalização, conforme o estatuto da entidade.

A documentação necessária e demais informações estão disponíveis no site do Sindjor/MT, no link ELEIÇÕES 2016. (Clique aqui)

29 de dez. de 2015

Assembleia geral de jornalistas amanhã (30/12) deve eleger Junta Administrativa para comandar o Sindicato nos próximos meses


Gestão do Sindjor/MT chega ao fim e Junta Administrativa deve assumir responsabilidades

O ano está chegando ao fim e, com ele, a gestão da atual diretoria do Sindicato dos Jornalistas de Mato Grosso,“#VemPraLuta (2014-2015). Mais uma vez, a categoria parece não estar muito interessada em preservar sua entidade representativa. Depois de dois longos períodos para inscrição de chapa no processo de eleição de nova diretoria, aberto em setembro, nenhum grupo de dispôs a tocar o sindicato.

No entanto, os poucos jornalistas que ainda participam do Sindjor/MT, por acreditar que é importante ter esse respaldo, não estão dispostos a desistir tão fácil. Mais uma vez, a prerrogativa estatutária de estabelecer uma Junta Administrativa será utilizada para tentar evitar que o sindicato feche as portas.

A assembleia geral extraordinária para eleger a junta será amanhã, 30/12 às 19h, na sede do sindicato que fica na Avenida Mato Grosso, 167, sala 02, Centro Norte, Cuiabá.

Também devem ser eleitos, na assembleia, cinco membros para a comissão eleitoral que dará continuidade ao processo de eleição da nova diretoria em 2016. A diretoria colegiada deve ter 11 membros.

A participação dos jornalistas é fundamental nesse momento, pois o número de pessoas envolvidas não é suficiente para garantir que o Sindjor/MT permaneça atuando e atenda as demandas da categoria.   

Clique aqui para ver o edital da assembleia geral publicado no Diário Oficial do Estado de Mato Grosso de 28/12/15.

Clique aqui e acesse o Estatuto do Sindjor/MT para saber mais sobre o processo eleitoral e a Junta Administrativa (Artigos 35 a 39).

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9 de mar. de 2015

URGENTE! PEC do diploma para jornalistas pode ser votado esta semana!!!






A direção do Sindicato dos Jornalistas de Mato Grosso (Sindjor-MT) tomou conhecimento, por meio de Fenaj, de que a PEC do Diploma - que exige o diploma de curso de nível superior em jornalismo para exercício da função de jornalista - foi colocada na pauta de votação do Plenário da Câmara, pelo atual presidente Eduardo Cunha, com previsão de que seja votada já no começo desta semana!

A sociedade precisa e tem direito à informação de qualidade, ética e democrática, o que depende de uma prática profissional igualmente qualificada e baseada em preceitos éticos e democráticos. E uma das formas de se preparar, de se formar jornalistas capazes a desenvolver tal prática é através de um curso superior de graduação em jornalismo.

Em função disso, reafirmamos a importância da PEC dos Jornalistas e contamos com a colaboração do senhor para aprovação da proposta.

Pedimos aos colegas que se mobilizem na tentativa de sensibilizar os representantes deste estado a votarem a favor da PEC.

Segue contatos dos deputados de Mato Grosso


Partido/UF: PSB/MT - Gabinete: 374 - Anexo: III - Fone: 3215-5374 - Fax: 3215-2374
dep.adiltonsachetti@camara.leg.br
Partido/UF: PMDB/MT - Gabinete: 815 - Anexo: IV - Fone: 3215-5815 - Fax: 3215-2815
dep.carlosbezerra@camara.leg.br
Partido/UF: PP/MT - Gabinete: 658 - Anexo: IV - Fone: 3215-5658 - Fax: 3215-2658
dep.ezequielfonseca@camara.leg.br
Partido/UF: PSB/MT - Gabinete: 278 - Anexo: III - Fone: 3215-5278 - Fax: 3215-2278
dep.fabiogarcia@camara.leg.br
Partido/UF: PSDB/MT - Gabinete: 825 - Anexo: IV - Fone: 3215-5825 - Fax: 3215-2825
dep.nilsonleitao@camara.leg.br
Partido/UF: PSC/MT - Gabinete: 539 - Anexo: IV - Fone: 3215-5539 - Fax: 3215-2539
dep.professorvictoriogalli@camara.leg.br
Partido/UF: PT/MT - Gabinete: 371 - Anexo: III - Fone: 3215-5371 - Fax: 3215-2371
dep.saguasmoraes@camara.leg.br
Partido/UF: PROS/MT - Gabinete: 913 - Anexo: IV - Fone: 3215-5913 - Fax: 3215-2913
dep.valtenirpereira@camara.leg.br


20 de fev. de 2014

Revisão de FGTS pode dobrar o saldo. Saiba quanto você pode ganhar



Se a Justiça decidir a favor dos trabalhadores, Caixa terá que desembolsar R$ 200 bilhões

A discussão sobre o índice a ser usado para corrigir o saldo das contas de FGTS (Fundo de Garantia do Tempo de Serviço) ganhou um novo capítulo nesta semana, quando a DPU (Defensoria Pública da União) entrou com uma ação coletiva na Justiça Federal no Rio Grande do Sul.

Se o juiz der ganho de causa para os trabalhadores, o saldo do fundo de garantia pode dobrar de valor, segundo o Instituto FGTS Fácil. Confira abaixo alguns exemplos da diferença na remuneração desde 1999 a janeiro deste ano.

Atualmente, o saldo das contas do fundo de garantia de todos os trabalhadores com carteira assinada é corrigido pela TR (Taxa Referencial) mais 3% ao ano. No entanto, esse cálculo não reflete a inflação. Com isso, os trabalhadores estão perdendo o poder de compra.

Segundo o presidente do Instituto FGTS Fácil, Mario Alberto Avelino, os trabalhadores precisam saber exatamente quanto eles têm em conta para calcular o que teriam direito se o saldo fosse corrigido pelo INPC (Índice Nacional de Preço ao Consumidor), por exemplo.

— Criamos uma ferramenta gratuita para que todas as pessoas possam saber o quanto terão de correção. Mas os trabalhadores não devem ficar esperando uma decisão sobre essa ação na Justiça gaúcha. Cada profissional deve entrar com uma ação, seja individual, em grupo de até dez pessoas ou por meio dos sindicatos, com cobrança simbólica que vai de R$ 5 a R$ 10.

Fonte: R7

23 de abr. de 2013

Folha do Estado e Diário de Cuiabá estão sujeitos a processo por dano moral por não pagar jornalistas


Infelizmente já tem se tornado rotina de alguns donos de veículos de comunicação, assim como tem ocorrido há décadas no Diário de Cuiabá e, seguindo sua escola, a Folha do Estado, o não pagamento de salários na data correta (todo quinto dia útil do mês), conforme manda a legislação trabalhista. Mas o que mais deixa os trabalhadores da comunicação enfurecidos é que, apesar de a classe aceitar passivamente receber com atraso e sem juros o pagamento atrasado - ao contrário de todas as contas desse mesmo trabalhador que são pagas com juros - há ainda o dissabor do descaso dos proprietários de jornais para com quem faz seu trabalho diariamente com dignidade e, na maioria das vezes, sem a estrutura necessária. Sendo assim, o Sindicato dos Jornalistas do Mato Grosso (Sindjor) informa que já existe precedente no Brasil com relação a dano moral por não recebimento do salário.

Portanto, o trabalhador que se sentir humilhado por ter a luz cortada e ter o nome inserido nos órgãos de proteção ao crédito ou ter sido constrangido por passar o cartão numa compra e ter o mesmo recusado por falta de fundos, pode sim entrar com ação de Dano Moral.

