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NOVO PISO: Jornalistas e patrões firmam acordo coletivo de 2017

Da assessoria Após seis rodadas de negociação, mediadas pela Superintendência Regional do Trabalho e Emprego de Mato Grosso, o Sindic...

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7 de fev. de 2017

ONU abre inscrições para bolsa de jornalistas

Foto: Pixabay/CCO
O Fundo Dag Hammarskjöld Fund para Jornalistas da ONU abriu inscrições para profissionais de países em desenvolvimento para o programa de bolsas de 2017. As inscrições podem ser feitas até 20 de março.

As bolsas são destinadas a profissionais com idade entre 25 e 35 anos que atuem em rádio, TV, veículo impresso ou internet e que tenham interesse em visitar Nova Iorque durante a 72ª sessão da Assembleia Geral das Nações Unidas. A bolsa é para o período entre setembro e novembro e incluirá custos com viagem e acomodação , assim como ajuda de custo diária.

O programa de bolsas é aberto a jornalistas nativos de países em desenvolvimento da África, Ásia, América Latina e Caribe e que estejam trabalhando em organizações de mídia. Os candidatos devem demonstrar interesse e comprometimento com assuntos internacionais e ajudar a transmitir uma melhor compreensão sobre as Nações Unidas para seus leitores e audiências. É necessário ter autorização da organização de mídia para que o candidato passe até três meses em Nova Iorque.

Para garantir o rodízio entre os países participantes, o Fundo não aceitará inscrições de candidatos dos países selecionados em 2016: Argentina, Indonésia, Irã e Tajiquistão. Inscrições para brasileiros estão abertas neste ano.

A cada ano são selecionados quatro jornalistas. Os profissionais agraciados têm a oportunidade de observar as deliberações diplomáticas internacionais nas Nações Unidas, fazer contatos profissionais, interagir com jornalistas de todo o mundo e ganhar uma perspectiva e compreensão dos assuntos de interesse global. O programa não é destinado a dar treinamento básico aos jornalistas: todos os participantes já são profissionais de mídia.

Todos os critérios para a inscrição e documentos solicitados podem ser localizados no website da Fundação, aqui.

Perguntas sobre o programa, critérios de inscrição e processo de seleção deven ser enviadas para o email: fellowship2017@unjournalismfellowship.org.

Naçõesunidas.org

9 de mar. de 2015

URGENTE! PEC do diploma para jornalistas pode ser votado esta semana!!!






A direção do Sindicato dos Jornalistas de Mato Grosso (Sindjor-MT) tomou conhecimento, por meio de Fenaj, de que a PEC do Diploma - que exige o diploma de curso de nível superior em jornalismo para exercício da função de jornalista - foi colocada na pauta de votação do Plenário da Câmara, pelo atual presidente Eduardo Cunha, com previsão de que seja votada já no começo desta semana!

A sociedade precisa e tem direito à informação de qualidade, ética e democrática, o que depende de uma prática profissional igualmente qualificada e baseada em preceitos éticos e democráticos. E uma das formas de se preparar, de se formar jornalistas capazes a desenvolver tal prática é através de um curso superior de graduação em jornalismo.

Em função disso, reafirmamos a importância da PEC dos Jornalistas e contamos com a colaboração do senhor para aprovação da proposta.

Pedimos aos colegas que se mobilizem na tentativa de sensibilizar os representantes deste estado a votarem a favor da PEC.

Segue contatos dos deputados de Mato Grosso


Partido/UF: PSB/MT - Gabinete: 374 - Anexo: III - Fone: 3215-5374 - Fax: 3215-2374
dep.adiltonsachetti@camara.leg.br
Partido/UF: PMDB/MT - Gabinete: 815 - Anexo: IV - Fone: 3215-5815 - Fax: 3215-2815
dep.carlosbezerra@camara.leg.br
Partido/UF: PP/MT - Gabinete: 658 - Anexo: IV - Fone: 3215-5658 - Fax: 3215-2658
dep.ezequielfonseca@camara.leg.br
Partido/UF: PSB/MT - Gabinete: 278 - Anexo: III - Fone: 3215-5278 - Fax: 3215-2278
dep.fabiogarcia@camara.leg.br
Partido/UF: PSDB/MT - Gabinete: 825 - Anexo: IV - Fone: 3215-5825 - Fax: 3215-2825
dep.nilsonleitao@camara.leg.br
Partido/UF: PSC/MT - Gabinete: 539 - Anexo: IV - Fone: 3215-5539 - Fax: 3215-2539
dep.professorvictoriogalli@camara.leg.br
Partido/UF: PT/MT - Gabinete: 371 - Anexo: III - Fone: 3215-5371 - Fax: 3215-2371
dep.saguasmoraes@camara.leg.br
Partido/UF: PROS/MT - Gabinete: 913 - Anexo: IV - Fone: 3215-5913 - Fax: 3215-2913
dep.valtenirpereira@camara.leg.br


3 de dez. de 2012

Cinejor debate produção de reportagens e jornalismo “de verdade”


Correria, deadline, tumulto, pressão... nada do que costuma ocorrer no dia a dia de uma redação jornalística fez parte das produções apresentadas no segundo Cinejor, promovido pelo Sindicato dos Jornalistas de Mato Grosso (Sindjor/MT), no dia 24 de novembro. Ao contrário, os curtas produzidos pelo jornalista Rodrigo Vargas e pelo repórter fotográfico José Medeiros, “Nativa: movimento feminino nas aldeias” e “A Cruz do Padre João”, são verdadeiros exemplos de como a elaboração de reportagens é coisa cada vez mais distantes do jornalismo diário.

Esse foi o tema do último encontro, que rendeu excelentes reflexões. Em “Nativa”, os produtores trazem aos espectadores uma visão bem próxima da discussão feminina dentro das aldeias indígenas. Cem mulheres, de 16 etnias, mostram que a postura da mulher indígena está bem longe de ser submissa, como algumas pessoas imaginam. “Se você vai a uma aldeia, você pode ter uma impressão errada, de que as índias são quietas, caladas, submissas, mas é o contrário”, comenta Rodrigo Vargas.

“Me surpreendeu ver que os índios e as índias vivem em pé de igualdade e ver que elas têm uma postura tão clara de que a mulher deve respeitar o homem, assim como o homem deve respeitar a mulher”, comentou a tesoureira do Sindjor, Priscila Mendes, e ressaltou que as mulheres “brancas”, por vezes, se submetem a questões de desrespeito. Isto é, a cultura indígena se apresenta mais avançada nesse sentido do que a não indígena, enquanto muitos ainda teimem em promover a ideia de que os povos indígenas são, de alguma maneira, “atrasados”.

Com apenas 200 reais custeados pela empresa em que trabalhavam na época, mas uma vontade de ver e mostrar diferentes realidades impossível de ser calculada, os profissionais partiram, em 2006, a convite da Convenção das Igrejas Batistas Independentes (CIBI), para o evento que reuniu as participantes do movimento feminino nas aldeias. E a produção de um vídeo de qualidade, que aborda um tema tão interessante a baixo custo foi uma das questões levantadas na discussão. Por que as empresas jornalísticas não investem mais em trabalhos desse tipo? Quantos outros bons trabalhos poderiam ser realizados se houvesse incentivo?

Mas o que motiva essa vontade nos jornalistas? “Quando você vê uma notícia dizendo que Colniza é a cidade mais violenta do país, você vai lá ver, e dá uma puta matéria”, explicou José Medeiros, quando questionado de seus motivos. Empolgado, o repórter contou diversas curiosidades das viagens que fez com o colega em busca de boas reportagens, como o caso do “último mato-grossense”, que mora na última casa antes da fronteira com o Pará, no município de Apiacás. “Último se você estiver vindo do sul, mas se você vier do norte eu sou o primeiro”, brinca Rodrigo, reproduzindo a fala do entrevistado, que o alertou sobre a importância das diferentes perspectivas que rodeiam as situações.

Para ele, as experiências pessoais, o contato com o outro e o conhecimento a partir destas vivências é que são o mais interessante dessas jornadas.