Isso porque, deixar de pagar o salário do empregado na data prevista, parcelá-lo e fazer com que haja incerteza quanto ao pagamento gera no trabalhador angústia e sofrimento, pois ele fica sem saber se conseguirá honrar os compromissos que assumiu. O precedente vem da conclusão da juíza substituta Luciana Kruse, da 2ª Vara do Trabalho de Taquara (RS), fez com que ela condenasse a Sociedade Hospitalar de Caridade de Taquara a pagar cinco vezes o valor da maior remuneração recebida pela trabalhadora que teve seus salários atrasados.

“Em regra, o trabalhador tem no salário a sua única fonte de renda, razão pela qual o salário detém caráter alimentar, sendo, inclusive, impenhorável por lei. Também o salário é a principal obrigação do devedor e o seu não-pagamento gera rescisão indireta do contrato de trabalho”, escreveu a juíza Luciana.

O Sindjor vai levar este fato a Delegacia Regional do Trabalho através de sua assessoria jurídica para ver a possibilidade de entrar com ação de dano moral coletivo. Urge que a classe trabalhadora não mais se veja com individualidade e sim como um coletivo o que nos dá mais força para melhorar cada vez mais a qualidade e oferta de trabalho em nossa área ao invés do contrário!

Sindjor MT

A empresa não paga ou atrasa seu salário? Saiba a melhor alternativa



SÃO PAULO - Passa um mês, dois meses ou até mais e a sua empresa não pagou seu salário? Muitos profissionais que passam ou já passaram por essa situação têm dúvidas sobre o melhor procedimento para assegurar seus direitos e optam por acionar a Justiça contra a empresa.

No entanto, denunciar à Justiça do Trabalho e ser ressarcido com juros são pontos distantes. Seu processo pode ficar anos até ser concluído e o dinheiro que você perderá nesse tempo poderá ser até maior daquele que você luta para garantir. Sendo assim, qual seria a melhor solução para ter seus direitos previstos na CLT?

Para o advogado trabalhista da consultoria Lobregat Advogados, Marcus Vinícius Lobregat, a melhor e mais segura alternativa para os empregados seria encaminhar um pedido ao Ministério Público do Trabalho, denunciando a situação, visando a obtenção de um Termo de Ajustamento de Conduta. “Pois ai, o Ministério estaria garantindo o direito não só ao recebimento de salários e vantagens que são devidas, como também estaria à frente de uma eventual e futura ação coletiva (inclusive em caso de falência), sequestrando bens da empresa para garantir – em futura execução – o recebimento aos salários, que se traduzem em crédito privilegiado dado o seu caráter alimentar”, explica.

Segundo o advogado, qualquer profissional pode recorrer ao Ministério Público, até mesmo no primeiro mês que a empresa faltar ao cumprimento da lei. Para isso, ele precisará ter testemunhas, que seriam os colegas que também não receberam os honorários, e ter provas de que a empresa não pagou, como um simples extrato de sua conta bancária ou salário, comprovando que sua remuneração não foi depositada no devido período.

“Porém, só deve procurar o Ministério se isso acontece também com seus colegas de trabalho. Se for apenas com você, procure outras medidas, como os acordos. Nesse caso, será preciso o auxílio de um advogado para acompanhar o acerto entre empresa e empregado”, ressalva Lobregat.

Outros procedimentos
Outros acordos poderiam ser a solução de casos isolados de profissionais que não receberam remuneração ou benefício. Para isso, Lobregat observa que seria no âmbito administrativo, como recorrer as câmaras de conciliação, formalização de acordos coletivos e denúncias para a Delegacia Regional do Trabalho. “Mas é preciso se informar bem sobre todos eles, pois não terão as mesmas garantias do Ministério Público”.

Outra alternativa, se afetar um grupo de trabalhadores, é a greve. Ela garante que você não perca seu emprego, pois está no seu direito. “Em caso de dúvida, procure seu sindicato. Para situações muito específicas, ele dará a informação e o caminho correto para a solução do problema”, finaliza Lobregat.

Fonte: InfoMoney

14 de mar. de 2013

Pesquisador aponta aumento de depressão, assédio e cocaína entre jornalistas


Portal Imprensa/UOL

Desde 2003, José Roberto Heloani investiga a interface entre saúde e a profissão jornalística. Naquele ano, o doutor em psicologia e professor titular da Universidade de Campinas (Unicamp) entrevistou cerca de 20 jornalistas do eixo Rio-São Paulo, com foco em qualidade de vida.
Após estudo intermediário de 2005 - com espaço amostral ampliado para mais de 70 profissionais - concluiu em 2012 o mais recente deles, com mais de 250 jornalistas, aprofundando temas como saúde mental, identidade e subjetividade, e incidência de assédio moral e sexual.

Suas conclusões são duras. De dez anos para cá, aumentam entre os profissionais da área as incidências de depressão, infidelidade conjugal e uso de drogas, principalmente, cocaína e anfetamina, além do fenômeno que ele chama de "naturalização do assédio". 

"Hoje, no país, há cerca de seis grandes grupos de comunicação. Ou seja, o jornalista precisa ter muita coragem para fazer uma denúncia formal de assédio se quiser permanecer no mercado. Além disso, trocar de profissão, quando desejado, não é fácil.” 

Outro problema apontado por Heloani é a distância entre a experiência real e a representatividade social da profissão. "Enquanto a imagem do jornalista é idealizada e positiva na sociedade, sua vivência diária é precarizada. Isso os torna mais inseguros e frustrados". 

Confira a íntegra da entrevista à IMPRENSA:

IMPRENSA – Quais foram as novidades da última pesquisa?
ROBERTO HELOANI – Os casos de assédio moral e sexual tornaram-se mais rotineiros, embora já existissem. Mas, o problema vai além. Se, em outras categorias profissionais, o grau de denúncias de assédio tem aumentado – como a dos bancários, por exemplo, que acompanho há muitos anos –, no jornalismo, o assédio aumentou, mas o número de pessoas que recorrem à Justiça diminuiu.

Isso pode ter a ver a competição acirrada do mercado jornalístico?
Não tenho nenhuma dúvida disso. No Brasil, há seis grandes grupos de comunicação. Você precisa ter muito coragem para fazer uma denúncia formal de assédio se quiser permanecer no mercado. A pessoa pode até pensar em mudar de área, ir para assessoria ou área acadêmica, mas nenhuma alternativa é fácil. 

O que suas pesquisas revelaram sobre o estresse? 
Hoje, o jornalista é um profissional multifocal. O que pode parecer muito interessante, mas, na prática, as coisas não são bem assim. É um profissional que se tornou muito mais estressado do que era. Primeiro, ele não pode dominar só uma mídia. Ele é um profissional que precisa ser repórter, fotógrafo, motorista, às vezes, cuidar da própria segurança. Então, hoje, há maior incidência de um estresse patológico. Na primeira pesquisa, não víamos muita gente em estado de pré-exaustão ou exaustão, que é o caso mais grave. Na mais recente, começamos a ver pessoas debilitadas, em pré-exaustão, inclusive recorrendo mais a drogas lícitas e ilícitas.

Aumento de que ordem? Quais drogas, especificamente?
Apesar de ser difícil estabalecer um percentual, diria que aumentou cerca de 25%. O álcool é a droga mais recorrente, além de café e energético em alta medida. O problema é que aumentou o uso de drogas estimulantes, como cocaína e anfetamina. É uma forma de o cara conseguir escrever quatro ou cinco matérias em veículos diferentes, dormir três ou quatro horas, e dar conta do recado. Muitas vezes, sem tempo de ir ao psicólogo ou ao médico, o cara ouve falar de alguém que conseguiu ter um pique legal com “uma cheirada numa carreira” e aí ele perde o pé. É cada vez maior o número de pessoas que trabalham intoxicadas.

Como as dificuldades da profissão têm impactado a esfera pessoal e familiar dos profissionais?
Se há uma coisa que não se altera nas três pesquisas que realizei é que as mulheres, principalmente, queixam-se muito de como a profissão reflete na relação familiar e na relação com o companheiro. Primeiro, elas se queixam que não é fácil namorar com alguém que não seja da área. Começa a pintar ciúmes ou a convivência se torna muito esporádica. Já vi muitos jornalistas que só se encontram no aeroporto. 

Então, pode-se dizer que a profissão jornalística dificulta uma relação estável e fiel?
Muito. Mas, a queixa dessas pessoas é que elas, justamente, não querem isso. Elas querem um relacionamento, um companheiro. Não é questão de moralismo, mas o patológico está no fato de que a pessoa não quer trair. Se a pessoa está satisfeita com isso, pode até ser saudável. Mas, quando você se queixa disso – porque não é o que você quer, mas o que você pode fazer –, aí você começa a afetar a esfera subjetiva e, a longo prazo, até a saúde mental.

Investigou também a identidade e subjetividade do jornalista. O que concluiu?
O jornalista continua tendo uma identidade idealizada. Se você perguntar à população o que ela pensa sobre o jornalista, vai se falar que é um sujeito que denuncia, que sabe das coisas, enfim, a representação social é positiva. Por outro lado, a identidade real deste jornalista, sua vida concreta, é precarizada. Então há um gap, uma distância muito grande entre a identidade pessoal a representatividade social. Isso torna o jornalista muito inseguro e frustrado. 

Quais as consequências disso?
Ele se sente decepcionando com toda a população que o idealiza. Na última pesquisa, ficou muito clara a questão da culpa. Com a dificuldade na carreira, a pessoa começa, em sua narrativa pessoal, a puxar fatos do passado que são pueris. "Ah, eu me lembro que um redator me chamou para trabalhar e eu não fui." E isso dura anos. Ou seja, é infantil. Aí ele pode cair numa armadilha de achar que cometeu um erro estratégico no passado. E, agora, com maiores sacrifícios, ele decola. É uma maneira de ele pagar uma conta que ele tem com ele mesmo. A gente chama isso de dívida psíquica. É aí que ele se arrebenta para valer. 

Há saída para atenuar todos esses aspectos de tensão?
Deixar a profissão não é tão simples, demanda um planejamento a longo prazo. A única maneira de diminuir isso é começar a dialogar mais sobre isso, e nisso os sindicatos da categoria têm um papel importante. É uma categoria que continua sendo muito desunida.

A fraqueza política dos sindicatos tem a ver com isso?
Acho que contribui. É uma situação complexa porque, na medida em que as pessoas acabam não acreditando no poder das associações, estas associações acabam se tornando fracas. Uma associação não é uma abstração. Como eu não colaboro, a associação continua sendo fraca e ineficaz. Como não há uma correlação positiva de forças com essas grandes corporações que estabelecem o modo de vida do jornalista, elas trabalham totalmente independente da legislação. A legislação é clara: são cinco horas, mais duas. Mas eu nunca vi um caso de um jeito trabalhando sete horas. Eu vi 10, 12, 14 horas. Essas organizações acabam atuando à revelia da legislação. Ou você começa discutir isso para valer, ou não muda nada. Até porque a nova geração de jornalistas têm, realmente, aceitado qualquer jogo.

15 de fev. de 2013

Cresce risco para jornalistas no Brasil




Ao lado de nações como a Síria, o Irã e o Paquistão, o Brasil entrou, como quarto colocado, na lista dos países onde mais aumentaram os riscos para os jornalistas trabalharem no último ano, de acordo com relatório do Comitê para a Proteção de Jornalistas (CPJ), divulgado ontem em Nova York.


A inclusão do País, segundo o Comitê, ocorreu por causa do número de assassinatos de profissionais, considerado alto - quatro em 2012, depois de registrar três em 2011 -, pelo crescimento da censura judicial e por outro fator preocupante: a falta de punição dos responsáveis e lentidão da Justiça nos processos.

A contagem de baixas fatais no planeta, no ano passado, feita pelo Comitê, chegou a 67 profissionais - o que fez de 2012 "um dos piores anos desde que o CPJ começou a contabilizar as mortes, em 1992". O número só foi superado pelos 74 assassinatos registrados em 2009. Síria e Somália foram, juntos, os principais responsáveis pelo aumento de 42% de vítimas em relação ao ano anterior. Além deles, o informe de Carlos Lauria, coordenador do Comitê na América Latina, destaca a Rússia por suas leis repressivas, e a Etiópia, onde se recorreu até ao terror para silenciar a imprensa.

A lista não se refere aos piores lugares para a imprensa, mas aos que mais pioraram em relação à situação em que estavam um ano antes. Assim, além de mortes, impunidade e censura, contam fatores como leis mais duras e jornalistas forçados a deixar o país. Além de Síria, Irã, Paquistão e Brasil, a lista se completa com outro latino-americano, o Equador, mais Turquia, Somália, Rússia, Vietnã e Etiópia.

Brasil. No caso do Brasil, o documento define 2012 como um ano marcante: "No Brasil, quatro jornalistas morreram em relação direta com seu trabalho, o que representa o mais alto número do País em mais de uma década". Além dos quatro profissionais mortos em 2012 e mais três em 2011, o CPJ adverte que "está investigando outros quatro assassinatos nesse período (2012)" para determinar se eles têm ou não relação com sua vida profissional.

O CPJ considera o Brasil "historicamente um dos lugares mais perigosos" para o exercício da imprensa" e reproduz uma avaliação do correspondente da Al-Jazeera em São Paulo, Gabriel Elizondo: "Em pequenas cidades, blogueiros e editores de pequenos jornais e sites que denunciam a corrupção tem sido transformados em alvo". E o perfil, prossegue Elizondo, "é habitualmente o mesmo: um jornalista de cidade pequena, trabalhando para uma empresa pequena, que é alvo de tiros e morre".

As estatísticas confirmam a avaliação. Seis dos sete jornalistas mortos desde 2011 haviam publicado reportagens sobre corrupção política ou crime. Com a exceção de um deles, todos trabalhavam no interior do País - e o sistema judicial brasileiro, diz o relatório, teria falhado ao não punir os responsáveis.

Censura. "Censura judicial permanece sendo um problema no Brasil", adverte o Comitê, porque "empresários, políticos e autoridades públicas entraram com centenas de ações judiciais contra jornalistas críticos que teriam ofendido suas honras". Ao todo, os órgãos de imprensa receberam 191 ordens da Justiça para tirar material de suas páginas.

O CPJ também afirma que o Brasil "falhou ao não apoiar a liberdade de imprensa no cenário global". Ele destaca: "Em março de 2012, objeções levantadas pelo Brasil e algumas outras nações prejudicaram um plano da ONU para melhorar a segurança de jornalistas e combater a impunidade. Três meses mais tarde, o Brasil apoiou uma ofensiva do Equador para enfraquecer a Comissão Interamericana de Direitos Humanos". /GUSTAVO CHACRA, DE NOVA YORK, e GABRIEL MANZANO

Fonte: Site do Estadão

31 de jan. de 2013

Brasil cai nove posições em ranking de liberdade de imprensa

DA BBC BRASIL

O Brasil caiu nove posições no Ranking de Liberdade de Imprensa Mundial de 2013 e agora ocupa a 108ª colocação entre 179 nações. Na lista do ano passado, o país já havia caído 41 posições em relação a 2011.

Segundo a organização não-governamental Repórteres Sem Fronteira, que atua na defesa da liberdade de imprensa em todo o mundo, ''o cenário da mídia brasileira enfrenta graves distorções''.

''Fortemente dependente de autoridades políticas no nível estadual, a mídia regional está exposta a ataques, violência física contra seus profissionais e censura provocada por ordens judiciais, que também atingem a blogosfera'', afirma o texto do relatório.

Esses problemas, segundo o documento, ''foram exacerbados por atos de violência durante a campanha municipal de outubro de 2012''.