O vídeo, gravado com uma câmera amadora e editado em casa, foi exibido no Festival de Cinema e Vídeo de Cuiabá, nos Festivais de Cinema de Santa Maria, no Rio Grande do Sul, e de Vitória, no Espírito Santo, e também foi selecionado para ser exibido em um festival francês.

O segundo curta, “A cruz do padre João”, mostra a Romaria dos Mártires da Caminhada, realizada a cada cinco anos, em homenagem às vítimas da luta pela terra em Ribeirão Cascalheira, região do Araguaia, mortos em outubro de 1976. Entre eles, o padre João Bosco, assassinado por um policial. Trinta anos depois do fato que revolucionou a cidade, os moradores relembram que o município pode ter sofrido com a repressão, que “acabou Ribeirão Cascalheira, mas não acabou com o povo”, como diz Raimundo Soares, um dos entrevistados no curta.

Nos emocionantes depoimentos daqueles que vivenciaram a história, a dor de quem perdeu amigos e parentes lutando por algo que deveria ser direito de todos: um simples pedaço de terra. Ao mesmo tempo, o orgulho por ter pertencido a um forte movimento popular, que teve a coragem de enfrentar um poder que estava ali estabelecido. O vídeo produzido por Rodrigo Vargas, desta vez com uma verba de R$ 1600,00, gastos com o aluguel da câmera e editado pelo próprio jornalista, em casa, evidencia que esse sentimento, de trinta anos antes, resiste até na população local hoje.

Em 2007, “A cruz do padre João” foi o premiado como o melhor curta metragem no 14º Festival de Cinema e Vídeo de Cuiabá.

“Eu fico pensando... esses vídeos são regionais, mas será que os colegas conhecem? Essa é a nossa história! Eu não nasci aqui, mas moro e trabalho. Essa é a minha história também”, questionou a presidente em exercício do Sindjor, Keka Werneck.

Chamou a atenção também a riqueza de detalhes de informações passadas pelos entrevistados no vídeo, a naturalidade e desenvoltura, o que levou o jornalista Robson Fraga, que trabalha com tele jornalismo, a levantar a questão da escolha das fontes.

“Eu acho que tem que ter feeling”, respondeu José Medeiros. Além disso, para ele, quando se faz trabalhos desse tipo, o profissional acaba aprendendo a conquistar, aos poucos, a confiança e a simpatia dos entrevistados.

Na verdade, a qualidade de texto, de imagem, de fotografia, sensibilidade para o fazer jornalístico em geral foi o grande foco do debate. Mas será que os jornalistas devem trabalhar como “voluntários” para conseguir fazer um trabalho de qualidade? O ideal é que questões como essa nunca se esgotem nos debates da categoria...

Os curtas exibidos no Cinejor estão disponíveis na internet. Para assistir “Nativa: movimento feminino nas aldeias”, clique aqui. Para ver “A cruz do padre João”, clique aqui.

14 de nov. de 2012

35º CNJ - Carta de Rio Branco

Os jornalistas brasileiros, reunidos em seu 35º Congresso Nacional, realizado em Rio Branco (Acre), no período de 7 a 10 de novembro, dirigem-se à Nação Brasileira para expressar suas preocupações relativas ao modelo de crescimento econômico adotado na maioria dos países do mundo, no qual o ser humano, o respeito aos demais seres vivos e a utilização responsável dos recursos naturais do planeta não são a prioridade.

A categoria entende que a mais recente crise do capitalismo reforça a necessidade de a humanidade buscar novos caminhos para o efetivo desenvolvimento dos diversos povos que habitam o planeta, reunidos ou não em nações. A forma predatória de exploração do ser humano e dos recursos naturais do planeta precisa dar lugar ao desenvolvimento com sustentabilidade.

Este é um salto para o qual o Jornalismo e os jornalistas profissionais têm importante contribuição a dar. O Jornalismo Ambiental deve ser difundido até que cheguemos à condição ideal de que todo o Jornalismo seja ambiental. E, para além do jornalismo especializado, o olhar sobre as questões socioambientais – pilares da sustentabilidade – tem de estar presente, transversalmente em toda a cobertura jornalística.

O Jornalismo, como forma de conhecimento imediato da realidade, deve proporcionar aos cidadãos(ãs) brasileiros(as), as informações necessárias para a formação do juízo crítico em relação ao que é comumente apresentado como avanço para a Nação. Desenvolvimento medido pelo crescimento do Produto Interno Bruto (PIB), por exemplo, não revela os custos socioambientais que quase invariavelmente são gerados.

Para cumprir seu papel social, os jornalistas precisam contar com um ambiente de real liberdade de expressão e de democracia nas comunicações. Assim como os autonomistas acreanos lutaram, no passado, para conquistar seus direitos políticos, transformando o Acre em Estado, os jornalistas lutam pela conquista de autonomia intelectual sobre seu trabalho. Esta autonomia é condição para que o Jornalismo seja meio para a liberdade de expressão dos diversos segmentos da sociedade, em especial da classe trabalhadora.

A categoria, que é protagonista no debate sobre a democratização dos meios de comunicação, reitera a urgência da aprovação de um novo marco regulatório para a área das comunicações, sob a princípio do controle público dos meios, entendido como um conjunto de mecanismos e espaços públicos que atuem no sentido de impedir o predomínio de interesses privados em detrimento do interesse geral da sociedade. Para isso, conclama a presidenta Dilma Rousseff a levar adiante as propostas aprovadas na Conferência Nacional de Comunicação (Confecom), realizada em 2009.

Entre estas propostas, os jornalistas destacam a criação do Conselho Nacional de Comunicação, a aprovação de uma nova Lei de Imprensa para o país e a necessidade de aperfeiçoar a regulamentação da profissão de jornalistas, tendo como base a criação do Conselho Federal e Conselhos Regionais de Jornalistas (CFJ) e, ainda, a retomada da exigência da formação de nível superior em Jornalismo para o exercício da profissão, com a aprovação na Câmara dos Deputados da Proposta de Emenda à Constituição (PEC), já aprovada no Senado.

Neste sentido, os jornalistas repudiam todas as tentativas de classificar como autoritárias as propostas de regulamentação da profissão de jornalista e do setor das comunicações, manipulação promovida pela mídia conservadora que, frequentemente, também atua contra os governos progressistas da América Latina.

Os jornalistas brasileiros também precisam de condições dignas de trabalho. Por isso reivindicam a aprovação da lei federal que cria o Piso Nacional da Categoria e o respeito à jornada de trabalho de 5 horas diárias e às demais normas estabelecidas na CLT, para por fim à crescente precarização das relações de trabalho.

A categoria reivindica a implementação de um protocolo nacional, a ser celebrado com os empregadores, contemplando o Piso Nacional, o respeito aos direitos de autor dos jornalistas e medidas para garantir a segurança dos trabalhadores no exercício da profissão.

Os jornalistas somam-se ao esforço de resgate da dívida histórica para com aqueles que foram vítimas de violências praticadas pelo Estado Brasileiro quando sob domínio da ditadura militar e o fazem por meio da criação da Comissão Memória, Verdade e Justiça da FENAJ.

Por fim, os jornalistas brasileiros reafirmam seu compromisso com promoção da igualdade de gênero e etnicorracial, entendendo que os grupos sociais historicamente discriminados têm o direito de desfrutar do binômio justiça e desenvolvimento. Reafirmam também o compromisso com a observância de seu Código de Ética, com a defesa das liberdades de expressão e de imprensa e do direito do cidadão (ã) à comunicação, ressaltando o papel fundamental do Jornalismo na consolidação da democracia e da cidadania.

Rio Branco, 10 de novembro de 2012.

Jornalistas do Brasil mantêm luta pelo diploma e pensam a profissão em Congresso Nacional



O Sindicato dos Jornalistas de Mato Grosso (Sindjor-MT) encaminhou a maior parte das proposições contidas no caderno de teses que norteou o debate no 35º Congresso Nacional dos Jornalistas realizado entre 7 e 10 de novembro em Rio Branco, capital do Acre.

Foram 16 proposições de Mato Grosso, entres teses e emendas, tiradas, através do voto, no III Congresso Estadual dos Jornalistas, realizado em abril de 2011, na capital Cuiabá.