Em uma escala de 0 a 100, em que 0 representa total respeito à liberdade de imprensa e 100, o oposto, o Brasil fez 32,75 pontos.

De acordo com a Repórteres Sem Fronteira, os critérios para elaborar o ranking incluem avaliações sobre pluralismo, independência da mídia, ambiente de trabalho e autocensura, legislação, transparência e infraestrutura.

América Latina

Na América Latina e no Caribe, as nações que melhor figuram na relação são a Jamaica, na 13ª posição (um avanço de três posições), e a Costa Rica, que está em 18º lugar (e subiu uma posição).

Entre os sul-americanos, o país que melhor figurou no ranking foi o Uruguai, que ocupou o 27º lugar e cresceu cinco colocações.

No continente americano, o Brasil ficou atrás ainda de Suriname (31º), Estados Unidos (32º), El Salvador (38º), Trinidad e Tobago (44º), Haiti (49º), Argentina (54º), Chile (60º), Nicarágua (78º), República Dominicana (80º), Paraguai (90º), Guatemala (95º) e Peru (105º).

O Peru subiu dez posições e passou à frente do Brasil no ranking. Mas a liberdade de imprensa no país está à frente de outras nações da região, como Bolívia (109º), Venezuela (117º) e Equador, que caiu 15 colocações e agora está em 119º.

Com um total de seis jornalistas mortos no ano passado, o México manteve o status de país mais perigoso para jornalistas nas Américas e teve uma das piores colocações da região (153ª). O pior desempenho do continente americano foi o de Cuba (171º), considerada também um dos dez países da lista com o pior índice de liberdade de imprensa.

Perigo

Entre os países considerados mais perigosos para a atividade jornalística figuram a Somália (175º), seguida do México e do Paquistão (159º).

A nação classificada como a mais perigosa para jornalistas foi a Síria (176º). Outros países do Oriente Médio sacudidos pela onda de protestos populares conhecida como Primavera Árabe também figuram em posições baixas na lista.

Tunísia, Egito e Tunísia, que promoveram a derrubada de regimes autocráticos, ocupam respectivamente a 138ª, a 158ª e a 131ª colocações. Outras nações do Oriente Médio também aparecem entre as mais baixas colocações, como Omã (141º) e Iêmen (169º).

O relatório afirma que ''alguns dos novos governos levados ao poder pelos protestos se voltaram contra jornalistas e blogueiros que cobriram as manifestações desses movimentos e suas aspirações por mais liberdade''.

Topo e base

Os mesmos três países que lideraram o ranking no ano passado novamente ocupam o topo da lista na relação deste ano.

Na primeira posição, a Finlândia voltou a ser classificada como o país que mais respeita a liberdade de imprensa, seguida, respectivamente, da Holanda e da Noruega.

Segundo a Repórteres sem Fronteira, apesar de serem seguidos diferentes critérios, que vão da legislação dos diferentes países até atos de violência praticados contra jornalistas, há um padrão recorrente tanto nas primeiras como nas últimas colocações.

''Países democráticos ocupam o topo da relação, enquanto países ditatoriais ocupam as últimas três posições. Novamente, são os mesmos três do ano passado, Turcomenistão (177º), Coreia do Norte (178º) e Eritréia (179º)'', afirma o documento.

Além destas três, nas últimas colocações figuram ainda Cuba , Vietnã (172º), China (173º), Irã (174º) e Somália.

3 de dez. de 2012

Cinejor debate produção de reportagens e jornalismo “de verdade”


Correria, deadline, tumulto, pressão... nada do que costuma ocorrer no dia a dia de uma redação jornalística fez parte das produções apresentadas no segundo Cinejor, promovido pelo Sindicato dos Jornalistas de Mato Grosso (Sindjor/MT), no dia 24 de novembro. Ao contrário, os curtas produzidos pelo jornalista Rodrigo Vargas e pelo repórter fotográfico José Medeiros, “Nativa: movimento feminino nas aldeias” e “A Cruz do Padre João”, são verdadeiros exemplos de como a elaboração de reportagens é coisa cada vez mais distantes do jornalismo diário.

Esse foi o tema do último encontro, que rendeu excelentes reflexões. Em “Nativa”, os produtores trazem aos espectadores uma visão bem próxima da discussão feminina dentro das aldeias indígenas. Cem mulheres, de 16 etnias, mostram que a postura da mulher indígena está bem longe de ser submissa, como algumas pessoas imaginam. “Se você vai a uma aldeia, você pode ter uma impressão errada, de que as índias são quietas, caladas, submissas, mas é o contrário”, comenta Rodrigo Vargas.

“Me surpreendeu ver que os índios e as índias vivem em pé de igualdade e ver que elas têm uma postura tão clara de que a mulher deve respeitar o homem, assim como o homem deve respeitar a mulher”, comentou a tesoureira do Sindjor, Priscila Mendes, e ressaltou que as mulheres “brancas”, por vezes, se submetem a questões de desrespeito. Isto é, a cultura indígena se apresenta mais avançada nesse sentido do que a não indígena, enquanto muitos ainda teimem em promover a ideia de que os povos indígenas são, de alguma maneira, “atrasados”.

Com apenas 200 reais custeados pela empresa em que trabalhavam na época, mas uma vontade de ver e mostrar diferentes realidades impossível de ser calculada, os profissionais partiram, em 2006, a convite da Convenção das Igrejas Batistas Independentes (CIBI), para o evento que reuniu as participantes do movimento feminino nas aldeias. E a produção de um vídeo de qualidade, que aborda um tema tão interessante a baixo custo foi uma das questões levantadas na discussão. Por que as empresas jornalísticas não investem mais em trabalhos desse tipo? Quantos outros bons trabalhos poderiam ser realizados se houvesse incentivo?

Mas o que motiva essa vontade nos jornalistas? “Quando você vê uma notícia dizendo que Colniza é a cidade mais violenta do país, você vai lá ver, e dá uma puta matéria”, explicou José Medeiros, quando questionado de seus motivos. Empolgado, o repórter contou diversas curiosidades das viagens que fez com o colega em busca de boas reportagens, como o caso do “último mato-grossense”, que mora na última casa antes da fronteira com o Pará, no município de Apiacás. “Último se você estiver vindo do sul, mas se você vier do norte eu sou o primeiro”, brinca Rodrigo, reproduzindo a fala do entrevistado, que o alertou sobre a importância das diferentes perspectivas que rodeiam as situações.

Para ele, as experiências pessoais, o contato com o outro e o conhecimento a partir destas vivências é que são o mais interessante dessas jornadas.

O vídeo, gravado com uma câmera amadora e editado em casa, foi exibido no Festival de Cinema e Vídeo de Cuiabá, nos Festivais de Cinema de Santa Maria, no Rio Grande do Sul, e de Vitória, no Espírito Santo, e também foi selecionado para ser exibido em um festival francês.

O segundo curta, “A cruz do padre João”, mostra a Romaria dos Mártires da Caminhada, realizada a cada cinco anos, em homenagem às vítimas da luta pela terra em Ribeirão Cascalheira, região do Araguaia, mortos em outubro de 1976. Entre eles, o padre João Bosco, assassinado por um policial. Trinta anos depois do fato que revolucionou a cidade, os moradores relembram que o município pode ter sofrido com a repressão, que “acabou Ribeirão Cascalheira, mas não acabou com o povo”, como diz Raimundo Soares, um dos entrevistados no curta.

Nos emocionantes depoimentos daqueles que vivenciaram a história, a dor de quem perdeu amigos e parentes lutando por algo que deveria ser direito de todos: um simples pedaço de terra. Ao mesmo tempo, o orgulho por ter pertencido a um forte movimento popular, que teve a coragem de enfrentar um poder que estava ali estabelecido. O vídeo produzido por Rodrigo Vargas, desta vez com uma verba de R$ 1600,00, gastos com o aluguel da câmera e editado pelo próprio jornalista, em casa, evidencia que esse sentimento, de trinta anos antes, resiste até na população local hoje.

Em 2007, “A cruz do padre João” foi o premiado como o melhor curta metragem no 14º Festival de Cinema e Vídeo de Cuiabá.

“Eu fico pensando... esses vídeos são regionais, mas será que os colegas conhecem? Essa é a nossa história! Eu não nasci aqui, mas moro e trabalho. Essa é a minha história também”, questionou a presidente em exercício do Sindjor, Keka Werneck.

Chamou a atenção também a riqueza de detalhes de informações passadas pelos entrevistados no vídeo, a naturalidade e desenvoltura, o que levou o jornalista Robson Fraga, que trabalha com tele jornalismo, a levantar a questão da escolha das fontes.

“Eu acho que tem que ter feeling”, respondeu José Medeiros. Além disso, para ele, quando se faz trabalhos desse tipo, o profissional acaba aprendendo a conquistar, aos poucos, a confiança e a simpatia dos entrevistados.

Na verdade, a qualidade de texto, de imagem, de fotografia, sensibilidade para o fazer jornalístico em geral foi o grande foco do debate. Mas será que os jornalistas devem trabalhar como “voluntários” para conseguir fazer um trabalho de qualidade? O ideal é que questões como essa nunca se esgotem nos debates da categoria...

Os curtas exibidos no Cinejor estão disponíveis na internet. Para assistir “Nativa: movimento feminino nas aldeias”, clique aqui. Para ver “A cruz do padre João”, clique aqui.

14 de nov. de 2012

35º CNJ - Carta de Rio Branco

Os jornalistas brasileiros, reunidos em seu 35º Congresso Nacional, realizado em Rio Branco (Acre), no período de 7 a 10 de novembro, dirigem-se à Nação Brasileira para expressar suas preocupações relativas ao modelo de crescimento econômico adotado na maioria dos países do mundo, no qual o ser humano, o respeito aos demais seres vivos e a utilização responsável dos recursos naturais do planeta não são a prioridade.

A categoria entende que a mais recente crise do capitalismo reforça a necessidade de a humanidade buscar novos caminhos para o efetivo desenvolvimento dos diversos povos que habitam o planeta, reunidos ou não em nações. A forma predatória de exploração do ser humano e dos recursos naturais do planeta precisa dar lugar ao desenvolvimento com sustentabilidade.

Este é um salto para o qual o Jornalismo e os jornalistas profissionais têm importante contribuição a dar. O Jornalismo Ambiental deve ser difundido até que cheguemos à condição ideal de que todo o Jornalismo seja ambiental. E, para além do jornalismo especializado, o olhar sobre as questões socioambientais – pilares da sustentabilidade – tem de estar presente, transversalmente em toda a cobertura jornalística.

O Jornalismo, como forma de conhecimento imediato da realidade, deve proporcionar aos cidadãos(ãs) brasileiros(as), as informações necessárias para a formação do juízo crítico em relação ao que é comumente apresentado como avanço para a Nação. Desenvolvimento medido pelo crescimento do Produto Interno Bruto (PIB), por exemplo, não revela os custos socioambientais que quase invariavelmente são gerados.

Para cumprir seu papel social, os jornalistas precisam contar com um ambiente de real liberdade de expressão e de democracia nas comunicações. Assim como os autonomistas acreanos lutaram, no passado, para conquistar seus direitos políticos, transformando o Acre em Estado, os jornalistas lutam pela conquista de autonomia intelectual sobre seu trabalho. Esta autonomia é condição para que o Jornalismo seja meio para a liberdade de expressão dos diversos segmentos da sociedade, em especial da classe trabalhadora.

A categoria, que é protagonista no debate sobre a democratização dos meios de comunicação, reitera a urgência da aprovação de um novo marco regulatório para a área das comunicações, sob a princípio do controle público dos meios, entendido como um conjunto de mecanismos e espaços públicos que atuem no sentido de impedir o predomínio de interesses privados em detrimento do interesse geral da sociedade. Para isso, conclama a presidenta Dilma Rousseff a levar adiante as propostas aprovadas na Conferência Nacional de Comunicação (Confecom), realizada em 2009.

Entre estas propostas, os jornalistas destacam a criação do Conselho Nacional de Comunicação, a aprovação de uma nova Lei de Imprensa para o país e a necessidade de aperfeiçoar a regulamentação da profissão de jornalistas, tendo como base a criação do Conselho Federal e Conselhos Regionais de Jornalistas (CFJ) e, ainda, a retomada da exigência da formação de nível superior em Jornalismo para o exercício da profissão, com a aprovação na Câmara dos Deputados da Proposta de Emenda à Constituição (PEC), já aprovada no Senado.

Neste sentido, os jornalistas repudiam todas as tentativas de classificar como autoritárias as propostas de regulamentação da profissão de jornalista e do setor das comunicações, manipulação promovida pela mídia conservadora que, frequentemente, também atua contra os governos progressistas da América Latina.

Os jornalistas brasileiros também precisam de condições dignas de trabalho. Por isso reivindicam a aprovação da lei federal que cria o Piso Nacional da Categoria e o respeito à jornada de trabalho de 5 horas diárias e às demais normas estabelecidas na CLT, para por fim à crescente precarização das relações de trabalho.

A categoria reivindica a implementação de um protocolo nacional, a ser celebrado com os empregadores, contemplando o Piso Nacional, o respeito aos direitos de autor dos jornalistas e medidas para garantir a segurança dos trabalhadores no exercício da profissão.

Os jornalistas somam-se ao esforço de resgate da dívida histórica para com aqueles que foram vítimas de violências praticadas pelo Estado Brasileiro quando sob domínio da ditadura militar e o fazem por meio da criação da Comissão Memória, Verdade e Justiça da FENAJ.

Por fim, os jornalistas brasileiros reafirmam seu compromisso com promoção da igualdade de gênero e etnicorracial, entendendo que os grupos sociais historicamente discriminados têm o direito de desfrutar do binômio justiça e desenvolvimento. Reafirmam também o compromisso com a observância de seu Código de Ética, com a defesa das liberdades de expressão e de imprensa e do direito do cidadão (ã) à comunicação, ressaltando o papel fundamental do Jornalismo na consolidação da democracia e da cidadania.

Rio Branco, 10 de novembro de 2012.

Jornalistas do Brasil mantêm luta pelo diploma e pensam a profissão em Congresso Nacional



O Sindicato dos Jornalistas de Mato Grosso (Sindjor-MT) encaminhou a maior parte das proposições contidas no caderno de teses que norteou o debate no 35º Congresso Nacional dos Jornalistas realizado entre 7 e 10 de novembro em Rio Branco, capital do Acre.

Foram 16 proposições de Mato Grosso, entres teses e emendas, tiradas, através do voto, no III Congresso Estadual dos Jornalistas, realizado em abril de 2011, na capital Cuiabá.

Uma das teses propostas por Mato Grosso, e que foi aprovada pela plenária, é a que questiona a permanência do profissional de comunicação na mídia quando passar a exercer mandato político partidário. A tese vai na direção de uma outra matéria também aprovada em dezembro de 2009 na I Conferência Nacional de Comunicação.

Além das contribuições de MT, foram inscritas sete formulações da diretoria da Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj) - realizadora do evento, mais nove do Distrito Federal, quatro de Minas Gerais, quatro do Rio Grande do Sul, cinco de Alagoas, três de São Paulo, duas do Ceará, duas do Rio de Janeiro, uma da Comissão Nacional de Ética e duas de Santa Catarina.

O Congresso, ainda que pequeno – tendo aglomerado não mais que 70 delegados eleitos em boa parte dos 31 sindicatos filiados à Fenaj – é a instância máxima de deliberação da categoria. O que é decido ali no voto vale como proposta de implementação para os próximos dois anos.