Uma das teses propostas por Mato Grosso, e que foi aprovada pela plenária, é a que questiona a permanência do profissional de comunicação na mídia quando passar a exercer mandato político partidário. A tese vai na direção de uma outra matéria também aprovada em dezembro de 2009 na I Conferência Nacional de Comunicação.

Além das contribuições de MT, foram inscritas sete formulações da diretoria da Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj) - realizadora do evento, mais nove do Distrito Federal, quatro de Minas Gerais, quatro do Rio Grande do Sul, cinco de Alagoas, três de São Paulo, duas do Ceará, duas do Rio de Janeiro, uma da Comissão Nacional de Ética e duas de Santa Catarina.

O Congresso, ainda que pequeno – tendo aglomerado não mais que 70 delegados eleitos em boa parte dos 31 sindicatos filiados à Fenaj – é a instância máxima de deliberação da categoria. O que é decido ali no voto vale como proposta de implementação para os próximos dois anos.

Há que se considerar as dificuldades geográficas para se chegar ao Acre, um estado fora do eixo Rio-SP-DF. No entanto, quem foi teve a oportunidade de conhecer um pouco do extremo Oeste do Brasil, a fisionomia dos acreanos, a dinâmica social, as questões socioambientais. Ali é o coração urbanizado da floresta amazônica.

Apesar do tema monocórdio das mesas ter sido sustentabilidade (“Os desafios do jornalismo e sua contribuição para o desenvolvimento sustentável), o que polemizou de fato no evento foram, nas plenárias, as questões mais urgentes trabalhistas, como a recolocação do diploma como obrigatoriedade para o exercício legal da profissão, a sindicalização de jornalistas não-diplomados e a implementação do Conselho Federal dos Jornalistas (CFJ).

Se a luta do diploma unifica a categoria que atribui a escola fundamental tarefa formativa, a sindicalização de não-diplomados divide opiniões. Os sindicatos de São Paulo, Ceará, Distrito Federal e Mato Grosso avaliam que, de acordo com o papel de qualquer sindicato, todos os trabalhadores do segmento devem ser acolhidos pela entidade. Já a direção da Fenaj e a grande maioria dos sindicatos entendem que não e que isso seria uma afronta à luta pela diploma que tem se mostrado vitoriosa no Congresso Nacional.

Porém, conforme o presidente do Sindicato dos Jornalistas do DF, Lincom Macário, o trâmite tranquilo observado no Senado dificilmente se repetirá na Câmara Federal, inclusive porque, conforme ele alerta, vem ainda a lei dos meio e, na disputa política do marco regulatório, os deputados serão muito mais pressionados a não garantir conquistas aos jornalistas, para enfraquecer a categoria.

O coletivo Luta, Fenaj cobrou, durante o Congresso, uma Federação mais engajada, combativa e forte, que acompanhe os sindicatos nas campanhas salariais, em prol de uma campanha forte e unificada pelo piso nacional de R$ 3.720.

O presidente da Fenaj, Celso Schoereder, admite que a entidade tem focado quase que exclusivamente na luta pelo diploma e também na briga pelo marco regulatório dos meios. A direção da Fenaj não admite, porém, que as críticas conduzam a uma mudança de postura na entidade que existe para representar os jornalistas brasileiros, hoje tão precarizados, desrespeitados, marginalizados das decisões editoriais.

A diretoria do Sindjor vai convocar uma assembleia geral para o dia 21 de novembro, uma quarta-feira, às 19h em primeira convocação e 19h30 em segunda, com a seguinte pauta: informes e avaliações sobre o 35º Congresso Nacional; IV Congresso Nacional dos Jornalistas; atrasos salariais; sindicalização e encaminhamentos.

25 de set. de 2012

VII SIMPÓSIO DE JORNALISMO DA UNEMAT\ALTO ARAGUAIA - Conferência de abertura destaca relação entre eleições e imagem na mídia


Professor doutor Paulo da Rocha Dias, da UFMT\Cuiabá, associa tema com sensacionalismo e simulações


Da assessoria
(Gibran Luis Lachowski)

O VII Simpósio de Jornalismo da Universidade do Estado de Mato Grosso (Unemat)\campus Alto Araguaia começa hoje (terça-feira, 25), tendo como destaque a conferência “A imagem na mídia: estética do espetáculo, identidade, persuasão...”, que se refere ao tema do evento. A palestra será feita a partir das 19h pelo professor doutor em Comunicação Paulo da Rocha Dias, da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT)\campus Cuiabá.

O Simpósio é organizado pelo Departamento de Comunicação Social da Unemat e se estende até sexta-feira (28) com palestras, oficinas, minicursos, trabalhos científicos, festival de vídeos e realização de prêmio de jornalismo entre acadêmicos. O evento espera cerca de 100 pessoas entre acadêmicos, professores e população local.

Dias adiantou que em sua conferência fará uma conexão entre eleições, sensacionalismo e a capacidade que a mídia tem de criar simulacros. O historiador britânico Lawrence Reese e os pensadores franceses Guy Debord e Jean Baudrillard vão lhe dar suporte teórico na discussão sobre imagem na mídia.

A atuação acadêmica de Dias é em Teoria e Ética do Jornalismo, com enfoque em teoria da comunicação e comunicação ligada a assuntos como política, religião, cidadania e cultura.

A mediação da conferência será efetuada pela jornalista e professora mestre Giovanna Betine, da Unemat. Nas posições de debatedores, os jornalistas e professores mestres Eduardo Medeiros, da mesma instituição, e Nara Chaves Mourão, do curso de Comunicação da UFMT\campus Barra do Garças.

“Nosso objetivo com o tema ‘A imagem na mídia’ é discutir algo que está muito presente no dia a dia das pessoas. Afinal, a mídia é uma fábrica de imagens, e usa isto em toda a sua programação”, explica Betine, integrante da equipe de organização do Simpósio.

Programação

Na noite de amanhã (quarta, 27) o jornalista Rodrigo Vargas, que atua em Cuiabá e foi correspondente da “Folha de São Paulo” em Mato Grosso, discute a relação entre vida de repórter com estética do espetáculo e sensacionalismo.

O Simpósio tem 12 oficinas\minicursos, entre eles de humor no jornalismo, jornalismo e literatura, jornalismo e meio ambiente, edição e radiojornalismo, expressão oral e reportagem auxiliada por computador. Mais informações constam do blog do evento: 7simposiodejornalismo.blogspot.com.br

Mais informações com professor da Unemat e jornalista Gibran Luis Lachowski, membro da comissão organizadora do evento, pelo 66 9612-5018 e pelo e-mail simposiodejornalismo.unemat@gmail.com

6 de set. de 2012

Sindjor promove curso de Formação Política

Com a intenção de colaborar na conscientização política dos profissionais da imprensa, estudantes de Jornalismo e demais interessados, o Sindicato dos Jornalistas de Mato Grosso (Sindjor MT) promove o curso “Como Funciona a Sociedade”. O curso será ministrado pelo "Núcleo de Educação Popular 13 de Maio" e terá dois dias de programação repleta de palestras e atividade lúdicas.

O evento começa amanhã (7) a partir das duas da tarde e prosseguem até às 19 horas. Já no sábado as atividades iniciam às oito da manhã e se estendem até às 19 horas. Na grande de programação assuntos como: a história da classe operária, o surgimento do sindicalismo e qual o papel da classe trabalhadora dentro dessa sociedade capitalista. A grade também contará com os temas: sociedade em que vivemos, riqueza e pobreza, a forma de exploração do capitalismo (salário, mais-valia e acumulação), e o papel do Estado e da ideologia na atual ordem.

As inscrições custam R$ 10 e podem ser feitas clicando aqui. Já a taxa, que servirá para bancar lanches e o almoço dos participantes, precisa ser paga até as 18 horas de hoje (06) na sede do Sindjor –MT, que fica na avenida Mato Grosso, número 167, sala 02. O valor também poder ser pago no início do curso. O evento também contará com atividades lúdicas, como sarau, roda de violão e cine pipoca.

O curso “Como Funciona a Sociedade” será realizado no Centro Burnier, que fica na rua do Ouro, número 64, bairro Araés, Cuiabá. Ao todo, a capacitação terá uma carga horária de 16 horas, com direito a emissão de certificado. O curso possui vagas limitadas (16 pessoas). 

Mais informações: 
3025-4723 (Manu) ou 81606303 (Caio)

4 de set. de 2012

Após Seminário, Elaine Tavares presenteia nossa cidade e as nossas "gentes" com suas doces palavras

Confiram o texto publicado hoje pela jornalista em seu blog, o Palavras Insurgentes

Circulando por Cuiabá


Os aglomerados urbanos exercem sobre mim profundo encantamento. Por conta disso, gosto de caminhar pelas cidades, sentindo a beleza que nasce desde a mão humana. Mesmo nos lugares mais inauditos, sempre é possível realizar esse que é o encontro mais sagrado: o da nossa humanidade. Foi assim que o mês de setembro me surpreendeu em Cuiabá, Mato Grosso, a porta de entrada da majestosa Chapada dos Guimarães. Nas primeiras horas, um estranhamento. Longas avenidas, casas baixas, cidade gris, esfumaçada pelas queimadas, vegetação seca, e o abafado calor. Faltavam as gentes.

Então, pelas generosas mãos da Rose, baixamos para o centro. Baixar é mesmo o melhor verbo, já que a parte histórica da cidade fica numa depressão. Aí, foi uma sucessão de belezas. O centro de Cuiabá é a vida pulsante da cidade. As ruas mais estreitas, a profusão de lojas, os casarões antigos, as casinhas geminadas, as mangueiras carregadas de frutas e os cuiabanos. Essa gente ora pantaneira, ora amazônica, ora do cerrado, de cor de cuia, traços indígenas e cheia de alegria.  Apesar do calor de deserto, as ruelas fervilham – muitas foram transformadas em calçadões - a música toca alto, e os mais velhos descansam nas praças cheias de grandes mangueiras. Também pululam as barraquinhas, com artesanato local e comidas de rua, os mais espetaculares pitéus.

Na Praça Santos Dumont, no cair da noite, pode-se visitar a barraca do Sérgio Pavão, um carioca que escolheu Cuiabá para viver e foi o primeiro a trazer para a rua a comida típica do lugar. Maria Isabel - uma espécie de carreteiro, Feijoada de Pintado, Arroz com Pacu seco, feijão empamonado, farofa de banana , carne seca com banana verde, ventrecha de pacu, mujica de pintado com mandioca, e uma série de outras delícias. O sabor de Cuiabá, esse lugar mágico.

De manhã, pode-se tomar café em qualquer padaria, sempre acompanhado da chipa, uma espécie de salgado com queijo e o famoso bolinho de arroz, marca registrada da cultura local. Arroz pilado, docinho, evocando a beleza da vida simples, pantaneira.

O Mercado do Peixe, próximo ao rio Cuiabá, no finalzinho do centro histórico, é espaço de maravilhas. Todos os peixes da região se mostram em beleza, alimento das gentes, marca da cultura. O pescador, assombrado com a formosura do dourado, o qual pesca diariamente, anuncia orgulhoso: "Esse é o rei do rio. O mais bonito, o mais forte". Ele diz que a batalha com o peixe é sempre uma epopeia, daí o seu respeito pelo bicho. Coisa de emocionar. Nas barracas das frutas aquele cheiro fresquinho, o perfume da manga, banana, caju, jaca, bocaiúva, pequi. Um universo colorido que enche a boca de vontades. O famoso furrundu, doce típico do lugar e a farinha de mandioca flocada são estrelas no lugar. O lugar ainda vende toda a sorte de comidas típicas, o néctar dos deuses.

Ainda próximo ao rio está o Arsenal, antiga penitenciária colonial que foi totalmente reformada pelo sistema do Sesi. Virou um centro de cultura dos mais incríveis. Por ali, na tarde modorrenta, dezenas de crianças circulam nas oficinas de dança, no teatro, cinema, bibliotecas e oficinas de música. Também ali se pode encontrar a famosa viola de cocho, instrumento típico daquele povo. É uma viola feita de um único tronco, apenas escavada no local onde deveria ficar o buraco que forma a caixa de ressonância. Chama-se assim porque é feito do mesmo jeitinho que o caboclo faz o cocho para alimentar os animais. É invenção do povo simples da roça, e arpeja os sons mais doces, porque cheios da simplicidade do homem rural. Ouvir a viola é comungar com alma do pantanal, tanto que ela já considerada patrimônio imaterial da região.

E assim se vai conhecendo as riquezas de Cuiabá. Na igreja de Nossa Senhora do Bom Despacho pode-se admirar a arquitetura. Ela é uma réplica da catedral de Notre Dame e enche de orgulho aqueles que ali trabalham. Mesmo no adiantado da hora, o vigia abre a porta para que as pessoas entrem e admirem. "É a nossa riqueza, temos de mostrar", e aponta, orgulhoso, as reformas feitas, a nova pintura e a beleza da imagem da virgem, esculpida em madeira e com cara cuiabana.

Em frente à Câmara de Vereadores está outra coisa fascinante. A demarcação do centro geodésico da América do Sul. Exatamente o meio do nosso lindo continente. Um obelisco marca o ponto exato do coração pulsante desta parte sul de Abya Yala e ali pode-se sentir a energia poderosa de um "povo sin piernas, pero que camina". Cuiabá é exemplo disso. Dominada pelas forças do latifúndio e do agronegócio mostra também muita pobreza, essa pobreza que nasce da exploração contínua e cotidiana. Ainda assim, sente-se a potência das gentes, na resistência concreta do dia-a-dia, com sorriso na cara, mas com a mão valente sempre pronta para a luta. Agora, que a cidade virou sede da Copa do Mundo, a vida se complicou. As obras estão em todos os lugares, as ruas estão trancadas, o aeroporto fecha, o transtorno é grande. "Fazem estádios e não calçam as ruas", reclamam os que sacolejam nos ônibus lotados e escassos. Boa parte das gentes acredita que vai ser bom sediar a copa, acreditam nos governos que os jogos trarão fartura. Mas outro há que sabem das mazelas e estão vigilantes.

Cuiabá também é centro de muitas batalhas travadas pelos povos indígenas. Desde as incursões dos ferozes bandeirantes que avançavam pelo centro brasileiro na busca do ouro, que as comunidades da região amargam derrotas e terrores. Os primeiros a enfrentar a sanha invasora foram os coxiponés, e depois as demais etnias, cada dia mais empurradas para o abismo das reservas e da vida tutelada. Desde a fundação da cidade em 1719 até os dias de hoje, os indígenas precisam batalhar para garantir cada pequeno avanço de demarcação de terras, de preservação da cultura, de vida digna. E, como no passado, hoje seguem enfrentando os gananciosos, os ferozes grileiros de terra, os grandes fazendeiros, que passam ao povo - quase todo de descendência indígena  - a ideia de que índio é coisa ruim, é atraso do progresso e que, portanto, deve ser eliminado. Mas, ao mesmo tempo, esses mesmos dominadores usam da beleza da cultura indígena para ganhar dinheiro. É comum ver hotéis com nomes indígenas, decorados com quadros que mostram a vida simples do homens e mulheres autóctones. No Paiaguas, um hotel chique do centro, tem até estátuas de índios para encher a vista dos turistas. Mas não se engane, é só para turista ver. No geral, o preconceito contra os povos originários é grande. Só que eles não se entregam. E hoje estão numa grande luta contra a absurda portaria 303, da Advocacia Geral da União, um golpe baixo do governo que pretende rever as demarcações e expulsar os índios de suas terras.

De tudo o que vi em apenas dois dias de vivência intensa faltou a Chapada, esse gigante natural do qual apenas senti o hálito. Mas, ainda assim, o encontro com as pessoas, o carinho da acolhida, a partilha amorosa de vida marcou de forma indelével o coração. Cuiabá nunca mais será um ponto no mapa. É o coração da minha américa do sul, é lugar da magia da viola de cocho, é morada de amigos, espaço do rasqueado, essa música simples, de poética ingênua, que nos toma a alma.