Há que se considerar as dificuldades geográficas para se chegar ao Acre, um estado fora do eixo Rio-SP-DF. No entanto, quem foi teve a oportunidade de conhecer um pouco do extremo Oeste do Brasil, a fisionomia dos acreanos, a dinâmica social, as questões socioambientais. Ali é o coração urbanizado da floresta amazônica.

Apesar do tema monocórdio das mesas ter sido sustentabilidade (“Os desafios do jornalismo e sua contribuição para o desenvolvimento sustentável), o que polemizou de fato no evento foram, nas plenárias, as questões mais urgentes trabalhistas, como a recolocação do diploma como obrigatoriedade para o exercício legal da profissão, a sindicalização de jornalistas não-diplomados e a implementação do Conselho Federal dos Jornalistas (CFJ).

Se a luta do diploma unifica a categoria que atribui a escola fundamental tarefa formativa, a sindicalização de não-diplomados divide opiniões. Os sindicatos de São Paulo, Ceará, Distrito Federal e Mato Grosso avaliam que, de acordo com o papel de qualquer sindicato, todos os trabalhadores do segmento devem ser acolhidos pela entidade. Já a direção da Fenaj e a grande maioria dos sindicatos entendem que não e que isso seria uma afronta à luta pela diploma que tem se mostrado vitoriosa no Congresso Nacional.

Porém, conforme o presidente do Sindicato dos Jornalistas do DF, Lincom Macário, o trâmite tranquilo observado no Senado dificilmente se repetirá na Câmara Federal, inclusive porque, conforme ele alerta, vem ainda a lei dos meio e, na disputa política do marco regulatório, os deputados serão muito mais pressionados a não garantir conquistas aos jornalistas, para enfraquecer a categoria.

O coletivo Luta, Fenaj cobrou, durante o Congresso, uma Federação mais engajada, combativa e forte, que acompanhe os sindicatos nas campanhas salariais, em prol de uma campanha forte e unificada pelo piso nacional de R$ 3.720.

O presidente da Fenaj, Celso Schoereder, admite que a entidade tem focado quase que exclusivamente na luta pelo diploma e também na briga pelo marco regulatório dos meios. A direção da Fenaj não admite, porém, que as críticas conduzam a uma mudança de postura na entidade que existe para representar os jornalistas brasileiros, hoje tão precarizados, desrespeitados, marginalizados das decisões editoriais.

A diretoria do Sindjor vai convocar uma assembleia geral para o dia 21 de novembro, uma quarta-feira, às 19h em primeira convocação e 19h30 em segunda, com a seguinte pauta: informes e avaliações sobre o 35º Congresso Nacional; IV Congresso Nacional dos Jornalistas; atrasos salariais; sindicalização e encaminhamentos.

Comissão aprova projeto que regulamenta profissão de fotógrafo


A Comissão de Trabalho, de Administração e Serviço Público aprovou na quarta-feira (7) proposta que regulamenta a profissão de fotógrafo (PL 2176/11).

O relator do projeto, deputado Laercio Oliveira (PR-SE), apresentou emenda para excluir do texto o repórter fotográfico, a serviço de empresa jornalística. De acordo com Oliveira, a relação de trabalho desse profissional deve ser regida pelo Decreto-Lei 972/69, que trata da profissão de jornalista.

Para o relator, a proposta vai incluir os fotógrafos no “mundo formal”. Ele afirma que, com a regulamentação profissional, “as relações de emprego e os negócios jurídicos por ela gerados poderão ser devidamente fiscalizados”.

Condições
Pela proposta, de autoria do deputado Fernando Torres (PSD-BA), estão aptos ao exercício profissional de fotógrafo os diplomados em fotografia no ensino superior ou no ensino técnico; e também os não diplomados que, à data da vigência da nova lei, tenham exercido a profissão por, no mínimo, dois anos.

Para a comprovação desse tempo de serviço, será exigida declaração da respectiva entidade de classe, além dos recibos de pagamentos de serviços prestados, em papel timbrado, ou declaração com firma reconhecida em cartório.

Tramitação
O projeto tem caráter conclusivo e seguirá para a Comissão Constituição e Justiça e de Cidadania.

Fonte: Agência Câmara

8 de out. de 2012

Atenção: Reunião ordinária desta semana será na quarta-feira


A diretoria do Sindjor/MT informa que a reunião ordinária desta semana será realizada na quarta-feira, dia 10 de outubro, às 19h, na sede do Sindicato. A mudança se deu porque muitos integrantes participam, nesta segunda-feira, de outra atividade política, de cunho pessoal e não partidário.

Atenciosamente. 

A diretoria.

3 de out. de 2012

Em seis meses, 110 jornalistas foram mortos no mundo; Brasil ocupa a quarta posição

Brasília – Apenas nos seis primeiros meses deste ano, 110 jornalistas foram mortos no mundo em situação considerada de violência e atentado à liberdade de imprensa, segundo a organização não governamental (ONG) Press Emblem Campaign (PEC). No ano passado, foram registradas as mortes de 107 profissionais de imprensa no mundo. O Brasil está na quarta posição, registrando seis jornalistas mortos nesse período.

A PEC listou os 21 países mais violentos para o exercício da profissão. Na América Latina, os campeões são o Brasil, em primeiro lugar, seguido por Honduras, pela Bolívia, pela Colômbia, pelo Haiti e pelo Panamá.

Na relação dos mais violentos estão a Síria, que registrou 21 mortes em mais de um ano de crise; o México, que identificou oito e vive um combate entre o governo e os cartéis de drogas e armas; a Somália, que vive uma guerra civil e registrou seis mortos; o Paquistão, que registrou seis mortos; o Brasil, também com seis e Honduras, com quatro.

Também estão nessa lista Filipinas que registrou quatro mortos, a Nigéria, três, a Bolívia dois, a Índia também dois. O Afeganistão identificou um jornalista morto, assim como o Barhein, a Colômbia, o Haiti, a Indonésia, o Iraque, o Nepal, Uganda, o Panamá e a Tailândia.

O número de jornalistas mortos no cumprimento do dever é atualizado mensalmente, segundo a organização, por isso alguns dados são modificados de acordo com o mês apurado. De 2007 a 2011, 545 jornalistas foram mortos.

A PEC usa estatísticas relacionadas a mortes suspeitas entre jornalistas, correspondentes,freelancers, cinegrafistas, técnicos de som, técnicos, fotógrafos, produtores, administradores e jornalistas de online. Os dados não incluem motoristas, seguranças nem tradutores, por exemplo.

A organização informou que recebe informações de associações de imprensa, sindicatos e federações, assim como das Nações Unidas. A análise dos dados se baseia em quatro categorias: as vítimas que são alvos intencionais, os que são mortos acidentalmente, os relacionados a causas criminais, como no caso de traficantes, e fatores desconhecidos.

*Mais informações podem ser obtidas na página da PEC // Edição: Lílian Beraldo

Fonte: Agência Brasil

CAMPANHA: FAÇA SUA CARTEIRA DE JORNALISTA

Atenção, colegas jornalistas,


Se você já tem seu registro profissional, é muito importante requisitar também sua carteira de jornalista, que é emitida pela Fenaj, através do Sindjor/MT.



Essa carteira profissional pode ser usada em demais atividades jornalísticas em todo território nacional, facilitando a identificação e a garantia de direitos, como a lei da meia entrada cultural, por exemplo. A carteira do jornalista também é documento oficial de identificação.

Você não tem sua carteirinha ainda? Procure o Gilmar (8145-4674) ou ligue para a Karoline, no Sindjor (3025-4723, das 12h às 18h).

A carteira custa:

R$ 85 para sindicalizados em dia;
R$ 170 para sindicalizados em atraso (negocie sua dívida e fique em dia!);
R$ 320 para não sindicalizados.