Na noite quente cuiabana, num quintal fresquinho, debaixo da mangueira e do pessegueiro, enquanto o gato caçava comida, encerramos um seminário sobre liberdade de expressão à moda de Cuiabá: quente, fraterno, alegre, comunitário. Poucas vezes me senti tão plena!...

Veja o vídeo....


Sétimo Simpósio de Jornalismo: A imagem na Mídia

Clique no link abaixo e veja as informações do Sétimo Simpósio de Jornalismo da Unemat Alto Araguaia, que será realizado entre os dias 25 e 28 de setembro.

Conferência da Elaine na noite do dia 31 de agosto: Seminário Liberdade de imprensa e direitos da personalidade


Liberdade de imprensa e direitos da personalidade
Por Elaine Tavares - jornalista
Esse seminário é uma boa provocação do sindicato. Afinal, não é pouca coisa discutir liberdade e direitos da pessoa.  Então vejamos. Liberdade é um conceito moderno, do mundo liberal. No mundo antigo, seja ele autóctone, oriental, árabe ou europeu, a ideia de liberdade estava mais ligada à situação do escravo de fato. Aquele que era capturado nas guerras de conquista e que sentia desejos de liberdade, de sair dos grilhões. De uma forma geral, nas comunidades antigas não se pensava em termos de liberdade individual. O que estava em jogo sempre era a comunidade, o clã. Basta que a gente se lembre de como eram – e ainda são em algumas comunidades comunitárias – arranjados os casamentos. Não estava em questão a vontade individual, o amor romântico, mas a sobrevivência do clã, da família, do reino.  Viver era ser comunidade.
É o mundo grego, com o debate sobre a razão, que inaugura outro olhar sobre esse conceito, individualizando-o. Aristóteles fala sobre a liberdade declarando que o homem livre é aquele que é capaz de realizar suas escolhas com livre arbítrio e desde a razão. Isso significa que ele descola o ser (a pessoa individual) da comunidade. Ou seja, o homem, escolhendo e guiado pela razão pode ascender à liberdade de ser e fazer o que quiser.  Ora, mesmo na Grécia de Aristóteles isso já era uma coisa bem difícil de ser real. Por quê? Porque na Grécia só podiam exercer o tal do livre arbítrio aqueles que tinham esse direito na polis, quais sejam, os homens, os proprietários.  Mulheres e crianças estavam fora dessa ideia de liberdade.
Não foi sem razão que o grande filósofo da razão e da moral, Immanuel Kant, definiu a liberdade na relação com a propriedade.  Para ele, os homens livres são os que têm propriedade e  são esses livres os que fazem as leis. Aí já foi tudo para as cucuias e abre o corte de classe nesse debate. Liberdade então seria o direito de fazer tudo o que a lei permite. Mas se a lei é feita pelos proprietários, a liberdade seria coisa de poucos, não é mesmo? Ou de uma única classe, a dos proprietários. De novo estamos aí com a ideia de liberdade apenas para alguns.
Marx, ainda no marco da modernidade europeia, vai fazer a crítica a esse modo de ver a liberdade. Ele mostra que a propriedade não é um bem natural nem um pressuposto do Estado, ela é fruto da violência e do domínio de uns sobre os outros. Mostra ainda que a propriedade privada faz com que um único dono desfrute de um bem, arbitrariamente, segundo um interesse pessoal. Essa seria uma visão egoísta do mundo e nesse pilar se fundamentaria a sociedade burguesa. Assim, diz Marx, a liberdade de expressão e de posse representa o direito de advogar para si aquilo que é produzido coletivamente. O mundo moderno, dos proprietários, defende e cristaliza o individual sobre o coletivo. Daí que liberdade de imprensa, para Marx, representava unicamente a liberdade de empresa, ou seja, do proprietário.
Vejam aí que chegamos a um ponto interessante. A concepção de liberdade que impera no mundo ainda é a ideia liberal, de Kant: só são livres os proprietários, ou para usar uma palavra mais contemporânea, só são livres os consumidores. Esses, os que podem consumir, são os que podem fazer escolhas segundo a razão. Que liberdade tem um pobre no mundo capitalista? Que opções e escolhas ele tem se não tem dinheiro para consumir? Por isso, a crítica de Marx segue atualíssima. Então, quando falamos então em liberdade de expressão, no mundo moderno, seguimos falando da liberdade de muito poucos. No geral, no campo das empresas de comunicação, os que podem exercer a liberdade de expressão são os donos dos meios, ou os amigos dos donos, ou os anunciantes que financiam os meios. Esses podem expressar livremente sua opinião, suas ideias e até seus preconceitos. Tudo é válido, inclusive mentir, omitir, inventar.
Aos demais – excluídos da propriedade e também da liberdade – resta o silêncio. Quando aparecem nos meios, são as vítimas de enchentes, os coitadinhos, ou então, os bandidos. É raro ver os pobres, feios, sujos e malvados em situação de sujeito, de pessoa livre, capaz de atuar dentro do seu livre arbítrio, fazendo aquilo que quer, dizendo o que pensa. O pobre, ao gritar e clamar por justiça, ao questionar a sua situação de prisioneiro de um sistema, está quase sempre se contrapondo à lei criada pelos proprietários. E não tem, verdadeiramente, nos espaços da mídia burguesa, como expressar a sua liberdade. É certo que aqui no Brasil estamos muito atrasados nessa discussão enquanto em outros países da América Latina, a população conseguiu avançar. Na Venezuela, de desde 2004 está em vigor a Lei de Responsabilidade Social em Rádio e Televisão, uma das mais interessantes do continente, que garante ao povo organizado o direito de produzir e controlar o conteúdo. Um avanço importante na soberania comunicacional do país. Também na Bolívia as comunidades indígenas tem logrado constituir uma rede de rádios comunitárias que já saíram do campo do “alternativo” e é uma das  forças mais importante do país. O Equador produziu lei de comunicação, a Argentina também. Nós, aqui, ainda patinamos, na busca por um pouquinho mais de democracia, tateando na busca de liberdade de expressão dentro dos marcos de um Estado que não dá sinais de mudança.
Assim, é preciso que a gente tenha bem claro que essa coisa de liberdade está intimamente ligada com a luta de classes. E, se aceitamos que o que impera é mesmo o conceito de Kant, a liberdade, pelo menos por aqui, ainda só é possível aos proprietários - é o que constatamos ao analisar a realidade - então sobra aí uma outra classe, a dos não proprietários, que precisa lutar muito para fazer valer os seus direitos.
A internet
Então vamos introduzir aqui um elemento não previsto por Marx, que é a Internet. A rede que nasce com objetivos militares é uma cópia virtual da técnica de guerrilha tão bem ensinada por Che. Pequenos focos, sempre em movimento para proteção do centro. De repente, a coisa foi crescendo e se popularizando. Hoje, qualquer um – que tenha a liberdade de ter dinheiro para pagar – pode estar conectado. Qualquer pessoa - pagando - pode ter um blog, pode postar informações no facebook, no twitter. Isso é uma revolução no conceito de liberdade de expressão e no fazer jornalístico. Na internet a pessoa pode inclusive postar informações anonimamente, criando contas falsas. Há uma exaustiva divulgação de fatos e ideias de forma bastante livre na internet. Não é mesmo?
Bom, é claro que isso também é uma ilusão. A primeira é essa da liberdade. Só pode quem paga. Assim, empresas há que ganham bilhões de dólares com a loucura da "liberdade de informação" na net, basta vermos a história do guri do facebook que inclusive vende informações privadas, enquanto existem criaturas que nem deram seu primeiro telefonema. A outra é que os servidores que gerenciam e controlam a informação permitem que a pessoa divulgue o quer, até por ali. Se tocar em algum interesse que seja caro ao sistema o servidor tira do ar o blog, suspende o facebook. Isso acontece todos os dias. O sistema pode tudo. Não há liberdade na rede. É tudo ilusão.