25 de set. de 2012

VII SIMPÓSIO DE JORNALISMO DA UNEMAT\ALTO ARAGUAIA - Conferência de abertura destaca relação entre eleições e imagem na mídia


Professor doutor Paulo da Rocha Dias, da UFMT\Cuiabá, associa tema com sensacionalismo e simulações


Da assessoria
(Gibran Luis Lachowski)

O VII Simpósio de Jornalismo da Universidade do Estado de Mato Grosso (Unemat)\campus Alto Araguaia começa hoje (terça-feira, 25), tendo como destaque a conferência “A imagem na mídia: estética do espetáculo, identidade, persuasão...”, que se refere ao tema do evento. A palestra será feita a partir das 19h pelo professor doutor em Comunicação Paulo da Rocha Dias, da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT)\campus Cuiabá.

O Simpósio é organizado pelo Departamento de Comunicação Social da Unemat e se estende até sexta-feira (28) com palestras, oficinas, minicursos, trabalhos científicos, festival de vídeos e realização de prêmio de jornalismo entre acadêmicos. O evento espera cerca de 100 pessoas entre acadêmicos, professores e população local.

Dias adiantou que em sua conferência fará uma conexão entre eleições, sensacionalismo e a capacidade que a mídia tem de criar simulacros. O historiador britânico Lawrence Reese e os pensadores franceses Guy Debord e Jean Baudrillard vão lhe dar suporte teórico na discussão sobre imagem na mídia.

A atuação acadêmica de Dias é em Teoria e Ética do Jornalismo, com enfoque em teoria da comunicação e comunicação ligada a assuntos como política, religião, cidadania e cultura.

A mediação da conferência será efetuada pela jornalista e professora mestre Giovanna Betine, da Unemat. Nas posições de debatedores, os jornalistas e professores mestres Eduardo Medeiros, da mesma instituição, e Nara Chaves Mourão, do curso de Comunicação da UFMT\campus Barra do Garças.

“Nosso objetivo com o tema ‘A imagem na mídia’ é discutir algo que está muito presente no dia a dia das pessoas. Afinal, a mídia é uma fábrica de imagens, e usa isto em toda a sua programação”, explica Betine, integrante da equipe de organização do Simpósio.

Programação

Na noite de amanhã (quarta, 27) o jornalista Rodrigo Vargas, que atua em Cuiabá e foi correspondente da “Folha de São Paulo” em Mato Grosso, discute a relação entre vida de repórter com estética do espetáculo e sensacionalismo.

O Simpósio tem 12 oficinas\minicursos, entre eles de humor no jornalismo, jornalismo e literatura, jornalismo e meio ambiente, edição e radiojornalismo, expressão oral e reportagem auxiliada por computador. Mais informações constam do blog do evento: 7simposiodejornalismo.blogspot.com.br

Mais informações com professor da Unemat e jornalista Gibran Luis Lachowski, membro da comissão organizadora do evento, pelo 66 9612-5018 e pelo e-mail simposiodejornalismo.unemat@gmail.com

24 de set. de 2012

Exposição '1000 mulheres pela paz ao redor do mundo' chega a Cuiabá



Constituída de rostos, fotos e fatos, a exposição “1000 Mulheres Pela Paz ao Redor do Mundo”, que visitou todo país, chega a Cuiabá. O evento ocorre do dia 26 de setembro a 10 de outubro, no Pavilhão das Artes, localizado na Rua Antonio Maria, 151, na Praça da República, no centro da capital. O solenidade de abertura contará com integrantes da Associação Mulheres da Paz (AMP), além de Clara Charf, de 87 anos, ativista política e viúva do guerrilheiro Carlos Marighella, um dos principais organizadores da luta armada contra o regime militar. A entrada é franca. 

Em 2005, para o Prêmio Nobel da Paz, a associação suíça Mulheres pela Paz ao Redor do Mundo”, com o apoio da Unesco, propôs a indicação de 1000 mulheres que, em 150 países, representavam as lutas contra a violência, a discriminação, a opressão e a miséria, em inúmeros espaços e frentes. O Comitê do Prêmio Nobel daquele ano não premiou o coletivo das mulheres, mas a articulação internacional que levou à seleção dos 1000 nomes mobilizou diferentes campos da sociedade, revelando a garra e a diversidade da atuação das indicadas, apesar dos múltiplos empecilhos que encontram no seu dia-a-dia.

Agora, seus rostos estão fixados nas imagens da exposição fotográfica, num convite à continuidade e ao aprofundamento da ação dessas e de toda a sociedade na promoção da paz, dos direitos humanos, da justiça e da segurança. A abertura do evento acontece no dia 26, quarta-feira, das 19h às 22h, no Palácio da Instrução, com painel temático sobre a importância de se dar visibilidade ao trabalho das mulheres e os novos desafios de trabalhar a questão da violência doméstica reunindo mulheres e homens.

A exposição contará com a presença de autoridades e lideranças locais, além de uma das brasileiras indicadas ao Prêmio Nobel da Paz 2005. No Brasil, a coordenação do processo de mobilização e seleção teve à frente Clara Charf, militante dos direitos das mulheres de longa e de reconhecida história, com o apoio de várias representações do movimento de mulheres, feminista, popular, sindical e da academia. Mais de 300 mulheres foram indicadas por pessoas e organizações do país. Em uma difícil tarefa, a Comissão de Seleção chegou a 52 nomes, notáveis pelas suas lutas e trabalhos nos quilombos, nas aldeias, no campo, em vilarejos, cidades, megalópoles. E seus rostos e perfis são também homenageados na publicação “Brasileiras Guerreiras da Paz”, cujo relançamento acontecerá no dia da abertura da exposição.

         As iniciativas são uma realização da Associação Mulheres pela Paz, presidida por Clara Charf, hoje com 87 anos, e dirigida por Vera Vieira. Contam com o patrocínio da Petrobrás e com o apoio da Associação Mulheres pela Paz ao Redor do Mundo (Suíça), EED (Alemanha), Fundação Avina, Instituto Avon, Vital Voices, NNEDV e Secretaria de Políticas para as Mulheres do Governo Federal. A imprescindível parceria local é de: UFMT/Nuepom, Governo de Mato Grosso, Secretaria de Estado de Cultura, Pavilhão das Artes (Palácio da Instrução), SEJUDH, Superintendência da Mulher de Mato Grosso, Prefeitura de Cuiabá, FAMMT e SINTEP-MT.

        Ao difundir as imagens dessas mulheres, a exposição quer deixá-las fixadas não apenas como “memória”, mas como estímulo, efeito multiplicador do que já se fez e do muito que se há de fazer em todo o mundo, por essas e por milhões de tantas outras mulheres que lutam pela paz, cujo exercício se dá no cotidiano.

SERVIÇO:
Exposição: 1000 Mulheres pela Paz ao Redor do Mundo
Painel temático: Mulheres e Homens pela Paz e contra a Violência Doméstica e a Importância de se dar visibilidade ao trabalho das mulheres (com a presença de autoridades e lideranças locais, além de uma das brasileiras indicadas ao Nobel da Paz 2005)
Relançamento do livro Brasileiras Guerreiras da Paz
Dia e horário da abertura e lançamentos: 26 de setembro, quarta-feira, das 19h às 22h.
Período da exposição: de 26 de setembro a 10 de outubro de 2012.
Local: Pavilhão das Artes- Palácio da Instrução - Rua Antonio Maria, 151 - Praça da República - Cuiabá/MT
Assessor de imprensa: José Fernando (65) 9664-6696

4 de set. de 2012

Após Seminário, Elaine Tavares presenteia nossa cidade e as nossas "gentes" com suas doces palavras

Confiram o texto publicado hoje pela jornalista em seu blog, o Palavras Insurgentes

Circulando por Cuiabá


Os aglomerados urbanos exercem sobre mim profundo encantamento. Por conta disso, gosto de caminhar pelas cidades, sentindo a beleza que nasce desde a mão humana. Mesmo nos lugares mais inauditos, sempre é possível realizar esse que é o encontro mais sagrado: o da nossa humanidade. Foi assim que o mês de setembro me surpreendeu em Cuiabá, Mato Grosso, a porta de entrada da majestosa Chapada dos Guimarães. Nas primeiras horas, um estranhamento. Longas avenidas, casas baixas, cidade gris, esfumaçada pelas queimadas, vegetação seca, e o abafado calor. Faltavam as gentes.