Lá em Florianópolis tínhamos um companheiro, agitador cultural, jornalista popular, o Mosquito, que mantinha um blog, o Tijoladas, onde escrachava a vida dos políticos, denunciava as maracutaias dos governantes, apresentava documentos. Ele vivia enredado com a justiça. O blog dele foi tirado do ar várias vezes. A coisa foi tão violenta que ele se matou, acossado pelas ameaças e pela provável prisão, decretada porque ele dizia verdade de forma dura e crua. Então, isso é só uma pequena mostra de como a liberdade de expressão só é possível enquanto não toca em pontos nevrálgicos do sistema. Se for para denunciar "massacres" do governo sírio, todas as liberdades são dadas, mas Cuba seque impedida de ter internet banda larga, por quê? Porque não querem que seja mostrada a verdade sobre o sistema cubano. Lá, apenas os agentes pagos pela inteligência estadunidense têm acesso à internet rápida. Então, onde está a liberdade? Não voltamos outra vez à luta de classe e à batalha por formas diferentes de organizar a vida?
A enxurrada de informação a que estamos submetidos todos os dias está repleta de coisas que não são do interesse do sistema, por isso essa sensação de liberdade. Mas, por outro lado, essa mesma sensação de que agora, com a rede, podemos fazer tudo o que quisermos, acaba mexendo com a vida cotidiana das pessoas no seu mundo real. Daí que chegamos ao ponto: se podemos ser livres para informar o que queremos, não teríamos que zelar pelo direito do outro/ Qual é o limite ético da informação que produzimos/ E aqui não estou falando da pessoa comum, no seu direito individual de ferir quem quer que seja – a considerar o conceito kantiano de que a pessoa proprietária é livre para fazer o que quiser. Estou falando do jornalista, que tem por obrigação ética narrar a vida nas suas mais variadas facetas. Como enfrentar esse dilema? O que, nós jornalistas, podemos fazer nessa selva de informação?
Tem um filósofo de quem eu gosto muito a despeito das muitas interpretações que se fazem sobre sua obra: é Friedrich Nietzsche. Ele foi o grande crítico da moral kantiana, moderna. Ele previu que chegaria o dia do “último homem” que seria bem esse que a gente vê nos dias atuais. Egoísta, individualista, incapaz de se comover com a vida mesma. Mas, ao mesmo tempo ele anunciou o “super-homem”, que ao contrário do que seus opositores costumam dizer não é o puro de raça, o ariano, o totalitário. Não! A ideia de Nietzsche era de que o “super-homem” seria aquele capaz de superar o último homem, uma criatura que carregasse dentro dela a pureza da criança. Ele dizia: "o super-homem é aquele que vivendo num tempo em que é possível fazer tudo o que se quer, só faz o que é nobre". Pois não é uma coisa incrível, isso? Não é uma porrada certeira na cabeça da frivolidade do mundo atual? Tu podes tudo, é certo, mas, podendo tudo, só fazes aquilo que é nobre. Fantástico!
Em outras palavras, o “super-homem” nietzschiano cumpriria a ética de libertação proposta por Henrique Dussel. Num tempo em que praticamente todos os valores se particularizam, a única ética  universal possível é a preservação da vida. Mas não qualquer vida, a vida da comunidade das vítimas, dos excluídos da liberdade de expressão, de ser, de morar, de viver.  Bom, e nesse campo onde então se colocam os jornalistas?
Deveriam se colocar no patamar de defensores da vida que se expressa na comunidade das vítimas. Daí que sua função primeira seria a de narrar esse mundo. Mas, narrar com verdade. O jornalista tem o compromisso ético de não mentir nem inventar fatos. O jornalista tem de checar e checar mil vezes uma informação porque a vida do outro é como um cristal, uma vez partido, não cola mais.
Outro dia circulou na internet uma foto de uma jovem com uma criança no colo e apontando uma arma para ela. Foram horríveis os comentários. As pessoas realizaram um linchamento moral. Logo depois apareceu a foto real, ela segurava um pássaro na mão, fora uma montagem. As pessoas comuns podem até disseminar essas coisas, porque não tem um compromisso ético com a informação. Mas nós, jornalistas, não. Tudo tem de ser checado. É muito perigoso esse instrumento de "liberdade" que é a internet, porque, no fundo, se analisarmos bem, está completamente a serviço das grandes empresas, do sistema capitalista como um todo. A quem interessa que a população permaneça com um véu colocado sobre seus olhos? A quem interessa que a rede dissemine a desinformação, o preconceito, o modo de vida capitalista de egoísmo, de consumismo, de vaidades?
É certo que não é fácil ser jornalista nesse mundo. No mais das vezes é mais fácil servir ao poder. Ganhamos dinheiro, não nos incomodamos tanto, podemos fazer pequenas sujeiras, praticar pequenas corrupções e seguimos salvos. Mas essa não é a função de um ser crítico que quer construir um mundo melhor. 
A história do jornalismo nos conta que ele nasceu como prática diária, na França, e que é filho dileto do capitalismo. Isso é verdade. Mas o jornalismo como crítica é tão antigo quanto o homem. O jornalismo como expressão de um mundo pode ser remontado à idade da pedra, quando os humanos desenhavam nas cavernas nos contando sobre a vida. Adelmo Genro, no seu brilhante livro sobre o segredo da pirâmide, diz: a notícia é aquela capaz de partir da singularidade de um fato e descrevê-lo de tal forma que o leitor possa compreender a universalidade onde ele está inserido. Parece uma coisa difícil e complexa, mas não é. O que Adelmo nos convida a fazer é praticar um jornalismo crítico, impressionista, que contextualize os fatos cotidianos e leve o leitor a compreender a realidade como um todo e não como um fragmento. O jornalismo de hoje é isso, pequenos drops descolados e desconectados, não estabelece nexos com o todo.  E o que é pior, agora, com a internet ainda se permite inventar, mentir e enganar com muito mais rapidez.
Nós podemos mudar isso. O jornalismo não é um ente vivo, ele é o que fizermos dele. E nós podemos fazer jornalismo de qualidade, que mude o mundo, que balance as pessoas, que emocione, que faça o mundo se mover, que desperte o senso crítico, a capacidade de compreender a realidade.
Há um livro muito lindo do Saramago chamado “A Caverna”, no qual ele conta de um mundo em que tudo perdeu a sua beleza, que a vida é de plástico, que as pessoas moram em bolhas tipo shoppings. Mas há um pequeno grupo que ainda faz coisas artesanais, que vive no mundo fora da bolha. Eles acabam sendo levados para viver dentro da bolha. Se rendem... E lá ficam por algum tempo até que percebem que as coisas podem ser diferentes... Então eles saem dali e seguem na direção do talvez, do impensado, do improvável, do ainda-não... É isso que temos de fazer. Romper com esse mundo de plástico. Essa é a verdadeira liberdade. Ser capaz de dizer não ao que está aí e caminhar na direção do grande meio-dia. Como fazemos isso? Praticando o jornalismo de verdade, esse, do Adelmo, que não serve a nenhum sistema, mas à compreensão do mundo e à libertação. 
Conferência proferida no Seminário: Liberdade de Expressão e Direitos da Personalidade, promovido pelo Sindicato dos Jornalistas de Mato Grosso, Ministério Público e OAB. Cuiabá - 31 de agosto de 2012.

1 de set. de 2012

Elaine Tavares dá aula sobre reportagem e humanidade


Ficou difícil escrever qualquer coisa depois da passagem de um verdadeiro furacão chamado Elaine Tavares.  O corpo pequeno é visivelmente apertado para guardar dentro dele tantos questionamentos, tantos sentimentos, tanta humanidade... então, explode! Foi assim que a jornalista falou sobre reportagem e emocionou os participantes do Seminário Liberdade de Imprensa e Direitos da Personalidade, na manhã desta sexta-feira, 31 de agosto.

O contato com humanos desde a infância a transformou na profissional extremamente sensível que é. Pode parecer estranho dizer “o contato com humanos”, mas nos dias de hoje não são todas as pessoas que enxergam o próximo assim, como humanos - em especial jornalistas, que têm a obrigação de descrever histórias que envolvem humanos.

Traficantes, prostitutas, jogadores de futebol... o que todos eles têm em comum? São vidas. São humanos. E ela sempre soube enxerga-los assim, desde criança, quando nos intervalos das aulas no Rio Grande do Sul, ia até a beira do rio com os colegas e encontrava lá humanos, que por algum motivo a nossa sociedade tentava esconder. A verdade é que a jornalista, além de dar uma grande aula sobre o jornalismo, nos deu mesmo uma grande aula de humanidade.

Ao apresentar Enrique Dussel, teórico da filosofia da libertação, que a inspirou sobre um jornalismo também libertador, a jornalista afirma que “a única ética que existe é a da vida, e da vida da vítima”. Segundo ela, há apenas dois tipos de jornalismo: aquele que serve à maioria (oprimida), e aquele que serve à minoria (detentores do poder político e econômico). O jornalista, de maneira ou outra, vai servir a um desses lados, mesmo que acredite que não, porque não existe “imparcialidade” jornalística. O profissional da imprensa pode, sim, se abster de opiniões no decorrer do seu texto, mas a maneira como a história é contada favorece determinada perspectiva.

“Quando vocês abrem a torneira de manhã e sai água vocês não ficam estupefatos? Vocês não pensam em como tudo isso foi construído, quantas pessoas trabalharam para isso, o que elas passaram, de onde elas vieram?”, provocou a jornalista. “As pautas brotam o tempo todo na nossa frente”, diz,  mas é preciso sensibilidade para identifica-las. “A gente aprende a olhar, olhando! Não é incrível?”, brincou. É assim que ela enxerga a rede de energia elétrica, meios de transporte e tudo mais que foi construído pelo ser humano.

Assim, Elaine defende que é necessário, para a produção jornalística, o contato entre humanos. “Alguém acredita que é possível o chamado jornalismo assistido, feito pelo computador? Não!”. Para ela, a linguagem corporal é fundamental para que a informação seja apurada, de fato; para que, em suas palavras, o jornalista possa contar “as histórias”, enxergando mais do que um discurso oficial. Isso faz toda a diferença.

Quem observa a maneira explosiva da jornalista entende que essa é a demonstração da sua paixão pelo humano e também de toda a indignação pelas condições a que somos submetidos. E a força da fala vem acompanhada de sincera doçura. “Quando você faz uma reportagem com esse sentimento, você cria um laço amoroso com aquelas pessoas, que fica para sempre. Porque a gente se dá conta de que estamos mexendo com uma vida, a gente tem responsabilidade sobre ela, tem cuidado, porque a vida é como um cristal, se a gente quebrar, não cola mais”.

Durante toda a oficina, Elaine nos brindou com suas histórias, na busca desenfreada por outras histórias. Cada frase carregando imensa riqueza cultural, política e social dos lugares por onde andou. Quem não a ouviu, perdeu muito. Resta saber quem, dos presentes, teve sensibilidade para compreendê-la e, mais do que isso, entender que uma boa reportagem só é possível se o humano atrás da caneta conseguir tocar e ser tocado. 

Por Luana Soutos. 

27 de ago. de 2012

Participe do CURSO DE FORMAÇÃO do SINDJOR-MT

Todos os trabalhadores e lideranças de grupos sociais estão convidados a participar do CURSO DE FORMAÇÃO: COMO FUNCIONA A SOCIEDADE I - realização do Sindicato dos Jornalistas de Mato Grosso e o Núcleo de Educação Popular 13 de Maio. O curso será realizado entre os dias 7 e 8 de setembro, na sede do Centro Burnier, que fica na Rua do Ouro, número 64, bairro Araés, Cuiabá.

VALOR R$10,00 reais
c/ Alimentação e Carona Solidária

FICHA DE INSCRIÇÃO: clique aqui


Seminário da CSA destaca importância estratégica das redes sociais na democratização da comunicação

Evento reúne dirigentes e assessores de dez países latino-americanos em Montevidéu
Escritor por: Camilo Árabe/CSA

22 de agosto de 2012: A democratização da comunicação e imprescindível para evoluir a sociedade mundial em termos democráticos. As novas tecnologias e redes sociais são uma realidade importante e fundamental para a descentralização dos meios de comunicação e o ativismo politico.
Nos dias 20 e 21 de agosto, aconteceu em Montevidéu, Uruguai, o Seminário “Redes Sociais e Ciber Ativismo”. Organizada pela FES Uruguai em parceria com a Confederação Sindical de Trabalhadores e Trabalhadoras das Américas (CSA), participaram da atividade dirigentes sindicais da área de comunicação e jornalistas de dez países latino-americanos: Argentina, Brasil, Colômbia, Costa Rica, Chile, El Salvador, Panamá, Paraguai, Peru e Uruguai.

Na abertura do Seminário, o Secretário Geral da CSA, Víctor Báez, ressaltou a necessidade de lutar contra a hegemonia midiática e por um modelo alternativo. O Secretário alertou o movimento sindical: “Onde mais precisamos de comunicação são os lugares onde estamos piores. Os lugares em que o movimento sindical tem a maior ausência de comunicação são os mesmo onde faltam os direitos essenciais aos trabalhadores e trabalhadoras”. No final da sua fala, Báez destacou: “O papel da CSA é abrir caminhos para que as centrais sindicais desenvolvam sua própria comunicação”.

Em seguida, falou por Skype, Rodrigo Savazoni, responsável pela Casa de Cultural Digital – organização que faz movimentos e atividades nas redes. Rodrigo discorreu sobre o ativismo na rede e possibilidades de mobilização e transformação oferecidas pela internet: “As novas tecnologias não são apenas ferramentas e sim uma mudança cultural”. Disse também que a cultural digital traz como ideia central a colaboração, o trabalho em conjunto e não mais uma audiência passiva: “As pessoas querem participar”.

Sobre o mesmo tema, Omar Rincón, da FES C3, continuou o debate pelas lutas que o movimentos sindical deveria aderir, por exemplo: desafiar a censura e o controle das informações e promover o direito livre à internet. A respeito das mensagens que circulam nas redes sociais e a relação com os jovens, Rincón afirmou que estes “estão de saco cheio de serem educados: não temos que dizer o que fazerem, mas sim propor ações concretas”.

Algumas características das mensagens que circulam nas redes sociais foram levantadas pelos participantes, entre elas: são pessoais e  espontâneas; necessitam ser instantâneas e em tempo real e; o humor contribui para torná-las autênticas.

Democratização da Comunicação
Na continuação, o tema debatido foi como romper o cerco informativo e lutar pela democratização da comunicação. Nessa linha, Alejandro Linares, da Agência Informativa Pulsar – agência de notícias radiofônicas que distribui conteúdo para rádios comunitárias da América Latina e do Caribe – discorreu sobre as oportunidades que a internet oferece: maior participação digital, inovação emergente e eficácia da cultura de colaboração. Por outro lado, ressaltou alguns desafios: “A brecha digital, econômica e cultural; a concentração da propriedade e o analfabetismo digital”.

Linares também destacou uma nova realidade da prática jornalística: “A internet como fonte: hoje em dia, é o primeiro lugar que o jornalista busca informações e dados”. No entanto, alertou que, embora seja verdade que se encontram fontes no Facebook e Twitter, “nem sempre trazem informações precisas”. Deve se tomar cuidado.

O vice-presidente da Federação Internacional dos Jornalistas, Gustavo Granero, contribuiu ao debate e insistiu na necessidade de combater os grandes meios de comunicação que, segundo ele, são movidos unicamente pelos interesses comerciais e econômicos.

“Naturalmente, os donos dos meios de comunicação identificam nesses processos de democratização como ataques a liberdade de expressão, pois atingem em cheio seus interesses. Por isso, a relevância e necessidade de maior participação do conjunto de movimentos sindicais e sociais para estimular o avanço e impedir o retrocesso”, finalizou Granero.

Estratégias de Mobilização e Juventude
No segundo dia, a discussão inicial começou pela escassez das demandas de politicas publicas para a juventude. O presidente do Comitê de Juventude da CSA, Maikol Hernandez, levantou a questão da dificuldade do jovem em obter o primeiro emprego, sem direitos trabalhistas e em condições precárias.