Então, pelas generosas mãos da Rose, baixamos para o centro. Baixar é mesmo o melhor verbo, já que a parte histórica da cidade fica numa depressão. Aí, foi uma sucessão de belezas. O centro de Cuiabá é a vida pulsante da cidade. As ruas mais estreitas, a profusão de lojas, os casarões antigos, as casinhas geminadas, as mangueiras carregadas de frutas e os cuiabanos. Essa gente ora pantaneira, ora amazônica, ora do cerrado, de cor de cuia, traços indígenas e cheia de alegria.  Apesar do calor de deserto, as ruelas fervilham – muitas foram transformadas em calçadões - a música toca alto, e os mais velhos descansam nas praças cheias de grandes mangueiras. Também pululam as barraquinhas, com artesanato local e comidas de rua, os mais espetaculares pitéus.

Na Praça Santos Dumont, no cair da noite, pode-se visitar a barraca do Sérgio Pavão, um carioca que escolheu Cuiabá para viver e foi o primeiro a trazer para a rua a comida típica do lugar. Maria Isabel - uma espécie de carreteiro, Feijoada de Pintado, Arroz com Pacu seco, feijão empamonado, farofa de banana , carne seca com banana verde, ventrecha de pacu, mujica de pintado com mandioca, e uma série de outras delícias. O sabor de Cuiabá, esse lugar mágico.

De manhã, pode-se tomar café em qualquer padaria, sempre acompanhado da chipa, uma espécie de salgado com queijo e o famoso bolinho de arroz, marca registrada da cultura local. Arroz pilado, docinho, evocando a beleza da vida simples, pantaneira.

O Mercado do Peixe, próximo ao rio Cuiabá, no finalzinho do centro histórico, é espaço de maravilhas. Todos os peixes da região se mostram em beleza, alimento das gentes, marca da cultura. O pescador, assombrado com a formosura do dourado, o qual pesca diariamente, anuncia orgulhoso: "Esse é o rei do rio. O mais bonito, o mais forte". Ele diz que a batalha com o peixe é sempre uma epopeia, daí o seu respeito pelo bicho. Coisa de emocionar. Nas barracas das frutas aquele cheiro fresquinho, o perfume da manga, banana, caju, jaca, bocaiúva, pequi. Um universo colorido que enche a boca de vontades. O famoso furrundu, doce típico do lugar e a farinha de mandioca flocada são estrelas no lugar. O lugar ainda vende toda a sorte de comidas típicas, o néctar dos deuses.

Ainda próximo ao rio está o Arsenal, antiga penitenciária colonial que foi totalmente reformada pelo sistema do Sesi. Virou um centro de cultura dos mais incríveis. Por ali, na tarde modorrenta, dezenas de crianças circulam nas oficinas de dança, no teatro, cinema, bibliotecas e oficinas de música. Também ali se pode encontrar a famosa viola de cocho, instrumento típico daquele povo. É uma viola feita de um único tronco, apenas escavada no local onde deveria ficar o buraco que forma a caixa de ressonância. Chama-se assim porque é feito do mesmo jeitinho que o caboclo faz o cocho para alimentar os animais. É invenção do povo simples da roça, e arpeja os sons mais doces, porque cheios da simplicidade do homem rural. Ouvir a viola é comungar com alma do pantanal, tanto que ela já considerada patrimônio imaterial da região.

E assim se vai conhecendo as riquezas de Cuiabá. Na igreja de Nossa Senhora do Bom Despacho pode-se admirar a arquitetura. Ela é uma réplica da catedral de Notre Dame e enche de orgulho aqueles que ali trabalham. Mesmo no adiantado da hora, o vigia abre a porta para que as pessoas entrem e admirem. "É a nossa riqueza, temos de mostrar", e aponta, orgulhoso, as reformas feitas, a nova pintura e a beleza da imagem da virgem, esculpida em madeira e com cara cuiabana.

Em frente à Câmara de Vereadores está outra coisa fascinante. A demarcação do centro geodésico da América do Sul. Exatamente o meio do nosso lindo continente. Um obelisco marca o ponto exato do coração pulsante desta parte sul de Abya Yala e ali pode-se sentir a energia poderosa de um "povo sin piernas, pero que camina". Cuiabá é exemplo disso. Dominada pelas forças do latifúndio e do agronegócio mostra também muita pobreza, essa pobreza que nasce da exploração contínua e cotidiana. Ainda assim, sente-se a potência das gentes, na resistência concreta do dia-a-dia, com sorriso na cara, mas com a mão valente sempre pronta para a luta. Agora, que a cidade virou sede da Copa do Mundo, a vida se complicou. As obras estão em todos os lugares, as ruas estão trancadas, o aeroporto fecha, o transtorno é grande. "Fazem estádios e não calçam as ruas", reclamam os que sacolejam nos ônibus lotados e escassos. Boa parte das gentes acredita que vai ser bom sediar a copa, acreditam nos governos que os jogos trarão fartura. Mas outro há que sabem das mazelas e estão vigilantes.

Cuiabá também é centro de muitas batalhas travadas pelos povos indígenas. Desde as incursões dos ferozes bandeirantes que avançavam pelo centro brasileiro na busca do ouro, que as comunidades da região amargam derrotas e terrores. Os primeiros a enfrentar a sanha invasora foram os coxiponés, e depois as demais etnias, cada dia mais empurradas para o abismo das reservas e da vida tutelada. Desde a fundação da cidade em 1719 até os dias de hoje, os indígenas precisam batalhar para garantir cada pequeno avanço de demarcação de terras, de preservação da cultura, de vida digna. E, como no passado, hoje seguem enfrentando os gananciosos, os ferozes grileiros de terra, os grandes fazendeiros, que passam ao povo - quase todo de descendência indígena  - a ideia de que índio é coisa ruim, é atraso do progresso e que, portanto, deve ser eliminado. Mas, ao mesmo tempo, esses mesmos dominadores usam da beleza da cultura indígena para ganhar dinheiro. É comum ver hotéis com nomes indígenas, decorados com quadros que mostram a vida simples do homens e mulheres autóctones. No Paiaguas, um hotel chique do centro, tem até estátuas de índios para encher a vista dos turistas. Mas não se engane, é só para turista ver. No geral, o preconceito contra os povos originários é grande. Só que eles não se entregam. E hoje estão numa grande luta contra a absurda portaria 303, da Advocacia Geral da União, um golpe baixo do governo que pretende rever as demarcações e expulsar os índios de suas terras.

De tudo o que vi em apenas dois dias de vivência intensa faltou a Chapada, esse gigante natural do qual apenas senti o hálito. Mas, ainda assim, o encontro com as pessoas, o carinho da acolhida, a partilha amorosa de vida marcou de forma indelével o coração. Cuiabá nunca mais será um ponto no mapa. É o coração da minha américa do sul, é lugar da magia da viola de cocho, é morada de amigos, espaço do rasqueado, essa música simples, de poética ingênua, que nos toma a alma.

Na noite quente cuiabana, num quintal fresquinho, debaixo da mangueira e do pessegueiro, enquanto o gato caçava comida, encerramos um seminário sobre liberdade de expressão à moda de Cuiabá: quente, fraterno, alegre, comunitário. Poucas vezes me senti tão plena!...

Veja o vídeo....