A ausência de espaços democráticos de incidência e participação do jovens foi outro ponto levantado por Maikol, que também criticou o empreendedorismo: “atrás dessa simulação, há uma precarização. Em alguns casos sim, o jovem pode até conseguir sua empresa, porem a figura do empreendedorismo mascara um subemprego, com horários de trabalho fixo, sem direitos e com patrão”.

Trabalho Decente
O tema do Trabalho Decente foi discutido na parte final do Seminário, na qual se buscou consolidar as estratégias e ações fundamentais para a campanha da CSA e suas centrais afiliadas, que ocorrerá no inicio do mês de outubro.

Como pode haver uma empresa sustentável em um mundo insustentável? “Os empresários têm que entender que se querem uma empresa sustentável, é necessário existir um mundo sustentável, porém esse mundo é insustentável: temos que mudá-lo”, disse o Secretario General da CSA, Victor Báez.

O Conceito de Trabalho Decente, criado em 1999 pela Organização Internacional do Trabalho (OIT), se define em “trabalho adequadamente remunerado, exercido em condições de liberdade, equidade e segurança, capaz de garantir uma vida digna aos trabalhadores e trabalhadoras”. O Trabalho Decente é elemento central de um novo mundo que queremos e lutamos: não há empresa sustentável, muito menos um cenário global, sem trabalho decente.

Para concluir, a s novas tecnologias e as redes sociais são muito mais que ferramentas para praticar o ativismo politico; são uma nova maneira cultural de protestar e lutar. Mas que isso, contribuem para a descentralização da comunicação, eixo central da democratização da mesma, que, por sua vez, é ponto chave para o mundo evoluir democraticamente.

FONTE: CENTRAL ÚNICA DOS TRABALHADORES - CUT

7 de ago. de 2012

Senado aprova diploma obrigatório para jornalistas

O Plenário do Senado aprovou, nesta terça-feira (7), a Proposta de Emenda à Constituição (PEC)33/2009, conhecida como PEC dos Jornalistas. A proposta, aprovada em segundo turno por 60 votos a 4, torna obrigatório o diploma de curso superior de Comunicação Social, habilitação jornalismo, para o exercício da profissão de jornalista. A matéria agora segue para exame da Câmara dos Deputados.
Apresentada pelo senador Antonio Carlos Valadares (PSB-SE), a PEC dos Jornalistas acrescenta novo artigo à Constituição, o 220-A, estabelecendo que o exercício da profissão de jornalista é  “privativo do portador de diploma de curso superior de Comunicação Social, com habilitação em jornalismo, expedido por curso reconhecido pelo Ministério da Educação”.
Pelo texto, é mantida a tradicional figura do colaborador, sem vínculo empregatício, e são validados os registros obtidos por profissionais sem diploma, no período anterior à mudança na Constituição prevista pela PEC.
A proposta tenta neutralizar decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) de junho de 2009 que revogou a exigência do diploma para o exercício da profissão de jornalista. De 1º julho de 2010 a 29 de junho de 2011, foram concedidos 11.877 registros, sendo 7.113 entregues mediante a apresentação do diploma e 4.764 com base na decisão do STF.
Debate
A aprovação da PEC, no entanto, não veio sem polêmica. O senador Aloysio Nunes Ferreira (PSDB-SP) lembrou que o STF julgou inconstitucional a exigência do diploma. Para o senador, a decisão do STF mostra que a atividade do jornalismo é estreitamente vinculada à liberdade de expressão e deve ser limitada apenas em casos excepcionais.
Na visão de Aloysio Nunes, a exigência pode ser uma forma de limitar a liberdade de expressão. O parlamentar disse que o interesse na exigência do diploma vem dos donos de faculdades que oferecem o curso de jornalismo. Ele também criticou o corporativismo, que estaria por trás da defesa do diploma.
– Em nome da liberdade de expressão e da atividade jornalística, que comporta várias formações profissionais, sou contra essa medida – disse o senador.
Defesa do diploma
Ao defenderem a proposta, as senadoras Ana Amélia (PP-RS) e Lúcia Vânia (PSDB-GO) se disseram honradas por serem formadas em jornalismo. Para a senadora Vanessa Grazziotin (PCdoB-AM), a aprovação da PEC significa garantir maior qualidade para o jornalismo brasileiro.
O senador Paulo Davim (PV-RN) destacou o papel da imprensa na consolidação da democracia, enquanto Magno Malta (PR-ES) disse que o diploma significa a premiação do esforço do estudo. Wellington Dias (PT-PI) lembrou que a proposta não veta a possibilidade de outros profissionais se manifestarem pela imprensa e disse que valorizar a liberdade de expressão começa por valorizar a profissão.
Já o senador Antonio Carlos Valadares, autor da proposta, afirmou que uma profissão não pode ficar às margens da lei. A falta do diploma, acrescentou, só é boa para os grandes conglomerados de comunicação, que poderiam pagar salários menores para profissionais sem formação.
– Dificilmente um jornalista me pede a aprovação dessa proposta, pois sei das pressões que eles sofrem – disse o autor.
Valadares contou que foi motivado a apresentar a proposta pela própria Constituição, que prevê a regulamentação das profissões pelo Legislativo. Segundo o senador, se o diploma fosse retirado, a profissão dos jornalistas poderia sofrer uma discriminação.
– A profissão de jornalista exige um estudo científico que é produzido na universidade. Não é justo que um jornalista seja substituído em sua empresa por alguém que não tenha sua formação – declarou o senador.
Fonte: Agência Senado
Para ver a matéria no original, clique aqui.

21 de mar. de 2012

Jornalistas têm dificuldade para abordar corretamente delinquência juvenil

Como a mídia trata o jovem em conflito com a lei? Para refletir sobre isso o Sindicato dos Jornalistas de Mato Grosso (Sindjor-MT) foi convidado a compor a mesa de debate “A construção social da delinquência juvenil: do aprendizado ao julgamento”, hoje de manhã, no Centro Cultural da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT). Esta mesa de debate compõe a programação do seminário “Reinserção social de jovens e adolescentes: desafios do sistema socioeducativo”, oferecido a quem trabalha no sistema socioeducativo, de 20 a 21 de março. Ficou claro que de modo geral os jornalistas não estão qualificados politicamente para entender a complexidade do tema e cometem excessos criticados por quem estuda o assunto ou lida no setor.

A representante do Sindjor na mesa, a jornalista Keka Werneck, que é diretora de Mobilização da entidade, disse que não há pesquisa sobre juventude e mídia que dê uma ideia sobre a forma que este assunto é tratado aqui em Mato Grosso. No entanto, várias reflexões, segundo ela, vêm sendo feitas no âmbito do Sindicato.

“Há uma preocupação em compreender esse adolescente infrator inserido em um contexto socioeconômico e não solto no universo. Ele não cai de paraquedas e comete um crime. Mas sim vem de uma família, que vive em um bairro, ele tem uma história e buscar o fio dessa meada é importante para entender o comportamento dele. É preciso observar também o contexto psicológico e cultural que o influencia”, disse Keka.

Na opinião dela, muitas vezes os meios de comunicação dialogam muito mais com a juventude, principalmente a TV e Internet, do que a família, a escola, o Estado. “A TV forma e deforma. A Internet a mesma coisa. Por isso é tão importante os comunicadores saberem o que estão fazendo para que não piorem a situação e sim colaborem na transformação dessa realidade”.

As matérias divulgadas na internet, segundo a sindicalista, denotam também que a sociedade não está preparada para enxergar esse jovem com mais respeito. Os comentários são ofensivos, do tipo “se quer defendê-los, leva para sua casa” ou “esses adolescentes são monstros”.

Para complicar, a delinquência juvenil é pauta factual, quase sempre somente quando uma situação chega ao limite, e não é assunto recorrente de forma reflexiva. “A sociedade consome um notícia de um crime como se fosse um chicletes, mastiga e joga fora e fica por isso mesmo”, critica.

A jornalista destacou a Comissão de Ética do Sindjor-MT. Todos que se sentirem desrespeitados por abordagens equivocadas podem protocolar denúncias, que serão apuradas e possivelmente punidas.

A plenária pediu ao Sindjor-MT que faça formação política junto à categoria sobre esse tema para que mude a abordagem sobre adolescentes que cometem crime.